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Rio+20

22.junho.2012 17:01:12

Quantou custou a Rio+20?

Emanuel Bomfim, enviado ao Rio

Todos os gastos envolvendo a realização da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável foi arcado pelo governo brasileiro, país sede do evento. Infraestrutura, segurança, operação, hospedagem dos representantes do governo são alguns dos itens que recaem sobre o orçamento na Rio+20.  Só para ter uma ideia da vasta e complexa conta, o Brasil bancou dois quartos para cada chefe de Estado na Rio+20, além de facilitar o bloqueio dos demais alojamentos.

Segundo informou o CNO (Conselho Nacional de Organização da Rio+20) ao Estado nesta sexta, 22, o País ficou dentro do orçamento estipulado em 15 de dezembro, divulgado em Lei no Diário Oficial. A quantia gasta, portanto, foi de R$ 430 mihões, sendo R$9 mi para Presidência, R$ 48 mi para o Ministério da Justiça, R$ 200,1 mi para Relações Exteriores, R$ 15,8 mi para o Meio Ambiente e R$ 157,11 mi para Defesa.

Do montante de R$ 200 milhões destinados à montagem e operação da Rio+20, aproximadamente 95% foram empenhados.

Diante da falta de uma prestação de contas mais detalhada, o CNO afirmou que o governo brasileiro irá fazer dentro de algumas semanas um anúncio oficial com os valores empenhados na organização da Rio+20.

 

 

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Emanuel Bomfim, enviado ao Rio

Apesar do número de chefes de Estado ter ficado abaixo da Eco-92, a Rio+20 já figura como maior evento das Nações Unidas na história, ao menos, em número de participantes. Segundo a ONU, foram concedidas 45.381 credenciais nos três dias de conferência no Riocentro, entre delegações, ONGs, profissionais de imprensa e público em geral.

Os eventos paralelos, em especial a Cúpula dos Povos, tornou a Rio+20 ainda mais grandiosa. Segundo governo brasileiro, 35 mil pessoas passaram diariamente pelo local – formado por 50 tendas. Ao todo, foram mais de mil eventos paralelos à reunião oficial.

Na tarde de hoje (22), a plenária irá formalizar a adoção do documento final pelos chefes de Estado. A ONU explicou que não há assinaturas do líderes, apenas uma aceitação unânime. As únicas modificações aplicadas ao meterial foram ortográficas. Não está programado nenhuma cerimônia oficial de encerramento, mas é certo que Ban ki-moon discursará, informou a assessoria de imprensa.

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Emanuel Bomfim, enviado ao Rio

Em coletiva de imprensa na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, nesta quinta, 21, o presidente da Colômbia admitiu que texto final da Rio+20 não atende aos anseios de ambientalistas e ONGs, mas considerou uma vitória o consenso sobre ele.  “Temos que ser realistas: as expectativas que tínhamos há dois meses é que aqui não iria acontecer nada, de que iríamos sair da Rio+20 de mãos vazias”, afirmou.

O líder ainda elogiou o fato de o documento incluir um plano de metas para o desenvolvimento sustentável a partir de 2015, quando se encerra os Objetivos do Milêno. “O fato de termos conseguido adicionar esse grãozinho de areia, já é motivo de satisfação”.

Mais cedo, Santos discursou na plenária da conferência e defendeu que os objetivos de sustentabilidade sejam adaptados de acordo com a realidade de cada país. “Espero que tenha chegado a hora de alcançarmos metas especificas”, disse.

Paraguai

Antes da reunião da Unasul, realizada na tarde de hoje, Juan Manuel Santos adiantou o posicionamento da Colômbia em relação ao processo de impeachment contra o presidente paraguaio Fernando Lugo.

“Nós defendemos os princípios democráticos e essa posição para nós é definitiva, concreta e inegociável”, declarou.

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foto: Divers for Sharks

Paulina Chamorro, do Rio de Janeiro

A inclusão no rascunho zero do tema ‘Oceanos’, que vinha sendo comemorado por vários segmentos da sociedade, acabou ficando (assim como  outros temas), sem metas e com protocolares frases de intenções.

A presidente Dilma Roussef se referiu ao tema em seu discurso na abertura da Confêrencia das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável:

“Os oceanos requerem crescente atenção. A população de diversos países dependem de seus resursos. Devemos cuidar da biodiversidade marinha em alto –mar, dos estoques pesqueiros e dos impactos do clima sobre os oceanos.”

Mas a partir de quando, e como, não foi citado.

Conversei com José Truda Palazzo Jr., observador na Comissão Baleeira Internacional, que ajudou a criar a APA da Baleia Franca  no  sul do país e hoje está na coordenação da Divers For Sharks, no Brasil.

De língua afiada, Truda afirma que falta coragem ao governo para “para bater na mesa e exigir que sejam protegidos os oceanos”

Como você acha que ficou o  tema ‘Oceanos’ no rascunho  zero da Rio+20?

Como diria o Barão de Itararé, ‘de onde menos se espera, daí é que não sai nada’. Esperar que saia alguma coisa de bom na área ambiental deste desgoverno do Brasil é uma ilusão. Tivemos até uma ilusão que nossa delegação, que possui diplomatas muito competentes, pudesse fazer um trabalho melhor na área de oceanos, mas no final do dia o que conta é não fazer política ambiental neste país e muito menos uma orientação para que a gente se lute pela conservação marinha.

Nós temos uma ministra do Meio Ambiente que mentiu para sociedade civil que se ampliaria a conservação do Banco dos Abrolhos, que é o nosso maior patrimônio de biodiversidade marinha. Aqui dentro nós  estamos vendo se repetir uma falta de vértebra, uma falta de coragem de nosso governo para bater na mesa e exigir que sejam protegidos os oceanos, que são fundamentais para sobrevivência do planeta. Agora cabe a sociedade civil continuar brigando e denunciar esta bandalha que é a Rio+20, um desperdício de milhões, um desperdício de energia vergonhoso.

Colocaram ar condicionado para tendas abertas no Riocentro e de cada cimco pessoas, uma é segurança para impedir que sociedade civil possa se manifestar contra este crime que é essa reunião inútil, sem resultados. Cabe a gente continuar lutando.

 No Brasil temos pouquíssimas Unidades de Conservação Marinhas. Porque é difícil seguir exemplos?

A Austrália anunciou um plano  para deixar protegido um terço  de suas águas juridiscionais, sob alguma forma de Unidade de Conservação. Infelizmente nossos governantes não conseguem entender que países modernos, com economia forte, como é o caso da Austrália, querem e devem ter mais áreas de proteção para sustentar essa economia forte.

Nós continuamos destruindo nosso capital natural com uma mentalidade de desenvolvimento da União Soviética dos anos 50, tentando acabar com a pobreza acabando com o  país. Isso não vai dar certo. Nós temos que nos espelhar em exemplos como a Australia, deixar de olhar para países falidos e olhar para países do hemisfério sul, como a África do sul e outros que aprenderam a crescer preservando o meio ambiente.

 

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Nesta terça, 19, a instalação de uma escultura na enseada de Botafogo chamou a atenção de turistas, cariocas e das pessoas envolvidas com as atividades da Rio+20.  Duas baleias feitas de garrafas de plástico formam a obra.

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Clarissa Thomé, do Rio

O desenhista Beto Richart viajou de Barueri, na Grande São Paulo, para o Rio de Janeiro para uma missão quase impossível – entregar uma caricatura feita a grafite do seu ídolo de infância, o ator e ex-governador da Califórnia Arnold Schwarzenegger, que é esperado na cidade para participar da Rio+20.

Richart chegou às 8 horas à portaria do Hotel Fasano, em Ipanema, na zona sul, e passou o dia ali. Acompanhou a movimentação da Polícia Federal e do Exército, que vistoriou o hotel e arredores. Acompanhou a passagem de inúmeras delegações escoltadas por batedores, que passaram em direção ao Leblon e São Conrado.

“Tem segurança reforçada, mas soube que ele é gente boa, simpático”, disse. Em 2009, Richart conseguiu entregar uma caricatura a Sylvester Stallone, que estava no Rio, gravando um de seus filmes.

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Beto Richart exibe desenho que pretende entregar a Schwarzenegger (Foto: Fabio Motta/AE)

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Por Emanuel Bomfim e Paulina Chamorro, no Rio

O lançamento da Carta Brasileira da Terra, na Cúpula dos Povos, foi marcado por muita comoção. A canadense Severn Cullis-Suzuk, que discursou na Eco 92 quando tinha 12 anos, estava de volta ao Rio de Janeiro para avaliar os avanços e retrocessos nas questões ambientais nos últimos 20 anos.

O evento reuniu lideranças ambientais, como a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, e celebridades, como a atriz Letícia Sabatella. Ela é conhecida por sua defesa dos direitos humanos e do meio ambiente. Ficou notório seu bate boca com políticos para manifestar sua indignação pela transposição do Rio São Francisco.

Antes de discursar no evento, ela destacou a importância do engajamento dos jovens nos temas que envolvem a Rio+20. “Como diria Guimarães Rosa: ‘Eu não sei quase nada, mas desconfio de muita coisa’. Essa é uma força que a juventude tem; eles são os grandes amantes da realidade”, opinou a artista.

Apesar da empolgação, ela lembrou que é necessário dar vazão às iniciativas e não ficar só no discurso. “O fato de estarmos numa festa é uma grande catarse, mas não significa que vá mudar muita coisa”, ponderou.

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Emanuel Bomfim, no Rio

Em entrevista à Rádio Estadão ESPN nesta segunda, 18, a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva lamentou a falta de lideranças que possam assumir a bandeira do desenvolvimento sustentável na Rio+20. “Nós temos uma mulher no velho mundo, a primeira ministra alemã Angela Merkel, liderando a agenda para socorrer a crise economia, mas não temos ninguém que se dispõe a liderar a agenda para socorrer a humanidade e o planeta da crise ambiental”, afirmou.

ÁUDIO: Ouça 1ª parte da entrevista
ÁUDIO: Ouça 2ª parte
ÁUDIO: Ouça 3ª parte
ÁUDIO: Ouça 4ª parte
VÍDEO: Ouça trecho da entrevista

Marina ainda criticou o rascunho do documento apresentado pelo Brasil e disse que a Conferência das Nações Unidas corre o risco de ter apenas um acordo entre diplomatas. “Eles vão fazer uma negociação burocrática, vão colocar objetivos genéricos”.

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(Foto: Divulgação)

Por Emanuel Bomfim e Paulina Chamorro, no Rio

O efeito visual é impressionante, mas quem deve estar “comemorando” são os peixes que vivem na Lagoa Rodrigo Freitas, na zona sul do Rio de Janeiro. Com a instalação de um telão de 600 metros quadrados, formado por jatos de água, a lagoa passou a ser mais bem oxigenada, aliviando um pouco o excesso de esgoto e outros sedimentos que são despejados no local, um dos cartões postais da capital fluminense.

A instalação provisória é o principal chamariz do projeto Aqualume, espécie de plataforma para apresentar ao público as ações do Movimento Cyan e o projeto Água Brasil, voltados para educação ambiental na preservação dos recursos hídricos.

“Quem sabe isso não se torne um presente definitivo para a cidade?”, adianta Ricardo Rolim, diretor de relações socioambientais da Ambev, empresa promotora do evento.

Até o final da Conferências das Nações Unidas Sobre Desenvolvimento Sustentável, no dia 24, o telão irá receber diversas projeções audiovisuais, sempre no período da noite, entre 19h e 22h. Atrações circenses e musicais também fazem parte da programação do Aqualume na Rio+20. Veja aqui a programação completa.

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(Foto: Divulgação)

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Bruno Deiro, no Rio

Com poucos recursos, um grupo de estudantes da Universidade de Brasília (UnB) que viajou 15 horas de ônibus até o Rio trouxe na bagagem três isopores cheios de picolé de frutas típicas do Cerrado e da Amazônia para ganhar um dinheiro extra na Cúpula dos Povos.

Por R$ 4, era possível escolher entre os sabores Cupuaçu, Pupuaçu, Mangaba, Cajá-manga, Cagaita, Jaboticaba, Açaí, Graviola, Pequi, Bacuri e Cajuzinho do Cerrado. “Enchemos os isopores com gelo e fomos trocando ao longo da viagem para que não derretesse”, explica Felipe Pires, de 20 anos, estudante de Engenharia Florestal. Segundo ele, os picolés foram comprados pelo grupo em cidades
satélites da Brasília, para serem revendidos.

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