Emanuel Bomfim, do Rio
Em entrevista coletiva após abertura da Rio+20, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban ki-moon, afirmou que esperava um documento final mais ambicioso. “Vocês precisam levar em conta que as negociações foram muito difíceis e demoradas. O documento serve para reafirmar as políticas dos líderes mundiais. O mais importante é que o documento tenha recomendações que sejam colocadas em prática por eles. Tenho dito que este não é o fim, mas o início de muitos processos que ainda virão”, destacou.
Ban Ki-moon ainda ressaltou a importância dos líderes assumirem compromissos firmes com uma política ambiental a partir de agora e alertou sobre a necessidade de tomar medidas emergenciais. “Estamos em um caminho perigoso. A natureza não negocia com os seres humanos. Nós temos recursos limitados em nosso planeta.”
Para secretário da ONU, um dos legados da Rio+20 será seu potencial catalisador de mudanças globais. Ban ainda parabenizou o Brasil na condução das negociacões e acordo no texto final entregue a todos os chefes de Estado, mas lamentou os poucos avanços na área ambiental nos últimos vinte anos.

(Foto: Marcos D Paula/AE)
Tiago Rogero, do Rio
Um dos mais experientes negociadores na Rio+20, o chefe da delegação italiana, Corrado Clini, ministro do Meio Ambiente, afirmou que o sucesso da Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável está nas costas do Brasil. Para o ministro, a liderança brasileira nas negociações ainda não está clara. Clini, que chefiou a delegação italiana também nas negociações da Rio-92 e na Conferência sobre Mudanças Climáticas que resultou no Protocolo de Kyoto, em 1997, cobrou uma postura mais determinante do Brasil.
O País, segundo ele, vai desempenhar um papel fundamental se assumir a liderança do debate. “Confio que o Brasil será capaz de liderar, mas, no momento, essa situação não está tão clara. Estamos em uma fase difícil (das negociações)”, disse ontem, após evento no estande italiano montado no Parque dos Atletas, na Barra da Tijuca. Para o ministro italiano, o Brasil tem seguido muito a posição dos BRICs (grupo que inclui, além do País, China, Índia, Rússia e África do Sul), mas “há conflitos”.
Ele mandou um recado ao governo brasileiro: “O Brasil deveria começar a trabalhar levando em conta que a posição da União Europeia não é contra as economias emergentes; estamos sugerindo um roteiro para o futuro”, afirmou.
Clini disse que está defendendo, dentro da União Europeia, uma abordagem “mais amistosa” para os pontos em desacordo nas negociações: “Porque acredito que temos de evitar o fracasso dessa conferência”.
Para o chefe da delegação italiana, o pedido dos países emergentes de financiamento pelos mais desenvolvidos é uma discussão ultrapassada. “Hoje, as economias emergentes estão mais fortes que os países desenvolvidos. Enquanto as economias de China, Brasil e Índia estão crescendo rápido, a nossa está declinando. Então, em termos reais, estamos tendo uma discussão no formato da Rio-92, não da Rio+20”.
Clini afirmou que a proposta da União Europeia – baseada no conceito de economia verde – aborda o desenvolvimento sustentável levando em conta a “realidade” atual, “com China, Brasil, Índia e África do Sul conduzindo o crescimento”. “Enquanto isso, nas negociações, querem que destinemos mais e mais dinheiro para apoiar os emergentes”.
Emanuel Bomfim, enviado ao Rio de Janeiro
A aridez que domina o debate ambiental na semana da Rio+20 deu passagem para uma exibição de gala na noite desta terça-feira, 12 de junho. A cantora Maria Bethânia levou seu show ”Bethânia e as Palavras” ao palco do Auditório Humanidade, no Forte de Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro. O local, batizado de “Humanidade2012″, recebe uma série de eventos paralelos à Conferência da ONU. Amanhã, 13, será a vez de Caetano Veloso se apresentar para uma restrita plateia de cerca de 400 pessoas.
As senhas distribuídas hoje, às 18h, se esgotaram rapidamente. Às 19h45, Bethânia iniciou sua performance, um misto de recital literário com show musical propriamente dito. Ela estava acompanhada de seu fiel parceiro nos violões, o maestro Jaime Allen, e do percussionista Carlos Cesar. Bia Lessa, criadora do espaço em Copacabana, fez as honras da casa e não economizou no discurso: “Não poderia ter sido melhor pessoa para inaugurar este auditório do que a imprescindível Bethânia.”
Confortável, Bethânia passa a maior parte do tempo lendo poemas. Os trechos musicais são mais tímidos, servem de passagem para novas récitas, extraídas da obra de autores como Padre Vieira, Guimarães Rosa, Manuel Bandeira e, principalmente, Fernando Pessoa e seus heterônimos (Alberto Caieiro e Álvaro de Campos). Sua devoção pelo trabalho do português já lhe rendeu a Ordem do Desassossego, conferida pela Casa Fernando Pessoa, instituição de Portugal.
No meio da apresentação, ela faz questão de frisar: sua habilidade na leitura é fruto dos ensinamentos de um professor da época do colégio, quando morava na Bahia. ”É a prova que é possível ter boa educação nas escolas brasileiras”, defende. O público aplaude. Mas fica ainda mais alvoroçado nas interpretações de clássicos como “Romaria”, de Renato Teixeira, e “Dança da Solidão”, de Paulinho da Viola.
Em nenhum momento ela fez menção direta à Rio+20, mas o show é permeado por temáticas compatíveis com a reunião ambiental. Fala de natureza, de índios, de rios e do sertão brasileiro. Seu último disco não teria nomes mais apropriado: “Oásis”. Em seu exercício poético, Bethânia, assim como tantos ambientalistas, parece imaginar um mundo ideal.
Agência Brasil
A Organização das Nações Unidas (ONU) está incentivando internautas a participar nesta quarta-feira, 30, de uma campanha sobre a Rio+20. A ideia é mobilizar os cidadãos acerca das discussões da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que ocorrerá no Rio entre os dias 13 e 22 de junho, a fim de garantir resultados mais concretos para o evento.
A ONU pede que os internautas usem as redes sociais, como o Twitter e o Facebook, para amplificar as mensagens da conferência. No Twitter, os usuários poderão mandar mensagens para a ONU, usando as palavras-chave #RioMais20, #FutureWeWant e #eusounos. As melhores mensagens serão divulgadas pelas Nações Unidas.
No Facebook, espera-se que os internautas compartilhem os vídeos e as fotos da campanha, que podem ser encontrados no endereço eletrônico http://on.fb.me/MUdqsj. A campanha também será veiculada pelo Google+ http://gplus.to/ONUBrasil) e pelo Youtube http://www.youtube.com/unicrio).
2012