Emanuel Bomfim, no Rio
Em entrevista à Rádio Estadão ESPN nesta segunda, 18, a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva lamentou a falta de lideranças que possam assumir a bandeira do desenvolvimento sustentável na Rio+20. “Nós temos uma mulher no velho mundo, a primeira ministra alemã Angela Merkel, liderando a agenda para socorrer a crise economia, mas não temos ninguém que se dispõe a liderar a agenda para socorrer a humanidade e o planeta da crise ambiental”, afirmou.
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Marina ainda criticou o rascunho do documento apresentado pelo Brasil e disse que a Conferência das Nações Unidas corre o risco de ter apenas um acordo entre diplomatas. “Eles vão fazer uma negociação burocrática, vão colocar objetivos genéricos”.
O Estado de S. Paulo
As discussões na Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, serão orientadas segundo dois eixos básicos: a economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza e o arcabouço institucional para esse mesmo desenvolvimento.
Sobre o primeiro eixo, a Rádio Estadão ESPN, em parceria com o Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas (GVces), o Instituto Socioambiental (ISA) e o Instituto Vitae Civilis, organizou anteontem um debate com o coordenador do GVces, Mario Monzoni, e o coordenador de Processos Internacionais do Vitae Civilis, Aron Belinky, sob mediação de André Carvalho, do Gvces.
Economia verde
Monzoni - A gente deveria trabalhar para construir uma matriz de incentivos (econômicos) que privilegiasse o desenvolvimento sustentável e não o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).
Belinky - Economia verde não pode ser vista só como um conjunto de oportunidades de negócio. Algo do tipo: passou a moda da sustentabilidade, já tinha passado a do ecológico… vamos agora para a da economia verde. Isso vai atrapalhar mais que ajudar.
Desafios
Belinky - A discussão pública evita temas menos confortáveis. Em primeiro lugar, o conflito distributivo que, para ser resolvido, exige que alguns abram mão de algo. Em segundo lugar, a necessidade de redefinir o padrão de vida das pessoas. Com a tecnologia atual, não dá para todo mundo ser da classe média brasileira. Essa discussão é escamoteada porque ela é antipática, gera divisão. De fato, não é um problema econômico, mas político: como viabilizar uma transição assim?
Brasil
Monzoni - (Creio que a presidente Dilma Rousseff pensa:) “Está tudo bom, obrigado”. O Brasil tem 50% da matriz energética renovável e poucos países tiraram tanta gente da miséria nos últimos tempos. Quem tiver resultados melhores que atire a primeira pedra. E, assim, o movimento que a gente quer de uma nova agenda não encontra ressonância no governo. No poder não está a agenda do desenvolvimento sustentável. Está aquela para quem crê que faz todo sentido investir no marketing de produtos, mesmo desnecessários, porque aumenta o consumo e o PIB. Quando vai mudar? Com outra agenda…
Rio+20
Belinky - A Rio+20 tem de ser vista como uma peça em dois atos. Se a gente achar que o jogo termina no dia 23 de junho, ficaremos frustrados. Estamos colocando os problemas na mesa para sair de lá com meia dúzia de eixos que devem ser trabalhados no curto prazo e marcar uma agenda para 2015, quando será o lançamento das metas do desenvolvimento sustentável e começará a implementação forte. Ou seja, A Rio+20 vai durar mais três anos até o segundo ato estar concluído.
ÁUDIOS
Manzoni:
Belinky:

País anfitrião não parece ter feito a ‘lição de casa’ (Foto: Tasso Marcelo/AE)
Por Emanuel Bomfim
Estamos a pouco mais de duas semanas da Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que acontecerá no Rio de Janeiro, entre os dias 13 a 22 de junho. Sua realização, no entanto, já vem provocando efeitos há mais tempo na ‘Rádio Estadão ESPN’ e no jornal ‘O Estado de S. Paulo’. Este é, talvez, um dos principais méritos dos encontros oficiais: o debate que os cercam. É quando imprensa, sociedade civil, organizações diversas e autoridades desenham suas intenções e expectativas. Nesta segunda (28), por exemplo, a Estadão ESPN fez o último dos três debates na Fundação Getúlio Vargas para esquentar a discussão em torno do encontro. O tema não poderia ser mais atual: economia verde.
Há muitos obstáculos a serem enfrentados pela Conferência, frutos, em grande parte, do parodoxo de combinar desenvolvimento com sustentabilidade. É viável crescer sem destruir? Grande parte das ONGs e ambientalistas que estarão na capital fluminense quer provar que sim. Ou melhor, convencer aos governos a se comprometerem com tamanho desafio. Não é só a urgência de “salvar o planeta” que guia o debate ambiental, mas o “como”, as medidas que garantem a “governança”, para usar um termo em voga.
Os temas centrais escolhidos para Rio+20 mostram a abrangência e complexidade do encontro:
- a transição para uma Economia Verde com contexto da preservação do meio ambiente e biodiversidade e com a perspectiva de erradicação da pobreza e de desigualdades
- o quadro institucional (instrumentos de governança) para o Desenvolvimento Sustentável
Que o Rio de Janeiro vai estar lotado, não há dúvida. Difícil, porém, é crer que os principais e requisitados atores desta história vão marcar presença – na prática, os representantes dos países que mais poluem. Na Eco 92, há vinte anos, 108 chefes de Estado estiveram por aqui, incluindo George W. Bush. Na Rio+20, Obama é esperado, mas não deve vir, por conta de sua campanha nas eleições americanas. O primeiro ministro do Reino Unido, David Cameron, e a chanceler alemã Angela Merkel já disseram que não vêm. Dilma e o Itamaraty se esforçam para que não seja fiasco, mesmo num ambiente de crise econômica dominando o debate mundo afora.
Diferente do clima de incerteza que marca reunião oficial, é certo que o espaço designado para ONGs, entidades e empresas irá ferver, a chamada Cúpula dos Povos. São dezenas de eventos paralelos que servirão para pressionar autoridades e chamar a atenção para todo tipo de causa ambiental e social. O desafio, aqui, será compreender e hierarquizar tanto insumo de ideias, reclamações e, quem sabe, até de soluções.
Com este blog, o objetivo é não só cobrir o evento como um todo, mas mapear aquilo de mais relevante que deverá pipocar ao longo do próximo mês. Bastidores, preparativos, personagens e o desempenho do Brasil como anfitrião também estarão em pauta a todo momento. Além dos textos, fotos e vídeos, muitos áudios marcarão nossa cobertura, num esforço conjunto entre as redações da rádio, jornal e portal.
Aqui, alguns links importantes que agregam nesta cobertura e imersão pelo assunto:
Página de Tópicos do Estadão: http://topicos.estadao.com.br/rio-20
Radar Rio+ 20, na Estadão ESPN: http://radio.estadao.com.br/programas/radar-rio20,331.htm
Site oficial da Rio+20: http://www.rio20.gov.br/
Rio+20 nas Nações Unidas: http://www.rio20.info/2012/
Seja bem vindo e aproveite o espaço para contribuir com este blog!
2012