Rio+20

Alfredo Junqueira – Agência Estado

Da esquerda para a direita: Ecktar Wuerzner, de Heildelberg; Franklyn Tau, de Johannesburgo; Won Soon Park, de Seul; Eduardo Paes, do Rio de Janeiro; Michael Bloomberg, de Nova York; Babatunde Fashola, de Lagos; Gilberto Kassab, de São Paulo; e Eduardo Macri de Buenos Aires.

 

As 59 cidades que integram a Cúpula dos Prefeitos (C40) anunciaram que pretendem reduzir suas projeções de emissões de gás carbônico em 45% até 2030. As metas estipuladas pelo grupo que reúne as maiores metrópoles do mundo estimam que deixem de ser lançadas na atmosfera cerca de 1,3 bilhão de toneladas no intervalo de 20 anos. Caso consigam cumprir seus objetivos, as cidades do C40 emitirão em 2030 praticamente a mesma quantidade de poluentes que lançaram em 2010.

Em solenidade comandada pelo prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, que também preside a C40, representantes das cidades cobraram dos governos centrais de seus países mais apoio e autonomia para políticas públicas locais. Eles também reforçaram que pretendem cumprir suas metas e estreitar seus laços mesmo que os chefes de Estado na Rio+20 não cheguem a um consenso até o final da cúpula, prevista para terminar na sexta-feira.

“As metropoles já estao implementando estratégias de reducao de gases de efeito estufa. Todas as cidades do c40 tem programas em andamento. Nao esperamos pelos governos nacionais tomarem a dianteira e liberarem recursos”, disse Bloomberg. “Mas precisamos da autonomia e das ferramentas para implementar nossas políticas públicas locais”, destacou o prefeito de Nova York.

De acordo com dados divulgados pelo grupo, as cidades membros da organização emitiram 1,7 bilhão de toneladas de gás carbônico em 2010 e projetam que esse montante chegue a 2,9 bilhão de toneladas até 2030 se nada for feito. Caso consigam cumprir todas as metas acordadas, esses municípios vão lançar em torno de 1,6 bilhão de toneladas em 2030.

Os dados e reduções previstas consideram, no entanto, apenas 48 das 59 cidades da C40. Trata-se dos municípios que têm informações detalhadas emissões e investimentos.

“O mais importante é o compromissos das cidades de deixar de emitir mais de um milhão de toneladas de gases do efeito estufa pelas cidades. Até 2020, já evitaremos 250 milhões de toneladas. Isso é impacto fantástico”, avaliou o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB). “Seria muito confortável a gente sempre ficar esperando dos chefes de estado e de governo que eles tomem as decisões e façam tudo. Os prefeitos podem ir tomando atitudes independente dos grandes acordos dos chefes de estado”, disse Paes.

De acordo com a C40, as cidades que participam do grupo reúnem 544 milhões de pessoas, o que representa 8% da população mundial, e somam 13 trilhões de dólares de orçamento – ou 20% do total do mundo.

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RIO – Na abertura oficial da Cúpula dos Prefeitos, evento paralelo à Rio+20, o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB) criticou a concentração de poder e de recursos nos governos centrais – o que, segundo ele, dificulta a implementação de políticas públicas na área ambiental e de sustentabilidade.

Ele sugeriu aos representantes das outras metrópoles presentes ao evento que sejam estabelecidas metas ambientais e de sustentabilidade ao final do encontro – programado para amanha, no espaço Humanidade 2012, no Forte de Copacabana. O município do Rio vai propor que as cidades que integram a Cúpula reduzam em 12% as emissões de gases até 2016.

“É fundamental que cada vez mais os governos locais estejam empoderados (sic) sob ponto de vista financeiro, para que eles realizem e implementem as suas políticas publicas”, disse Paes. “Mas a verdade é que esse encontro tem que ser muito mais que um espaço para que nós, prefeitos, ou governantes locais, estejamos aqui para reclamar, contestar”, afirmou o prefeito do Rio.

Paes convocou os demais prefeitos a estabelecer metas e “inspirar” os chefes de Estado que participarão da cúpula principal da Rio+20, no Riocentro entre os dias 20 e 22. “Todos nós esperamos que as decisoes oficiais tomadas na Rio+20 avancem no sentido de ampliar os desafios da sustentabilidade. Mas o primeiro passo que os governos locais podem dar, até para inspirar os chefes de estado, é tomar decisoes concretas e entender que esse jogo só vai ser mudado se todos nós agirmos”, afirmou.

O prefeito do Rio participa agora do anúncio do Programa de Desenvolvimento de Baixo Carbono da cidade financiado pelo Banco Mundial.

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