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Rio+20

Herton Escobar – O Estado de S. Paulo

O documento base que definirá as decisões da Rio+20 não ficará pronto nesta sexta-feira, 15, último dia programado de diálogos oficiais. Às 23 horas, o Brasil assumirá a presidência da conferência e definirá qual será o modelo de negociação para os próximos dias. A meta é finalizar o texto até o dia 19, antes do início da cúpula de alto nível que encerrará a conferência, no dia 20, com a participação de chefes de Estado.

Apesar dos impasses que dificultam a negociação, Nikhil Seth, um dos porta-vozes da ONU no evento, fez uma avaliação positiva da situação. “Em todas as salas de negociação há um sentimento de otimismo cauteloso”, disse, em entrevista coletiva no Riocentro. “A sensação geral é de que nosso maior inimigo agora é o tempo.”

Com relação à negociação dos meios de implementação (incluindo a transferência de recursos financeiros e tecnológicos de países ricos para países em desenvolvimento), tema mais difícil da conferência, Seth disse que um novo texto foi proposto pelo facilitador do grupo de trabalho que discute o assunto e que as negociações continuam em aberto.

Segundo ele, o novo texto não contém “valores de dólar”, em referência a uma proposta do Grupo dos 77 mais China de criar um fundo internacional de apoio ao desenvolvimento sustentável, no valor de US$ 30 bilhões por ano. A proposta é rejeitada pelos países desenvolvidos, que teriam de contribuir com a maior parte deste valor.

Ainda não se sabe como as negociações serão conduzidas nos próximos três dias. Isso será definido pelo Brasil, em consulta com os outros países, e anunciado na noite desta sexta, após o encerramento da agenda formal de negociações do Comitê Preparatório (PrepCom) da conferência.

“Não há plano B”, garantiu Seth, referindo-se à possível apresentação de um texto alternativo ao que já vem sendo negociado – como já ocorreu em outras conferências, como a da Convenção do Clima em Copenhague, em 2009, quando um grupo de presidentes da Europa e dos Estados Unidos acabou produzindo um documento próprio de última hora para evitar um fracasso total do encontro.

Seja qual for o formato escolhido pelo Brasil, ele garantiu que será um processo “transparente”.

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Giovana Girardi – O Estado de S. Paulo

No segundo dia da fase final de negociações preparatórias da Rio+20, que deveria ser capaz de finalizar um texto para ser debatido pelos chefes de Estado, o impasse em torno dos principais temas continua. Mais uma vez, a ONU clamou aos negociadores que acelerem as discussões e consigam alcançar acordos até amanhã.

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“O humor de todos está muito mais positivo do que havia em Nova York (no penúltimo encontro, no começo do mês), mas há uma certa preocupação que não estamos indo tão rápido quando precisaríamos e que o progresso das negociações precisa ser acelerado para chegar a um fechamento justo e inclusivo”, afirmou em coletiva à impressa Nikhil Seth, do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU.

Os principais problemas, diz, continuam sendo nos temas mais esperados como resultado da conferência: os meios de implementação do desenvolvimento sustentável e a transferência de tecnologia. Outro ponto delicado é o que estabelece a reafirmação de princípios assumidos durante a Rio-92, como o das responsabilidades comuns, porém diferenciadas, que prevê que os mais ricos, por historicamente terem contribuído mais com a degradação do planeta, devem pagar mais.

Em relação a qual deve ser o próximo passo, caso não se chegue a um acordo até amanhã, o representante da ONU disse que esses detalhes ainda devem ser estabelecidos em uma reunião ao final do dia. Mais cedo, porém, um outro membro das Nações Unidas afirmou que provavelmente o governo brasileiro vai assumir o rumo das negociações.

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