BBC
Estrelas da música e do cinema como Thom Yorke, Paul McCartney e Robert Redford são algumas das figuras que apoiam a nova campanha do Greenpeace para a preservação do Ártico, lançada na Rio+20.
A ONG ambiental está colhendo assinaturas em todo o mundo para que a ONU transforme a região polar em um santuário. A meta é conseguir um milhão de apoiadores contra a exploração de petróleo, a pesca predatória e outras atividades que ameaçam o Ártico.
Membros do Greenpeace dizem que o lançamento da campanha já faz parte das ações de resposta da ONG ao documento oficial da Rio+20, considerado um fracasso e sem ambições. “A reação começa aqui. O Ártico está sob ataque, e precisamos de pessoas de todo o mundo para exigir proteção”, diz Kumi Naidoo, diretor-geral do braço internacional da ONG.
Os primeiros cem signatário são empresãrios, artistas e cientistas, entre eles os atores Penélope Cruz e Javier Bardem e o diretor Pedro Almodovar, além de Yorke, do Radiohead e do ex-Beatle Paul McCartney.
“Parece loucura querer ir aos locais mais longínquos para encontrar as últimas gotas de petróleo restantes quando todos dizem que é preciso abandonar os combustíveis fósseis para garantir um futuro para as nossas crianças. Algum hora, em algum lugar, teremos que tomar uma atitude. Acredito que a hora é agora”, disse McCartney.
O Ártico é a região do planeta onde as temperaturas se elevam mais rapidamente. A área coberta pelas calotas polares está diminuindo ano a ano. Se a tendência continuar, neste ano será quebrado o recorde negativo de superfície coberta por camadas de gelo na região.
Glauber Gonçalves – Agência Estado
Um debate sobre infraestrutura e sustentabilidade opôs representantes da indústria, de um lado, e autoridades ambientais e ambientalistas de outro neste sábado, 16, no Forte de Copacabana, durante o Humanidade 2012, evento paralelo à Rio+20. No evento, a presidente do conselho do Greenpeace, Ana Toni, cobrou que a indústria do aço direcione sua produção para o desenvolvimento do transporte coletivo em detrimento do individual.
Em resposta, Benjamin Steinbruch, presidente da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), uma das maiores produtoras do insumo do País, e vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), disse que essa é uma questão que depende mais de políticas públicas. A declaração foi rebatida pela ambientalista. “Da forma que você coloca, parece que as empresas não têm poder de escolha”, disse.
A postura foi contestada também pela a presidente do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) do Rio de Janeiro, Marilene Ramos. Ela criticou a posição de empresários da indústria favoráveis às políticas do governo de incentivo á compra de automóveis. “Certamente, a Fiesp e a Firjan (federações da indústria de São Paulo e do Rio) e a CNI (Confederação Nacional da Indústria), estiveram lá (em Brasília) para discutir as saídas para a crise e apoiaram esse tipo de medida”, declarou.
Marilene acrescentou que as empresas têm condições de influenciar na formulação de políticas nacionais em prol da sustentabilidade e afirmou que deveriam agir nesse sentido. “Uma postura arrojada do setor empresarial pode ajudar muito”, cobrou. Após o evento, Steinbruch atenuou o discurso e afirmou que a indústria vai se envolver no debate sobre a priorização do transporte coletivo no País.
“Temos que conversar, ver o que precisa e levar de forma conjunta para o Estado para que priorize essa política. A política de transporte público é do Estado. Não temos como assumir isso, mas de certa forma temos como induzir”, declarou.

Emanuel Bomfim e Paulina Chamorro, no Rio de Janeiro
Uma das principais sensações da Rio+20 está atracada no Píer Mauá. É o sofisticado navio do Greenpeace “Rainbow Warrior”, utilizado pela ONG em campanhas de conscientização e protestos pelo mundo. A partir deste sábado, 16, o público poderá visitar a embarcação – que está em mares brasileiros desde março.
“Objetivo da vinda do navio, além de mostrá-lo, é falar das nossas principais campanhas no Brasil, como a lei do desmatamento zero e a campanha de energia, para promover as fontes renováveis”, disse Ricardo Baitela, coordenador de campanhas da Organização.
Segundo ele, o Brasil pouco avançou no uso extensivo de energias renováveis. “O que nós temos como placar energético é que conseguimos nos desenvolver, mas uma série de ações poderiam ter sido feitas para Conferência e não foram. Ainda temos carência de planejamento, de uma política integrada de energias que poderiam traduzir todo este potencial. Temos energias baratas, mas que não podem ser adquiridas pela população”.
O Greenpeace atuará em seminários durante a Cúpula dos Povos, mas não esconde o pessimismo diante dos possíveis resultados da Rio+20. “Desde a Eco-92 até hoje andamos para trás. Somos uma das maiores economias do mundo, mas somos o 3º maior emissor, somente atrás de Estados Unidos e China”, alertou Baitela.
2012