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Rio+20

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Emanuel Bomfim, do Rio

Quem chega ao Rio de Janeiro, de imediato, tem a impressão que o marco da Rio+20 é o Forte de Copacabana, na zona sul do Rio, sede do ‘Humanidade2012’ – um dos eventos paralelos à Conferência. Também, pudera: uma estrutura imponente, tecnológica, montada no final da orla de Copacabana, à beira-mar, só poderia atrair olhares de curiosos e de quem nada tem a ver com a Rio+20.

Se a maior parte dos eventos tem sofrido para receber visitantes, como o Parque dos Atletas, a instalação vive badalada. Autoridades, jornalistas, crianças de escola pública, convidados, todo tipo de gente tem frequentado o local nos últimos dias. A programação ajuda, é bem verdade. Além dos seminários, há exposições interativas e uma programação cultural refinada, que já promoveu os shows de Maria Bethânia e Caetano Veloso. Tudo gratuito.

A direção artística do local é assinada por Bia Lessa, que recebeu a reportagem da Rádio Estadão ESPN nesta quinta-feira, 14. Segundo ela, foram necessários três meses para levantar a estrutura, toda formada por andaimes, tal qual uma obra em construção. “Foi um trabalho a fórceps, que é muito duro, porque é um esforço coletivo muito grande, ao mesmo tempo que é muito parecido com a situação vivemos atualmente: é importante que o homem de um passo à frente a fórceps”.

Há muito verde, materiais recicláveis, salas confortáveis e um auditório de babar. “Esse é um prédio todo transformado. Ele já veio de algo que já existia e será futuramente outra coisa, como eu, que hoje sou Bia Lessa e amanhã vou ser poeira”.

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Emanuel Bomfim, enviado ao Rio de Janeiro

A aridez que domina o debate ambiental na semana da Rio+20 deu passagem para uma exibição de gala na noite desta terça-feira, 12 de junho. A cantora Maria Bethânia levou seu show  ”Bethânia e as Palavras” ao palco do Auditório Humanidade, no Forte de Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro. O local, batizado de “Humanidade2012″, recebe uma série de eventos paralelos à Conferência da ONU. Amanhã, 13, será a vez de Caetano Veloso se apresentar para uma restrita plateia de cerca de 400 pessoas.

As senhas distribuídas hoje, às 18h, se esgotaram rapidamente. Às 19h45, Bethânia iniciou sua performance, um misto de recital literário com show musical propriamente dito. Ela estava acompanhada de seu fiel parceiro nos violões, o  maestro Jaime Allen, e do percussionista Carlos Cesar. Bia Lessa, criadora do espaço em Copacabana, fez as honras da casa e não economizou no discurso: “Não poderia ter sido melhor pessoa para inaugurar este auditório do que a imprescindível Bethânia.”

Confortável, Bethânia passa a maior parte do tempo lendo poemas. Os trechos musicais são mais tímidos, servem de passagem para novas récitas, extraídas da obra de autores como Padre Vieira, Guimarães Rosa, Manuel Bandeira e, principalmente, Fernando Pessoa e seus heterônimos (Alberto Caieiro e Álvaro de Campos). Sua devoção pelo trabalho do português já lhe rendeu a Ordem do Desassossego, conferida pela Casa Fernando Pessoa, instituição de Portugal.

No meio da apresentação, ela faz questão de frisar: sua habilidade na leitura é fruto dos ensinamentos de um professor da época do colégio, quando morava na Bahia.  ”É a prova que é possível ter boa educação nas escolas brasileiras”, defende. O público aplaude. Mas fica ainda mais alvoroçado nas interpretações de clássicos como “Romaria”, de Renato Teixeira, e “Dança da Solidão”, de Paulinho da Viola.

Em nenhum momento ela fez menção direta à Rio+20, mas o show é permeado por temáticas compatíveis com a reunião ambiental. Fala de natureza, de índios, de rios e do sertão brasileiro. Seu último disco não teria nomes mais apropriado: “Oásis”. Em seu exercício poético, Bethânia, assim como tantos ambientalistas, parece imaginar um mundo ideal.

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