A Arena Socioambiental, um espaço de diálogo do governo federal com a sociedade civil em torno dos temas da Rio+20, foi aberta nesta manhã, 16, como parte da Cúpula dos Povos.
Segundo o ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, a ideia principal do governo é ouvir as demandas e sugestões da população. “Esse espaço é um grande orelhão, onde o governo quer ouvir a sociedade. As relações entre governo e sociedade civil é sempre tensa, mas é levando esse diálogo que seguiremos encontrando os melhores caminhos”, disse.
A ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, fez o discurso de abertura e leu uma carta enviada pelo ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que participaria do evento, mas cancelou presença por questões médicas. Na carta, Lula pediu vontade política para associar o desenvolvimento econômico, social e ambiental.
O primeiro debate, sobre o enfrentamento à pobreza, começa na tarde deste sábado com os ministros do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas, e do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello.
Por Emanuel Bomfim e Paulina Chamorro
É comum absorvemos termos e expressões dos mais diversos sem ao menos nos darmos conta do que se trata. No universo “ambiental”, há uma série destes jargões, usados a esmo, do tipo: sustentabilidade, economia de baixo carbono, ecodesenvolvimento… Há sempre uma discussão semântica de pano de fundo, mas a conceitual costuma ser mais valiosa, ainda que ambas estejam atreladas.
Na Rio+20, a oratória de boa parte dos ambientalistas estará afinada com a tal ‘Economia Verde’. Tanto é que ela é um dos temas centrais da Conferência. De fato, mais do que mais um jargão, a economia verde implica em práticas essenciais para um mundo mais inclusivo, digamos. Na definição do Pnuma, Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, ela é vista como aquela que promove o bem-estar humano e igualdade social, além de reduzir os riscos ambientais e escassez ecológica.
Ainda assim, soa nebuloso, não acha?
Justamente por isso, a Rádio Estadão ESPN (92,9 e 700 – SP) realizou nesta segunda, 28, um debate na FGV totalmente voltado para o tema. E quem deu um show de argumentação foi Aron Belinki, especialista do Vitae Civilis. Vale a pena dar uma ouvida:

País anfitrião não parece ter feito a ‘lição de casa’ (Foto: Tasso Marcelo/AE)
Por Emanuel Bomfim
Estamos a pouco mais de duas semanas da Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que acontecerá no Rio de Janeiro, entre os dias 13 a 22 de junho. Sua realização, no entanto, já vem provocando efeitos há mais tempo na ‘Rádio Estadão ESPN’ e no jornal ‘O Estado de S. Paulo’. Este é, talvez, um dos principais méritos dos encontros oficiais: o debate que os cercam. É quando imprensa, sociedade civil, organizações diversas e autoridades desenham suas intenções e expectativas. Nesta segunda (28), por exemplo, a Estadão ESPN fez o último dos três debates na Fundação Getúlio Vargas para esquentar a discussão em torno do encontro. O tema não poderia ser mais atual: economia verde.
Há muitos obstáculos a serem enfrentados pela Conferência, frutos, em grande parte, do parodoxo de combinar desenvolvimento com sustentabilidade. É viável crescer sem destruir? Grande parte das ONGs e ambientalistas que estarão na capital fluminense quer provar que sim. Ou melhor, convencer aos governos a se comprometerem com tamanho desafio. Não é só a urgência de “salvar o planeta” que guia o debate ambiental, mas o “como”, as medidas que garantem a “governança”, para usar um termo em voga.
Os temas centrais escolhidos para Rio+20 mostram a abrangência e complexidade do encontro:
- a transição para uma Economia Verde com contexto da preservação do meio ambiente e biodiversidade e com a perspectiva de erradicação da pobreza e de desigualdades
- o quadro institucional (instrumentos de governança) para o Desenvolvimento Sustentável
Que o Rio de Janeiro vai estar lotado, não há dúvida. Difícil, porém, é crer que os principais e requisitados atores desta história vão marcar presença – na prática, os representantes dos países que mais poluem. Na Eco 92, há vinte anos, 108 chefes de Estado estiveram por aqui, incluindo George W. Bush. Na Rio+20, Obama é esperado, mas não deve vir, por conta de sua campanha nas eleições americanas. O primeiro ministro do Reino Unido, David Cameron, e a chanceler alemã Angela Merkel já disseram que não vêm. Dilma e o Itamaraty se esforçam para que não seja fiasco, mesmo num ambiente de crise econômica dominando o debate mundo afora.
Diferente do clima de incerteza que marca reunião oficial, é certo que o espaço designado para ONGs, entidades e empresas irá ferver, a chamada Cúpula dos Povos. São dezenas de eventos paralelos que servirão para pressionar autoridades e chamar a atenção para todo tipo de causa ambiental e social. O desafio, aqui, será compreender e hierarquizar tanto insumo de ideias, reclamações e, quem sabe, até de soluções.
Com este blog, o objetivo é não só cobrir o evento como um todo, mas mapear aquilo de mais relevante que deverá pipocar ao longo do próximo mês. Bastidores, preparativos, personagens e o desempenho do Brasil como anfitrião também estarão em pauta a todo momento. Além dos textos, fotos e vídeos, muitos áudios marcarão nossa cobertura, num esforço conjunto entre as redações da rádio, jornal e portal.
Aqui, alguns links importantes que agregam nesta cobertura e imersão pelo assunto:
Página de Tópicos do Estadão: http://topicos.estadao.com.br/rio-20
Radar Rio+ 20, na Estadão ESPN: http://radio.estadao.com.br/programas/radar-rio20,331.htm
Site oficial da Rio+20: http://www.rio20.gov.br/
Rio+20 nas Nações Unidas: http://www.rio20.info/2012/
Seja bem vindo e aproveite o espaço para contribuir com este blog!
2012