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Rio+20

João Coscelli – estadão.com.br

Em seu discurso na cúpula dos chefes de Estado e governo da Rio+20, o primeiro-ministro da Rússia, Dmitri Medvedev, pediu que os líderes mundiais se empenhem em renovar o atual modelo de consumo, criando um padrão sustentável e condizente com as demandas ambientais atuais. Para isso, Medvedev defendeu o diálogo do G20 com os demais da países.

Segundo ele, os membros do G20 deve debater entre si e também com outras nações, para que seja levada em conta a posição de todos os países em torno das políticas sobre o meio ambiente.

Medvedev afirmou que há uma necessidade urgente de inovação para o crescimento sustentável, mas lembrou que isso só será possível houver trabalho em conjunto. “Cada Estado deve seguir seu próprio plano. O importante é que todos trabalhem juntos para chegarmos a um objetivo comum”, disse o premiê. “O esforço deve ser global”, enfatizou.

O russo concluiu seu discurso dizendo que muito se progrediu desde a Eco-92, mas que ainda há muito a se fazer. “Somente juntos conseguiremos preservar nosso mundo para a geração atual e para as gerações futuras. E estou certo de que seremos bem sucedidos”, finalizou.

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João Coscelli – Estadão.com.br

O primeiro-ministro da Noruega, Jens Stoltenberg, pediu o trabalho conjunto do setores público e privado nos investimentos para o desenvolvimento sustentável e defendeu uma política de cobrança sobre os países poluidores em seu discurso na plenária de chefes de Estado e governo da Rio+20.

Stoltenberg afirmou que é necessário reconciliar as necessidades energéticas com a redução de emissões de gases de efeito estuda. Para isso, defendeu a valorização e a medição das riquezas naturais, além da participação efetiva dos governos.

“Precisamos de uma assistência oficial e fundos públicos ao desenvolvimento sustentável. Mas esses recursos jamais serão suficientes, e por isso pedimos também o envolvimento do setor privado”, advogou o norueguês.

A principal medida segundo ele, porém, seria taxar a poluição – cobrar caro dos países e empresas que poluem mais. O argumento de Stoltenberg é de que essa política teria efeito triplo – criaria incentivos para o desenvolvimento de tecnologias limpas, reduziria os níveis de emissões e geraria receita a ser investida no desenvolvimento sustentável.

“É nossa obrigação fazer disso tudo uma ação concreta. Concordamos sobre as metas gloais, e são elas que devem nos servir de guia para direção correta”, concluiu o primeiro-ministro.

A Noruega é uma das maiores referências de desenvolvimento sustentável entre os países envolvidos. Enquanto mantém a desigualdade social em níveis mínimos, o país, detentor do maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) entre quase 200 nações, incentiva o uso de fontes renováveis de energia e procura manter políticas ambienais rígidas.

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João Coscelli – Estadão.com.br

Expressando a posição de um país particularmente preocupado com as mudaças climáticas, o presidente de Cuba, Raúl Castro, criticou os países de primeiro mundo pelas fracas políticas ambientais e afirmou que a saída para o desenvolvimento sustentável e pacífico é “tentar uma nova distribuição do mundo”.

Assim como o boliviano Evo Morales, Raúl iniciou o discurso citando seu irmão Fidel Castro, que representou Cuba na Eco-92. “Uma espécie biológica está muito perto de desaparecer porque as condições do local onde vive estão se degradando – é o homem”, repetiu o atual presidente cubano.

Para Raúl, as metas da Eco-92 não foram atingidas e o acordo da atual conferência é considerado fraco por causa da “falta de vontade política dos países de primeiro mundo de arcar com suas obrigações”.

O líder socialista a mudança climáticas está provocando mudanças que afetarão principalmente os países da África, da Ásia e da América Latina. Cuba está em uma área do caribe bastante afetada por furacões, e por isso as mudanças climáticas são de extrema importância para a ilha e seus vizinhos.

Raúl não deixou de criticar os Estados Unidos, que não citou nominalmente, mas fez referência ao citar “a invasão de 2003″ e “mais recentemente no norte da África”, em alusão às incursões militares no Iraque e na Líbia, afirmando que tais ações foram fruto do imperialismo também responsável pela atual situação ambiental do planeta.

A solução apontada pelo cubano foi uma “nova distribuição do mundo, para evitar uma espiral de conflitos sem precedentes”. “A única alternativa é construir sociedades mais justas, com uma ordem internacional mais equitativa, garantindo o direito a todos e o desenvolvimento sustentável aos países do sul”, concluiu.

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Fernando Dantas – O Estado de S. Paulo

Foi a irritação do governo brasileiro com o discurso de Ban Ki-moon na quarta-feira, 20, sobre a insuficiente ambição do documento final da Rio+20 que levou o secretário-geral das Nações Unidas a convocar uma entrevista às pressas com a imprensa brasileira nesta quinta com o objetivo de se desdizer: agora, Ban Ki-moon classifica o texto final da conferência como “ambicioso, amplo e prático”.

Segundo fontes diplomáticas ouvidas pelo Estado, a irritação do governo brasileiro foi transmitida de forma “pouco suave” à ONU, e partiu principalmente da presidente Dilma Rousseff.

Na ONU, há certo desconforto com a situação. A visão é de que a diplomacia brasileira conseguiu de fato um grande feito em fechar em dois ou três dias um documento que vinha sendo debatido pelos países, como um enorme número de discordâncias, por meses. Há genuína admiração pelo trabalho do Itamaraty.

Por outro lado, a percepção é de que seria impossível, mesmo para a hábil diplomacia brasileira, resolver um número tão grande de contenciosos sem reduzir a substância e a ambição do texto. A timidez do documento final é uma conclusão quase unânime, variando apenas o grau da crítica – muito mais ácida no caso das ONGs, atenuada e buscando aspectos positivos no caso dos governos que vão assinar o texto.

Aliás, o próprio ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, fez referência às insatisfações provocadas pelo documento final. A reação do governo brasileiro ao discurso de Ban Ki-moon, portanto, surpreendeu a ONU.

Um experiente diplomata lembra que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva propôs a realização da Rio+20 em 2007, quando o mundo estava no ápice do boom econômico, e havia um otimismo generalizado.

A conferência em si, porém, acabou sendo realizada na esteira da pior crise econômica desde a década de 30, o que reduziu muito a disposição de financiamento dos países ricos. Isto, por sua vez, tornou o ambiente de negociação mais recriminatório e menos propenso a se alcançar a tão almejada ambição.

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João Coscelli – Estadão.com.br

O presidente do Equador, Rafael Correa, foi outro que criticou os países ricos na Rio+20 por suas políticas ambientais e de mercado, dizendo que eles não estão em posição de comparar suas medidas de preservação com os países do sul.

Para exemplificar seu argumento, Correa mostrou gráficos sobre a emissão de CO² de países desenvolvidos ou não. “Os 20% mais ricos geram 60% das emissões de carbono. Os 20% mais pobres geram 0,72%. É uma relação de 83 para um. Isso pede responsabilidades comuns, mas diferenciadas”, completou.

O equatoriano disse que esse desequilíbrio é uma das maiores injustiças do mundo, já que os países ricos, que agridem mais o meio ambiente, reclamam de serem mais cobrados no quesito preservação. “Está na moda dar ajudas milionárias aos bancos. Deveríamos é salvar o planeta”, criticou.

“É um problema político, de relações de poder. A raiz da crise na Europa e nos EUA é o mercado. A natureza e o ser humano devem soberanos ao capital”, finalizou o equatoriano, dizendo que a ausência de líderes que estavam no encontro do G20 reflete o pensamento dos países industrializados.

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Os chefes de governo e Estado presentes o Riocentro já retomaram os discursos na sessão plenária desta quinta-feira, 21, segundo dia da cúpula de alto nível da Rio+20.

Os destaques desta manhã devem ficar por conta dos pronunciamentos dos enviados de Itália, Cuba, Noruega, Portugal e Rússia, cujo representante é o presidente Vladimir Putin. À tarde, falam os delegados de Índia, Grã-Bretanha, Holanda África do Sul e Suíça.

É possível acompanhar os discursos pelo link http://www.estadao.com.br/aovivo/.

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A presidente Dilma Rousseff dá continuidade à série reuniões bilaterais iniciada na quarta-feira, 20, durante o primeiro dia da cúpula de chefes de Estado e governo da Rio+20. Nesta quinta, 21, ela se encontra com o presidente do Congo, Denis Sassou-Nguesso, e os primeiros-ministros da Austrália, Julia Gillard, da China, Wen Jiabao, e da Turquia, Recep Tayyip Erdogan.

Na quarta, Dilma de reuniu com os presidentes François Hollande, da França; Macky Sall, do Senegal; e Goodluck Jonathan, da Nigéria. Ela recebeu 57 pedidos de encontro, mas apenas esses foram atendidos.

Estavam previstos também encontros com o presidente de El Salvador, Mauricio Funes, que é casado com a brasileira Vanda Pignato, ligada ao Partido dos Trabalhadores, com cerca de 50 representantes da União Africana, mas os compromissos não foram incluídos na primeira agenda de Dilma, que ainda pode ser alterada.

Dilma quer assegurar aos africanos que, assim como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quer manter uma relação privilegiada com a África, que está entre as prioridades da política externa brasileira. Desde que assumiu o governo, ela visitou Angola e Moçambique, mas pretende ampliar as viagens para outros países da região.

Os líderes africanos reiteram que pretendem fortalecer as relações com o Brasil e a América Latina, pois acreditam que os continentes têm semelhanças. Para os africanos, a globalização aproxima os países de tal maneira que há uma tendência também à ampliação da classe média na África, como ocorre no Brasil.

Uma das preocupações dos africanos é com o crescimento populacional, pois a estimativa é que em breve a África tenha 2 bilhões de habitantes. Eles querem desenvolver parcerias para implementar a agricultura tropical, aproveitando a geologia da região que é semelhante à do Brasil, e trocar experiências para a transferência de tecnologias.

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Tânia Monteiro – O Estado de S. Paulo

No discurso que irá proferir na tarde desta quarta-feira, 20, na abertura protocolar da Rio+20, no Riocentro, a presidente Dilma Rousseff vai destacar a necessidade de planejamento de longo prazo e da união de esforços para que se possa assegurar um planeta mais sustentável.

Na avaliação da presidente Dilma, as crises têm tirado a capacidade de planejamentos de longo prazo dos governos, já que todos acabam obrigados a tentar resolver os problemas imediatos, deixando o futuro de lado.

Em sua fala, Dilma vai aproveitar para comemorar os avanços obtidos com o texto, considerado o possível. Ao destacar estes avanços no texto, a presidente ela pretende repetir o seu discurso de que o desenvolvimento sustentável se faz por meio da erradição da miséria e da inclusão social. A ideia da presidente em sua fala na abertura oficial do encontro é usar um tom conciliador, com objetivo de acabar com as polêmicas que prevaleceram durante a elaboração do documento final, sugerindo que seria impossível se chegar a um acordo em relação aos principais temas. Por isso a presidenta pretende falar em consenso possível e ressaltar que ele representa um avanço e uma vitória para o grupo.

Dilma, que chegou ao Brasil, na madrugada desta quarta-feira, proveniente do México, onde participou da reunião do G-20, demonstrou grande cansaço com a viagem, mas fez questão de participar da cerimônia de abertura oficial da Rio +20, no Riocentro, na manha de hoje, quando foi eleita para presidir a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável. Depois de fazer um breve discurso aos representantes da reunião, agradecendo a sua eleição, quando disse estar certa de que a Rio+20 atingirá seus objetivos, a presidente Dilma voltou para o hotel Windsor, onde está hospedada.

Agenda

Às 13 horas, a presidente brasileira tem um almoço com o presidente da República da França, Françoise Hollande. Mas Hollande não será o único presidente a ter reunião bilateral com ela. Após a fotografia oficial do encontro e a cerimônia de abertura protocolar do encontro, a presidente Dilma terá mais duas bilaterais: com o presidente do Senegal, Macky Sall e com o da Nigéria, Goodluck Jonathan, ambas em seu gabinete, no Riocentro.

Com estes encontros com os africanos, que inclusive participarão de um jantar com Dilma e o ex-presidente Luíz Inácio Lula da Silva amanhã e os representantes dos países africanos, ela quer sinalizar que o governo continua atento às necessidades daquela região e que pretende continuar com a proximidade iniciada por Lula.

Quase 60 países pediram para realizar reuniões bilaterais com Dilma. Mas, como não há tempo hábil, a presidente vai se reunir com pouco menos de dez deles. Ainda entrará na agenda El Salvador e Turquia. Não há previsão de a presidente Dilma se encontrar reservadamente com o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que chegou ao Rio na terça-feira, sob forte esquema de segurança.

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O 1º dia do encontro dos chefes de Estado de governo e Estado da Rio+20 foi bastante movimentado. Veja o que aconteceu de mais importante até agora.

> A presidente Dilma Rousseff foi escolhida para presidir a conferência. Aos representantes da reunião, a presidente se disse certa de que a Rio+20 atingirá os objetivos a que se propõe. “O compromisso é complexo e urgente da agenda do desenvolvimento sustentável. Não tenho dúvidas de que estamos à altura dos desafios que nos impõem”, afirmou. Dilma discursa novamente à tarde, quando vai expor a posição brasileira sobre os temas da Rio+20.

> ‘O tempo está se esgotando’. A neozelandesa Brittany Trilford, estudante de 17 anos escolhida para representar os jovens na Rio+20, fez um apelo aos líderes mundiais. “Vocês tem três dias para salvar o futuro dos seus filhos. Dos meus filhos. Dos filhos dos meus filhos”, disse a garota. “Nós, a próxima geração, exigimos ações, exigimos mudanças, para que assim tenhamos um futuro. Confiamos em vocês nas próximas 72 horas para colocas os nossos interesses acima de todos os outros e fazer a coisa certa”, finalizou.

> Frustração entre os Major Groups. Os representantes dos grupos de discussão da Rio+20 também fizeram discursos, e o sentimento predominante nas palavras deles foi descontentamento com o documento aprovado pelas delegações. Eles disseram que o texto tem falhas e não contempla as suas principais exigências dos Major Groups.  O tom foi de fortes críticas e frustração.

> Fala muito! Os chefes de Estado começaram a discursar. O tempo máximo de cinco minutos de pronunciamento foi respeitado no início, mas houve discursos, como o de Robert Mugabe, presidente do Zimbábue, que duraram até 20 minutos. A presidência teve de reiterar – duas vezes – o tempo máximo e pedir que os líderes sejam mais breves, causando desconforto.

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Marcelo Gomes – Agência Estado

Todos os acessos ao Riocentro estão completamente congestionados na manhã desta quarta-feira, 20, primeiro dia da reunião da cúpula de chefes de estado presentes na Rio+20. Há várias barreiras do Exército e da Polícia Militar nas vias de acesso ao evento que permitem apenas a passagem de veículos credenciados para a conferência.

Os demais veículos estão sendo desviados para outras vias transversais e o trânsito é lento no local. Do entroncamento entre a Avenida Ayrton Senna e a Avenida Embaixador Abelardo Bueno – principal trajeto até o Riocentro – os motoristas, inclusive as comitivas com chefes de estado, levam cerca de uma hora para fazer o percurso de menos de 10km.

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