A presidente Dilma Rousseff abriu oficialmente a Rio+20 nesta quarta-feira, 13, pedindo o compromisso de todos os países na busca pelo desenvolvimento sustentável. Dilma pressionou as nações desenvolvidas, que apesar da crise, não atingiram suas metas de sustentabilidade.
ESPECIAL: A cobertura da Rio+20
ARQUIVO: A Eco-92 nas páginas do ‘Estado’
“Não consideramos que o respeito ao meio ambiente só se dá em fase de expansão do ciclo econômico. Pelo contrário, um posicionamento pró-crescimento, de preservar e conservar é intrínseco à concepção de desenvolvimento, sobretudo diante das crises”, afirmou.
Dilma ressaltou que “o ambiente não é um adereço, faz parte da visão de incluir e crescer porque em todas elas nós queremos que esteja incluído o sentido de preservar e conservar”. Para ela, os compromissos apresentados durante a Rio+20 foram assumidos “voluntariamente”. “Consideramos que a sustentabilidade é um dos eixos centrais da nossa conviccção de desenvolvimento”, destacou.
A presidente estava acompanhada dos ministros Gleisi Hoffmann (Casa Civil), Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), Antonio Patriota (Relações Exteriores), Izabella Teixeira (Meio Ambiente), Aloísio Mercadante (Educação), Ana de Holanda (Cultura) Edison Lobão (Minas e Energia), Helena Chagas (Comunicação), Gastão Vieira (Turismo) e Marco Antonio Raupp (Ciência, Tecnologia e Inovação).
Além deles, estão presentes à cerimônia o secretário-geral da ONU para a Rio+20, Sha Zukang, o governador do Rio, Sérgio Cabral, o vice-governador Luiz Fernando Pezão, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, e Mauricio Borges, presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), organizadora do Pavilhão Brasil, onde ocorreu a cerimônia de abertura.

A presidente Dilma Rousseff, acompanhada do governador do Rio, Sergio Cabral Filho e da ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann (à direita), inauguram o Pavilhão Brasil no Parque dos Atletas, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro. O Pavilhão Brasil é reservado para exposições de projetos do governo brasileiro e de outros 57 países.
Após uma noite de atrasos e problemas em decorrência do mau tempo em São Paulo, os aeroportos do Rio de Janeiro regularizaram o fluxo de voos na manhã desta quarta-feira, dia 13. Apesar dos atrasos e do aumento no fluxo de passageiros em função do início da Rio+20, o movimento nos aeroportos foi tranquilo durante toda a manhã.
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Os atrasos e cancelamentos afetaram os passageiros dos primeiros voos do aeroporto Santos Dumont. De acordo com a Infraero, até às 11h, o terminal teve 16% dos voos cancelados e atrasos em cerca de 12% dos voos, num total de 18 voos com problemas.
Já no Aeroporto Internacional Tom Jobim – Galeão, na Ilha do Governador, opera com auxílio de instrumentos. Segundo a Infraero, dos 48 voos domésticos programadas de meia-noite às 11h, seis (9 %) estão atrasados e outros cinco foram cancelados. Nenhum dos 12 voos internacionais programados no período apresentou problemas.
Herton Escobar – O Estado de S. Paulo
As decisões da Rio+20 não podem ser boas apenas no papel; elas têm de ser capazes de produzir resultados reais que coloquem o planeta no rumo do desenvolvimento sustentável, segundo o secretário-geral da conferência, Sha Zhukang.
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“Nossos compromissos definem quem somos, são um reflexo do nosso caráter”, disse ele, na abertura da terceira e última rodada preparatória de negociações sobre o documento final de decisões da Rio+20. “Precisamos de resultados que sejam ambiciosos e históricos.”
Zhukang pediu cooperação e flexibilidade de todos os setores – governos, sociedade civil e empresas – na busca do desenvolvimento sustentável. “Os governos carregam a responsabilidade principal, mas não podem fazer tudo sozinhos. Precisamos de uma parceria compacta”, disse o secretário-geral.
Agência Brasil
Paralelamente à Rio+20, cerca de mil índios de várias etnias e países estarão reunidos para debater as questões que angustiam os chamados povos originais. Confirmaram presença representantes da Nigéria, do Japão e do Canadá, além dos brasileiros. Os índios ficarão em uma aldeia urbana denominada Kari-Oca, em Jacarepaguá, na zona oeste do Rio.
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Até o dia 22, os líderes indígenas deverão debater questões relativas ao meio ambiente e ao combate à pobreza. A Kari-Oca é formada por alojamentos, refeitório e cinco tendas para a discussão de temas e atividades culturais, além de duas ocas tradicionais de povos do Alto Xingu – erguidas com vigas de madeira levadas pelos índios.
A ideia é fazer uma reedição da Kari-Oca, como a que houve na Rio92. O objetivo é permitir que as sugestões apresentadas pelos líderes indígenas sejam analisadas pelos chefes de Estado e de Governo que se reunirão entre os dias 20 e 22. O documento final, a ser elaborado pelos índios, se baseará em três eixos: a cultura como parte essencial da economia verde, a soberania alimentar no mundo moderno e a sustentabilidade.
Em vários países latino-americanos, como o Equador e a Bolívia, os povos indígenas exercem forte influência nas decisões políticas e econômicas. Na Bolívia, por exemplo, é comum que os discursos públicos sejam feitos em espanhol e no idioma indígena predominante. O presidente boliviano, Evo Morales, sempre se dirige com destaque aos que chama de “povos originais”, em referência aos índios.
Da Redação
Espalhados por vários pontos do Rio de Janeiro, os eventos paralelos à Conferência da Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável têm atraído cariocas, turistas e ambientalistas envolvidos de alguma forma na reunião. No Forte de Copacabana e no MAM, a experiência vai além dos debates sobre o futuro do planeta. Veja fotos:

Exército ajuda na segurança nas entradas ao redor do Rio Centro. (foto: Fabio Motta/AE)
Macelo Gomes e Tiago Rogero – O Estado de S.Paulo
A Força Aérea Brasileira (FAB) restringiu e vai até proibir o sobrevoo de aeronaves sobre algumas áreas da cidade do Rio como parte do esquema de segurança para a Rio+20, que começa hoje.
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Até o dia 16 estará ativada uma área sobre o Riocentro, local das atividades oficiais, com raio de 1 quilômetro e altitude ilimitada, onde está autorizado somente o sobrevoo de aeronaves militares, de segurança pública e serviços médicos, previamente coordenadas pela Aeronáutica.
Entre os dias 16 e 23, o espaço aéreo de toda a cidade ficará restrito, num raio de 100 quilômetros em torno do Rio e altitude de até 6 mil metros. Mas estarão autorizados voos regulares com partida ou chegada aos dois principais aeroportos.
A chegada em conjunto, na terça-feira, 19, de chefes de Estado e integrantes de cerca de 70 países, praticamente metade dos 134 inscritos para discursos na Rio+20, fez a prefeitura antecipar em um dia as mudanças no trânsito da cidade.
Entre as criações apresentadas na TEDxRio+20 está um piso que produz e acumula energia
Heloisa Aruth Sturm
RIO – As inovações tecnológicas foram o destaque do último dia de apresentações do TEDxRio+20 ontem no Forte de Copacabana. Entre as criações, um piso que produz e acumula energia e um robô submarino desenvolvido para realizar expedições em águas profundas.
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“A função desse robô é explorar lugares que não fomos nos últimos 52 anos”, disse o pesquisador Tony Haymet, que apresentou imagens feitas com a ajuda do robô na Depressão Challenger, próxima às Ilhas Marianas.
No local, encontro entre duas placas tectônicas no Oceano Pacífico, é onde se localiza o ponto mais baixo da superfície terrestre. O minissubmarino foi desenhado e patrocinado pelo diretor James Cameron, que fez as imagens há dois meses, quando desceu a uma profundidade de 11 quilômetros a bordo do minissubmarino.
Haymet, que é também coordenador do Scripps Institution of Oceanography, maior rede de monitoramento de gases estufa, comparou a exploração do fundo do mar àquela realizada em um planeta vizinho e alertou para a preservação do mar. “O oceano é de todos e não é de ninguém. Não estamos cuidando dele. Não temos ideia de que formas de vida estranhas prosperam na escuridão das profundezas, mas sabemos o suficiente para não querer perdê-las.”
A proteção dos mares, um dos dez temas da conferência, foi assunto recorrente entre os palestrantes do dia. O ambientalista Jean-Michel Cousteau, filho do explorador francês Jacques Cousteau, alertou para o aumento da poluição das águas e a diminuição da vida marinha. “Apenas 1% do oceano é protegido. Nossa presença aqui no Rio é para pedir aos líderes para que protejam 20% dos mares”, afirmou.
O pavimento que funciona como fonte de energia renovável é acionado com base no movimento de quem pisa sobre ele. “Uma pessoa dá em média 150 milhões de passos durante a vida. Imagine o potencial”, disse o criador do invento batizado de Pavegen, o engenheiro britânico Laurence Kemball-Cook. O piso foi testado em um festival de música e produziu energia suficiente para carregar a bateria de mil telefones celulares durante os três dias do evento.
No mês que vem, será instalado perto de um centro comercial do bairro londrino de Stratford, durante os Jogos Olímpicos. Cook demonstrou o invento para uma animada plateia e fez uma brincadeira com as 500 pessoas presentes no auditório, pedindo que todas dessem um pulo ao mesmo tempo. “Com esse movimento, vocês produzem energia suficiente para acender uma lâmpada de rua por 30 minutos”, disse.
Um dos eixos centrais da Rio+20, a inclusão social associada à sustentabilidade é um dos maiores desafios do século XXI. O uso social do patrimônio cultural edificado em áreas centrais pode ser uma das alternativas que auxiliem a solucionar essa questão. Além de economizar recursos naturais que seriam usados para novas construções, o seu uso permite adensar áreas centrais que são dotadas de equipamentos urbanos, muitas vezes ociosas.
Para tratar desse tema, o Instituto de Estudos Avançados, o Programa de Pós-Graduação em Mudança Social e Participação Política e o Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental da USP, convidaram convidados especialistas que abordarão aspectos como:
. a exclusão/inclusão social na ordem ambiental internacional;
. os Objetivos do Milênio;
. a promoção de habitações de interesse social e os programas de conservação do patrimônio cultural edificado;
. os programas brasileiros que contemplam essa possibilidade.
Desafios da inclusão social e possibilidades de combate à pobreza
Silvia Helena Zanirato – USP – coordenação
Cleandro Krause – IPEA
Neli Aparecida de Mello-Théry – USP
Wagner Costa Ribeiro – USP
Dia 14 de junho
Horário: das 11:00 às 14:00
Local: Espaço Arena da Barra, Auditório (ARN-1).
Capacidade de público: 400 pessoas – inscrição por ordem de chegada
Endereço da Arena da Barra:
Avenida Embaixador Abelardo Bueno, 3401
Barra da Tijuca – Rio de Janeiro – Brasil – CEP: 22775-040
Haverá tradução simultânea para espanhol e inglês.
Emanuel Bomfim, enviado ao Rio de Janeiro
A aridez que domina o debate ambiental na semana da Rio+20 deu passagem para uma exibição de gala na noite desta terça-feira, 12 de junho. A cantora Maria Bethânia levou seu show ”Bethânia e as Palavras” ao palco do Auditório Humanidade, no Forte de Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro. O local, batizado de “Humanidade2012″, recebe uma série de eventos paralelos à Conferência da ONU. Amanhã, 13, será a vez de Caetano Veloso se apresentar para uma restrita plateia de cerca de 400 pessoas.
As senhas distribuídas hoje, às 18h, se esgotaram rapidamente. Às 19h45, Bethânia iniciou sua performance, um misto de recital literário com show musical propriamente dito. Ela estava acompanhada de seu fiel parceiro nos violões, o maestro Jaime Allen, e do percussionista Carlos Cesar. Bia Lessa, criadora do espaço em Copacabana, fez as honras da casa e não economizou no discurso: “Não poderia ter sido melhor pessoa para inaugurar este auditório do que a imprescindível Bethânia.”
Confortável, Bethânia passa a maior parte do tempo lendo poemas. Os trechos musicais são mais tímidos, servem de passagem para novas récitas, extraídas da obra de autores como Padre Vieira, Guimarães Rosa, Manuel Bandeira e, principalmente, Fernando Pessoa e seus heterônimos (Alberto Caieiro e Álvaro de Campos). Sua devoção pelo trabalho do português já lhe rendeu a Ordem do Desassossego, conferida pela Casa Fernando Pessoa, instituição de Portugal.
No meio da apresentação, ela faz questão de frisar: sua habilidade na leitura é fruto dos ensinamentos de um professor da época do colégio, quando morava na Bahia. ”É a prova que é possível ter boa educação nas escolas brasileiras”, defende. O público aplaude. Mas fica ainda mais alvoroçado nas interpretações de clássicos como “Romaria”, de Renato Teixeira, e “Dança da Solidão”, de Paulinho da Viola.
Em nenhum momento ela fez menção direta à Rio+20, mas o show é permeado por temáticas compatíveis com a reunião ambiental. Fala de natureza, de índios, de rios e do sertão brasileiro. Seu último disco não teria nomes mais apropriado: “Oásis”. Em seu exercício poético, Bethânia, assim como tantos ambientalistas, parece imaginar um mundo ideal.
Luciana Nunes Leal, do Rio de Janeiro
No primeiro passo para as Contas Ambientais, que incluem o impacto dos recursos naturais no cálculo do PIB, o Brasil seguirá o caminho de países como Holanda e Canadá: começará pela água e depois vai incorporar florestas e fontes de energia nos cálculos das Contas Nacionais. No futuro, as novas metodologias levarão à divulgação regular de um “PIB Verde” dos países, que contabiliza as perdas e a exaustão dos recursos do meio ambiente na produção de riqueza.
Para avançarem nas contas ambientais, o países seguirão os padrões metodológicos das Nações Unidas, reunidos na publicação Sistema de Contas Econômicas Ambientais (SEEA, na sigla em inglês), apresentada ontem por representantes de institutos de estatísticas de vários países e de organismos internacionais, na sede do IBGE.
O representante do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), Sheng Fulai, criticou o uso do PIB como padrão de riqueza, por valorizar informações econômicas e não levar em conta dados ambientais e de sustentabilidade. “O PIB tende a ser usado de maneira equivocada. O PIB não é indicador de progresso, como tem sido usado”, afirmou Fulai, chefe de pesquisa do departamento de Economia e Comércio do Pnuma. “É como o painel de um carro. Se o hodômetro (instrumento que mede quilômetros rodados) não estiver correto, pode causar problemas para o motorista e outras pessoas”, comparou.
As primeiras discussões sobre Contas Ambientais começaram na Rio-92, mas tiveram poucos avanços nestes vinte anos. Finalmente, no início deste ano a ONU consolidou o padrão da nova contabilidade.
Especialista em economia verde, Sheng Fulai, apontou outros “problemas” do PIB como é medido atualmente: “Não é completo, porque impactos ambientais e sociais não são considerados. E não é preciso, por exemplo, por não considerar a exaustão de recursos”. “O PIB Verde é o guarda-chuva que pode resolver essas questões e o SEEA é a primeira realização concreta desde a Rio 92. É o pai e a mãe de todas as ações”, afirmou o representante do Pnuma. O encontro dos técnicos do Comitê das Nações Unidas de Especialistas em Contas Econômicas Ambientais começou na segunda-feira e termina amanhã.
A presidente do IBGE, Wasmália Bivar, explicou que a opção por começar as contas ambientais pela água foi tomada pelo fato de haver mais informações disponíveis sobre o recurso natural. Um convênio com a Agência Nacional de Águas (ANA) firmado no mês passado foi o ponto de partida para a medição do impacto dos recursos hídricos nas Contas Nacionais.
Wasmália disse que os trabalhos para a medição do impacto da água doce nas Contas Nacionais começam logo depois da Rio+20, mas não soube estimar quando o indicador passará a fazer parte da divulgação regular do PIB brasileiro. “O objetivo final é chegar em uma medida comparável em valores com outros países e acompanhar o desempenho ano a ano no País”, disse a presidente do IBGE.
As Contas Econômicas Ambientais da Água vão levar em conta o volume de estoque de água doce no País e procurar uma valor monetário para o gasto em água na produção de bens e serviços e também no uso doméstico. Segundo Wasmália, a pergunta central é “quanto de água o País usa para produzir o PIB?” Países como México, Holanda e Canadá são, segundo técnicos do IBGE, os mais desenvolvidos no impacto de recursos naturais no PIB, especialmente a água.
A representante do Banco Mundial, Glenn-Marie Lange, disse que o organismo já conseguiu US$ 15 milhões para o fundo que financiará a elaboração das contas ambientais da água em seis países (Filipinas, Madagascar, Botswana, Colômbia, Costa Rica e Vietnã) e aproveitará a Rio+20 para buscar novos recursos.
2012