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Rio+20

Neste último dia de Rio+20, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, criticou o desperdício de alimentos no mundo. O sul-coreano participou, ao lado do ex-primeiro-ministro espanhol José Luis Zapatero, de painel sobre a Aliança Global para Terras Secas (GDLA, na sigla em inglês), uma parceria entre países áridos e semiáridos.

O principal foco da GDLA, iniciativa do Catar, é o combate à ameaça de escassez de água e comida nas áreas desérticas. “Enquanto tivermos um bilhão de pessoas indo dormir toda noite com fome, não seremos capaz de dizer que vivemos em um mundo sustentável”, disse Ban Ki-moon, em discurso. “Em todo o mundo, acredito que temos comida suficiente para alimentar sete bilhões de pessoas, mas o sistema não está funcionando”, criticou.

Conforme o secretário-geral, um terço da nossa produção de comida se perde em algum ponto. “Isso é uma tragédia. Não pode haver nenhuma criança faminta no mundo”, afirmou. “O princípio básico da Rio+20 é colocar as pessoas em primeiro lugar. Para isso, temos de alimentá-las, garantir comida. O governo brasileiro tem tido sucesso com o programa Fome Zero”, citou.

Tanto Ban Ki-moon quanto Zapatero não quiseram conceder entrevista após o painel. No discurso, o ex-primeiro-ministro afirmou que a Espanha tem 3 mil quilômetros quadrados de área desértica, mas, mesmo assim, a agricultura no território árido é uma das mais competitivas do mundo. “Devido à tecnologia que usamos, com uma produção que respeita o meio ambiente”, afirmou.

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A declaração final da Cúpula dos Povos, apresentada nesta sexta-feira, 22, pelos movimentos sociais e ambientais que compõem o evento paralelo à Rio+20, faz duras críticas ao documento elaborado pelos governos na conferência mundial do meio ambiente. De acordo com os manifestantes, o evento no Rio mostrou um retrocesso em relação à Eco-92.

“Há vinte anos, o Fórum Global, também realizado no Aterro do Flamengo, denunciou os riscos que a humanidade e a natureza corriam com a privatização e o neoliberalismo. Hoje afirmamos que, além de confirmar nossa análise, ocorreram retrocessos significativos em relação aos direitos humanos já reconhecidos”, afirma o documento da Cúpula. “A Rio+20 repete o falido roteiro de falsas soluções defendidas pelos mesmo atores que provocaram a crise global.”

Frustrados com os resultados do evento, os manifestantes intensificaram os protestos pelas ruas do Rio nos últimos dias e causaram transtornos no tráfego carioca. Com a ausência de importantes chefes de estados, os representantes de movimentos populares criticaram o modo como foi elaborado o texto final.

“As instituições financeiras multilateraism as coalizões a serviço do sistema financeiro, como o G8/G20, a captura corporativa da ONU e a maioria dos governos demonstraram irresponsabilidade com o futuro da humanidade e do planeta e promoveram os interesses das corporações na conferência oficial”, diz o documento, que se posiciona contra o desenvolvimento do conceito de economia verde.

Mesmo assim, os organizadores comemoraram o balanço do evento paralelo no Aterro do Flamengo. “Estamos satisfeitos com nossa participação, pois cumprimos nosso papel de fazer um contraponto a este evento mundial. Nossa previsão era de que não haveria avanço e isso se confirmou quando nos reunimos com o secretário-geral da ONU (Ban Ki-moon) pela. Ele respondeu de forma genérica e pouco contundente, dizendo que o documento da Rio+20 deveria ser considerado um primeiro passo”, afirma Darci Franco, um dos responsáveis pela organização da Cúpula dos Povos.

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A ministra do meio ambiente, Izabella Teixeira, lamentou a falta de clareza do documento oficial da Rio+20 sobre as obrigações dos países desenvolvidos com relação ao estabelecimento de novos padrões de consumo e produção no planeta. “Além da adoção do plano, podíamos ter deixado claro o que significa isso. O plano é excepcional, mas como é que nós vamos transformar essas obrigações dos países desenvolvidos?”, questionou.

A ministra, que esteve no espaço Humanidade 2012, no Forte de Copacabana, onde aconteceram discussões paralelas à Rio+20, também disse que o documento poderia ter avançado em dois outros pontos: na questão dos direitos reprodutivos das mulheres e na parte do texto final que trata dos oceanos. No entanto, ela não deu detalhes sobre os avanços que considerava necessários. Em tom bastante otimista, Izabella disse que os resultados da Rio+20 são bastante promissores.

Ao ressaltar que foram tomadas “decisões e mais decisões”, a ministra disse que os textos da ONU às vezes são interpretados de forma errônea. “Muitas vezes as pessoas não sabem ler os documentos das Nações Unidas. Sinto isso, às vezes elas não entendem as decisões”, declarou. Ela recebeu da apresentadora Xuxa um documento com propostas de crianças de todo o País para o meio ambiente.

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Alfredo Junqueira – Agência Estado

Da esquerda para a direita: Ecktar Wuerzner, de Heildelberg; Franklyn Tau, de Johannesburgo; Won Soon Park, de Seul; Eduardo Paes, do Rio de Janeiro; Michael Bloomberg, de Nova York; Babatunde Fashola, de Lagos; Gilberto Kassab, de São Paulo; e Eduardo Macri de Buenos Aires.

 

As 59 cidades que integram a Cúpula dos Prefeitos (C40) anunciaram que pretendem reduzir suas projeções de emissões de gás carbônico em 45% até 2030. As metas estipuladas pelo grupo que reúne as maiores metrópoles do mundo estimam que deixem de ser lançadas na atmosfera cerca de 1,3 bilhão de toneladas no intervalo de 20 anos. Caso consigam cumprir seus objetivos, as cidades do C40 emitirão em 2030 praticamente a mesma quantidade de poluentes que lançaram em 2010.

Em solenidade comandada pelo prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, que também preside a C40, representantes das cidades cobraram dos governos centrais de seus países mais apoio e autonomia para políticas públicas locais. Eles também reforçaram que pretendem cumprir suas metas e estreitar seus laços mesmo que os chefes de Estado na Rio+20 não cheguem a um consenso até o final da cúpula, prevista para terminar na sexta-feira.

“As metropoles já estao implementando estratégias de reducao de gases de efeito estufa. Todas as cidades do c40 tem programas em andamento. Nao esperamos pelos governos nacionais tomarem a dianteira e liberarem recursos”, disse Bloomberg. “Mas precisamos da autonomia e das ferramentas para implementar nossas políticas públicas locais”, destacou o prefeito de Nova York.

De acordo com dados divulgados pelo grupo, as cidades membros da organização emitiram 1,7 bilhão de toneladas de gás carbônico em 2010 e projetam que esse montante chegue a 2,9 bilhão de toneladas até 2030 se nada for feito. Caso consigam cumprir todas as metas acordadas, esses municípios vão lançar em torno de 1,6 bilhão de toneladas em 2030.

Os dados e reduções previstas consideram, no entanto, apenas 48 das 59 cidades da C40. Trata-se dos municípios que têm informações detalhadas emissões e investimentos.

“O mais importante é o compromissos das cidades de deixar de emitir mais de um milhão de toneladas de gases do efeito estufa pelas cidades. Até 2020, já evitaremos 250 milhões de toneladas. Isso é impacto fantástico”, avaliou o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB). “Seria muito confortável a gente sempre ficar esperando dos chefes de estado e de governo que eles tomem as decisões e façam tudo. Os prefeitos podem ir tomando atitudes independente dos grandes acordos dos chefes de estado”, disse Paes.

De acordo com a C40, as cidades que participam do grupo reúnem 544 milhões de pessoas, o que representa 8% da população mundial, e somam 13 trilhões de dólares de orçamento – ou 20% do total do mundo.

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RIO – Na abertura oficial da Cúpula dos Prefeitos, evento paralelo à Rio+20, o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB) criticou a concentração de poder e de recursos nos governos centrais – o que, segundo ele, dificulta a implementação de políticas públicas na área ambiental e de sustentabilidade.

Ele sugeriu aos representantes das outras metrópoles presentes ao evento que sejam estabelecidas metas ambientais e de sustentabilidade ao final do encontro – programado para amanha, no espaço Humanidade 2012, no Forte de Copacabana. O município do Rio vai propor que as cidades que integram a Cúpula reduzam em 12% as emissões de gases até 2016.

“É fundamental que cada vez mais os governos locais estejam empoderados (sic) sob ponto de vista financeiro, para que eles realizem e implementem as suas políticas publicas”, disse Paes. “Mas a verdade é que esse encontro tem que ser muito mais que um espaço para que nós, prefeitos, ou governantes locais, estejamos aqui para reclamar, contestar”, afirmou o prefeito do Rio.

Paes convocou os demais prefeitos a estabelecer metas e “inspirar” os chefes de Estado que participarão da cúpula principal da Rio+20, no Riocentro entre os dias 20 e 22. “Todos nós esperamos que as decisoes oficiais tomadas na Rio+20 avancem no sentido de ampliar os desafios da sustentabilidade. Mas o primeiro passo que os governos locais podem dar, até para inspirar os chefes de estado, é tomar decisoes concretas e entender que esse jogo só vai ser mudado se todos nós agirmos”, afirmou.

O prefeito do Rio participa agora do anúncio do Programa de Desenvolvimento de Baixo Carbono da cidade financiado pelo Banco Mundial.

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Agência Brasil

A 1ª Cúpula Mundial dos Legisladores, evento paralelo à Rio+20, apresentou no domingo, 17, pum rotocolo que, entre seus pontos, reconhece a necessidade de capacitar, assistir tecnológica e financeiramente os países pobres e firma compromisso de erradicar a pobreza no mundo.

O documento também reafirma os princípios das responsabilidades comuns e de não retrocesso no direito ambiental. Os legisladores de 85 países também recomendaram a ratificação do Protocolo de Nagoya, de 2010, que prevê a repartição justa dos benefícios do uso de recursos genéticos.

O documento foi entregue ao secretário-geral da Rio+20, Sha Zukang. Segundo o senador Rodrigo Rollemberg (PSB/DF), presidente da Comissão de Meio Ambiente do Senado, o “mérito” do documento foi aprovado sem divergências.

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Agência Brasil

A secretária executiva da Cúpula das Mudanças Climáticas da Organização das Nações Unidas (ONU), Christiana Figueres, disse neste domingo, 17, que o mundo não pode mais se dar ao luxo de ter um sistema econômico que não valorize os recursos naturais. Ela participou do Rio Climate Challenge, evento paralelo à Rio+20 que busca soluções para as mudanças climáticas.

A proposta de dar um valor econômico aos “serviços prestados” pelos recursos naturais foi uma das sugestões do Rio Climate Challenge, que será encaminhada aos chefes de Estado e de Governo que participarão da Rio+20 nesta semana.

“As ciências econômicas precisam mudar sua visão e passar a ver os recursos naturais como algo onde está o valor para os próximos 50 anos. Se não transformarmos isso no centro da nossa estrutura econômica, nós não vamos resolver o problema”, disse.

O Rio Climate Challenge, que reuniu especialistas de 14 países, também propôs que o conceito de Produto Interno Bruto (PIB), que hoje mede a riqueza de uma nação com base apenas na soma de bens e de serviços produzidos, seja transformado para medir também o grau de sustentabilidade de um país.

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(Foto: Divulgação)

Por Emanuel Bomfim e Paulina Chamorro, no Rio

O efeito visual é impressionante, mas quem deve estar “comemorando” são os peixes que vivem na Lagoa Rodrigo Freitas, na zona sul do Rio de Janeiro. Com a instalação de um telão de 600 metros quadrados, formado por jatos de água, a lagoa passou a ser mais bem oxigenada, aliviando um pouco o excesso de esgoto e outros sedimentos que são despejados no local, um dos cartões postais da capital fluminense.

A instalação provisória é o principal chamariz do projeto Aqualume, espécie de plataforma para apresentar ao público as ações do Movimento Cyan e o projeto Água Brasil, voltados para educação ambiental na preservação dos recursos hídricos.

“Quem sabe isso não se torne um presente definitivo para a cidade?”, adianta Ricardo Rolim, diretor de relações socioambientais da Ambev, empresa promotora do evento.

Até o final da Conferências das Nações Unidas Sobre Desenvolvimento Sustentável, no dia 24, o telão irá receber diversas projeções audiovisuais, sempre no período da noite, entre 19h e 22h. Atrações circenses e musicais também fazem parte da programação do Aqualume na Rio+20. Veja aqui a programação completa.

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(Foto: Divulgação)

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(Foto: Paulina Chamorro/Rádio Estadão ESPN)

Bruno Deiro, no Rio

Uma das personalidades mais aguardadas pelos participantes da Cúpula dos Povos, Marina Silva foi ovacionada pelos ativistas ambientais no fim da tarde deste sábado, em sua primeira aparição no evento paralelo da Rio +20. Com duras críticas à conferência mundial, a ex-Ministra do Meio Ambiente afirmou que as conquistas da Eco-92 estão sendo apagadas pelo fracasso nas negociações para um novo documento mundial de metas ambientais.

“Este evento está colocando uma pá de cal na memória da Eco-92″, afirmou Marina Silva. “O momento que a gente está vivendo aqui é de grande repsonsabilidade. Temos de dizer à presidente Dilma que estamos aqui porque não somos de oposição e nem de situação, somos de posição. A favor o desenvolvimento sustentável e de um legislação ambiental que vem sendo ameaçada por uma meia duzia de parlamentares.”

A ex-ministra criticou ainda a atuação do governo brasileiro como país sede da Rio +20. “Havia a esperança de que a presidente recolocasse nos trilhos a nossa posição de liderança, que fosse capaza de se impor pelas ações e não pelo marekting. Mas como esperar algo, se nós, como anfitrões, não estamos fazendo nem mesmo o dever de casa?”, questionou.

Empolgadas, as cerca de 2 mil pessoas presentes na Plenária 5 da Cúpula dos Povos defenderam uma nova candidatura de Marina para a presidência. “Brasil, para frente, Marina presidente”, gritaram. Em 2010, a ex-senadora concorreu pelo Partido Verde (PV) e ficou em terceiro lugar na corrida presidencial, com quase 20 milhões de votos.

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Bruno Deiro, no Rio

A atração mais concorrida deste sábado na Cúpula dos Povos, evento paralelo da Rio +20, foi uma manifestação de 11 organizações ambientais contra o novo Código Florestal, com a presença dos atores Marcos Palmeira e Victor Fasano. Depois de promover a campanha “Veta Tudo Dilma” para tentar barrar todas as alterações nas leis ambientais, as ONG’s lançaram o slogan “O jogo não acabou”, que incluiu a distribuição de 1800 apitos.

Nos próximos dias, os ativistas prometem promover protestos contra polítivos da bancada ruralista durante a conferência mundial no Rio. A ideia, segundo os organizadores, é que os participantes usem o apito “cada vez que uma mentira for contada pelos ruralistas”.

“Somos apenas uma gota d’água neste oceano, mas acredito muito no nosso trabalho de formiguinha”, afirmou Marcos Palmeiras. Durante o evento, os participantes entoaram gritos como “o código está um horror, mas o jogo não acabou.”

Victor Fasano mostrou confiança de que o apitaço dos ambientalista vai fazer a diferença. “Não conseguimos sensibilizar as pessoas o suficiente para vetar a mudança do Código. Temos de ampliar esta campanha”, lamentou.

A campanha anterior, que exigia o veto total da presidente Dilma Roussef às mudanças no Código Florestal, já havia conseguido a participação de pessoas famosas como a atriz Camila Pitanga e a modelo Gisele Bündchen.

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