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Rio+20

foto: Divers for Sharks

Paulina Chamorro, do Rio de Janeiro

A inclusão no rascunho zero do tema ‘Oceanos’, que vinha sendo comemorado por vários segmentos da sociedade, acabou ficando (assim como  outros temas), sem metas e com protocolares frases de intenções.

A presidente Dilma Roussef se referiu ao tema em seu discurso na abertura da Confêrencia das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável:

“Os oceanos requerem crescente atenção. A população de diversos países dependem de seus resursos. Devemos cuidar da biodiversidade marinha em alto –mar, dos estoques pesqueiros e dos impactos do clima sobre os oceanos.”

Mas a partir de quando, e como, não foi citado.

Conversei com José Truda Palazzo Jr., observador na Comissão Baleeira Internacional, que ajudou a criar a APA da Baleia Franca  no  sul do país e hoje está na coordenação da Divers For Sharks, no Brasil.

De língua afiada, Truda afirma que falta coragem ao governo para “para bater na mesa e exigir que sejam protegidos os oceanos”

Como você acha que ficou o  tema ‘Oceanos’ no rascunho  zero da Rio+20?

Como diria o Barão de Itararé, ‘de onde menos se espera, daí é que não sai nada’. Esperar que saia alguma coisa de bom na área ambiental deste desgoverno do Brasil é uma ilusão. Tivemos até uma ilusão que nossa delegação, que possui diplomatas muito competentes, pudesse fazer um trabalho melhor na área de oceanos, mas no final do dia o que conta é não fazer política ambiental neste país e muito menos uma orientação para que a gente se lute pela conservação marinha.

Nós temos uma ministra do Meio Ambiente que mentiu para sociedade civil que se ampliaria a conservação do Banco dos Abrolhos, que é o nosso maior patrimônio de biodiversidade marinha. Aqui dentro nós  estamos vendo se repetir uma falta de vértebra, uma falta de coragem de nosso governo para bater na mesa e exigir que sejam protegidos os oceanos, que são fundamentais para sobrevivência do planeta. Agora cabe a sociedade civil continuar brigando e denunciar esta bandalha que é a Rio+20, um desperdício de milhões, um desperdício de energia vergonhoso.

Colocaram ar condicionado para tendas abertas no Riocentro e de cada cimco pessoas, uma é segurança para impedir que sociedade civil possa se manifestar contra este crime que é essa reunião inútil, sem resultados. Cabe a gente continuar lutando.

 No Brasil temos pouquíssimas Unidades de Conservação Marinhas. Porque é difícil seguir exemplos?

A Austrália anunciou um plano  para deixar protegido um terço  de suas águas juridiscionais, sob alguma forma de Unidade de Conservação. Infelizmente nossos governantes não conseguem entender que países modernos, com economia forte, como é o caso da Austrália, querem e devem ter mais áreas de proteção para sustentar essa economia forte.

Nós continuamos destruindo nosso capital natural com uma mentalidade de desenvolvimento da União Soviética dos anos 50, tentando acabar com a pobreza acabando com o  país. Isso não vai dar certo. Nós temos que nos espelhar em exemplos como a Australia, deixar de olhar para países falidos e olhar para países do hemisfério sul, como a África do sul e outros que aprenderam a crescer preservando o meio ambiente.

 

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Emanuel Bomfim, no Rio

Em entrevista à Rádio Estadão ESPN nesta segunda, 18, a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva lamentou a falta de lideranças que possam assumir a bandeira do desenvolvimento sustentável na Rio+20. “Nós temos uma mulher no velho mundo, a primeira ministra alemã Angela Merkel, liderando a agenda para socorrer a crise economia, mas não temos ninguém que se dispõe a liderar a agenda para socorrer a humanidade e o planeta da crise ambiental”, afirmou.

ÁUDIO: Ouça 1ª parte da entrevista
ÁUDIO: Ouça 2ª parte
ÁUDIO: Ouça 3ª parte
ÁUDIO: Ouça 4ª parte
VÍDEO: Ouça trecho da entrevista

Marina ainda criticou o rascunho do documento apresentado pelo Brasil e disse que a Conferência das Nações Unidas corre o risco de ter apenas um acordo entre diplomatas. “Eles vão fazer uma negociação burocrática, vão colocar objetivos genéricos”.

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Emanuel Bomfim, no Rio

Após Maria Bethânia e Caetano Veloso, foi a vez de Marcelo Jeneci se apresentar no ‘Humanidade 2012′, evento paralelo à Rio+20 que ocorre no Forte de Copacabana, na zona sul do Rio.

Acompanhado de sua banda, o músico apresentou faixas de seu disco ‘Feito Pra Acabar’, lançado em 2010. Após o show, ele conversou com a reportagem da Rádio Estadão ESPN e falou sobre seu engajamento em temas ambientais.

“Todo pessoa que acaba afirmando que a vida existe através da arte, ela tem uma responsabilidade, um certo poder. Pode ter quem não queira, mas esses recados vem nas letras das canções, na postura, como você se comunica… É um fado necessário que todo artista tem que carregar”, defendeu o compositor.

Jeneci ainda afirmou que só irá trabalhar em novas composições no ano que vem. Até lá, seguirá com o show de seu disco de estreia. Ouça entrevista:


 

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Emanuel Bomfim e Paulina Chamorro, do Rio

A cidade de Paragominas, surgida às margens da Rodovia Belém-Brasília, era conhecida como a capital do desmatamento. Em poucos anos, e graças à boa vontade política, ela se transformou em “município verde” e, agora, modelo a ser copiado.

ÁUDIO: Ouça entrevista com Simão Jatene

Em anúncio feito durante um dos eventos paralelos à Rio+20, o governador do Pará, Simão Jatene (PSDB), assumiu a meta de desmatamento zero no Estado a partir de 2020. A proposta supera a meta nacional de 80%, firmada no Programa de Municípios Verdes em 2011.

O governo local também pretende ampliar o número de imóveis no cadastro ambiental. Hoje, 50 mil propriedades estão regularizadas. Até 2009 eram cerca de 400, apenas.

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Advogado e ambientalista Fabio Feldmann (Foto: Marcio Fernandes/AE)

Paulina Chamorro

O advogado e ambientalista Fabio Feldmann conversou comigo sobre a postura das Nações Unidas de não aprofundar o tema ‘clima’ da RIO+20. Feldmann defende o fortalecimento  do PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio  Ambiente) e acredita que os temas integrados, divulgados  no formato do IPCC, podem chamar a atenção da opinião pública e gerar mudanças.

 A questão climática sempre esteve na sua trajetória, mais intensificada nos  últimos  anos. E a postura da ONU tem sido de não colocar o clima como  um ponto da Rio+20 pois  este tema já tem uma Conferencia própria (COP). Inclusive o embaixador André Corrêa do Lago reafirmou numa palestra em São Paulo que a questão  climática não  estará presente  na Rio+20. O rascunho  Zero (draft zero) da Reunião mostra essa posição. Não é um grande problema  para conseguir  debater o  mundo  real?

Feldmann - A pergunta remete a um equívoco que todos cometemos em 1992. O erro de fragmentarmos os temas em várias convenções: Convenção do clima, da Biodiversidade, anos depois da Desertificação,  a Agenda 21…

Agora seria hora de tratar deste assunto no tema da governança: como trabalhar a sinergia entre esses vários temas. Ainda que esta Conferência (a Rio+20) não trate de clima e biodiversidade, se ela for capaz de desenhar uma nova arquitetura para as Nações Unidas, eu acho que poderemos avançar sobre todos estes temas.

Ou fortalecer o PNUMA ou criar uma organização mundial de meio ambiente. O que não pode é ter este desenho das Nações Unidas em que o meio ambiente esta muito mal colocado.

Você gosta da proposta de tornar o PNUMA (Programa das Nações Unidas para o  Meio Ambiente)  uma agência da ONU?

O ideal seria uma organização mundial do meio ambiente. A dificuldade desta proposta é que ela poderia requerer alguns anos. Teria que ter um tratado especial (negociado, que demoraria de três a quatro anos), e depois este tratado teria que ser ratificado pelos países. Acho que a opção seria fortalecer o PNUMA.

O PNUMA tem um orçamento de 80 milhões de dólares, é menos do que se gasta com passagens aéreas dos negociadores para as mais de 40 convenções internacionais.

As contribuições no PNUMA são voluntárias e as deliberações do Programa devem passar pelo plenário das Nações Unidas.  Por exemplo: se trabalhou anos num texto sobre consumo sustentável, foi submetido ao plenário e uma questão conjuntural da geopolítica do mundo e foi rejeitada a proposta do PNUMA.

Ou seja, este modelo se mostrou completamente insuficiente.

Eu defendo o IPCC do Planeta. Porque temos o IPCC dos anos 80, temos o  IPCC da Biodiversidade, articulado em Nagoya, mas também temos problemas dos oceanos, nitrogênio, fósforo…

Por isso defendo o IPCC para o Planeta, porque, por exemplo, o relatório de 2007 (do IPCC –Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas), teve um impacto tão  grande na opinião  pública, que um relatório mostrando a crise do planeta e a necessidade de agir, na minha opinião, poderia causar uma grande  repercussão na opinião pública.

Ouça entrevista abaixo:

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Gastão Vieira diz estar de olho no mercado hoteleiro carioca (Foto: AE)

Da Redação

A alta procura por hospedagem no período da Rio+20 inflacionou o mercado hoteleiro na capital fluminense. Reservar um quarto num estabelecimento 3 estrelas chegou a custar mais de R$ 1.200 – valor cobrado em hotéis de luxo. O governo federal interveio para frear a forte especulação e, aparentemente, os preços caíram.

Em entrevista concedida nesta terça, 29, à Rádio Estadão ESPN, o ministro do Turismo, Gastão Vieira, garantiu que a Pasta, em conjunto com a secretaria estadual carioca, seguirá na cola dos representantes do setor durante a Conferência das Nações Unidas.

Vieira ainda defendeu que se faça uma “enorme campanha” para que brasileiros “abracem” eventos como este. Segundo ele, a Rio+20, a Copa, a Olimpíada não devem ser vistos “como uma responsabilidade do governo, mas do País, para que o mundo inteiro entenda de que forma o Brasil está se colocando no cenário mundial”.

Ouça entrevista abaixo:

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