Circular: “Por que passei tantos anos sem escrever literatura? Por uma questão hormonal, talvez. Houve uma época em que, quando tinha uma ideia, saía correndo para os bares comemorar que tinha tido uma ideia. Hoje, quando tenho uma ideia, corro para o computador e escrevo. Os hormônios me incomodam menos agora, não me chamam tanto para o crime. Escrever é uma coisa muito física, muito ligada à vida concreta. Você precisa de condições mínimas: solidão, silêncio. Você não pode ter o coração aos pulos porque os credores estão dando picaretadas nas paredes ou porque sua mulher está transando com o vizinho. A realidade não pode morder sua canela o tempo todo. Você precisa botá-la ali, num cantinho. Tem que ter uma torre de marfim. Escritores descobrem a torre de marfim em diversos lugares. Cervantes, por exemplo, a descobriu na prisão de Madri, que não devia ser exatamente o Hilton Bangkok. O escritor necessita desse recolhimento. Precisa ter disponibilidade _e dinheiro, claro. Outro negócio que é bom para escrever é estar vivo. Tem de contar com isso. Na hora que não tiver mais, fica difícil. Quer dizer, depende de uma psicógrafa.”
Reinaldo Moraes, autor de “Pornopopéia“, em entrevista ao jornal Cândido. (Via Armando Antenore).
Uma entrevista de cerca de meia hora com David Renmick, editor-chefe da New Yorker. “Não importa o que aconteceu em termos de distribuição ou criatividade atrelada à web”, disse Remnick em entrevista ao programa “D: Dive Into Media“. “Existe uma fome humana por informação aprofundada, pela reportagem que demanda tempo”. (via @cartadoeditor)
The City of Samba from Jarbas Agnelli on Vimeo.
Vídeo de Keith Loutit e Jarbas Agnelli realizado no Rio de Janeiro. Recomendo.

Sugestão de leitura: o perfil da estilista Stella McCartney, escrito por Cathy Horyn, publicado na revista do New York Times. Em “What Drives Stella McCartney“, Horyn mostra como Stella calou os críticos que costumavam atribuir o sucesso da estilista ao seu sobrenome famoso. Neste outro link, uma galeria de imagens.

Morreu na semana passada, aos 100 anos, Steve Kordek, o homem que revolucionou as máquinas de pinball nos anos 40 ao desenhar o modelo com dois flippers na parte inferior do playfield — design que se tornaria famoso nos fliperamas e bares espalhados pelo mundo. O New York Times publicou um bom obituário em suas páginas.

Sugestão de leitura: no New York Times, o escritor Hanif Kureishi (autor de “Intimidade” e “Tenho algo a te dizer“, entre outros) publicou o artigo intitulado “The Art of Distraction” (em inglês). Vale a leitura. Aproveitei e resgatei do arquivo este outro artigo de Kureishi, publicado no Estadão, sobre o ofício de escritor. Destaco um trecho: “A verdade é que os mais sãos não costumam ser os mais criativos. Como nos recordou Proust: ‘Tudo que existe de bom no mundo procede dos neuróticos. Desfrutamos mil manjares intelectuais, mas não temos ideia do preço pago por seus criadores sob a forma de noites insones, lágrimas, gargalhadas espasmódicas, erupções, asma, epilepsia e medo da morte, que é o pior de tudo.’ O que me tranquilizava era o seu entusiasmo, seu empenho no trabalho. Nossas reuniões lhe proporcionavam uma estrutura útil. Acredito que, na ausência de um professor que acompanhasse esse processo, ele teria dado penosas e intermináveis voltas, vendo-se cada vez mais isolado. Sua criação era uma das mais estranhas e imaginativas que já li, muito distante do realismo rombudo e dos convencionalismos que a maioria dos aprendizes costuma considerar um trabalho inspirado.”
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