
A tradicional (e esperada) lista dos 100 melhores livros do ano, escolhidos pelos editores do New York Times. Vale a pena olhar e encomendar vários pela Amazon (é sempre um bom presente para si mesmo). Algumas escolhas de não-ficção da lista pescadas por mim — há muitas outras:
THE FOLLY OF FOOLS: The Logic of Deceit and Self-Deception in Human Life. By Robert Trivers. (Basic Books, $28.) An intriguing argument that deceit is a beneficial evolutionary “deep feature” of life.
HOW CHILDREN SUCCEED: Grit, Curiosity, and the Hidden Power of Character. By Paul Tough. (Houghton Mifflin Harcourt, $27.) Noncognitive skills like persistence and self-control are more crucial to success than sheer brainpower, Tough maintains.
IRON CURTAIN: The Crushing of Eastern Europe, 1944-1956. By Anne Applebaum. (Doubleday, $35.) An overwhelming and convincing account of the Soviet push to colonize Eastern Europe after World War II.
SAUL STEINBERG: A Biography. By Deirdre Bair. (Nan A. Talese/Doubleday, $40.)A gripping and revelatory biography of the eminent cartoonist.
WHY BE HAPPY WHEN YOU COULD BE NORMAL? By Jeanette Winterson. (Grove, $25.) Winterson’s unconventional and winning memoir wrings humor from adversity as it describes her upbringing by a wildly deranged mother.

Sugestão de leitura: o texto ” O Boom do Ego“, de Michel Laub, publicado no blog da Companhia das Letras. Um trecho:
“(…) Impossível desconsiderar o impacto da Internet quando se comparam as últimas duas ou três décadas: de uma cultura quase toda visual, imersa na linguagem do cinema e da TV, foi-se para um tempo em que se gasta o dia lendo e escrevendo. Uma prática com desdobramentos não apenas na ficção, mas na cultura que a cerca. Se nos 1980 havia videomakers demais no mundo, e nos 1990 começou a febre dos designers, profissões para onde escoava uma massa de indecisos de temperamento vagamente artístico, nos 2000 tivemos uma espécie de boom dos escritores. Que acompanhou outras novidades, em paralelo ou numa relação de causa e efeito: ferramentas de autopublicação, barateamento dos custos do livro impresso, florescimento de oficinas, festas literárias, prêmios, rapapés e oba-oba em geral, sem contar os maiores índices de escolarização e a consolidação de campanhas oficiais de estímulo à leitura.(…)”.

O New York Times publicou a resenha do livro “The End of Men — And the Rise of Women“, de Hanna Rosin. A autora argumenta que a revolução que as feministas estavam esperando há tanto tempo está acontecendo agora, diante de nossos olhos. Já encomendei o meu exemplar.
Do blog do Michel Laub:
“Para quem cresceu na cultura televisiva dos anos 80, é visível que a internet melhorou a média dos textos. A simples prática de redigir com frequência tornou mais eficiente a comunicação. Compare as manifestações de sua timeline com uma dessas cartas de sindicato ou avisos de condomínio que chegam pelo correio, como um museu em papel de termos e formas que não existem mais: ninguém abaixo de certa idade, com o mínimo acesso à informação e que não trabalhe no STF escreve daquele jeito. Para a elite letrada, a afetação bacharelesca morreu com o modernismo do século 20. Entre um público mais amplo, com a interação virtual do 21.
Aproveitando facilidades como os corretores automáticos, a mudança também acabou com o conceito de texto bom ou ruim baseado apenas em ortografia e gramática. Ou seja, aquilo que no passado se chamava “saber escrever”. Num paralelo com a ficção, o hábito das mensagens por email, dos posts e das conversas digitais cumpre o papel dos antigos primeiros anos de um escritor, durante os quais ele saía de um nível rudimentar de prosa — despindo-se das travas e do exibicionismo típicos dessa fase — para um grau mínimo de clareza na hora de dizer o que gostaria. Mas esse é só um passo inicial. Levar a tarefa adiante com particularidade, graça e inteligência, ou com o oposto consciente disso, é outra história.”

No Wall Street Journal, Peter Pesic escreveu sobre o livro “Ballpoint” (“Esferográfica”), do húngaro Gyorgy Moldova. O livro conta a notável história de dois húngaros que inventaram a caneta esferográfica enquanto a guerra explodia na Europa.
Bem bacana: documentário da BBC, de 1978, sobre Hunter S. Thompson. Assista: “Fear and Loathing on the Road to Hollywood“. (Via @openculture).

Sugestão de leitura: a resenha do livro “Teaching Your Children Well — Parenting for Authentic Success“, de Madeline Levine, publicada no suplemento dominical de livros do New York Times. O livro, segundo o texto, foi escrito por uma especialista que conhece o melhor da nossa natureza — o amor profundo dos pais e a verdadeira preocupação com seus filhos — e o pior da nossa cultura de influências competitivas e materialistas. Levine trabalha com adolescentes que estão esgotados, zangados e tristes enquanto competem por vagas num punhado de grandes faculdades, e com os pais deles que não conseguem orientá-los. “Nossa versão atual do sucesso é um fracasso”, escreve Levine. “É um preciso diagnóstico clínico”, diz o Times.

Sugestão de leitura: o texto “Gênios que nunca escreveram“, do jornalista e escritor Michel Laub, publicado no blog da editora Companhia das Letras. Um trecho:
“‘Nesta geração, é visível que as gentes que escrevem melhor não escrevem livros. Escrevem blogues durante uma época, fazem umas graças, depois talvez twitter. Depois param de escrever, ou gastam o talento em jornalismo ou outras coisas abaixo deles”. A opinião é de Alexandre Soares Silva, ele mesmo um escritor muito bom e engraçado, e segue num tom talvez a sério, talvez não, provavelmente as duas coisas: “Entendi que sempre deve ter sido assim: que no mundo sempre houve Goethes que escreveram um soneto ou dois, que mostraram para os amigos e depois foram fazer outra coisa (…). Flauberts que não se deram ao trabalho de escrever um livro, porque acharam a busca pela glória uma boçalidade.”
Desde o início do ano estou tentando iniciar um romance, e ao menos numa coisa concordo com os tipos descritos por Alexandre: o universo se expande, o tempo é ilusório e tudo é triste, e diante disso é penoso se dedicar a uma luta que sempre tem algo de ridículo. (…)”
“10 conselhos de Carlos Drummond de Andrade a um escritor iniciante“
Por Michel Laub
Trechos (editados) da crônica A um jovem, publicada em A bolsa e a vida (1962):
1. Não acredite em originalidade, é claro. Mas não vá acreditar tampouco na banalidade, que é a originalidade de todo mundo.
2. Não fique baboso se lhe disserem que seu novo livro é melhor que o anterior. Quer dizer que o anterior não era bom. Mas se disserem que seu livro é pior que o anterior, pode ser que falem verdade.
3. Procure fazer com que seu talento não melindre o de seus companheiros. Todos têm direito à presunção de genialidade exclusiva.
4. Aplique-se a não sofrer com o êxito de seu companheiro, admitindo embora que ele sofra com o de você. Por egoísmo, poupe-se qualquer espécie de sofrimento.
5. Sua vaidade assume formas tão sutis que chega a confundir-se com modéstia. Faça um teste: proceda conscientemente como vaidoso, e verá como se sente à vontade.
6. Opinião duradoura é a que se mantém válida por três meses. Não exija maior coerência dos outros nem se sinta obrigado intelectualmente a tanto.
7. Procure não mentir, a não ser nos casos indicados pela polidez ou pela misericórdia. É arte que exige grande refinamento, e você será apanhado daqui a dez anos, se ficar famoso; se não ficar, não terá valido a pena.
8. Se sentir propensão para o gang literário, instale-se no seio de uma geração e ataque. Não há polícia para esse gênero de atividade. O castigo são os companheiros e depois o tédio.
9. Evite disputar prêmios literários. O pior que pode acontecer é você ganha-los, conferidos por juízes que o seu senso crítico jamais premiaria.
10. Leia muito e esqueça o mais que puder. Só escreva quando de todo não puder deixar de fazê-lo. E sempre se pode deixar.

Sugestão de livro: “QUIET — The Power of Introverts in a World That Can’t Stop Talking“, de Susan Cain. O New York Times publicou uma resenha.
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