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Quem Faz

Nascido em Araras (SP), o jornalista RICARDO CHAPOLA escreve crônicas desde 2008. Gosta de se apresentar como jornalista e cronista, não necessariamente nessa ordem.
quinta-feira 16/10/14 08:15

Academia

ilustra

Amanhã de manhã, vou pedir um café pra nós dois e depois, eu juro, palavra de escoteiro, vou para a academia. O despertador está para às 6h, exatamente o horário que me lembro que dormir é bom e, poxa, o dia vai ser barra, melhor deixar a malhação pra amanhã. Isso, melhor. Fecho os olhos pegando carona logo no primeiro carneirinho que passar antes da cerca.  

Ilustração: Felipe ...

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quinta-feira 09/10/14 01:06

Olho de sogra

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Ilustração: Felipe Blanco

Tem coisa que não se diz para os sogros. Tipo: eu não disse que quero ser escritor. Disse ser jornalista, o que na prática não muda muita coisa. A vida vai ser foda do mesmo jeito. Mas isso eu também não contei a eles.   Também não falei "foda". Evito palavrões ao máximo que posso, apesar de isso ser o mais foda, para um boca suja de ...

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quinta-feira 25/09/14 08:59

MIS

Doutor Abobrinha

Nós, subscritos neste documento, não temos nada contra os moradores do Jardim Europa. Até temos divergências, grande parte delas sócio-econômicas, mas pela garantia da causa atual, vamos tratá-las hoje como resignações. Aceitaremos a ostentação da riqueza a cada esquina. Nos conformaremos com mansões, carros importados, chofer, coisas que não pertencem à realidade de gente diferenciada como a gente. Não protestaremos contra nada disso. Esperávamos só alguma coisa em troca, ou apenas que nos deixassem ser felizes comendo cachorro quente na ...

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quinta-feira 18/09/14 01:35

Ciclofaixa

Ciclovia

Ilustração: Felipe Blanco

- Amor, onde você vai de mochila? – perguntei, acostumado a vê-la só de bolsa em suas andanças.

 

- Hoje vou pro trabalho a pé. É semana da mobilidade urbana.

 

Fechou a porta e saiu, sorrindo não sei se feliz com o beijo de despedida, ou se pela satisfação de tirar um carro da rua. O melhor dos mundos seria se fosse pelas duas coisas juntas.

 

Sempre quando ouço a palavra mobilidade em São Paulo, bate lá no fundo uma vontade de rir. Quem mais fala dela é político, consequentemente na frente de quem mais tenho vontade de gargalhar. O paulistano é o povo que anda devagar, mesmo que ainda tendo pressa. Pesquisas comprovariam minha afirmação, se hoje elas não estivessem mais preocupadas em aferir quem nos fará cócegas internas nos próximos quatros anos.

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As ruas de São Paulo não suportam tanta gente desejando a mesma coisa, mais ou menos ao mesmo tempo, exatamente do mesmo jeito. Queremos chegar rápido ao nosso destino, por isso pegamos o carro. Está muito calor, não merecemos ônibus, por isso vamos de carro. O metrô estará lotado, gostaríamos de viajar sentados. Carro, oras, a solução para os nossos problemas de tempo e conforto.

 

O que o paulistano mais faz então? Espera. Espera bastante, mas com glamour, que é o que importa: empacado em congestionamentos, ouvindo Sul América Trânsito, sob a brisa chique do ar condicionado.

 

Quem leva o termo mobilidade ao pé da letra, decide se mexer por outros meios. A pé, pelo metrô, ônibus, ou vá lá, até de bicicleta, que deixou de ser um programa de domingo para virar alternativa de transporte graças às ciclofaixas. À medida que elas desabrocham pelo chão, vou ficando com a sensação de que a distância entre São Paulo e as cidades europeias seja mesmo somente o oceano Atlântico.

 

O paulistano que vê mais do que água entre nós e eles anda de carro de segunda a sexta, pois acha perigosa essa história de ciclovia. Tem bicicleta, embora só tire da garagem aos sábados, para os passeios no Ibirapuera. Viaja quase todo ano pro velho continente, dando uma passadinha em Amsterdã, onde as pessoas são bonitas, o trânsito é melhor e dá até pra você pedalar todo dia, sem medo de ser feliz, a passeio, ou a trabalho. Isso sim é que é vida.

 

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quinta-feira 11/09/14 07:13

A dieta

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Mulheres acreditam quando a gente diz que as ama, mas jamais engolem quando a gente diz que não estão gordas. Ninguém sabe exatamente o porquê. Talvez desconfiem de nosso senso crítico, ou mesmo creiam que o amor esteja viciando a nossa visão de mundo. O que sei é que, via de regra, o fenômeno desemboca sempre na mesma coisa: dieta.

Ilustração: Felipe Blanco 

Se botarem isso na cabeça, camarada, ...

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quinta-feira 04/09/14 09:02

Machismo

trabalho

Ilustração: Felipe Blanco

Não é machismo, é preocupação, mulheres. Por que vocês vieram com essa de abrir as asinhas? Se eu tivesse a chance de poder ficar no conforto do lar, cuidando dos afazeres domésticos, ficaria. Mas como tive o importuno genético do pênis, coube a mim e a todos os homens, tal qual um dever natural, zelar pelo provimento da caça, pelas contas pagas, pela escola dos ...

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quinta-feira 21/08/14 09:33

Mau humor

busao

Fazer cara feia, torcer o nariz, estragar seu humor pode ser legítimo, constitucional, justo, mas não vai resolver sua fome, que é muita, não mudará a personalidade do seu chefe, que é difícil, não será suficiente para fazer um mundo, que é caótico, melhor. Ficar emburrado o tempo todo, na verdade, além de não resolver em nada os problemas de ninguém, dá ...

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quinta-feira 14/08/14 11:51

Um dia só sobre Campos

eucampos

Foto: JF Diorio/Estadão

Ontem, antes mesmo de todos nós da redação sabermos da tragédia, minha chefe ligou para que eu chegasse mais cedo no jornal. Disse que queria que eu me dedicasse exclusivamente a uma matéria proposta por mim no dia anterior. Uma triste coincidência. Se minha chefe tivesse deixado para me avisar um pouco depois, eu teria visto o governador Geraldo Alckmin sair às pressas da abertura de uma feira ...

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quinta-feira 07/08/14 08:20

Supermercado

carrinho

Esta é Inês. Não sei se é realmente o nome da moça em questão, mas decidi que fosse depois de ver o que levava no carrinho de supermercado: um pacote de macarrão, molho de tomate, duas garrafas de vinho. Romântica que é, ela fará uma bela macarronada de mimo para o marido que chegará cansado do trabalho. Inês é casada. Notei a aliança no dedo quando nos cruzamos na gôndola de temperos, enquanto ela se escarafunchava nas especiarias e eu ...

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