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Quem Faz

Nascido em Araras (SP), o jornalista RICARDO CHAPOLA escreve crônicas desde 2008. Gosta de se apresentar como jornalista e cronista, não necessariamente nessa ordem.
quinta-feira 11/09/14

A dieta

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Mulheres acreditam quando a gente diz que as ama, mas jamais engolem quando a gente diz que não estão gordas. Ninguém sabe exatamente o porquê. Talvez desconfiem de nosso senso crítico, ou mesmo creiam que o amor esteja viciando a nossa visão de mundo. O que sei é que, via de regra, o fenômeno desemboca sempre na mesma coisa: dieta.

Ilustração: Felipe Blanco 

Se botarem isso na cabeça, camarada, ...

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quinta-feira 04/09/14

Machismo

trabalho

Ilustração: Felipe Blanco

Não é machismo, é preocupação, mulheres. Por que vocês vieram com essa de abrir as asinhas? Se eu tivesse a chance de poder ficar no conforto do lar, cuidando dos afazeres domésticos, ficaria. Mas como tive o importuno genético do pênis, coube a mim e a todos os homens, tal qual um dever natural, zelar pelo provimento da caça, pelas contas pagas, pela escola dos ...

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quinta-feira 28/08/14

Reunião de condomínio

condominio

A reunião de condomínio aqui do prédio, na semana passada, me fechou num casulo contemplativo:   "Que merda é essa?" - pensei por um longo período, até me dar conta de que aquilo era o que a vizinhança chamava de diplomacia.   Se um dia o Brasil virar a casa da mãe Joana, podem ter certeza, parte disso será por causa das das relações políticas entre os vizinhos. Afinal, são eles, é você, sou eu quem faz essa bagaça toda funcionar, à nossa imagem ...

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quinta-feira 21/08/14

Mau humor

busao
Ilustração: Felipe Blanco
Fazer cara feia, torcer o nariz, estragar seu humor pode ser legítimo, constitucional, justo, mas não vai resolver sua fome, que é muita, não mudará a personalidade do seu chefe, que é difícil, não será suficiente para fazer um mundo, que é caótico, melhor. Ficar emburrado o tempo todo, na verdade, além de não resolver em nada os problemas de ninguém, dá rugas, se você tiver sorte. Mata, se tiver azar. De AVC, ou infarto. Você nunca escolhe.
Carrego esse discurso na ponta da língua como mecanismo de combate à resignação frente a tudo o que está aí. Pesquisas apontam que está todo mundo de saco cheio de desigualdade, corrupção ou corruptelas, ônibus lotado, trânsito sem fim. Sinto informar que, apesar de a vida ser dura, só amarrar a cara não ajuda.
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Foi o que tive vontade de falar à senhora que, não faz muito tempo, me odiou por um instante no ônibus que tomo pelas manhãs para ir ao trabalho. Odiou-me tanto que, se não estivesse usando toda a sua força para carregar as sacolas, certamente a teria convertido em cascudos na minha cabeça.
Pelo menos para isso serviu a bendita bagagem: salvar um inocente.
Não tive culpa em poder, naquele momento, fornecer a ela apenas os dois palmos possíveis de espaço para passar, não a avenida que seus olhos julgadores exigiam, sem dar qualquer importância ao esforço que fiz para abrir aquela passassem pequena, mas cheia de boas intenções. Pelo que captei em suas acusações telepáticas, a senhora condenou-me por me preocupar mais em manter a lisura da camisa do que amarrotá-la em nome de uma gentileza. Não era bem assim, o importante ali era equacionar tudo direitinho: ser cortês, sem ter que, para isso, meter a bolsa no nariz do cidadão da frente, dar uma bundada no cidadão de trás e ainda, de quebra, não deixar que o contorcionismo todo naquele aperto comprometesse a minha reputação.
A verdade é que os dois palmos eram suficientes para que passassem primeiro as sacolas e depois a senhora – meio de ladinho. Mesmo assim, como se dar o braço a torcer fosse sinal de fraqueza, a senhora continuou a me odiar. Bufou ao descer em seu ponto, dirigindo-me de novo o olhar diabólico assim que pisou na calçada.
Poderia retribuir em ódio, em caretas, fazer birra ficando parado no lugar, sem mexer um centímetro sequer para que ela pudesse descer com suas sacolas e e sua antipatia a tiracolo. Poderia rebater todas as acusações a que fui submetido com outras, criticando a senhora pela folga de querer viajar sentada, na janelinha, e ainda achar que tem direito a mordomia na hora de sair.
Mas não. Tive vontade de chamar a senhora para um papo amigo. Convencê-la de que ficar emburrada daquele jeito vai levá-la para o buraco mais rápido e que, quando isso acontecer, muito provavelmente não terá amigos em volta de seu caixão tamanha foi a sua chatice durante a vida. Ninguém deseja isso para si. Além do mais, veja só, eu diria: enquanto ficamos com picuinhas, você chegou ao seu destino, eu cheguei ao meu, e o pessoal que optou pelo conforto do carro, com ar condicionado e entrada USB no rádio, está lá parado no congestionamento até agora culpando o PT e os corredores de ônibus.
Não acaba aí. As sacolas estão cheias, sinal de que conseguiu ir ao supermercado comprar arroz, feijão, bife, até bolacha recheada para os filhos, a despeito da economia ruim, dos preços altos, do salário baixo, do patrão picareta. Por isso sorria, minha senhora!!! O mundo é cruel, o busão, ruim, e nada disso vai melhorar só com cara feia. Nem a sua, nem a minha, nem a de todos os brasileiros juntos somados nas pesquisas noticiadas pelos jornais.
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quinta-feira 14/08/14

Um dia só sobre Campos

eucampos

Foto: JF Diorio/Estadão

Ontem, antes mesmo de todos nós da redação sabermos da tragédia, minha chefe ligou para que eu chegasse mais cedo no jornal. Disse que queria que eu me dedicasse exclusivamente a uma matéria proposta por mim no dia anterior. Uma triste coincidência. Se minha chefe tivesse deixado para me avisar um pouco depois, eu teria visto o governador Geraldo Alckmin sair às pressas da abertura de uma feira ...

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quinta-feira 07/08/14

Supermercado

carrinho

Esta é Inês. Não sei se é realmente o nome da moça em questão, mas decidi que fosse depois de ver o que levava no carrinho de supermercado: um pacote de macarrão, molho de tomate, duas garrafas de vinho. Romântica que é, ela fará uma bela macarronada de mimo para o marido que chegará cansado do trabalho. Inês é casada. Notei a aliança no dedo quando nos cruzamos na gôndola de temperos, enquanto ela se escarafunchava nas especiarias e eu ...

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quinta-feira 24/07/14

Soneca

Cama

Se o juízo final dependesse de uma canetada minha, eu certamente já teria absolvido os enrolões. Quem são? Fazendo vista grossa, eu, talvez você, muito provavelmente boa parte da humanidade hiperafeita ao sono. Num pente fino, creio que nem o papa escaparia. Os enrolões são, como o próprio nome já diz, aqueles que enrolam, ou melhor, se enrolam nas próprias cobertas à medida que o despertador os chama para a vida. Chama não, grita, tendo em vista a quantidade de vezes ...

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quinta-feira 17/07/14

Facebook com moderação

facebook

Todo o meu respeito às pessoas que decidiram pelo assassinato de seu "eu" nas redes sociais. Se há um crime que compensa, dizem elas, o crime é esse: acabe com o seu Facebook antes que ele acabe com você primeiro. Muitos tentaram me convencer usando todos os artifícios imagináveis de persuasão, mas cá estou, resistindo firmemente a um deleite que não sei bem como explicar.

Ilustração: Felipe Blanco

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sábado 12/07/14

Vida pós-Copa

itaquerao

Ilustração: Felipe Blanco

E agora, José? E agora Maria, Thiago, Cláudia, Patrícia? Bruno, e agora? Como faz agora que Copa acabou, a gringaiada vazou e levou com ela a taça e a felicidade que, junto com a nossa, moveu o País neste mês?   Agora a vida segue. Chegou a hora de arrumar a casa, limpar os móveis, recolher os confetes, juntar os cacos, lembrando que é preciso fazer tudo ...

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