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Quem Faz

Nascido em Araras (SP), o jornalista RICARDO CHAPOLA escreve crônicas desde 2008. Gosta de se apresentar como jornalista e cronista, não necessariamente nessa ordem.
quinta-feira 31/07/14

Banho de Cantareira

cantareira

Ilustração: Felipe Blanco
  Antigamente, lá de onde eu venho, quem tomava banho de cinco minutos era chamado de porco. Disseram-me que antigamente também a tal alcunha valia para os lados daqui da capital, mas acabou virando título de nobreza de uns tempos para cá pelo que vi. Uns dizem ser culpa de São Pedro, outros falam de politicagem, mas, no fim, a gente acaba ...

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quinta-feira 24/07/14

Soneca

Cama

Se o juízo final dependesse de uma canetada minha, eu certamente já teria absolvido os enrolões. Quem são? Fazendo vista grossa, eu, talvez você, muito provavelmente boa parte da humanidade hiperafeita ao sono. Num pente fino, creio que nem o papa escaparia. Os enrolões são, como o próprio nome já diz, aqueles que enrolam, ou melhor, se enrolam nas próprias cobertas à medida que o despertador os chama para a vida. Chama não, grita, tendo em vista a quantidade de vezes ...

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quinta-feira 17/07/14

Facebook com moderação

facebook

Todo o meu respeito às pessoas que decidiram pelo assassinato de seu "eu" nas redes sociais. Se há um crime que compensa, dizem elas, o crime é esse: acabe com o seu Facebook antes que ele acabe com você primeiro. Muitos tentaram me convencer usando todos os artifícios imagináveis de persuasão, mas cá estou, resistindo firmemente a um deleite que não sei bem como explicar.

Ilustração: Felipe Blanco

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sábado 12/07/14

Vida pós-Copa

itaquerao

Ilustração: Felipe Blanco

E agora, José? E agora Maria, Thiago, Cláudia, Patrícia? Bruno, e agora? Como faz agora que Copa acabou, a gringaiada vazou e levou com ela a taça e a felicidade que, junto com a nossa, moveu o País neste mês?

 

Agora a vida segue. Chegou a hora de arrumar a casa, limpar os móveis, recolher os confetes, juntar os cacos, lembrando que é preciso fazer tudo isso na vassoura, não no esguicho. Porque é bom voltar a lembrar que o que acabou, por enquanto, foi só a Copa. A água ainda não, embora esteja quase.

 

Precisamos dar um jeito neste nosso temperamento, antes que os yellowblocs voltem para o lado negro da força, destruindo tudo de novo: bancos, metrôs, desta vez até os estádios novinhos em folha, construídos com um dinheiro que ninguém sabe ao certo de onde veio. Mas quem se importava com isso? A Copa ia começar. Era preciso trocar as máscaras pelas camisas verdes e amarelas,  engolir o chororô, cantar o hino com força. Quem não se conteve, mandou a Dilma tomar naquele lugar.

 

Triste será se tudo voltar a ser como era antes. A Copa não teria valido de nada, senão para ter sido um evento igual a outro qualquer, que passa deixando só saudade. Saudade que é boa, mas não suficiente nesse caso. Precisaria também que a alegria prevalecesse, a despeito de qualquer sete a zero, da teimosia do Felipão, da supremacia brasileira perdida no futebol. A mesma alegria que víamos em dia de jogo da Bósnia, Grécia ou Irã.

 

Já não teremos mais os jogos onde apoiar nosso desejo procrastinador. Textos deverão ser escritos, a louça lavada, o quarto arrumado. Que façamos tudo então ao menos com um sorriso no rosto. Sambando. Com alegria não só nas pernas, como Bernard. Mas em tudo. Precisamos dar um “xô” no mau humor dos tempos de pré-Copa uma vez por todas. Aos que resistirem, que fiquem à vontade. Só uma sugestão: as eleições vêm aí.

 

Aos que não, só posso dizer que a vida segue. Os gringos não levaram toda a felicidade que brota incessantemente dessa terra. Ficarão aqui as boas recordações, os estádios monumentais, o título de termos sido o País anfitrião da melhor Copa de todos os tempos. Com um probleminha aqui, outro ali, mas quem é perfeito?
E agora? Agora é torcer pelo brasileiro. Que ele consiga admitir que, apesar de tudo, foi uma Copa legal. Primeiro isso, depois limpar a bagunça. Se der, depois, a gente vê se dá para repensar a seleção brasileira. Qualquer coisa diferente pode manter a gente na mesma de sempre: rabugentos e eternamente pentacampeões.

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quinta-feira 10/07/14

Denúncia

araras

Ilustração: Felipe Blanco

Estou possuído neste momento por algo maior do que eu. Peço então que leve isto em consideração ao término da leitura: tenha certeza de que não era a  minha maior intenção fazer esta denúncia. Estive movido só pelo torpor dos 7 gols da Alemanha, mas daí veio a Argentina, ganhou e logo estava lá bebendo Quilmes na final da Copa do Mundo, bem no lugar ...

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quinta-feira 03/07/14

Por um fio de cabelo

cabelo_branco

Ilustração: Felipe Blanco

Aos quatro, ficar mais velho era mais questão de perícia do que longevidade. Entraria para o clã quem adquirisse poder sobre os próprios cadarços: uma vez amarrados por você mesmo, aquelas duas orelhinhas mais ou menos simétricas do laço seriam o passaporte da alegria do Playcenter que era a vida adulta. As melhores pás da caixa de areia, o balanço que ia mais alto, entrar ...

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quinta-feira 19/06/14

Copa cosmética

esmalte_copa

Ilustração: Felipe Blanco

Prodígios da humanidade se espraiam alguns pelos ramos da astronomia, outros pelas veredas da cosmética, onde lidam parte entubando pastas de dente, parte batizando os novos esmaltes lançados no mercado. Manter as cores do creme dental sem misturar e nomear tons de tinta para unhas são dons de poucos e, por isso, essa horda de crânios merecem minha absoluta admiração.   Foi a Copa do Mundo que fez ...

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quinta-feira 12/06/14

O amor nos tempos de Copa

namoro_copa

Ilustração: Felipe Blanco

Começou bem antes desta Copa - antes da de 2002, da de 82, muito, muito antes da de 50. Ele sempre esteve conosco: nos viu erguer a taça as cinco vezes e se fez desabrochar em milhões de beijos em todas elas. E esteve lá também quando os gringos, vingativos, douraram seus lábios diante de nós, enquanto chorávamos encolhidos no chão tentando segurar o fio ...

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quinta-feira 29/05/14

Crônica gourmet

mortadela

Ilustração: Felipe Blanco

Certa vez, num dileto restaurante da zona oeste de São Paulo, desejei um banheiro para um xixizinho vapt-vupt. Mas banheiro não tinha, só toilet. A constatação trazia implicações séríssimas considerando que, embora de mesma funcionalidade, toilet é uma coisa, banheiro, outra.   Permita-me então já me corrigir do começo: não era restaurante, era um bistrô - nome dado a lugares onde pessoas pagam pelo que comem, pagam pelo ...

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