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Quem Faz

Nascido em Araras (SP), o jornalista RICARDO CHAPOLA escreve crônicas desde 2008. Gosta de se apresentar como jornalista e cronista, não necessariamente nessa ordem.
quinta-feira 30/10/14 09:17

A eleição e a paz

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Participei de alguns atos das chamadas Jornadas de Junho no ano passado, protestando pelo mesmo que os coxinhas, os croquetes, os risoles e as bolinhas de queijo. Vi amigos petistas dando as mãos a amigos tucanos, todos cansados de tudo aquilo que estava aí. Aqui, naquela época, tínhamos Alckmin, como agora, e Dilma, como agora.  

Ilustração: Felipe Blanco

Pouca coisa mudou desde a última vez que o ...

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quinta-feira 23/10/14 08:45

Água santa

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Ilustração: Felipe Blanco

São Pedro e São Paulo num boteco, lavando roupa suja:   - Desembucha, Paulão: o que tá pegando? Nem me venha com história sobre chuva que disso eu também estou por aqui.   - Pois é, Pedro. No começo era só um trololó qualquer, mas agora o problema tá lá, dentro de casa, acometendo toda torneira que vê pela frente. Sabe há quanto tempo que meu pessoal não consegue ...

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quinta-feira 16/10/14 08:15

Academia

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Amanhã de manhã, vou pedir um café pra nós dois e depois, eu juro, palavra de escoteiro, vou para a academia. O despertador está para às 6h, exatamente o horário que me lembro que dormir é bom e, poxa, o dia vai ser barra, melhor deixar a malhação pra amanhã. Isso, melhor. Fecho os olhos pegando carona logo no primeiro carneirinho que passar antes da cerca.  

Ilustração: Felipe ...

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quinta-feira 09/10/14 01:06

Olho de sogra

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Ilustração: Felipe Blanco

Tem coisa que não se diz para os sogros. Tipo: eu não disse que quero ser escritor. Disse ser jornalista, o que na prática não muda muita coisa. A vida vai ser foda do mesmo jeito. Mas isso eu também não contei a eles.

 

Também não falei “foda”. Evito palavrões ao máximo que posso, apesar de isso ser o mais foda, para um boca suja de primeira como eu. Não é omissão de identidade, é identidade seletiva. Falar aquilo que você acha que vão achar que é o melhor de você. É uma aposta, um tiro no escuro.”Muito prazer, seu Antonio! Muito prazer, dona Aurora! Sou Ricardo. Sou jornalista” – e seja o que Deus quiser.

 

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Pelo visto funcionou: ano que vem a gente casa, união aprovada por unanimidade. “Aeee, porra!” – foi o que pensei.”Que maravilha!” – foi no que consegui transformar minha expressão gozada de contentamento na frente do sogrão e da sogrona.

 

O problema é que deveria funcionar sempre, ou pelo menos até o “eu vos declaro marido e mulher”. Sem dar margens a arrependimentos, ou pior: despertar a desconfiança dos pais da Patrícia. “Esse rapaz tá com cara de escritor. Vigarista!!!”. Há momentos que a filtragem falha e aí, quando você menos imagina, sua identidade está de pernas abertas, arreganhada para o mundo, expondo o seu pior às pessoas menos recomendáveis.

 

Foi na semana passada, quando fomos assistir a um jogo de futebol no Pacaembu, que minha reputação foi por água abaixo. Se há um conselho bom a ser dado é: não leve os sogros a um estádio, principalmente se você, como eu, é do tipo genro Kinder Ovo, com a surpresinha dentro. O desgosto pela descoberta virá no primeiro impedimento a favor do seu time: “Hey, juiz, vai tomar no c…”. O que não parou por aí. Para se ter uma ideia, não sabia mais do que xingar o centroavante depois que ele perdeu um gol feito, no finzinho do primeiro tempo. Acho que seu Antonio e dona Aurora já nem se importavam mais com a minha profissão naquela altura do jogo.

 

Essa é a hora em que a vida poderia ser um filminho, com opção de rebobinar. Juro que, se desse, refletindo sobre tudo isso, o juiz poderia voltar a tomar no copo, a mãe do bandeirinha deixaria de ser puta e o centroavante não precisaria introduzir a bola em lugar nenhum.

 

Se fosse possível voltar a fita, voltaria para a parte da apresentação:

 

“Olá, seu Antonio, dona Aurora, muito prazer: sou Ricardo. Jornalista, escritor, boca suja. Não sei o que há de bom nisso tudo. O que eu sei é que eu amo a sua filha pra caralho. Tudo bem?”.

 

Sujo, mas sincero.

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quinta-feira 25/09/14 08:59

MIS

Doutor Abobrinha

Nós, subscritos neste documento, não temos nada contra os moradores do Jardim Europa. Até temos divergências, grande parte delas sócio-econômicas, mas pela garantia da causa atual, vamos tratá-las hoje como resignações. Aceitaremos a ostentação da riqueza a cada esquina. Nos conformaremos com mansões, carros importados, chofer, coisas que não pertencem à realidade de gente diferenciada como a gente. Não protestaremos contra nada disso. Esperávamos só alguma coisa em troca, ou apenas que nos deixassem ser felizes comendo cachorro quente na ...

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quinta-feira 18/09/14 01:35

Ciclofaixa

Ciclovia

Ilustração: Felipe Blanco

- Amor, onde você vai de mochila? - perguntei, acostumado a vê-la só de bolsa em suas andanças.   - Hoje vou pro trabalho a pé. É semana da mobilidade urbana.   Fechou a porta e saiu, sorrindo não sei se feliz com o beijo de despedida, ou se pela satisfação de tirar um carro da rua. O melhor dos mundos seria se fosse pelas duas coisas juntas.   Sempre quando ...

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quinta-feira 04/09/14 09:02

Machismo

trabalho

Ilustração: Felipe Blanco

Não é machismo, é preocupação, mulheres. Por que vocês vieram com essa de abrir as asinhas? Se eu tivesse a chance de poder ficar no conforto do lar, cuidando dos afazeres domésticos, ficaria. Mas como tive o importuno genético do pênis, coube a mim e a todos os homens, tal qual um dever natural, zelar pelo provimento da caça, pelas contas pagas, pela escola dos ...

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quinta-feira 28/08/14 10:36

Reunião de condomínio

condominio

A reunião de condomínio aqui do prédio, na semana passada, me fechou num casulo contemplativo:   "Que merda é essa?" - pensei por um longo período, até me dar conta de que aquilo era o que a vizinhança chamava de diplomacia.   Se um dia o Brasil virar a casa da mãe Joana, podem ter certeza, parte disso será por causa das das relações políticas entre os vizinhos. Afinal, são eles, é você, sou eu quem faz essa bagaça toda funcionar, à nossa imagem ...

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quinta-feira 21/08/14 09:33

Mau humor

busao

Fazer cara feia, torcer o nariz, estragar seu humor pode ser legítimo, constitucional, justo, mas não vai resolver sua fome, que é muita, não mudará a personalidade do seu chefe, que é difícil, não será suficiente para fazer um mundo, que é caótico, melhor. Ficar emburrado o tempo todo, na verdade, além de não resolver em nada os problemas de ninguém, dá ...

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