Retrospectiva da Década
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Descoberta científica

Que responsabilidade mediar o debate da categoria “Descoberta Científica”, a mais votada na primeira fase do projeto Retrospectiva da Década. Mas esta responsabilidade é ‘microscópica’ se comparada com a responsabilidade que milhares de cientistas e pesquisadores carregam ao se lançarem em projetos científicos nas mais diversas áreas de estudo, mas todos com um único objetivo: aumentar o conhecimento para tornar o mundo um lugar melhor para as pessoas.

Nos últimos dez anos, a tecnologia caminhou a largos passos, possibilitando que a ciência avançasse em ritmo semelhante. Áreas como a saúde, astronomia, engenharia e informática registraram descobertas e avanços expressivos e que, com a ajuda do internauta do Estadao.com.br, serão selecionados para a próxima etapa da Retrospectiva da Década.

O sequenciamento do genoma humano em 2001, publicado na revista Nature, pode ser considerado um dos favoritos no páreo?

A descoberta de água na Lua pela Nasa (a Agência Espacial dos Estados Unidos) no mês passado também pode brigar por um dos postos de descoberta científica da década?

A polêmica em torno das células-tronco induzidas?

E fatos menos conhecidos do público geral, porém de grande relevância no cenário científico, como a solução da conjectura de Poincaré ou a descoberta de Éris, o “décimo planeta” do sistema solar? Também merecem recordação (e indicação) nesta retrospectiva?

“Proponho uma descoberta no por seu impacto prático, mas filosófico: a criação, por cientistas canadenses, de um programa de computador que é invencível no jogo de damas. O programa, Chinook, não é apenas muito bom: derrotá-lo é uma impossibilidade matemática. O feito, anunciado em 2007, levanta algumas questões interessantes sobre a natureza da inteligência e da criatividade.”
Carlos Orsi, editor de Vida& do Portal Estadao.com.br

Com tantos avanços na ciência alcançados nos últimos dez anos, a ajuda dos internautas é mais que bem vinda, é vital para a escolha das 15 maiores descobertas científicas desta década. Então mãos à obra, ou melhor, no teclado e deixem suas sugestões e comentários neste post. Durante a semana, também publicaremos opiniões de jornalistas e especialistas para ampliar a lista de opções da votação.

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CANDIDATOS DA SUPER

Conversamos com Alexandre Versignassi, editor de ciência da revista Superinteressante, e ele passou a sua lista de descobertas científicas da década para a gente ter mais ideias para a discussão. Valeu, Alexandre!

- Órgão construído com células tronco – e implantado com sucesso (2008)

- Primeira cura do HIV – em um paciente alemão, depois de receber uma doação de medula de um homem naturalmente imune (2008)

- Genoma completo de um único indivíduo (2007)

- Detectados os primeiros planetas fora do sistema solar com condições de abrigar vida.

- Descoberta do Homo floresiensis – uma espécie humana anã que, como a nossa, evoluiu a partir do Homo erectus e viveu até 13 mil anos atrás (2004)

- Fóssil do primata mais antigo – um “elo perdido” entre a nossa espécie e os mamíferos mais primitivos, como os roedores (2009)

- Astrônomos cravam a idade do Universo de forma mais precisa do que nunca: 13,7 bilhões de anos. (2003)

- Inauguração do LHC (2009)

- Primeira molécula artificial de RNA, um passo essencial para a recriação da vida (2009)

- O consenso científico de que, sim, o mundo está esquentando por causa dos gases que nós lançamos na atmosfera desde (2001)

Cientista da Década

Quem foi o cientista mais importante da década? Em dez anos de cobertura científica no Estadão, essa talvez seja a pauta mais difícil que já precisei encarar.

Explico minha angústia: Grandes descobertas científicas não são trabalho de um homem só (ou mulher). A maioria dos grandes trabalhos da ciência moderna leva a assinatura de cinco, seis, dez, quinze, trinta ou até centenas de cientistas.

Vejamos, por exemplo, o trabalho de sequenciamento do genoma humano – certamente um dos grandes feitos científicos da nossa década. Quem deve levar o mérito? Francis Collins, que coordenou o projeto pelo NIH? Eric Lander, que foi quem chefiou o sequenciamento no Whitehead Institute? Ou mesmo James Watson, que também foi um dos mentores intelectuais do projeto? O trabalho original publicado na revista Nature, em 2001, tem uma página inteira só de autores (não tive paciência de contar, mas são centenas), e todos fizeram a sua parte.

E as mudanças climáticas então, outro grande tema da ciência moderna? Os relatórios do IPCC, que confirmam o aquecimento global como um problema real, emergencial e causado pelo ser humano, são produzidos com a contribuição milhares de cientistas do mundo todo. Quem recebeu o Nobel em 2007 foi o atual coordenador do grupo, o indiano Rajendra Pachauri, mas na verdade o prêmio foi dividido entre todos os participantes. Ninguém “descobriu” o aquecimento global por conta própria.

Outro problema: Quais devem ser os critérios para atribuir importância a uma descoberta científica? O que vale mais: uma descoberta que ajuda a curar doenças ou uma que ajuda a desvendar a origem do universo? Quem teria sido o maior cientista da história: Albert Einstein? Charles Darwin? Galileu Galilei? Alexander Fleming (descobridor da penicilina)?

Enfim, sei que até agora só apresentei dificuldades e perguntas sem respostas, o que vai totalmente contra os meus princípios jornalísticos … Mas a pergunta é realmente difícil. Quem foi o cientista da década???

Algumas sugestões que já apareceram, feitas por internautas e por cientistas brasileiros (via email):

Craig Venter (cientista/empresário, pioneiro da genômica e da biotecnologia, que sequenciou um dos dois primeiros genomas humanos e agora tenta criar vida no laboratório, um desbravador científico… ame-o ou deixe-o, ou saia da frente)

Francis Collins (um dos principais responsáveis pelo projeto público de sequenciamento do genoma humano, atual diretor do NIH e defensor da tese de que é possível ser cientista, estudar genômica, evolução e acreditar em Deus ao mesmo tempo)

Richard Dawkins (o mais bravo bull-dog do darwinismo moderno, defensor ferrenho da evolução e da ciência como um todo, autor de “Deus, um Delírio”, um dos livros mais polêmicos e provocativos dos últimos anos)

Shinya Yamanaka (japonês que inventou a técnica para criação de células-tronco de pluripotência induzida (iPS), que dispensam embriões e provam que uma célula adulta pode ser reprogramada geneticamente para se comportar como uma célula indiferenciada)

José Goldemberg (físico brasileiro, referência mundial em energia, mudanças climáticas e desenvolvimento sustentável, já ganhou vários prêmios internacionais nos últimos anos)

Miguel Nicolelis (neurocientista brasileiro, conhecido internacionalmente por suas pesquisas pioneiras sobre funcionamento do cérebro e desenvolvimento de neuropróteses, construiu um super centro de pesquisa/escola de ciência/centro cultural-educacional  em Natal)

Carlos Nobre (meteorologista do Inpe, cientista multiuso, maior referência científica do Brasil sobre mudanças climáticas, desmatamento e desenvolvimento da Amazônia, questões energéticas…. quase tudo que você quiser que tenha a ver com sustentabilidade e o futuro do planeta)

Andrew Fire e Craig Melo (dupla que ganhou o Nobel de Medicina de 2006 pela descoberta da interferência de RNA (RNAi), processo pelo qual pequenas moléculas de RNA silenciam a expressão de genes dentro das células… mostrando que as regiões não codificadoras de proteína do genoma (ex-”DNA lixo”) também têm uma função importante, e criando uma super ferramenta de pesquisa para o estudo de genes e aplicações biotecnológicas)

Rajendra Pachauri (presidente do IPCC, órgão científico ligado à ONU que deu o alerta geral sobre o aquecimento global, comprovando que ele é causado pelo acúmulo de gases do efeito estufa lançados na atmosfera pelo homem. Poderia ser eleito pelo conjunto da obra, em nome de todo o IPCC)

Grigori Perelman (matemático russo que solucionou o famigerado problema da conjuntura de Poincaré … não sei explicar o que é, mas sei que é importantíssimo! Ele foi escolhido para receber a medalha Fields, o Nobel da matemática, mas recusou o prêmio … então o “cientista da década” do Estadão poderia entrar como prêmio de consolação)

Lyn Evans (físico bretão, responsável pelo projeto do Large Hadron Collider, o maior e mais caro experimento científico de todos os tempos, que tem como objetivo entender as partículas que compõem o universo… tá bom ou que mais? Poderia levar o prêmio em nome de toda a equipe do LHC)

Mike Brown (astrônomo americano, o tirano de Plutão … descobriu vários planetóides em órbitas distantes do Sol, forçando a União Astronômica Internacional a rever completamente a nomenclatura que descreve a estrutura do sistema solar … e o coitado do Plutão virou “planeta anão”)

O cientista anônimo (uma homenagem aos milhares de cientistas que passam o dia pipetando, anotando e apertando botões para que seus chefes de laboratório possam publicar grandes trabalhos e ficar famosos … Os guerreiros anônimos da “big science”)

Qual a doença da década?

Quando os colegas do portal Estadao.com me pediram para mediar esse debate fui imediatamente pesquisar, óbvio, essa é a minha profissão.  Logo percebi que nossa percepção sobre a doença da década ou aquela que mais nos preocupa não é necessariamente a de maior incidência no mundo.

Numa enquete informal na redação e com alguns amigos com quem falei durante o fim de semana apareceram aids, alzheimer, depressão, síndrome do pânico, dengue, câncer, diabetes, colesterol, mal de parkinson, obesidade e esquizofrenia como as mais marcantes deste início de milênio.

Dados da Organização Mundial de Saúde, porém, mostram que, em qualquer lugar do planeta, a qualquer momento e independentemente do nível de desenvolvimento do país as doenças de maior incidência são a anemia por deficiência de ferro, a perda de audição e a enxaqueca. Na sequência estão perda de visão, asma, diabetes, depressão, alcoolismo, epilepsia, AIDS… (veja quadro abaixo, os números estão em milhões de pessoas)

Essas são as estatísticas, mas e sua preocupação qual é? Que doença você acredita que marcou esta década? A ideia é listar as 15 mais comentadas que depois irão a votação aqui no site do Estadão.

Essas oportunidades também são boas para promover um debate, uma troca de ideias. Então, além de apontar, podemos dizer nossos porquês.

Para mim, marca esta década a depressão, até por isso tenho o blog Sinapses. A  doença vem crescendo silenciosamente e a perspectiva é que seja em 2020 a segunda mais comum do mundo e a primeira até 2030. Se não está em primeiro lugar hoje, esta foi a década de sua eclosão.

E você, o que acha? comente aqui.

Anemia – 1159

Perda de audição – 635

Enxaqueca – 324

Perda de visão – 272

Asma – 234

Diabetes – 220

Depressão – 151

Alcoolismo – 125

Epilepsia – 40

HIV – 31

Transtorno bipolar – 29,5

Esquizofrenia – 26,3

Alzheimer e outras demências – 24,2

Dados da OMS-2004 atualizados em 2008

08/12

PRIMEIRA PARCIAL

Nos comentários que você pode ler abaixo apareceram outras doenças que segundo os leitores marcaram a década: gripe, HPV e mais TOC, transtornos  afetivos, bipolaridade, depressão até estresse.

Na opinião de Alexandre Ferretti  é a gripe. “Pensando em Brasil temos várias doenças que preocupam com a dengue, malária e doença de chagas. No mundo acredito que as gripes ganharam destaque na década”.

Já o leitor José acha que são os transtornos psiquiátricos. “As doenças psicológicas dominaram o espectro, nas suas mais diversas manifestações: esquizofrenia, DOC, PMD, Síndrome Limite de Personalidade, etc. Seja pela quantidade de pessoas afetadas, seja pelos reflexos na sociedade e na vida do cidadão comum”.

Para a leitora Raquel o HPV é a “praga” da década.

E você? Deixe seu comentário também.

09/12

SEGUNDA PARCIAL

No balanço dos comentários dos leitores da terça-feira e de hoje, os transtorno psiquiátricos ( depressão, síndrome do pânico)até o momento estão como os que marcam a década. Os últimos comentários apontam também para doenças como câncer, aids e alzheimer.

10/12

TERCEIRA PARCIAL

Hoje temos mais um voto para depressão. Eu estava pensando em juntar depressão, pânico, bipolaridade na mesma categoria de transtornos afetivos, ou vocês acham melhor a gente deixar separado mesmo : Depressão/TRanstorno bipolar/Síndrome do pânico?

Só para lembrar que além desses estão na lista dos leitores AIDS, gripe, HPV, câncer e alzheimer.

E agora faço um provocação: ninguém vê alcoolismo como uma doença?

abs

Claudia

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