Estadão.com.br
1
Renato Cruz
SEÇÕES
TAMANHO DO TEXTO
Renato Cruz
  • Twitter
  • Facebook
  • DIGG
  • RSS  ?

A reação de Carlos Slim

  • Por Renato Cruz

Carlos_Slim_Helú

O bilionário mexicano Carlos Slim (foto) disputa a liderança do mercado latino-americano de telecomunicações com a espanhola Telefônica. Depois dos negócios anunciados na semana passada, em que a Portugal Telecom (PT) saiu da Vivo e passou a ser sócia da Oi, Slim acabou ficando num incômodo terceiro lugar no Brasil.

Com a Vivo, a Telefônica se tornou o maior grupo de telecomunicações do País, ultrapassando a Oi, que terá um reforço de caixa com a entrada dos portugueses. A oferta que Slim fez pelas ações da Net é parecida com que fez há alguns anos pela Embratel Participações, em que o empresário tem 98% do capital total. A Claro, que também pertence ao bilionário mexicano, não tem capital aberto.

A Embratel não tem o controle da Net somente porque a legislação não permite. Executivos da empresa já disseram que, quando houver uma mudança na Lei do Cabo, que impede o controle estrangeiro no setor, eles comprarão a fatia que pertence hoje à Globo. Existe um projeto de lei no Senado para acabar com essa restrição.

Apesar de não ter ainda anunciado oficialmente, a ideia de Slim seria integrar a Claro, a Embratel e a Net, para criar uma empresa que fosse capaz de oferecer telefonia fixa, celular, TV paga e banda larga, fazendo frente à Telefônica integrada com a Vivo e à Oi, que, com os portugueses, deve recuperar a capacidade de investir.

No Estado de hoje (“Carlos Slim busca recuperar espaço no Brasil“, p. B3).

Foto: José Cruz/ABr – 24/10/2007

Siga este blog no Twitter: @rcruz

A consolidação das teles

  • Por Renato Cruz

teles

Na quarta-feira passada, a Portugal Telecom protagonizou dois grandes negócios no mercado brasileiro de telecomunicações. A empresa saiu da Vivo, vendendo sua participação na empresa para a Telefônica por 7,5 bilhões de euros, e entrou no bloco de controle da Oi, comprando 22,4% por até 3,7 bilhões de euros.

A Telefônica planeja unir a Vivo à Telesp, concessionária de telefonia de São Paulo, projetando sinergias de até 3,9 bilhões de euros. A Oi recebe um reforço de caixa para reduzir seu endividamento e investir – além de ganhar um acionista com conhecimento de operação.

O movimento representa o início de mais uma onda de consolidação no mercado brasileiro de telecomunicações, e coloca pressão sobre outros atores do setor. A Claro e a Embratel, que pertencem ao bilionário mexicano Carlos Slim, já começaram um movimento para unir as operações, ainda não anunciado oficialmente, que deve se acelerar para fazer frente aos espanhóis.

“A grande questão é qual será a reação dos mexicanos e da Vivendi (dona da GVT)”, destaca Luis Minoru Shibata, diretor de consultoria da PromonLogicalis. Carlos Slim disputa com os espanhóis a liderança do mercado latino-americano de telecomunicações e, no Brasil, acabou ficando em terceiro lugar, depois da Telefônica e da Oi, em faturamento.

Nesse mercado de operações integradas fixo-móveis, sobraram a TIM, que não tem rede de telefonia fixa local, e a GVT, que não tem celular. Alguns analistas especulam sobre a união dessas duas empresas.

Amos Genish, presidente da GVT, afirma que a prioridade da operadora hoje não é a telefonia móvel, mas a TV paga, serviço que também não está presente em seu portfólio. Mesmo assim, a GVT resolveu aumentar de R$ 1,1 bilhão para R$ 1,5 bilhão seu plano de investimento para este ano, prevendo uma Telefônica e uma Oi mais fortes.

“A consolidação do mercado não acabou”, afirma Luciana Leocadio, analista-chefe da Ativa Corretora. “O Brasil é um dos mercados com maior potencial de crescimento.”

Mais informações no Estado de hoje (“Teles entram em nova onda de fusões“, p. B13).

Siga este blog no Twitter: @rcruz

Telefónica, a maior do Brasil

  • Por Renato Cruz

Depois de anunciar sua intenção de comprar a participação da Portugal Telecom (PT) na Vivo há quatro anos, a Telefónica conseguiu fechar o negócio ontem. A empresa pagará 7,5 bilhões de euros por 30% da operadora celular brasileira transformando-se no maior grupo de telecomunicações do País em número de clientes e em faturamento.

“Vamos ampliar a oferta de serviços convergentes”, disse Antonio Carlos Valente, presidente do Grupo Telefônica no Brasil. A empresa espanhola planeja unir a Vivo à Telesp, concessionária de telefonia fixa de São Paulo, para oferecer pacotes integrados de serviços.

Segundo Valente, a empresa apresenta hoje o pedido de anuência prévia à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A expectativa é que o negócio seja concluído em 60 dias. “Não estamos colocando prazo para ninguém, mas a operação é simples, pois já estamos no controle da Vivo.”

A Telefónica está comprando a metade que não pertencia a ela na Brasilcel, empresa que detém 60% da Vivo. Os espanhóis enfrentaram bastante resistência em Portugal, mesmo tendo elevado várias vezes a oferta, que havia começado em 5,7 bilhões no mês de maio.

O pagamento à PT será feito em três vezes. Os portugueses receberão 4,5 bilhões no fechamento do negócio, 1 bilhão em 30 de dezembro deste ano e 2 bilhões em 31 de outubro de 2011.

Mais informações no Estado de hoje (“Com a Vivo, Telefónica é a maior do País“, p. B5).

Siga este blog no Twitter: @rcruz

O principal acionista da Oi

  • Por Renato Cruz

A Portugal Telecom (PT) anunciou ontem dois grandes negócios no Brasil. A empresa portuguesa está vendendo sua participação na Vivo para a Telefónica, por 7,5 bilhões de euros, e comprando 22,4% da Oi, por até R$ 8,44 bilhões, um pouco menos da metade do que receberá dos espanhóis.

A entrada da PT na Oi faz com que o maior acionista da empresa apelidada de “supertele” nacional passe a ser uma empresa estrangeira. Os portugueses não serão meros investidores na Oi, tendo representantes no conselho, direito de indicar um diretor e, mais importante, poder de veto às decisões dos dois principais acionistas privados, a Andrade Gutierrez e a La Fonte, do empresário Carlos Jereissati.

“Conseguimos o que parecia impossível”, disse Zeinal Bava, presidente da PT. “Anunciamos dois grandes negócios simultâneos e encontramos o equilíbrio certo para todas as partes.”

A compra da participação da Oi está sendo feita numa operação complexa, que inclui compra de ações da Oi e de participação em empresas que pertencem à Andrade Gutierrez e à La Fonte.

A entrada da PT no bloco de controle da Oi ocorre menos de dois anos depois de o governo ter mudado a regulamentação do setor e concedido R$ 6,7 bilhões em créditos de bancos estatais para a compra da Brasil Telecom.

A ideia, divulgada na época para justificar o negócio, era a criação de uma “supertele” nacional, para fazer frente aos espanhóis da Telefónica e aos mexicanos da América Móvil, dona da Embratel e da Claro.

Desnacionalização. Contra a visão de que a Oi está sendo desnacionalizada, seus acionistas usam o argumento da internacionalização. O acordo prevê a compra de até 10% da PT, o que permitiria às empresas irem juntas a outros mercados, como o africano, onde a PT já possui operações.

Acontece que a compra dos 10% é uma opção que pode ou não ser exercida. Não existe prazo ou preço para que isso aconteça. Se comprar 10% da PT, a Oi se tornará a maior acionista individual da operadora portuguesa.

Os governos de Portugal e do Brasil exerceram papéis importantes na negociação. A maioria dos acionistas da PT tinha aprovado uma proposta anterior da Telefónica, de 7,15 bilhões de euros, que acabou sendo vetada pelo primeiro-ministro José Sócrates usando as “golden shares” (ações com direitos especiais) do Estado português.

Depois disso, Sócrates discutiu o negócio da Oi com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para garantir que a empresa se mantivesse no Brasil, origem de mais da metade de seu faturamento. Lula negou as conversas e a desnacionalização da Oi, garantindo que, “enquanto for presidente”, a operadora continua nacional. Lula deixa a Presidência em 1.º de janeiro de 2011.

No Estado de hoje (“Portugal Telecom sai da Vivo e vira a maior acionista da supertele nacional“, p. B1).

Siga este blog no Twitter: @rcruz

Vivo, Portugal Telecom e Oi

  • Por Renato Cruz

Comento no vídeo acima a saída da Portugal Telecom da Vivo e sua entrada na Oi.

Siga este blog no Twitter: @rcruz

A Portugal Telecom na Oi

  • Por Renato Cruz

oi

A “supertele nacional” está prestes a se tornar luso-brasileira. A Portugal Telecom fechou um acordo para comprar uma participação de 21% na brasileira Oi por aproximadamente 3,75 bilhões de euros. Segundo fontes de mercado, o negócio, que tem o aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, deve ser oficializado hoje, se tudo correr bem.

A venda ocorre depois de o governo ter adotado um discurso nacionalista para mudar a legislação e permitir que a Oi comprasse a Brasil Telecom, em 2008. Os bancos estatais chegaram a colocar R$ 6,9 bilhões na operação, para proteger a operadora da concorrência dos espanhóis da Telefónica e dos mexicanos da América Móvil, dona da Embratel e da Claro. Menos de dois anos depois, a empresa já começa a se desnacionalizar.

O presidente do Banco Espírito Santo (BES), Ricardo Salgado, estava ontem no Rio de Janeiro para finalizar o acordo. O BES é o maior acionista individual da PT, com 7,99%. O conselho de administração da PT se reúne hoje em Lisboa, e deve avaliar a compra da participação na Oi e a venda dos 30% que a empresa tem na Vivo para a Telefónica. Os dois movimentos devem ser simultâneos. A expectativa é que o acordo seja anunciado depois dessa reunião.

A Oi e a PT preferiram não comentar o assunto. A Telefónica ofereceu 7,15 bilhões de euros pelos 30% da PT na Vivo. Apesar de a oferta ter sido aprovada pela maioria dos acionistas da empresa, o governo português vetou a venda, usando sua golden share (ação com direitos especiais). Durante as negociações, a empresa espanhola chegou a subir a oferta pra 7,5 bilhões de euros, segundo fontes.

O primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, justificou que a presença no Brasil era estratégica para a PT e para o seu país. Depois disso, procurou articular com o governo brasileiro uma saída para a situação. O acordo com a Oi foi resultado dessa articulação política. Lula chegou a defender publicamente a permanência da operadora portuguesa no Brasil, em visita a Portugal em maio.

Mais informações no Estado de hoje (“Portugal Telecom fecha acordo para comprar participação na Oi“, p. B1).

Siga este blog no Twitter: @rcruz

A reação da Telefónica

  • Por Renato Cruz

cesaralierta

A Telefónica perdeu a paciência com seus sócios portugueses, e estuda ir à Justiça para conseguir comprar a fatia na Vivo da Portugal Telecom (PT). Na sexta-feira, quando venceu a proposta de 7,15 bilhões pelos 30% da Vivo que pertencem à PT, o conselho de administração da operadora lusa não conseguiu dar uma resposta, pedindo mais prazo.

Os espanhóis recusaram ampliar o prazo, retirou a oferta e aguarda a reação dos mercados acionários hoje, enquanto estuda saídas para conseguir ficar com a operadora brasileira. Entre as possibilidades estudadas pela empresa está recorrer ao Tribunal de Arbitragem de Haia, pedindo a dissolução da Brasilcel, holding da Vivo em que a Telefónica tem 50% e a PT os outros 50%, para depois fazer uma oferta pública pelo controle da operadora.

Segundo o jornal El País, o departamento jurídico da operadora espanhola, presidida por César Alierta (foto), estudou as opções e somente irá fazer um anúncio a respeito quando houver uma solução. “Mas o soco na mesa que deu Alierta também não significa que todas as pontes com a PT se romperam definitivamente”, apontou o jornal.

Sem nomear as fontes, o jornal disse que a Telefónica exigiu que a PT assinasse um compromisso de aceitação da oferta, para que o prazo fosse prorrogado. Para isso os espanhóis ofereceram até melhorá-la, aumentando o valor para 7,5 bilhões de euros. Os portugueses responderam que não estavam autorizados a assumir um compromisso antes de apresentá-lo ao governo.

Mais informações no Estado de hoje (“Telefónica estuda ir aos tribunais pela Vivo“, p. B7).

Foto: Divulgação/Telefónica

O fim da oferta pela Vivo

  • Por Renato Cruz

telefonica

A Telefónica negou ontem ampliar o prazo de sua oferta de 7,15 bilhões pela fatia da Portugal Telecom (PT) na brasileira Vivo. O conselho de administração da operadora portuguesa não conseguiu dar uma resposta à proposta na sexta-feira, quando venceu o prazo dado pelo grupo espanhol.

Em comunicado à Comissão Nacional de Mercado de Valores (CNMV), da Espanha, a Telefónica informou que, “ao saber que o conselho de administração da Portugal Telecom não aceitou a referida oferta no prazo fixado, a mesma se tornou extinta”.

A PT tem 50% da Brasilcel, que controla 60% da Vivo. O restante pertence aos espanhóis. Em anexo ao comunicado, a Telefónica apresentou duas cartas, uma da PT pedindo mais prazo e a sua própria negando o pedido.

“As discussões com a Telefónica progrediram de uma maneira construtiva e o conselho de administração da PT está comprometido a empregar seus melhores esforços para concluí-las de uma maneira que satisfaça os interesses de todas as partes”, escreveram os diretores da PT, ao justificar a solicitação de aumento de prazo para 28 de julho.

“Como havíamos comunicado verbalmente antes do fim do prazo da oferta, nós gentilmente confirmamos por meio desta que a oferta, de acordo com seus termos e condições, terminou em 16 de julho de 2010, às 23h59 (horário de Lisboa)”, respondeu a Telefónica.

O grupo espanhol não confirmou se irá em frente com a ideia de buscar uma solução judicial. No começo da semana passada, a Telefónica informou que buscaria a dissolução da Brasilcel no Tribunal de Arbitragem de Haia, para depois fazer uma oferta ao mercado pela Vivo.

O desejo da Telefónica de ficar como a única dona da Vivo é antiga. A operadora brasileira foi criada no fim de 2002 e, menos de quatro anos depois, em maio de 2006, o presidente do grupo espanhol, César Alierta, anunciou publicamente que gostaria de comprar a participação dos portugueses.

A venda da fatia da empresa brasileira virou, em Portugal, uma questão política. O principal entrave foi a oposição do Estado português. Em 30 de junho, a maioria dos acionistas da PT aprovou a oferta da Telefónica, mas a venda acabou vetada pelo governo.

O veto aconteceu por meio das chamadas golden shares, ações com direitos especiais, que foram consideradas ilegais uma semana depois pelo Tribunal de Justiça da União Europeia. O bloqueio, no entanto, se manteve.

Na disputa pela Vivo, interesses financeiros misturaram-se a sentimentos de orgulho nacional, despertando rixas regionais que datam de 1580 – quando Portugal passou a ser governada pelo rei espanhol Filipe II, formando a União Ibérica, que durou até 1640 – e chegam ao jogo entre as seleções dos dois países na Copa do Mundo da África do Sul.

A Espanha eliminou Portugal por um a zero um dia antes da assembleia da PT. Um pequeno acionista da operadora portuguesa afirmou ao jornal Diário Económico que “perder a Vivo seria a segunda derrota para a Espanha”.

Mais informações no Estado de hoje (“Telefónica não renova oferta pela Vivo“, p. B9)

O impasse da Vivo

  • Por Renato Cruz

Comento, no vídeo acima, a reunião de hoje do conselho de administração da Portugal Telecom, que não conseguiu decidir sobre a proposta de 7,15 bilhões de euros da Telefónica pela fatia dos portugueses na Vivo.

O futuro da Vivo

  • Por Renato Cruz

vivo

Os acionistas da Portugal Telecom (PT) estão reunidos agora em Lisboa, para decidir se aceitam a oferta da Telefónica de 7,15 bilhões de euros pela sua fatia na Vivo. Ontem, os espanhóis decidiram aumentar a proposta, que estava em 6,5 bilhões de euros, para tentar garantir a compra, já que o valor anterior estava sendo criticado pelos investidores portugueses.

Um dia depois de a seleção espanhola eliminar Portugal por 1 a 0 na Copa do Mundo, um pequeno acionista da PT afirmou, segundo o jornal Diário Económico, que “perder a Vivo seria a segunda derrota para Espanha”. A PT tem 50% da Brasilcel, que controla 60% da Vivo. O restante pertence aos espanhóis. A Telefónica quer integrar a maior operadora móvel brasileira à Telesp, concessionária de telefonia fixa de São Paulo, que tem apresentado resultado abaixo do esperado.

Atualização: O governo português vetou a venda da Vivo, apesar de ela ter sido aprovada pelos acionistas.


Blogs do Estadão