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O futuro do livro

  • Por Renato Cruz

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Jason Epstein escreve sobre o futuro digital dos livros no New York Review of Books:

“O custo de entrada para futuras editoras será mínimo, exigindo somente o cuidado de um grupo editorial e seus serviços imediatos de apoio, mas sem as despesas da estrutura tradicional de distribuição com seus vários níveis de gerenciamento. Pequenas editoras já contam com serviços externos como administração, consultoria legal, contabilidade, design, revisão, publicidade e outros, enquanto a internet irá oferecer oportunidades de publicidade viral das quais o YouTube e o Facebook são os precursores. O financiamento dos adiantamentos aos autores virão de investidores externos em busca de lucro, como acontece hoje com filmes e peças de teatro. A mudança da administração complexa e centralizada para unidades editorias semi-autônomas já é evidente nos conglomerados (por exemplo, Nan A. Talese na Random House e Jonathan Karp na Hachette), uma tendência que irá se fortalecer enquanto a companhia controladora desaparece. Com a resistência dos conglomerados às exigências exorbitantes dos autores de best-sellers, cujos livros previsivelmente dominam as listas de mais vendidos, esses autores, com a ajuda de agentes e administradores, irão se tornar seus próprios editores, ficando com todo o resultado líquido do meio digital e das vendas tradicionais. Com a Expresso Book Machine, varejistas de livros poderão se tornar editores, com seus antecessores do século 18.”

Epstein sabe do que fala. Ele lançou as edições de baixo custo (trade paperback) no mercado americano em 1952, criou o New York Review of Books em 1963 e fundou em 1979 a Library of America, editora sem fins lucrativos que lança clássicos americanos. Há três anos, Epstein criou a On Demand Books, empresa responsável pela Expresso Book Machine, citada no texto, que imprime na hora o livro que o consumidor quer comprar.

O autor enxerga perigos na transição para o mundo digital. Um deles é a questão do direito autoral, pois autores de livros não podem viver de shows e vendas de outros produtos como fazem os músicos. Outro é a fantasia de que todos os livros vão se fundir em um único, coletivo, no ambiente digital. Ele acredita, no entanto, que os livros de papel continuarão a ser impressos, mesmo com o crescimento do digital. Eu tenho dúvidas sérias a esse respeito.


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