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Rivais adotam modelo da Apple

  • Por Renato Cruz
Henrique de Castro, do Google

Henrique de Castro, do Google

A Apple tem um modelo de negócios que costumava ser somente dela. A empresa fundada por Steve Jobs projeta os equipamentos, desenvolve o software e oferece uma série de serviços, como a venda de músicas, vídeos e aplicativos, para seus clientes, num sistema verticalmente integrado.

Esse modelo garante uma experiência superior para o usuário, pois evita a possibilidade de erros e conflitos que podem surgir da combinação de fornecedores múltiplos, e ao mesmo tempo, o deixa totalmente dependente da empresa.

Recentemente, o Google anunciou seu tablet Nexus 7 e a Microsoft apresentou o seu Surface. O objetivo das empresas é oferecer essa experiência superior, e garantir a fidelidade do cliente com essa estrutura vertical.

Henrique de Castro, presidente de mídia, mobilidade e plataformas globais do Google, participou na semana passada do evento Fortune Brainstorm Tech 2012, em Aspen, nos Estados Unidos. A Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) foram patrocinadoras do evento.

Durante um painel que tinha como tema “Tablets 2.0″, ele afirmou que o sistema Android, do Google, deve ultrapassar a Apple em tablets, como aconteceu nos smartphones, por ser aberto a diversos fornecedores. “O produto é melhor quando o ecossistema ao redor dele é melhor, e um sistema aberto é melhor que um sistema fechado”, disse Castro, com um Nexus 7 nas mãos.

Na edição mais recente da revista Wired, o colunista Anil Dash apontou que, em maio de 2011, chegaram ao fim restrições à atuação da Microsoft, que foram resultado do acordo antitruste que a empresa fez com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos nove anos antes. Com sua capa que também funciona como teclado, o tablet Surface refletiria esse momento da empresa fundada por Bill Gates, da sua volta ao mercado sem amarras.

“O Surface não é um equipamento ‘eu também’. Ele empurra adiante toda a categoria”, escreveu Dash. “E, com o Surface, a Microsoft não está indo para cima só da Apple; ela está sacudindo os punhos na direção de todos os seus parceiros que fabricam PCs, que têm lançado tablets e laptops medíocres por anos.”

Volta

Marc Andreessen deu início à revolução da web em 1993, quando criou o Mosaic, primeiro navegador gráfico do mundo. Homem de software, ele apontou para um ressurgimento da indústria de hardware.

“Acho que o software está se tornando tão importante que, na verdade, está levando a um novo tipo de renascimento do hardware”, disse Andreessen, semana passada, na abertura do evento. “Acho que os eletrônicos de consumo podem estar num processo de volta aos EUA. Há 30 anos, quando eu estava crescendo, havia uma grande discussão de todas as empresas de eletrônicos de consumo que estavam deixando os EUA por ser uma manufatura comoditizada.”

Ele destacou que mesmo o iPhone, apesar de ser fabricado na China, tem muitos de seus componentes produzidos nos EUA. “Todos os lucros voltam para os Estados Unidos”, disse Andreessen. Entre as empresas que receberam investimento da sua empresa, a Andreessen Horowitz, estão a Jawbone, que fabrica alto-falantes, e a Lytro, que produz câmeras. “Esses produtos são software extremamente sofisticado embalado em hardware especial. Mas as companhias que só fazem hardware vão passar por um momento muito difícil.”

Junto com o Nexus 7, o Google anunciou o Nexus Q, um aparelho que transmite vídeos, músicas e fotos de computadores e da internet para televisores, fabricado nos Estados Unidos. Andreessen acha que mais equipamentos podem começar a ser produzidos em seu país, mas ele não considera essa questão importante. “Muito do que acontece na China é juntar componentes fabricados em outros lugares. Ou fabricados na China com tecnologia americana”, destacou o investidor. “Enquanto os equipamentos forem projetados nos EUA, não importa muito onde são fabricados. Isso não tem a ver com a criação de empregos de alto valor e, francamente, existem poucos americanos dispostos a trabalhar numa linha de montagem chinesa a esses salários.”

* O repórter viajou a convite da Brasscom

Foto: Fortune Brainstorm Tech

No Estado de hoje (“Modelo de negócios da Apple conquista concorrentes“, p. B13).

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Google busca anúncios móveis

  • Por Renato Cruz

Na tela pequena, tudo muda. Não adianta alguém clicar num anúncio e não conseguir navegar no site que está do outro lado. Esse é um dos principais desafios para o crescimento da publicidade móvel, conforme indicou o francês Karim Temsamani, vice-presidente de novos produtos e soluções do Google para as Américas, que esteve no Brasil na semana passada.

Antes de assumir a vice-presidência, Temsamani foi diretor global de mobilidade da empresa por dois anos. Atualmente, esse é um negócio de US$ 2,5 bilhões por ano para o Google. “Hoje, todo mundo tem um supercomputador no bolso”, diz o executivo. “Nosso grande esforço agora é para que as empresas tenham sites preparados para a mobilidade. Queremos incentivar a criação de ecossistemas móveis fortes.”

Para endereçar esse problema (e acelerar o seu próprio crescimento na venda de anúncios para celulares), o Google criou uma iniciativa chamada GoMo (contração de “Go Mobile”, ou torne-se móvel), para que as empresas possam avaliar a adaptação de seus sites para as telas de celulares.

“Da perspectiva das companhias, o impacto da mobilidade acontece no ponto de vendas”, afirma Temsamani. “O consumidor sempre pode, por exemplo, consultar o preço dos produtos que quer comprar.”

Existem alguns pré-requisitos para um bom site móvel. Além de carregar rápido, o dono do smartphone deve ser capaz de navegar por ele sem ter de ampliar as páginas. O Google afirma que 61% dos usuários provavelmente não voltam a um site que não seja preparado para o acesso via celular.

A computação está se tornando cada vez mais móvel. No fim do ano passado, havia cerca de 6 bilhões de telefones celulares no mundo. Desse total, 15% eram de terceira geração (3G). Ou seja, preparados para a navegação na internet. Menos de 1% era de quarta geração (4G), que permite banda larga de verdade no aparelho.

“O 4G é crítico para levar os dados para a nuvem”, diz Temsamani, reunindo, numa frase, duas das principais tendências atuais da tecnologia da informação e das comunicações. Quanto mais rápida a comunicação, mais aplicações e informações podem ser mantidas na nuvem, na rede formada por servidores espalhados pelo mundo.

“Com o 4G, as pessoas passam a ter acesso a serviços rápidos de dados, a um preço mais acessível”, afirmou o executivo. “A tecnologia permite serviços como os de tradução simultânea no celular.” As operadoras de telefonia apostam muito na transmissão de vídeo em tempo real no celular, o que não costuma funcionar direito no atual 3G.

Chegada

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) leiloou na semana passada as licenças para o 4G. As empresas Claro, Vivo, Oi e TIM compraram licenças para cobrir o País, enquanto a empresa de TV via satélite Sky e a Sunrise, que pertence ao bilionário George Soros, ficaram com licenças regionais.

A data-limite para a chegada dos serviços por aqui é abril de 2013, nas cidades-sede da Copa das Confederações. Mas algumas operadoras não descartam lançar o 4G ainda este ano. A velocidade teórica (conseguida em laboratório) do serviço é de 100 megabits por segundo (Mbps). Comparada a de 1 Mbps do acesso típico em 3G, é um enorme avanço. Apesar disso, nos Estados Unidos, país em que o 4G está mais bem difundido, as velocidades costumam ficar entre 5 e 12 Mbps.

“Existem oportunidades tremendas no Brasil”, disse Temsamani. Em abril, havia 253 milhões de acessos celulares no País, sendo que 18% eram 3G. Mas, enquanto o mercado total de celulares cresce 19% ao ano, segundo a consultoria Teleco, o 3G avança muito mais: em abril, o crescimento em 12 meses chegou a 37,5%.

O 4G promete trazer uma nova onda de investimento para o mercado brasileiro de telecomunicações, que não tinha um incentivo forte para investir desde a chegada do 3G no País, em 2008.

Tecnologias

O Google trava uma guerra com a Apple pelo mercado de smartphones. Seu software Android é o sistema operacional dos principais concorrentes do iPhone, da Apple. Está nos tablets e smartphones da linha Galaxy, da Samsung, no Kindle Fire, tablet da Amazon e também em incontáveis aparelhos chineses de baixo custo que inundam o mercado.

Mas o principal negócio do Google é a venda de publicidade digital. E, nessa área, a empresa é agnóstica. Ela defende que os sites estejam prontos para o iPhone e para o Android, para o BlackBerry (da RIM, que tem um sistema operacional próprio) e para a Nokia (que usava o sistema operacional Symbian e depois passou para o Windows Phone, da Microsoft).

“O Android e a Apple garantem uma experiência melhor”, disse Temsamani. Isso é importante para o Google porque as pessoas passam a usar mais a internet em seus celulares e, assim, começam a ver (e a clicar em) mais anúncios.

No primeiro trimestre, segundo a consultoria Gartner, o Android estava em 56,1% dos 144,4 milhões de smartphones vendidos em todo o mundo. Em segundo lugar, ficou o iPhone, com 22,9%, seguido do Symbian (sistema que vai ser descontinuado pela Nokia), com 8,6%.

Um desafio importante das empresas, segundo o vice-presidente do Google, é criar uma experiência que funcione nas quatro telas: o computador, o celular, o tablet e a televisão. Uma anunciante tem de cuidar do específico sem perder de vista o global. “Os usuários querem uma experiência contínua, mas o que essas quatro telas oferecem é bem diferente.”

No Estado de hoje (“Google móvel“, p. N6).

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As promessas do 4G

  • Por Renato Cruz

Existiam cerca de 6 bilhões de usuários de telefonia celular no mundo no fim do ano passado. Desse total, somente 7,4 milhões já eram atendidos pela telefonia celular de quarta geração (4G), com previsão de chegar ao Brasil no próximo ano.

Mais do que serviços novos, o 4G traz a banda larga de verdade para o celular. O grande salto será nos serviços de vídeo streaming, transmitidos em tempo real, que têm desempenho sofrível nas redes de terceira geração (3G), atualmente disponíveis no País.

Os Estados Unidos e o Canadá concentravam a maioria dos usuários de 4G, com 71% do total, segundo dados da associação 4G Americas. Mas existe um problema de compatibilidade da América do Norte em relação ao mundo: o 4G deles funciona na faixa de 700 MHz, diferentemente das licenças que serão vendidas aqui, em 2,5 GHz. A Europa e a Ásia usam a mesma faixa que o Brasil adotará para o 4G.

Por causa disso, existem aparelhos que funcionam no mercado americano e que não vão funcionar em 4G por aqui, como é o caso do novo iPad. Esse problema de incompatibilidade chegou a render problemas em vários países, como na Austrália, em que a Apple está sendo acusada de propaganda enganosa.

A velocidade teórica (conseguida em laboratório) do 4G é de 100 megabits por segundo (Mbps). Chega a ser 100 vezes a velocidade média de uma conexão 3G no Brasil. No início, as operadoras devem instalar a tecnologia somente nos lugares em que há grande concentração de público, principalmente para descongestionar a rede.

As novas frequências, que serão vendidas na semana que vem, representam um aumento de capacidade para as operadoras, que lutam para atender à demanda crescente de comunicação móvel de dados nos grandes centros.

Para o governo, a preocupação é ter a tecnologia disponível para os grandes eventos, a começar pelas cidades-sede da Copa das Confederações, no ano que vem. Pelo cronograma do edital, o 4G também estará disponível nas sedes e subsedes da Copa do Mundo de 2014.

Novas licenças

Com o leilão da faixa de 4G marcado para a semana que vem, a expectativa das empresas deve se voltar para a faixa de 700 MHz, hoje ocupada pelos canais analógicos da TV aberta no Brasil.

O decreto presidencial que institui o Sistema Brasileiro de TV Digital determinou que as emissoras devem devolver os canais analógicos em 2016, ficando somente com os canais digitais. Atualmente, cada emissora opera dois canais: um digital e outro analógico.

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) já começou a discutir essa transição. Nos EUA, o 4G ocupou essa faixa depois de as emissoras devolverem os canais analógicos. Mas, mesmo lá, a transição para a TV digital demorou mais que o esperado. O governo teve de dar mais prazo antes de desligar o analógico.

No Estado de hoje (“Tecnologia promete banda larga móvel de verdade“, p. B15).

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Microsoft quer cortar os fios

  • Por Renato Cruz

Microsoft quer cortar os fios

Nunca a Microsoft viveu um momento de mercado tão desafiante. Com a ascensão dos tablets e dos smartphones, a empresa tem uma posição pequena no segmento que mais cresce, enquanto enxerga o seu mercado principal, o de PCs, estagnar ou até cair.

A maior empresa de software do mundo aposta todas as suas fichas no Windows 8, nova versão do sistema operacional presente em mais de 90% dos PCs do mundo, para começar a virar o jogo. Mas não vai ser fácil. Apesar de elogiado, seu sistema operacional para celulares, o Windows Phone, ficou com uma fatia de somente 2% das vendas mundiais de smartphones no primeiro trimestre, segundo a consultoria Gartner. Em tablets, a empresa nem aparece.

“Olhamos estrategicamente para o mercado de celulares”, afirmou Kevin Turner, diretor mundial de operações da Microsoft, que visitou o Brasil na semana passada. No prédio em que a empresa inaugurou, em janeiro, seu centro de tecnologia, em São Paulo, Turner contou que costuma vir ao País todo ano. “Esta é minha sétima visita seguida. Atualmente, o Brasil é o que mais cresce entre os grandes mercados do mundo. “

Turner está animado com o lançamento do Windows 8, que ainda não teve sua data anunciada. “Achamos que é o maior lançamento da história da Microsoft”, disse o executivo. A expectativa é que ele seja lançado ainda este ano, três anos depois do Windows 7, a versão mais recente, que chegou ao mercado em outubro de 2009.

O Windows 8 incorpora o recurso de tela sensível ao toque, e a interface Metro, em que a tela é dividida em quadrados e retângulos, já adotada no Windows Phone e no videogame Xbox 360. “Pela primeira vez, com o Windows 8, teremos a mesma interface do usuário do smartphone e do tablet ao laptop, ao desktop e à televisão”, disse Turner. “Será o único sistema operacional do mercado com uma mesma interface do usuário. Ele permite mudar do consumo para a criação de informação de forma muito simples. Com o aperto de um botão, é possível mudar do ambiente do seu desktop para um ambiente de tela sensível ao toque.”

O sistema operacional também vai rodar em processadores Intel x86 (presentes em computadores de mesa e portáteis) e em chips de arquitetura ARM (que equipam celulares inteligentes e tablets). “A possibilidade de transitar entre essas duas arquiteturas o torna muito especial e muito único”, disse o diretor mundial de operações.

Virada

A história da Microsoft tem casos de mudanças radicais. Talvez a mais famosa seja a virada que a empresa fez para a web, logo depois do surgimento meteórico da concorrente Netscape, que lançou o primeiro navegador de sucesso. Em maio de 1996, Bill Gates, que ainda estava à frente da empresa que fundou (hoje ele está aposentado, cuidando de sua fundação), enviou a seus executivos um memorando sobre a “onda gigantesca da internet”.

Nesse documento, Gates identificava a Netscape como um “novo competidor nascido na internet” e atribuía à rede mundial o “mais alto grau de importância”. O resultado foi o lançamento do Internet Explorer e sua integração ao Windows, a queda da Netscape e um processo movido pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Apesar da ação antitruste (que acabou num acordo), a estratégia teve um enorme sucesso, e representou uma virada radical da empresa.

Em outros casos, em que a mudança não teve essa magnitude, os resultados não foram tão satisfatórios. O buscador Bing foi criado como uma resposta ao Google. Apesar de ter conseguido uma boa posição (segundo lugar nos Estados Unidos), ainda está longe de ameaçar o líder. O tocador de música digital Zune, da Microsoft, chegou ao mercado para concorrer com o iPod, da Apple, mas nunca conquistou uma fatia representativa do mercado. O Windows Phone, apesar das críticas favoráveis, ainda está bem atrás do iPhone, da Apple, e dos aparelhos com o Android, software do Google.

Em comum com a estratégia de 1996, a Microsoft aposta na sua maior força, o Windows, para alavancar sua posição em novos mercados. O novo sistema operacional, no entanto, não parece representar uma guinada radical da empresa, como aconteceu há 12 anos na guerra dos browsers (programas que permitem navegar na internet). Ele talvez seja mais uma evolução de produtos anteriores da empresa, com mira em mercados novos.

Divisões

Se você quiser tirar Kevin Turner do sério, diga a ele que a Microsoft só faz dinheiro com Windows e Office. “Isso não está correto, não senhor. Fazemos muito dinheiro com entretenimento, com o Xbox. E uma de nossas maiores fontes de receita é o software para servidores e infraestrutura. Existem Windows, Office, entretenimento, servidores e ferramentas, todas essas divisões são muito lucrativas”, disse o executivo.

E o portal MSN e o buscador Bing? “A nossa área online não faz dinheiro”, admitiu Turner. “Estamos investindo no longo prazo. Amamos o negócio de buscas e de publicidade digital. Continuaremos a investir. As perdas estão diminuindo a cada ano e isso deve continuar. É um novo modelo de negócios muito estratégico para nós.”

O jornal The New York Times chegou a noticiar que a Microsoft tentou vender, no ano passado, o Bing para o Facebook. “Não é verdade”, disse Turner. Mas de onde surge esse tipo de informação? “Queria saber, meu amigo, para fazer alguma coisa a respeito”, afirmou o executivo, rindo. “Provavelmente não sou a melhor pessoa para se perguntar como os rumores começam.”

Dilema

Clayton Christensen, professor de Harvard, é autor de um clássico de administração chamado O Dilema da Inovação. No livro, ele argumenta que as características que fazem uma empresa ser forte em determinado mercado atrapalham sua adaptação a uma nova situação, quando o mercado muda.

Esse dilema é enfrentado pela Microsoft todos os dias. Apesar da participação pequena em celulares, sua posição geral é invejável, com o domínio que mantém no mercado de PCs. O Windows, o Office e – como disse Turner – software para servidores são máquinas de fazer dinheiro.

Além da computação móvel, a empresa enfrenta o desafio de crescer em computação em nuvem. Por ser um mercado ainda mais novo, as posições ainda estão bem menos consolidadas. “Abrimos um centro de dados no Brasil porque realmente queremos ser grandes em serviços de nuvem”, disse Turner. “Um cliente, Lojas Renner, recentemente adotou a nossa plataforma Office 365, trocou o Google pela Microsoft. Somos muito orgulhosos disso.”

No Estado de hoje (“Microsoft enfrenta desafio móvel“, p. N3).

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Robô substitui até chinês

  • Por Renato Cruz
Linha de produção da Noma, no Paraná

Linha de produção da Noma, no Paraná

Na fabricante de carretas Noma, no interior do Paraná, não tem gente fazendo força. São os robôs espalhados pela fábrica que carregam as peças pesadas. São também robôs que soldam as diferentes partes dos veículos. Antes privilégio de grandes corporações, os robôs estão invadindo as linhas de produção de pequenas e médias empresas no mundo todo e prometem mudanças importantes na divisão global do trabalho, com prejuízo para os países emergentes.

Está em curso uma mudança no sistema fabril que pode significar um novo estágio da revolução industrial. Hoje, comprar um robô custa praticamente o mesmo que pagar o salário de um operário chinês. Dados preparados pela consultoria Gavekal mostram que o custo unitário de um robô industrial atingiu cerca de US$ 48 mil no ano passado, uma diferença pequena para os US$ 44 mil pagos a um funcionário pela gigante de montagem Foxconn durante dois anos.

Na verdade, os chineses recebem menos que isso na Foxconn – que, entre vários outros produtos, faz os iPhones e iPads da Apple -, mas o cálculo considera um fictício operário que trabalhasse 24 horas – como um robô. As jornadas de trabalho da China são pesadas, mas ainda não chegam a tanto. O resultado dessa aproximação de custos é que até a Foxconn já anunciou que pretende “empregar” 1 milhão de robôs até 2014.

Outra evidência do avanço da robótica é que a demanda por robôs industriais está indo além do setor automotivo, que já é tradicional nessa área. Em 2006, as montadoras respondiam por 36% dos robôs utilizados no planeta. Esse porcentual caiu para 28% em 2010. O setor elétrico e eletrônico, que detinha 18% dos robôs, saltou para 26%. Também se destacam os fabricantes de plásticos, produtos químicos e cosméticos.

“Estamos diante de uma tecnologia de ruptura. O excesso de mão de obra vai deixar de ser uma vantagem e as empresas vão começar a retornar para países com mão de obra qualificada, baixos custos e boa infraestrutura”, disse José Roberto Mendonça de Barros, sócio-diretor da MB Associados. “A robótica é um dos fatores que vai ajudar a indústria a renascer nos Estados Unidos”.

Mendonça de Barros projeta que, até 2015, o mundo vai assistir atônito a uma mudança radical nas relações de trabalho. Yuchan Li, analista da Gavekal baseada em Hong Kong e autora dos cálculos, disse ao Estado por e-mail que “é difícil colocar um prazo definitivo, mas que há sinais de que a revolução já está ocorrendo”. Segundo ela, as mudanças são mais rápidas em alguns países, como a Coreia do Sul, do que em outros.

O movimento é inevitável. De um lado, o esforço de países como a China para reforçar o mercado local, melhorando a renda e as condições de trabalho, acaba elevando os custos da mão de obra. De outro, os robôs acabam sendo beneficiados pela chamada Lei de Moore. Gordon Moore, um dos fundadores da Intel, previu, na década de 1960, que a capacidade dos microprocessadores dobraria a cada dois anos. Isso faz com que os eletrônicos possam ser, a cada ano, mais potentes e mais baratos. E o mesmo acontece com os robôs.

Substituição

A crise global enfrentada desde a quebra do Lehman Brothers ajudou a acelerar o processo, porque forçou as empresas a buscar novas maneiras de reduzir seus custos e melhorar suas magras margens de lucro. Mas são duas tendências estruturais, para as quais não há sinal de alteração no curto prazo, que alimentam o processo: a queda do preço dos robôs e o aumento dos salários, particularmente na China, mas também no Brasil. Marcos Noma, dono da empresa paranaense, conta que os robôs que utiliza chegavam a custar R$ 800 mil há 10 anos e hoje não passam de R$ 200 mil. “Foi isso que permitiu o nosso investimento”, diz.

A queda dos preços globais dos robôs não foi tão significativa quanto relata o empresário brasileiro, mas não deixou de ser relevante. Entre 2000 e 2010, o custo médio de um robô industrial caiu 23%, conforme a Gavekal. A consultoria não possui dados tão antigos para os salários na Foxconn, mas entre 2003 e 2010, a remuneração dos operários da empresa na China cresceu 140%.

Considerada o chão de fábrica do mundo, os custos na China estão subindo porque o país não vai conseguir oferecer trabalhadores suficientes para acompanhar o crescimento da manufatura global, apesar do seu 1,3 bilhão de habitantes. Muitas empresas estão elevando sua produção a uma taxa anual de 10%, enquanto a oferta de trabalho na China cresce apenas 2% – reflexo da política do filho único adotada pelo governo comunista.

A China deve continuar a ser uma grande produtora global de manufaturas, mas é provável que daqui para frente as empresas instaladas no país se dediquem cada vez mais a atender o mercado interno, cujo consumo precisa acelerar para garantir um crescimento sustentável da economia. Empresas americanas e europeias, que produziam na China para atender seus mercados de origem, já começam a fazer o caminho de volta.

Os populosos e pobres países asiáticos, como Vietnã ou Bangladesh, devem ser os mais prejudicados pelas mudanças tecnológicas, mas o Brasil não vai passar imune. Algumas empresas brasileiras começam a recorrer a robôs para melhorar a qualidade e fazer frente a falta de mão de obra qualificada. O grande problema é que a indústria brasileira enfrenta hoje uma séria falta de competitividade, por conta da infraestrutura ruim e da segunda energia mais cara do mundo, o famoso custo Brasil. Com os robôs substituindo chineses, são esses fatores que vão determinar a instalação da indústria global nos novos tempos.

Estratégia

Para Yuchan Li, da Gavekal, a China pode provar, com a automação, que seu diferencial, no mercado mundial, é a capacidade de fabricar em larga escala, e não a mão de obra barata. Além disso, as empresas do país têm a chance de combater a imagem de exploradoras dos trabalhadores, de quem impõe jornadas de trabalho desumanas em ambientes insalubres.

Na semana passada, Tim Cook, presidente da Apple, visitou as fábricas da Foxconn na China. O executivo foi verificar pessoalmente as condições de trabalho nas instalações da fornecedora, e acabou anunciando um acordo para acabar com as ilegalidades apontadas pela Fair Labor Association (FLA), associação independente autorizada pela Apple a avaliar as condições de trabalho nas fábricas chinesas.

O anúncio, no entanto, acabou criando temores de queda de renda entre os funcionários da Foxconn. Muitos acreditam que, sem as horas extras além do que é permitido pela legislação, não vão conseguir se sustentar. De uma forma ou de outra, a fabricante do iPhone e do iPad resolveu tomar medidas para impedir que os problemas da Foxconn acabem prejudicando sua imagem.

No lançamento do novo iPad, um grupo de ativistas foi à loja da Apple na Quinta Avenida, em Nova York, para protestar contra as condições de trabalho na China. No começo do ano, cerca de 150 funcionários da unidade da Foxconn em Wuhan ameaçaram cometer suicídio coletivo, saltando do alto do edifício. Sua exigência era a melhora das condições de trabalho.

Em 2010, pelo menos 18 funcionários da Foxconn tentaram suicídio, com 14 mortes. No ano seguinte, foram mais quatro mortes. A decisão da Foxconn de anunciar um investimento massivo em robôs pode ser vista como uma maneira de enfrentar os custos crescentes da mão de obra, mas também como um jeito de fazer frente a essa situação.

Automação garante padrão de qualidade

Nem todo mundo é Apple. Na verdade, poucas empresas têm a força e a escala da fabricante dos iPads e dos iPhones para buscar fornecedores chineses com garantia de prazo e qualidade. Com o movimento de transferência de produção para a China, nas últimas décadas, as fabricantes chinesas mais bem preparadas estão sobrecarregadas, o que já provoca um movimento de quarteirização, em que o serviço de clientes internacionais pequenos e médios é repassado para fabricantes menores.

Com isso, essas empresas pequenas e médias começaram a receber produtos de qualidade inferior, fora do prazo . “O primeiro e o segundo lotes vêm com a qualidade combinada, mas, daí em diante, começa a haver perdas”, disse Wagner Bello, diretor da Fanuc Robotics do Brasil, subsidiária da empresa japonesa que é uma das maiores fabricantes de robôs do mundo. “Isso incentiva a demanda interna por robôs.”

Reportagem recente da revista Wired mostrou várias empresas pequenas e médias americanas que trocaram a produção na China por uma fábrica automatizada nos Estados Unidos. Uma delas, chamada Sleek Audio, produz fones de ouvido de alto padrão. Apesar de os donos visitarem a cada dois meses o fornecedor em Dongguan para garantir a qualidade, receberam uma encomenda de 10 mil fones de ouvido que precisaram ser descartados, porque não foram soldados da maneira certa, o que levou a milhões de dólares de prejuízo. Em 2010, decidiram transferir a produção para os EUA.

Segundo Bello, esse movimento também acontece no Brasil, em setores como autopeças. “O robô está se tornando extremamente barato”, disse o executivo. “O preço está em 25% do que custava há oito anos.”

Existem máquinas da Fanuc a partir de R$ 50 mil. E o robô ainda serve para resolver outros problemas, como a falta de mão de obra.

Sem citar o nome, Bello afirma que um de seus clientes, do setor alimentício, enfrentava dificuldade de encontrar pessoal para o terceiro turno da fábrica, que funciona 24h por dia. A solução foi comprar robôs. “Estamos quebrando o paradigma de que o robô tira o emprego das pessoas”. diz. No ano passado, o mercado brasileiro de automação industrial movimentou R$ 3,725 bilhões, 15% a mais do que em 2010, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica.

Enquanto os robôs avançam, muitos se perguntam quando vai se tornar realidade o robô doméstico, como a Rosie, empregada dos Jetsons. Durante a Cebit, evento em Hannover, na Alemanha, engenheiros do Instituto de Tecnologia Karlsruhe (KIT, na sigla em alemão), apresentaram um robô capaz de realizar pequenas tarefas domésticas, como colocar a louça na máquina de lavar. A bateria durava somente três horas, e o preço era de 200 mil euros.

O mais próximo que se tem hoje de um robô doméstico comercialmente viável é o aspirador de pó Roomba, que se desloca sozinho pela casa, limpando o chão. “De certa forma, sua máquina de lavar roupas já é um robô”, afirmou Dan Barry, professor da Singularity University, que esteve em São Paulo no mês passado. Segundo ele, o problema é que os robôs ainda são muito lentos. “Não servem para mim ou para você, mas já podem ajudar pessoas com deficiências. Acho que é por aí que vamos desenvolvê-los e barateá-los.”

Rosie, dos Jetsons

Rosie, dos Jetsons

Reportagem que escrevi com a Raquel Landim, publicada hoje no Estadão (“Cada vez mais barato, robô já substitui até trabalhador chinês” e “Automação garante padrão de qualidade“, p. B8).

Foto da Noma: Rafael Silva / Divulgação

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E onde está o Woz?

  • Por Renato Cruz

Steve Wozniak, cofundador da Apple

Enquanto todo mundo acompanhava o lançamento do novo iPad, Steve Wozniak (foto), cofundador da Apple e grande fã de seus produtos, participava de um evento da IBM em Las Vegas, sobre o futuro dos data centers.

Via Wired.

Foto: The Demo Conference / Creative Commons

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A guerra dos tablets

  • Por Renato Cruz

Kindle Fire, da Amazon

A Amazon prepara uma nova versão do tablet Kindle Fire, com tela de 10 polegadas, segundo o site DigiTimes. A tela do iPad, da Apple, tem 9,7 polegadas. O fabricante do novo tablet seria a Foxconn, com embarques previstos para o segundo trimestre.

Com tela de 7 polegadas, o Kindle Fire (foto) é considerado um dos poucos tablets de baixo custo com qualidade suficiente para concorrer com o iPad. Nos Estados Unidos, ele sai por US$ 199, enquanto a versão mais barata do tablet da Apple custa US$ 499.

Na semana passada, o Wall Street Journal noticiou que a Apple planeja uma versão menor do iPad, com tela de 8 polegadas. Além do Kindle Fire, o Galaxy Tab, da Samsung, tem versão com tela de 7 polegadas.

Para fazer frente à Amazon, a Barnes & Noble reduziu o preço do Nook Tablet de US$ 249 para US$ 199, nos Estados Unidos. Como o Kindle Fire, ele tem tela de 7 polegadas, 512 megabytes de RAM e 8 gigabytes de armazenamento.

Performance

O Morgan Stanley divulgou um relatório, depois do anúncio dos resultados da Amazon, na semana passada, dizendo que a Apple está prejudicando os números da varejista virtual. O analista Scott Devitt escreveu:

“A força da Apple nas vendas de iPhone e iPad afeta negativamente a Amazon, ao acelerar a transição da empresa das vendas de mídia física para digital (o que tem efeitos em vendas, margens e retorno sobre investimento de capital) e também impactar o crescimento em eletrônicos (Electronics & General Merchandise, ou EGM).”

No quarto trimestre, o faturamento da Amazon ficou em US$ 17,4 bilhões, abaixo da expectativa dos analistas, que era de US$ 18,2 bilhões (em comparação, as vendas de iPads e iPhones pela Apple somaram US$ 33,6 bilhões no período). O lucro por ação caiu de US$ 0,91 entre outubro e dezembro de 2010 para US$ 0,38.

Apesar dos números ruins no trimestre, o analista do Morgan Stanley está otimista sobre a performance de longo prazo da Amazon.

Segundo estimativas da IHS iSuppli, a Amazon vendeu 3,9 milhões de tablets no trimestre passado, ultrapassando a Samsung, com 2,14 milhões. A Barnes & Noble veio logo depois, com 1,92 milhão. No mesmo período, a Apple vendeu 15,43 milhões de iPads.

Foto: Courtney Boyd Myers / Creative Commons

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Apple: 28 anos em um

  • Por Renato Cruz

Venda de produtos da Apple

A Apple vendeu, no ano passado, mais produtos com o sistema operacional iOS (iPhones e iPads) do que computadores Macintosh em 28 anos.

O blog Asymco desenho um gráfico que mostra as vendas acumuladas dos principais produtos da empresa e chegou a essa conclusão.

Foram vendidos 156 milhões de equipamentos que rodam iOS em 2011, comparados a 122 milhões de Macs desde o lançamento do computador, em 1984.

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Controle retrô para iPhone

  • Por Renato Cruz

8-Bitty, controle retrô para iPhone e iPad

A ThinkGeek lançou hoje o controle iCade 8-Bitty, para iPhone e iPad. Retangular como um controle de Nintendinho de 8 bits, tem oito botões, como o do Super Nintendo, e conexão Bluetooth. É possível jogar com ele games do aplicativo Atari’s Greatest Hits, entre outros. Custa US$ 25.

Via Business Insider.

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Do Brasil para a Nigéria

  • Por Renato Cruz

A promessa de que o celular vai substituir a carteira está aí há anos. Mas, no mundo todo, tem demorado mais que o esperado para se materializar. Segundo a consultoria Gartner, os usuários de pagamentos móveis devem chegar a 141,1 milhões este ano, um crescimento de 38,2% sobre 2010.

Pode parecer bastante, mas é quase nada numa base mundial de 6 bilhões de celulares. O volume de dinheiro movimentado pelos pagamentos móveis, ainda de acordo com o Gartner, aumentará 75,9% em 2011, para US$ 86,1 bilhões.

Um dos casos de maior sucesso do mundo em é o M-Pesa, da Safaricom, no Quênia. Lançado em março de 2007, tem mais de 14 milhões de clientes. Por falta de infraestrutura bancária, os quenianos passaram diretamente das cédulas de papel para os pagamentos via telefone móvel, sem passar pelos cartões de plástico. Da mesma forma que, nas telecomunicações, abraçaram os celulares, pulando a fase do telefone fixo.

A brasileira Freeddom espera fazer a mesma mágica na Nigéria. A empresa assinou um contrato com o United Bank for Africa (UBA), maior banco da país, para fornecer um serviço de pagamentos via celular. O sistema foi homologado pelo banco central nigeriano e o UBA planeja incentivar, numa primeira fase, que metade de 8 milhões de correntistas migre para o serviço.

“Há um mês e meio, recebemos a licença permanente”, disse Guilherme Messiano, diretor de Novos Negócios da Freeddom. Antes disso, tinham feito um piloto com 5 mil pessoas. Segundo o executivo, cerca de 4 milhões de clientes do UBA têm o equivalente a menos de R$ 200 depositados em suas contas e, por isso, o banco chegou à conclusão que seria melhor se eles migrassem para os serviços móveis, no lugar de manter uma conta convencional. O maior potencial no entanto, são os 90% da população queniana que ainda não têm conta em banco.

A Freeddom criou o Paggo, vendido para a Oi, que depois tornou-se sócia da Cielo no serviço. O Paggo é hoje o maior sistema de pagamentos móveis no País, com cerca de 80 mil usuários. No mês passado, foi relançado.

Com o relançamento, a conta do Paggo passou a estar vinculada a um cartão de crédito, e as máquinas da Cielo passaram a aceitar pagamentos via celular, inicialmente na Região Nordeste. “Com isso, rompemos uma barreira de crescimento”, disse Eduardo Chedid, vice-presidente executivo de Produtos e Negócios da Cielo.

Até o fim do ano, as máquinas da empresa aceitarão pagamento por celular em todo o Nordeste e, durante 2012, em todo o País. Um dos obstáculos à adoção do Paggo era o número limitado de estabelecimentos preparados para o serviço.

O Paggo funciona via SMS: o cliente recebe uma mensagem, pedindo a confirmação da compra, digita a sua senha e, depois, recebe outra mensagem confirmando a transação. O lojista só digita na sua máquina o número do celular e o valor da transação.

“O cliente tem recebido o SMS, em média, em quatro a seis segundos”, disse Chedid. “Tem sido bem positivo o retorno sobre a usabilidade.”

A Cielo também aposta na substituição da máquina leitora de cartões, chamada de POS, pelos celulares. A empresa tem aplicativos para smartphones, nas versões iOS (iPhone e iPad) e Android, para receber pagamentos.

“Temos cerca de 52 mil usuários”, afirmou o vice-presidente da Cielo. “Ainda são três iPhones para cada Android, mas a versão para Android saiu seis meses depois.”

Segundo ele, 24% dos usuários são do setor de saúde (dentistas e médicos). “Isso é bem interessante, porque o uso de cartões nessa área ainda é muito baixa”, explicou. O valor médio do pagamento recebido pelo aplicativo é de R$ 180, acima da média de R$ 80 na máquina leitora de cartões.

Mais informações no Estado de hoje (“Brasileiros levam pagamento móvel para a Nigéria“, p .B17).

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