GVT não quer 3G
- 11 de março de 2010|
- 8h20|
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- Por Renato Cruz

O leilão de uma licença de telefonia celular de terceira geração (3G), que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) planeja fazer até junho, corre o risco de ter somente um participante. O mercado apostava em uma disputa entre Nextel e GVT, operadora que foi comprada recentemente pela francesa Vivendi. No entanto, o presidente da GVT, Amos Genish, afirmou ao Estado que não tentará comprar a licença.
“Não vamos participar do leilão da banda H (como é chamada a licença que será colocada à venda)”, disse Genish. “Nos próximos anos, vamos nos focar em nosso negócio principal, que são telefonia fixa, banda larga e TV paga. Seria um movimento perigoso investir em celular agora.”
Recentemente, a Vivendi anunciou que planeja entrar no mercado brasileiro de telefonia móvel, via GVT. Mas em nenhum momento as empresas haviam dito que comprariam a licença este ano. A Anatel resolveu reservar a banda H para quem ainda não tem operações nacionais de celular, o que impede, se as regras se mantiverem, que a Vivo, Claro, TIM e Oi participem do leilão.
“Gastaríamos bilhões sem ter como nos diferenciar das empresas que já estão no mercado”, explicou Genish, sobre seu desinteresse na banda H. “Só se resolvêssemos oferecer iPhones de graça, o que só serviria para perder dinheiro.” Segundo o executivo, a ideia é participar do leilão da quarta geração (4G) da telefonia celular, também conhecida pela sigla LTE, que deve acontecer em 2012. “Daí, vamos poder dizer que somos a única operadora totalmente 4G do mercado.”
Com isso, a Nextel pode se tornar a grande beneficiária da banda H. “A Nextel inflacionou o preço de todo mundo no primeiro leilão de 3G, e agora pode comprar uma licença com o preço lá embaixo”, disse Luis Minoru Shibata, diretor de Consultoria da PromonLogicalis. A Nextel participou agressivamente do leilão em que a Vivo, Claro, TIM e Oi compraram suas licenças, aumentando o ágio para todos, sem levar nenhuma delas.
Mais informações no Estado de hoje (”GVT diz que não vai participar do leilão de licença de celular 3G” e “Vivendi disputou a compra da GVT com a Telefônica“, p. B19).
Os planos da Nextel para o 3G
- 8 de fevereiro de 2010|
- 10h44|
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- Por Renato Cruz

Um dos objetivos para este ano de Sergio Chaia, presidente da Nextel Brasil, é melhorar seu futebol. O mineiro de 44 anos está treinando corrida e fazendo musculação para aperfeiçoar o preparo físico. “Eu já fui muito bom”, afirma o executivo, que torce para o Palmeiras. “Joguei no Guarani quando tinha 13 anos.” Ele acabou sendo convencido pelo pai que era melhor estudar e deixar de lado os sonhos de se tornar jogador profissional. Atualmente, costuma dedicar as noites de terça-feira a partidas com funcionários da Nextel. Na última sexta, planejava participar de um jogo durante a convenção de vendas em Angra dos Reis (RJ).
Ao mesmo tempo em que trabalha seu futebol, Chaia prepara os músculos da Nextel para uma disputa muito mais ambiciosa. Ele quer ser o vencedor em um leilão de licenças de terceira geração (3G) da telefonia celular em abril, tornando-se o quinto operador com presença nacional e competindo em pé de igualdade com a Vivo, Claro, TIM e Oi. A briga não será fácil.
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) colocou um texto em consulta pública em que impede as operadoras que estão no mercado de participar do leilão.
Mesmo sem elas, o leilão da chamada banda H promete ser disputado. A expectativa do mercado é que a GVT, recentemente comprada pela francesa Vivendi, apresente propostas pelas licenças. A GVT opera telefonia fixa e banda larga, e não está no mercado celular. Também falam de interesse das japonesas NTT DoCoMo e KDDI. Em 2007, a Nextel foi a surpresa do leilão de 3G. Não levou nenhuma licença, mas elevou os ágios para todo mundo.
Chaia não chega a colocar a situação nesses termos, mas o futuro da Nextel Brasil depende em grande parte do sucesso no leilão. Hoje, com seu sistema de rádio, a empresa não consegue oferecer banda larga móvel, o que pode prejudicá-la na competição pelo mercado. Com a tecnologia iDEN, usada pela operadora, é possível consultar e-mails no BlackBerry ou criar sistemas de automação de força de vendas. Mas a velocidade não é suficiente para garantir uma boa navegação na rede.
Mais informações no Estado de hoje (”Nextel busca seu futuro na 3G“, p. N12).
Os problemas do 3G
- 7 de fevereiro de 2010|
- 11h06|
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- Por Renato Cruz
A banda larga móvel, em que as pessoas usam um minimodem que liga o computador à rede de telefonia celular de terceira geração (3G), tem apresentado um crescimento explosivo. Em 18 meses, partiu de zero para chegar a 4,5 milhões de acessos no País. Essa expansão desenfreada, no entanto, não deixou de ser acompanhada por problemas. O acesso nem sempre funciona, e tudo fica pior fora das capitais.
O que, pensando bem, é um contrassenso. A grande vantagem da tecnologia é a mobilidade, mas não foram poucos os consumidores decepcionados ao perceber que o acesso não funciona na casa de campo ou na praia. Ou seja, ainda falta mobilidade à banda larga móvel. “Fizemos uma pesquisa no ano passado que mostrou que o cliente avalia bem a cobertura, mas considera ruim o roaming (capacidade de usar o serviço fora da cidade em que foi contratado)”, aponta o analista Júlio Püschel, da consultoria Yankee Group.
Foi o caso de Cristiana Cardoso, funcionária pública, que usa a banda larga da Claro na capital de São Paulo e viajou com seu notebook para Mococa (SP) durante as festas de fim de ano. “Fiquei quatro ou cinco dias sem usar e só tive assistência quando voltei”, reclama Cristiana. A Claro não tem 3G em Mococa e o atendente explicou que ela teria de reconfigurar o modem. Cristiana não chegou a testar o serviço depois da reconfiguração.
Sobre o seu caso, a operadora explica, em comunicado: “A Claro entrou em contato com a sra. Cristiana no dia 8 de janeiro e esclareceu que a cidade de Mococa possui apenas tecnologia GSM e ainda não tem cobertura 3G”. A operadora ressalta que o modem vem configurado com a opção de rede automática, conectando-se à rede disponível na localidade.
O caso de Renato Pires da Silva Filho é diferente, mas também mostra como a cobertura ainda deixa a desejar no interior. Ele comprou um minimodem da TIM em Ribeirão Preto (SP), com velocidade de até 600 quilobits por segundo (Kbps). Nos melhores momentos, conseguia menos de 10% da velocidade prometida, o que é próximo de uma linha discada. “Havia dias em que a velocidade de baixar arquivos era de 7,2 kbps”, reclama Silva Filho, que trabalha na prefeitura. “Lentidão total.”
Depois de quase um ano de briga, conseguiu cancelar o serviço sem ter de pagar a multa contratual. “Cada hora era uma desculpa diferente”, diz ele. “A empresa vem com desculpa esfarrapada e fica te enrolando, enquanto você paga pelo serviço.” Ele acabou contratando o serviço de outra empresa.
Segundo a TIM, “não constava nenhuma irregularidade com a conexão do plano TIM Web do cliente”. A empresa afirmou ainda, em comunicado, que “investe constantemente na ampliação e melhoria da capacidade de sua rede para tráfego de dados em todo o Brasil e que a velocidade de conexão pode sofrer oscilações em razão de fatores externos que possam vir a interferir no sinal”.
Mais informações no Estado de hoje (”No Brasil, internet móvel quase não tem mobilidade“, p. B17).
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