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Um método perigoso

  • Por Renato Cruz
Keira Knightley como Sabina Spielrein

Keira Knightley como Sabina Spielrein

Mês passado, a Criterion Collection publicou fichas de avaliação de Videodrome, filme de David Cronenberg lançado em 1983. À pergunta “O que você especialmente gostou neste filme?”, espectadores responderam: “Nada” e “Absolutamente nada. É bem repulsivo”. A “O que você especialmente não gostou ou gostaria de mudar no filme?”, algumas respostas foram: “É muito vugar. Muito sexo, eles fazem isso demais. Mais história, menos sexo” e “Muito sangue e entranhas por todo o lado”.

Existe uma distância grande entre Videodrome e Um método perigoso, que estreou sexta-feira (apesar de ambos tratarem de sadomasoquismo). Pelo menos superficialmente. Os monstros e as entranhas sangrentas continuam lá, mas dessa vez você não vê. Tudo embalado num longa-metragem de época ao estilo Merchant Ivory.

Como você já deve ter lido por aí, o filme mostra a relação de Carl Jung (Michael Fassbender) com o mestre Sigmund Freud (Viggo Mortensen) e  Sabina Spielrein (Keira Knightley), paciente e amante.

Um método perigoso conta a história de um parricídio, ainda que simbólico (em contraponto a Spider, filme de Cronenberg sobre matricídio). Jung é retratado como um canalha, mas com ele é possível se identificar. Freud é um gênio maior que a vida, posição inalcançável ao homem comum.

Jung erra, erra de novo e erra mais uma vez, mas essa é a única maneira de conseguir ver além da barreira de conforto de sua vida de médico bem-sucedido casado com mulher rica, e entender o mundo. Ele é mentiroso, fraco, covarde, egoísta. Trai a esposa, renega a amante, rompe com o mestre, mas, no final, o imperdoável é ter levado a psicanálise na direção do misticismo e da auto-ajuda. ”Devemos mostrar a realidade ao paciente, e não trocar uma ilusão por outra”, diz o Freud do filme.

Ficha de avaliação do filme Videodrome

Ficha de avaliação do filme Videodrome

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Robô substitui até chinês

  • Por Renato Cruz
Linha de produção da Noma, no Paraná

Linha de produção da Noma, no Paraná

Na fabricante de carretas Noma, no interior do Paraná, não tem gente fazendo força. São os robôs espalhados pela fábrica que carregam as peças pesadas. São também robôs que soldam as diferentes partes dos veículos. Antes privilégio de grandes corporações, os robôs estão invadindo as linhas de produção de pequenas e médias empresas no mundo todo e prometem mudanças importantes na divisão global do trabalho, com prejuízo para os países emergentes.

Está em curso uma mudança no sistema fabril que pode significar um novo estágio da revolução industrial. Hoje, comprar um robô custa praticamente o mesmo que pagar o salário de um operário chinês. Dados preparados pela consultoria Gavekal mostram que o custo unitário de um robô industrial atingiu cerca de US$ 48 mil no ano passado, uma diferença pequena para os US$ 44 mil pagos a um funcionário pela gigante de montagem Foxconn durante dois anos.

Na verdade, os chineses recebem menos que isso na Foxconn – que, entre vários outros produtos, faz os iPhones e iPads da Apple -, mas o cálculo considera um fictício operário que trabalhasse 24 horas – como um robô. As jornadas de trabalho da China são pesadas, mas ainda não chegam a tanto. O resultado dessa aproximação de custos é que até a Foxconn já anunciou que pretende “empregar” 1 milhão de robôs até 2014.

Outra evidência do avanço da robótica é que a demanda por robôs industriais está indo além do setor automotivo, que já é tradicional nessa área. Em 2006, as montadoras respondiam por 36% dos robôs utilizados no planeta. Esse porcentual caiu para 28% em 2010. O setor elétrico e eletrônico, que detinha 18% dos robôs, saltou para 26%. Também se destacam os fabricantes de plásticos, produtos químicos e cosméticos.

“Estamos diante de uma tecnologia de ruptura. O excesso de mão de obra vai deixar de ser uma vantagem e as empresas vão começar a retornar para países com mão de obra qualificada, baixos custos e boa infraestrutura”, disse José Roberto Mendonça de Barros, sócio-diretor da MB Associados. “A robótica é um dos fatores que vai ajudar a indústria a renascer nos Estados Unidos”.

Mendonça de Barros projeta que, até 2015, o mundo vai assistir atônito a uma mudança radical nas relações de trabalho. Yuchan Li, analista da Gavekal baseada em Hong Kong e autora dos cálculos, disse ao Estado por e-mail que “é difícil colocar um prazo definitivo, mas que há sinais de que a revolução já está ocorrendo”. Segundo ela, as mudanças são mais rápidas em alguns países, como a Coreia do Sul, do que em outros.

O movimento é inevitável. De um lado, o esforço de países como a China para reforçar o mercado local, melhorando a renda e as condições de trabalho, acaba elevando os custos da mão de obra. De outro, os robôs acabam sendo beneficiados pela chamada Lei de Moore. Gordon Moore, um dos fundadores da Intel, previu, na década de 1960, que a capacidade dos microprocessadores dobraria a cada dois anos. Isso faz com que os eletrônicos possam ser, a cada ano, mais potentes e mais baratos. E o mesmo acontece com os robôs.

Substituição

A crise global enfrentada desde a quebra do Lehman Brothers ajudou a acelerar o processo, porque forçou as empresas a buscar novas maneiras de reduzir seus custos e melhorar suas magras margens de lucro. Mas são duas tendências estruturais, para as quais não há sinal de alteração no curto prazo, que alimentam o processo: a queda do preço dos robôs e o aumento dos salários, particularmente na China, mas também no Brasil. Marcos Noma, dono da empresa paranaense, conta que os robôs que utiliza chegavam a custar R$ 800 mil há 10 anos e hoje não passam de R$ 200 mil. “Foi isso que permitiu o nosso investimento”, diz.

A queda dos preços globais dos robôs não foi tão significativa quanto relata o empresário brasileiro, mas não deixou de ser relevante. Entre 2000 e 2010, o custo médio de um robô industrial caiu 23%, conforme a Gavekal. A consultoria não possui dados tão antigos para os salários na Foxconn, mas entre 2003 e 2010, a remuneração dos operários da empresa na China cresceu 140%.

Considerada o chão de fábrica do mundo, os custos na China estão subindo porque o país não vai conseguir oferecer trabalhadores suficientes para acompanhar o crescimento da manufatura global, apesar do seu 1,3 bilhão de habitantes. Muitas empresas estão elevando sua produção a uma taxa anual de 10%, enquanto a oferta de trabalho na China cresce apenas 2% – reflexo da política do filho único adotada pelo governo comunista.

A China deve continuar a ser uma grande produtora global de manufaturas, mas é provável que daqui para frente as empresas instaladas no país se dediquem cada vez mais a atender o mercado interno, cujo consumo precisa acelerar para garantir um crescimento sustentável da economia. Empresas americanas e europeias, que produziam na China para atender seus mercados de origem, já começam a fazer o caminho de volta.

Os populosos e pobres países asiáticos, como Vietnã ou Bangladesh, devem ser os mais prejudicados pelas mudanças tecnológicas, mas o Brasil não vai passar imune. Algumas empresas brasileiras começam a recorrer a robôs para melhorar a qualidade e fazer frente a falta de mão de obra qualificada. O grande problema é que a indústria brasileira enfrenta hoje uma séria falta de competitividade, por conta da infraestrutura ruim e da segunda energia mais cara do mundo, o famoso custo Brasil. Com os robôs substituindo chineses, são esses fatores que vão determinar a instalação da indústria global nos novos tempos.

Estratégia

Para Yuchan Li, da Gavekal, a China pode provar, com a automação, que seu diferencial, no mercado mundial, é a capacidade de fabricar em larga escala, e não a mão de obra barata. Além disso, as empresas do país têm a chance de combater a imagem de exploradoras dos trabalhadores, de quem impõe jornadas de trabalho desumanas em ambientes insalubres.

Na semana passada, Tim Cook, presidente da Apple, visitou as fábricas da Foxconn na China. O executivo foi verificar pessoalmente as condições de trabalho nas instalações da fornecedora, e acabou anunciando um acordo para acabar com as ilegalidades apontadas pela Fair Labor Association (FLA), associação independente autorizada pela Apple a avaliar as condições de trabalho nas fábricas chinesas.

O anúncio, no entanto, acabou criando temores de queda de renda entre os funcionários da Foxconn. Muitos acreditam que, sem as horas extras além do que é permitido pela legislação, não vão conseguir se sustentar. De uma forma ou de outra, a fabricante do iPhone e do iPad resolveu tomar medidas para impedir que os problemas da Foxconn acabem prejudicando sua imagem.

No lançamento do novo iPad, um grupo de ativistas foi à loja da Apple na Quinta Avenida, em Nova York, para protestar contra as condições de trabalho na China. No começo do ano, cerca de 150 funcionários da unidade da Foxconn em Wuhan ameaçaram cometer suicídio coletivo, saltando do alto do edifício. Sua exigência era a melhora das condições de trabalho.

Em 2010, pelo menos 18 funcionários da Foxconn tentaram suicídio, com 14 mortes. No ano seguinte, foram mais quatro mortes. A decisão da Foxconn de anunciar um investimento massivo em robôs pode ser vista como uma maneira de enfrentar os custos crescentes da mão de obra, mas também como um jeito de fazer frente a essa situação.

Automação garante padrão de qualidade

Nem todo mundo é Apple. Na verdade, poucas empresas têm a força e a escala da fabricante dos iPads e dos iPhones para buscar fornecedores chineses com garantia de prazo e qualidade. Com o movimento de transferência de produção para a China, nas últimas décadas, as fabricantes chinesas mais bem preparadas estão sobrecarregadas, o que já provoca um movimento de quarteirização, em que o serviço de clientes internacionais pequenos e médios é repassado para fabricantes menores.

Com isso, essas empresas pequenas e médias começaram a receber produtos de qualidade inferior, fora do prazo . “O primeiro e o segundo lotes vêm com a qualidade combinada, mas, daí em diante, começa a haver perdas”, disse Wagner Bello, diretor da Fanuc Robotics do Brasil, subsidiária da empresa japonesa que é uma das maiores fabricantes de robôs do mundo. “Isso incentiva a demanda interna por robôs.”

Reportagem recente da revista Wired mostrou várias empresas pequenas e médias americanas que trocaram a produção na China por uma fábrica automatizada nos Estados Unidos. Uma delas, chamada Sleek Audio, produz fones de ouvido de alto padrão. Apesar de os donos visitarem a cada dois meses o fornecedor em Dongguan para garantir a qualidade, receberam uma encomenda de 10 mil fones de ouvido que precisaram ser descartados, porque não foram soldados da maneira certa, o que levou a milhões de dólares de prejuízo. Em 2010, decidiram transferir a produção para os EUA.

Segundo Bello, esse movimento também acontece no Brasil, em setores como autopeças. “O robô está se tornando extremamente barato”, disse o executivo. “O preço está em 25% do que custava há oito anos.”

Existem máquinas da Fanuc a partir de R$ 50 mil. E o robô ainda serve para resolver outros problemas, como a falta de mão de obra.

Sem citar o nome, Bello afirma que um de seus clientes, do setor alimentício, enfrentava dificuldade de encontrar pessoal para o terceiro turno da fábrica, que funciona 24h por dia. A solução foi comprar robôs. “Estamos quebrando o paradigma de que o robô tira o emprego das pessoas”. diz. No ano passado, o mercado brasileiro de automação industrial movimentou R$ 3,725 bilhões, 15% a mais do que em 2010, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica.

Enquanto os robôs avançam, muitos se perguntam quando vai se tornar realidade o robô doméstico, como a Rosie, empregada dos Jetsons. Durante a Cebit, evento em Hannover, na Alemanha, engenheiros do Instituto de Tecnologia Karlsruhe (KIT, na sigla em alemão), apresentaram um robô capaz de realizar pequenas tarefas domésticas, como colocar a louça na máquina de lavar. A bateria durava somente três horas, e o preço era de 200 mil euros.

O mais próximo que se tem hoje de um robô doméstico comercialmente viável é o aspirador de pó Roomba, que se desloca sozinho pela casa, limpando o chão. “De certa forma, sua máquina de lavar roupas já é um robô”, afirmou Dan Barry, professor da Singularity University, que esteve em São Paulo no mês passado. Segundo ele, o problema é que os robôs ainda são muito lentos. “Não servem para mim ou para você, mas já podem ajudar pessoas com deficiências. Acho que é por aí que vamos desenvolvê-los e barateá-los.”

Rosie, dos Jetsons

Rosie, dos Jetsons

Reportagem que escrevi com a Raquel Landim, publicada hoje no Estadão (“Cada vez mais barato, robô já substitui até trabalhador chinês” e “Automação garante padrão de qualidade“, p. B8).

Foto da Noma: Rafael Silva / Divulgação

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R$ 1 bi da Cisco para o Brasil

  • Por Renato Cruz

Cisco Systems

A Cisco do Brasil, fabricante de equipamentos de rede, vai investir R$ 1 bilhão na construção de um centro de inovação no Rio de Janeiro, segundo apurou o Estado. O anúncio será feito na segunda-feira pelo presidente da empresa, Rodrigo Abreu, na abertura oficial do evento Cisco Plus Brazil, em cerimônia que deve contar com a presença do Ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, e do governador do Estado, Sérgio Cabral.

A nova unidade da empresa vai desenvolver soluções de tecnologia voltadas especificamente às necessidades brasileiras. O investimento pesado será feito ao longo de quatro anos e, segundo fontes, pode ultrapassar o valor fixado, com outros empreendimentos, como expansão da produção e abertura de um fundo de venture capital para economia digital.

A inauguração do novo centro tecnológico está prevista para o segundo semestre deste ano. O projeto se baseará no aprimoramento de soluções para o desenvolvimento urbano. A ideia é que, a partir do ano que vem, agregue também projetos de energia inteligente. Procurada, a Cisco não confirmou a informação.

O Cisco Plus Brazil, que será realizado de segunda a quarta-feira, é o principal evento global para clientes e parceiros da Cisco, que acontece a cada dois anos no Brasil e, pela primeira vez, na cidade do Rio de Janeiro. O encontro tem por objetivo discutir o uso da tecnologia da informação e comunicação para a melhoria da produtividade das empresas públicas e privadas, com fóruns sobre setores como saúde, educação e operadoras de telecomunicações, além de programação técnica para profissionais de tecnologia da informação e telecomunicações.

Presença

Com um faturamento de US$ 43,2 bilhões em 2011, a Cisco é atualmente a maior fabricante de equipamentos para redes de telecomunicações do mundo, à frente da sueca Ericsson e da chinesa Huawei. Além das máquinas que integram as redes de comunicação de dados de operadoras e empresas, a Cisco atua em outras áreas, como roteadores Wi-Fi (com a marca Linksys) e conversores de TV por assinatura. No Brasil, a empresa tem fabricação terceirizada de conversores, também chamados de set-top boxes. Os equipamentos são produzidos pela Jabil, em Manaus.

A Cisco segue uma tendência recente de grandes multinacionais de instalar centros de inovação no País. O Rio de Janeiro tem atraído grande parte deles. Em 2010, a GE anunciou um centro na cidade. Também em 2010, a IBM decidiu instalar um centro no Brasil, dividido entre o Rio e São Paulo.

Existem vários fatores que fazem com que as empresas escolham o Rio de Janeiro. Um deles é a sede da Petrobrás, que acaba atraindo seus fornecedores. Outros são os grandes eventos. O Rio é uma das cidades da Copa de 2014 e sediará os Jogos Olímpicos de 2016.

Fundada em 1984 por um grupo de cientistas da Universidade de Stanford, no Vale do Silício, a Cisco chegou ao Brasil 10 anos depois. A empresa tem escritórios em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Brasília. No mundo, a Cisco tinha mais de 60 mil funcionários no fim do ano passado.

Há duas semanas, a Cisco anunciou a compra da britânica NDS, empresa de software para set-top boxes, por US$ 5 bilhões. O software produzido pela NDS roda nos conversores adotados por companhias como DirecTV, British Sky Broadcasting e Canal Plus. O sistema vendido pela NDS impede que os canais sejam pirateados.

Reportagem que escrevi com a Irany Tereza, publicada hoje no Estado (“Cisco deve investir R$ 1 bilhão no Brasil“, p. B17).

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O desafio do Google+

  • Por Renato Cruz

Google Plus

Ninguém pode acusar o Google de não tentar. A empresa já cancelou cerca de um terço dos produtos que lançou em sua história. O Google Wave – que tinha a pretensão de matar o correio eletrônico e que, no final, ninguém entendeu direito para que servia – foi lançado em 2009 e abortado no ano seguinte.

O Buzz, uma reposta ao Twitter, trouxe à empresa mais reclamações sobre privacidade que audiência. O Orkut continua por aí, mas, se você vivesse fora do Brasil, provavelmente nem saberia do que se trata. Fiz uma visita ao Vale do Silício em agosto de 2011, para fazer uma série de reportagens para o Estadão. Ouvi muito palavras de ordem como “fail fast, fail forward” (fracasse rápido, fracasse adiante). Um dos segredos do sucesso é não ter medo de errar. Outro é aprender com os próprios erros.

O Google aproveitou suas experiências anteriores no Plus, lançado em junho de 2011. Depois dos problemas com o Buzz, a nova rede social reforçou recursos de privacidade, com a divisão dos contatos em círculos e a possibilidade de selecionar com quem se quer compartilhar conteúdo.

Paul Allen, fundador da Ancestry.com (e homônimo do cocriador da Microsoft), divulgou estimativas sobre a audiência do Google+ em dezembro de 2011. Naquele mês, segundo ele, o serviço tinha 62 milhões de usuários, e seu crescimento se acelerava, com 625 mil adesões por dia. Um quarto da base tinha menos de um mês.

Allen estimou que o Google+ atingiria 100 milhões de usuários em fevereiro deste ano e 400 milhões no fim de 2012. O Google não comentou os números. A última informação oficial era de que o serviço tinha ultrapassado 40 milhões em outubro. Quando o Google+ chegar aos 400 milhões, a briga começará a ficar interessante. (O Facebook tinha, no final de 2011, cerca de 800 milhões.)

Mas o desafio do Google+ é maior, pois conseguir engajamento é tão importante quanto adesão. Buscador é um lugar por onde se passa, rede social um lugar em que se fica. Se não conseguir fazer com que as pessoas usem de verdade seu serviço de rede social, o Google corre risco de perder sua posição dominante na internet.

A estratégia do Facebook é simples e ambiciosa: substituir a própria rede, tornar‐se o ponto de  entrada, sem saída, da experiência das pessoas na internet. A relevância do buscador é estatística, vem da rede. O Facebook oferece um jardim murado com curadoria de amigos, tornando a relevância uma coisa mais pessoal. E o Google sabe disso, tanto que
resolveu integrar o que é publicado no Plus aos resultados das buscas.

A experiência (pelo menos até agora) mostrou que rede social tem prazo de validade. (Lembra‐se do Friendster? Do MySpace?) Resta saber se o Google+ conseguirá ter tração suficiente para crescer e se consolidar até um eventual declínio do líder.

* * *

O texto acima é minha contribuição ao livro eletrônico Para entender as mídias sociais vol. 2, organizado pela Ana Brambilla, que foi lançado ontem. Ele pode ser baixado gratuitamente.

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Para entender as mídias sociais

  • Por Renato Cruz

Para entender as mídias sociais 2, organizado pela Ana Brambilla

Será lançado na quinta-feira, dia 29, o livro eletrônico Para entender as mídias sociais vol. 2, organizado pela Ana Brambilla, editora de mídias sociais da Editora Globo e professora de pós-graduação do Senac São Paulo. O e-book estará disponível para download gratuito neste blog.

A Ana escreveu sobre o livro:

“Para Entender as Mídias Sociais Vol. 2 é uma coletânea de artigos assinados por 38 autores voluntários, atuantes no mercado e na pesquisa em mídias sociais. Os temas abordados contemplam comunicação digital, jornalismo, educação, cidadania, gestão e negócios, tecnologia, gadgets e outras esferas impactadas pelas redes de relacionamento. A produção é 100% voluntária e dedica-se, principalmente, a jovens profissionais, assim como estudantes de comunicação que se deparam com o desafio de trabalhar com algo tão novo – e portanto cheio de incertezas – quanto relevante para negócios e relações sociais.”

O evento de lançamento será no auditório do Senac Lapa Scipião, na Rua Scipião, 67, na Lapa, em São Paulo, a partir das 20h. Escrevi um texto sobre o Google+ para o livro e vou participar de uma mesa redonda.

Lançado em abril de 2011, o primeiro volume pode ser baixado aqui.

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TV que entende gestos e fala

  • Por Renato Cruz
TV LED8000, da Samsung

TV LED8000, da Samsung

Os televisores ficaram diferentes. Eles entraram num ciclo acelerado de renovação tecnológica. A cada ano são lançados aparelhos com novas funcionalidades, como acontecem com os celulares e os microcomputadores. A promessa deste ano são novas formas interação. No lugar dos botões do velho controle remoto, reconhecimento de voz e de gestos. Essas novas TVs começam a chegar ao mercado brasileiro nos próximos meses.

Boo-Keun Yoon, presidente mundial de Eletrônicos de Consumo da Samsung, esteve em São Paulo na semana passada. “O Brasil é um mercado em crescimento, com muito potencial”, disse Yoon. A grande aposta da Samsung para o mercado de TV são os aparelhos inteligentes, conectados à internet, que agora conseguem ler gestos e entender comandos de voz.

A chegada ao mercado brasileiro desses modelos, que dizem adeus ao controle remoto, já tem data marcada: 18 de maio. Serão três modelos, com telas de 46, 55 e 65 polegadas. O menor sairá por R$ 7 mil. Um aparelho do mesmo tamanho e mais simples, custa R$ 3 mil. A concorrente LG também colocará no mercado, nos próximos meses, modelos que entendem o que as pessoas falam.

A Samsung batizou a nova interface de “interação inteligente” (Smart Interaction). O reconhecimento de gestos lembra o Kinect, do videogame Xbox 360, da Microsoft. O televisor vem com uma câmera de alta definição e microfones embutidos. Quando o espectador acena para a TV, aparece um cursor e um menu. Mexendo o braço, o espectador controla o cursor e, fechando a mão, clica nos ícones.

Também é possível dizer os comandos. Quando alguém diz “Smart TV”, também aparece o menu. Daí, é só falar o nome do que se quer. A TV tem reconhecimento facial, que não foi demonstrado quando o Estado fez a entrevista com BK Yoon, como o executivo é chamado.

Emoção

“Qual é o objetivo final da televisão?”, perguntou Yoon, retoricamente. “É dar emoção aos consumidores.” As imagens tridimensionais ajudam nesse objetivo, mas, na visão do executivo, o 3D passou a ser somente mais uma funcionalidade da TV inteligente, que tem como principal característica a conectividade.

Para reduzir a angústia do consumidor ante a obsolescência acelerada dos aparelhos, a Samsung incluiu nos novos modelos um “Evolution Kit”, em que um encaixe na parte de trás do televisor permitirá atualizar hardware e software.

O ciclo de troca da TV tem caído. Antigamente, o consumidor levava de oito a dez anos para comprar um equipamento novo. Hoje, esse prazo já caiu para quatro e aficionados por tecnologia chegam a comprar um novo a cada dois anos.

Com o conceito de TV inteligente, conectada à internet e que roda aplicativos, o televisor concorre com vários outros equipamentos. Os mais óbvios são o computador e o celular. Mas consoles de videogame e conversores de TV por assinatura também trazem conteúdo da internet, além de equipamentos especializados como a Apple TV.

“Acontece essa competição”, admitiu Yoon. “Mas, num lar, a TV sempre está no centro da sala. A tela maior permite emoções maiores. Num cenário de mobilidade, entretanto, a TV perde um pouco para outros dispositivos.”

Existe uma grande expectativa dos consumidores para o televisor 3D que não exige óculos especiais. Já existem soluções sem óculos para telas menores, como videogames portáteis e telefones celulares.

“Com a tecnologia atual, não é possível prever quando o 3D sem óculos chegará às telas grandes”, disse o executivo. “A ultra definição pode tornar o 3D sem óculos possível, mas isso dependeria, por exemplo, de novas formas de transmissão do sinal.”

A ultra definição, com a imagem formada por pelo menos duas vezes mais pixels que a atual alta definição, deve chegar ao mercado em dois ou três anos, segundo Yoon.

Mágica

A concorrente LG deu o nome de Magic Motion para o seu novo controle remoto, que chega ao mercado com a linha 2012 de televisores. Ele vem com um microfone, e o aparelho é capaz de converter voz em texto. “Com isso, é possível publicar no Facebook ou no Twitter falando, sem precisar de teclado”, explicou Milton Neto, gerente geral de Smart TV da LG no Brasil.

A data de lançamento no País e os preços não foram definidos, mas a chegada desses modelos é prevista para este semestre. O reconhecimento de movimento da LG será oferecido em um acessório para a TV, que deve ser lançado no Brasil até o fim do ano.

Segundo Milton Neto, 20% dos televisores vendidos no Brasil já são aparelhos inteligentes. Até o fim do ano, essa participação deve dobrar.

Foto: Divulgação

No Estado de hoje (“Chegam as TVs que entendem gestos e fala“, p. N3).

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A startup da Jessica Alba

  • Por Renato Cruz
Jessica Alba, presidente da startup The Honest Company

Jessica Alba, presidente da startup The Honest Company

Uma startup comandada pela atriz Jessica Alba recebeu investimento de US$ 27 milhões. Os investidores – General Catalyst Partners, Lightspeed Venture Partners e Institutional Venture Partners – têm em seu portfolio empresas como Twitter, Zynga e Netflix.

A Honest Company, fundada pela atriz, vende pela internet produtos para bebês, como fraldas, xampus e sabonetes, com o compromisso de respeitar o ambiente.

Via Mashable.

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Museu das telecomunicações

  • Por Renato Cruz

Museu das Telecomunicações, no Oi Futuro

O Museu das Telecomunicações, na Oi Futuro, no Rio, foi renovado. Ele ganhou equipamentos ativados por gestos e sensíveis ao toque. As placas informativas foram substituídas por tablets. O museu foi reaberto ao público hoje, 25 de março.

Na Máquina do Tempo, é possível tirar uma foto num cenário virtual, com imagens do Rio antigo, e enviá-la para redes sociais e endereços de correio eletrônico. A história da internet pode ser conhecida numa mesa sensível ao toque.

Inaugurado em 2007, o museu recebe cerca de 70 mil visitantes por ano. Ele  funciona de terça a domingo, das 11h às 17h, e a entrada é gratuita.

Museu das Telecomunicações, no Oi Futuro

Fotos: Ana Andrade / Divulgação

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Loja Android que vende Apple

  • Por Renato Cruz

Loja Android, na China

Brian Glucrof descobriu em Zhuhai, na China, uma loja Android que também vende iPhones.

Obviamente, não é oficial.

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Livros sobre mídias sociais

  • Por Renato Cruz

Mídias sociais... e agora?, da Carolina TerraBlogs Corporativos: modismo ou tendência?, da Carolina Terra

Carolina Terra, professora da Fecap, lança quarta-feira, dia 28, o livro Mídias Sociais… e agora? e a segunda edição de Blogs Corporativos: Modismo ou Tendência? (Difusão Editora/Editora Senac Rio) na Fnac do Shopping Morumbi, a partir das 19h.

O livro Mídias Sociais mostra como essas tecnologias podem ser usadas em empresas, incluindo ferramentas de análise criadas pela autora para desenvolver projetos nessa área.  Em Blogs Corporativos, Carolina mostra como as mídias sociais ampliam o diálogo das empresas com seus públicos, dando origem a um ambiente de interatividade e colaboração nos negócios.

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