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O impacto do dólar nas empresas

  • Por Renato Cruz

A alta assustadora do dólar na semana passada paralisou a indústria e o comércio. Sem parâmetros de onde a moeda americana poderia chegar, as empresas evitaram colocar pedidos de compra e venda. Para piorar a situação, os bancos restringiram as linhas de crédito para capital de giro e para o comércio exterior. Várias empresas anunciaram férias coletivas na tentativa de ganhar tempo até que o mercado se estabilize. Em apenas uma semana, o dólar subiu 13,5% e fechou cotado na sexta-feira a R$ 2,32.

“Infelizmente, mais uma vez, a economia real foi totalmente contaminada pela economia financeira. Há uma crise de crédito mais ampla, porque um banco não acredita em outro”, afirma Humberto Barbato, presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). O setor eletroeletrônico é um dos mais afetados pela crise porque depende do crédito para que os seus produtos cheguem ao consumidor e a maior parte da sua matéria-prima é importada.

O medo de ter as margens de lucro reduzidas por causa da alta do dólar fez com que muitas indústrias paralisassem a produção e as vendas. O pólo de Manaus (AM) é um exemplo de como o câmbio prejudicou a vida das empresas. Segundo a secretária geral do Sindicato dos Metalúrgicos da Manaus, Dulce Sena, pelo menos oito das maiores empresas dos setores eletroeletrônico e de motocicletas decretaram férias coletivas para 15 mil trabalhadores entre os dias 20 e 30 deste mês.

“Todas empresas apontaram a crise como o motivo da paralisação”, diz Dulce. Ela observa que, entre oito companhias, estão as fabricantes de motos Yamaha e Honda, sendo que esta última nunca deu férias coletivas. “A preocupação maior é que cada fabricante de moto tem mais de uma dezena de fornecedores e as férias coletivas podem criar um efeito de paralisação em cascata.”

Mais informações no Estado de hoje, 12/10 (“Disparada do dólar paralisa empresas“, p. B8).

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