Não pode ir? Mande o robô
- 11 de setembro de 2011|
- 13h19|
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- Por Renato Cruz
Se você precisa participar de uma reunião de trabalho e não consegue ir ao escritório, pode assumir o controle de um robô que já esteja por lá e interagir com as pessoas como se estivesse presente. Essa é a proposta da Anybots, que desenvolveu um robô de telepresença chamado QB e controlado via internet.
Com conexão wi-fi, o robô tem câmeras, caixa de som e microfones, além de uma pequena tela na testa que pode exibir as imagens de uma webcam. Sua altura é ajustável. Pesando 16 quilos, não possui braços, e se locomove sobre duas rodas, com estabilidade comparável ao patinete motorizado Segway. A velocidade chega a 5,5 quilômetros por hora.
Cada robô custa US$ 15 mil e, depois de encomendado, leva duas semanas para ficar pronto. A Anybots foi fundada em 2001 por Trevor Blackwell (foto), um pioneiro da internet. Na década de 90, ele criou a Viaweb, empresa adquirida pelo Yahoo em 1998, dando origem ao Yahoo Store. Ele também é fundador da Y Combinator, que investe em empresas de tecnologia em estágio inicial. A Anybots compartilha o endereço, no número 320 da Pioneer Way, em Mountain View, com a Y Combinator.
“Começamos em 2001 com uma ideia muita ampla, de que robôs haviam se tornado tecnologicamente possíveis e poderiam ser muito úteis em residências e escritórios”, disse Blackwell. O primeiro protótipo tinha mãos. As tentativas iniciais, que não chegaram ao mercado, eram robôs maiores e mais pesados.
Blackwell imaginou que os robôs seriam importantes durante toda a sua vida. “Fico meio surpreso de que não existam muitos robôs em escritórios”, disse o fundador da Anybots. “Está começando agora a acontecer em uma escala maior. Há dois anos, não havia nenhum robô que poderia ser comprado para o escritório. Agora existe o QB e outras empresas têm robôs para escritórios. Vai acontecer muita coisa em dois ou três anos.”
Em casa, diz Blackwell, o robô pode ser um guarda que trabalha 24 horas. “Às vezes, você precisa deixar alguém entrar em casa, para consertar a TV a cabo ou o telefone, e o robô pode garantir a segurança. No futuro, o robô poderá fazer cada vez mais coisas em casa.”
No Japão, existem robôs sofisticados, que costumam ser muito caros para o uso doméstico. O Asimo, da Honda, não está à venda, e custa US$ 1 milhão para ser produzido. Na visão do fundador da Anybots, o mercado de robôs será parecido com o de carros. “As pessoas que têm dinheiro vão gastar US$ 100 mil por um modelo bem legal, mas haverá outros bastante baratos.”
Blackwell diz aplicar sua experiência de internet na Anybots: “Robôs e internet não são tão diferentes. Muitas coisas interessantes são software. Os desafios de projeto exigem software confiável e que faça muitas coisas. Não é tão diferente.”
Qual é o maior erro que uma empresa iniciante deve evitar? “Criar algum produto que seja legal, mas não necessário”, diz o fundador da Anybots. E o que é importante fazer? “Observar os consumidores. Não é suficiente perguntar o que eles acham do produto. É preciso analisar como usam. Os consumidores não costumam ter habilidade de explicar os problemas que enfrentam, mas esse não é o seu trabalho.”
Num episódio da série The Big Bang Theory, o físico Sheldon Cooper cria um robô para não ter de sair de casa. Os produtores chegaram a falar com a Anybots, mas acabaram usando o modelo de um concorrente, provavelmente porque não seria muito verossímil mostrar o QB como uma máquina feita em casa e porque um modelo com tela maior aparece melhor na televisão.
No Estado de hoje (“Não consegue ir? Manda o robô no lugar“, p. B15).
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