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Função de cópula gaussiana

  • Por Renato Cruz

Wired 17.03

De quem é a culpa pela crise? Do consumismo desenfreado que levou a sociedade americana a contrair dívidas várias vezes acima de sua capacidade pagamento? Da ganância dos bancos, que buscaram ganhos a qualquer preço? Da omissão das autoridades monetárias, que deixaram a bolha de crédito se expandir e não acompanharam com a atenção devida o que acontecia nos mercados? Da nova etapa da globalização, surgida no bojo do desenvolvimento tecnológico, que permitiu ao dinheiro rodar o mundo sem barreiras, tornando obsoleta qualquer forma de controle? Não há, claro, uma só resposta. Mas, segundo a revista americana Wired, a maior culpada é uma fórmula matemática.

O nome dela é função de cópula gaussiana (em estatística, cópula que dizer outra coisa: a combinação em um único número do comportamento de duas ou mais variáveis). Criada por David X. Li, economista chinês com doutorado em estatística pela Universidade de Waterloo, no Canadá, e publicada pela primeira vez em 2000, ela foi vista como uma forma simples de se tratar um problema complexo: como calcular o risco de um conjunto de financiamentos garantidos por hipotecas.

A fórmula criada por Li permitiu que os bancos revendessem as dívidas para terceiros, reempacotando hipotecas de alto risco em papéis que chegavam a ser considerados de risco zero (ou triplo A, nome dado pelas agências de classificação). Isso criou uma euforia no mercado, que negociou trilhões de dólares em papéis que ofereciam retorno alto e comissões gordas, sem ameaça de calote, atraindo investidores conservadores como fundos de pensão.

Mas a fórmula tinha um problema. Para avaliar o risco, ela tomou como base o comportamento histórico dos seguros contra inadimplência de hipotecas, que era bastante recente, com menos de 10 anos. Na última década, o mercado imobiliário americano só subiu e, por causa disso, os dados não mostravam o que poderia acontecer com a inadimplência se os preços começassem a cair.

Mais informações no Estado de hoje, 15/3 (”A fórmula que destruiu Wall Street“, p. B11).

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7 Comentários Comente também
  • 16/03/2009 - 06:37
    Enviado por: Jonas Paulo Negreiros

    Será que se programarmos um robot com esta fórmula, ele passará agir como um especulador?

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  • 18/03/2009 - 09:12
    Enviado por: José Speridião Junior

    A fórmula pode ter sido usada mas o cometimento de estelionato com a conivência dos órgãos responsáveis pelo controle das operações tem mais a ver com a índole criminosa do que com matemática. Entendo o criminoso como um micróbio numa plaqueta de laboratório com caldo de cultura. Se o caldo de cultura é favorável o micróbio cresce e se reproduz. A vontade de crescer e reproduzir portanto lhes são naturais mas precisa para tanto existir o caldo de cultura e este foi fornecido por aqueles órgãos por sua omissão e talvez em alguns casos até por estímulo, no caso americano do norte.
    PORTANTO ATENÇÃO AO EFEITO EM CASCATA DEGENERADOR DAS GERAÇÕES QUE NOS SUCEDEM: AO DIZER QUE O USO DE UMA FÓRMULA É QUE CAUSOU TUDO ISSO É UMA TREMENDA IMPROPRIEDADE pois a matemática não é o agente ativo e sim os que dela podem ter usado como meio para justificar seus delitos. No caso dos americanos, o grande golpista Madorf, réu confesso, poderá ser condenado a até 150 anos de cana. Infelizmente aqui no Brasil pedem para acusar o delegado que desvendou operações típicas de quadrilha. Como vemos o problema NÃO ESTÁ NA MATEMÁTICA.

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  • 18/03/2009 - 15:43
    Enviado por: maluco

    humm..cópula…matemática passiva…sei !

    a lógica da politica nacional é não ter lógica, nem politica nacioal…

    acusa-se o investigador porque se ele fosse rico não seria invetigador…seria o acusado…

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  • 18/03/2009 - 19:14
    Enviado por: Jonas Paulo Negreiros

    O comentário do Sr. Speridião Jr me fez lembrar de uma passagem na vida de Fleming, cientista britânico.

    Durante a inauguração de um novo laboratório, o cientista ouviu o seguinte comentário:

    “Se em seu precário laboratório, Fleming fez tantas descobertas, imagine agora nestas nessas modernas instalações…”

    Ao que Fleming respondeu:
    Alguma coisa, talvez. Mas não a penicilina…”

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  • 22/03/2009 - 09:23
    Enviado por: ARIOVALDO BATISTA

    Caro Renato Cruz, a culpa não é de fórmula nenhuma, apesar de que os efeitos podem ser calculados por qualquer fórmula, até uma simples aritmética! É por aí que se enganam os economistas prêmios Nobels.

    Estamos num “mundo capitalista”, gerido por sistema feudal ou tribal de administração
    Imagine um “Fórmula 1″, que é o sistema capitalista de produção, que não é regime de procaria nenhuma, dirigido por um “condutor de Ford T ou um carroceiro”. É só trombada e acidentes a todo instante.
    Aí está a casua das crises, de todas, imbecis imorais e anti-éticos, dirigindo um fórmula 1! O capitalista é o condutor de Ford T e o comunista é um carroceiro. Ainda se salvam os “milicos do mundo todo” que se qualificam para dirigir aviões a jato, e não se metem a dirigir Fórmulas 1, e quando se metem, se esborracham também!!

    arioba.

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  • 22/03/2009 - 20:43
    Enviado por: Uber

    Mais um produto chinês que deu defeito…

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  • 23/03/2009 - 09:30
    Enviado por: Kiki

    A culpa é de novo da sociedade: a ciência sempre está aberta a contestação, mas a contestação “oh, mas está errado” veio depois da crise (o modelo considerou só 10 anos).

    Havia pelo menos milhares de pessoas com 3o. grau e que deviam ter espírito crítico para avaliar melhor a pesquisa e “fazer melhor”. Se não tem espírito crítico, então não adiantou fazer faculdade. Claro que quem percebeu a limitação da pesquisa não foi na onda e ainda mantem seus bilhões, sem pedir ajuda a qquer governo.

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