Empresas latino-americanas
- 21 de fevereiro de 2010|
- 16h19|
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- Por Renato Cruz

A América Latina concentra 10% da população do planeta e produz 5% da riqueza mundial, mas somente 2,5% das mil maiores empresas têm sede na região. Por que a América Latina produz tão poucas companhias globais? Para Paulo Roberto Feldmann, professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo, essa situação é consequência da forma como as empresas na região são administradas.
Um dos exemplos é a relação entre as companhias latino-americanas e os governos. “O empresário latino-americano está sempre a fim de pleitear favores”, disse Feldmann, que lança amanhã o livro Empresas Latino-Americanas: Oportunidades e Ameaças no Mundo Globalizado (Atlas), na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo, partir das 18h30.
Segundo o professor, existe uma tendência na América Latina de se conseguir vantagens do governo, como redução de impostos, reservas de mercado, juros subsidiados ou até mesmo desvalorização cambial, para vencer a briga com competidores. Essas vantagens, no entanto, são momentâneas, e não tornam as empresas mais eficientes na briga pelo mercado internacional.
Por meio de seu relacionamento com o governo, as empresas muitas vezes conseguem perpetuar situações de monopólio ou oligopólio. Recentemente, tem ganhado força o discurso sobre a necessidade de se criar campeões nacionais, para brigar no cenário mundial. Feldmann destacou, no entanto, que um movimento desse tipo deve ter como ponto de partida uma política pública bem definida, com regras estabelecidas. “Se não for assim, a ação do governo abre até espaço para acusações de favorecimento de determinados empresários”, explicou o professor.
O movimento de fusões e aquisições, que poderia levar à formação natural desses campeões nacionais, ainda é pequeno na região. Na visão de Feldmann, isso se deve à características de gestão de empresas da América Latina. Normalmente, elas têm um dono bem definido, diferentemente dos grandes grupos americanos, de capital pulverizado. “O empresário latino-americano não gosta de compartilhar o controle”, disse ele. O fato de que muitas vezes os maiores acionistas são ao mesmo os dirigentes da empresa acaba reduzindo a pressão para que a operação se torne mais eficiente.
Em seu livro, Feldmann mapeou os setores em que estão as 100 maiores companhias latino-americanas. Dez delas atuam em alimentos e bebidas, nove em petróleo e gás, sete em finanças, sete em química e farmacêutica e sete em serviços públicos. “As empresas latino-americanas são muito dependentes de fatores como mão de obra barata e recursos naturais”, diz o professor. “As grandes costumam estar em setores do século 19, e não do século 21.” Ele citou como exceção as brasileiras Embraer e Weg. A Positivo Informática, maior fabricante de PCs do Brasil, não está entre as 100 maiores.
O foco da empresa latino-americana em tirar vantagem dos recursos naturais abundantes, mão de obra barata e benesses do governo acaba fazendo com que haja um investimento baixo em pesquisa e desenvolvimento. Em 2007, a América Latina investiu 0,56% de seu Produto Interno Bruto em pesquisa, comparados a 2,2% da média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
“Além de gerar pouco conhecimento, as empresas latino-americanas têm dificuldade em utilizar o conhecimento existente”, disse Feldmann, para que um setor prioritário deveria ser a biotecnologia, pois permitiria usar a abundância dos recursos naturais como vantagem em um setor de conhecimento intensivo.
Feldmann foi executivo de grandes multinacionais, como a consultoria Ernst & Young e a Microsoft. Quando estava na maior empresa de software do mundo e visitava a matriz, em Redmond, nos Estados Unidos, costumava dizer para seus colegas: “O Brasil é diferente”. “Alguns achavam graça e já diziam nas reuniões, antes de mim, que o Brasil é diferente”, afirmou o professor. “Mas é diferente, e a gente pode dizer, da mesma forma, que a América Latina é diferente.”
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21/02/2010 - 16:57 Enviado por: leandro santos
Por que as maiores companhias mundiais são americanas,japonesas ou europeias? As brasileiras onde estão? O nosso governo anda fazendo o que,além de pensar somente em arrecadar mais e mais impostos…
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