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A imprevisibilidade do código

  • Por Renato Cruz

George Dyson, autor do livro Turing's Cathedral

No livro Turing’s Cathedral, o historiador George Dyson (foto) conta como os matemáticos John von Neumann e Alan Turing lideraram a criação de um dos primeiros computadores, o Maniac (sigla em inglês de Analisador Matemático, Integrador Numérico e Computador) no Instituto de Estudos Avançados de Princeton, em Nova Jersey, lançando as bases da computação moderna.

“As duas tecnologias mais poderosas do século 20 – a bomba nuclear e o computador – foram inventados ao mesmo tempo e pelo mesmo grupo de pessoas”, escreveu Kevin Kelly, que entrevistou Dyson na Wired. Filho do físico teórico Freeman Dyson, que trabalhava no instituto, o escritor acredita ser impossível um governo ou empresa controlar totalmente a vida digital das pessoas:

“Turing, como um estudante de pós-graduação de 23 anos, derivou os princípios da computação moderna mais ou menos por acaso – como um subproduto de seu interesse em algo que se chama Entscheidungsproblem, ou Problema de Decisão. O problema pode ser apresentado da seguinte forma: existe uma fórmula ou processo mecânico que pode decidir se uma sequência de símbolos é logicamente provável ou não? A resposta de Turing foi não. Ele redefiniu a resposta em termos computacionais, ao mostrar que não existe uma maneira sistemática de dizer previamente o que determinado código fará. Não é possível prever como um software vai se comportar inspecionando-o. A única maneira de dizê-lo é colocando-o para rodar. E essa imprevisibilidade fundamental significa que nunca haverá uma ditadura digital completa com um governo ou empresa – não por causa da política, mas por causa da matemática. Sempre haverá códigos que farão coisas imprevistas. Por causa disso o universo digital nunca será um parque nacional; ele sempre será uma selva indomesticada e imprevisível. E isso deve ser tranquilizador para nós.”

Foto: Jamesmorrison / Creative Commons

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