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Um bipe que pegava até na Baixada Santista

11 de julho de 2012 | 19h46

Giovana Nunes

::BAÚ TECNOLÓGICO::

Por Nayara Fraga

bau_pager_1.jpg

A única forma que a mãe de Leonardo Matsuda tinha para achá-lo 15 anos atrás era por meio de um aparelho que hoje só os acima de 30 anos de idade conhecem de verdade: um pager. Conhecido também como bipe, o dispositivo móvel, que cabe na palma da mão, funcionava apenas como um receptor de mensagens. “Tinha de procurar o orelhão mais perto para retornar o contato.”

Na época, além de Matsuda, apenas um colega (filho de um vereador de Guarulhos) tinha um bipe na classe. Era um artigo de luxo cujo principal objetivo era dar aos pais uma forma de tentar rastrear os filhos. Para enviar o recado, era preciso ligar para uma central, passar o código do aparelho e ditar o texto a uma atendente. (Este curta-metragem mostra um pouco do funcionamento de uma central.)

Matsuda, sempre ligado às novidades tecnológicas, insistiu com o pai para ter um pager quando viu o Motorola Advisor em uma loja que ficava embaixo do consultório de seu dentista. O vendedor dizia que o bipe pegaria “até na Baixada Santista”, e ele achou um barato (apesar de nunca ter usado o aparelho na região, uma vez que sempre viajava acompanhado dos pais).

O termo pager, aliás, vem do verbo pajear (page, em inglês), que significa vigiar criança, conta o colunista do Estado Ethevaldo Siqueira. “Como não havia telefonia móvel e internet, ele (o pager) era muito usado. Médicos, bombeiros, vendedores e repórteres tinham de ter o seu bipe para serem localizados no trabalho de campo. É um serviço típico dos anos 1970, quando o mundo era analógico”.

A Motorola produziu seu primeiro pager em 1956, segundo a assessoria de imprensa da empresa, que não soube dizer o ano em que o pager de Matsuda foi fabricado ou quando os bipes deixaram de ser produzidos. Mas tudo indica que eles começaram a sair de cena no Brasil em 1990, com a chegada do celular analógico.

Matsuda, que acredita ter ganhado o seu em 1996 ou 1997, diz se lembrar de promoções nos postos de combustíveis que prometiam entregar ao cliente um pager no caso do abastecimento de uma certa quantidade de gasolina. No Acervo do Estado, um anúncio de 2 de maio de 1996 vende o pager como um complemento do celular: “Com o Pager, você terá em suas mãos o poder da informação e ainda otimizará o uso do seu celular, usando-os em conjunto”.

Houve várias centrais de bipe, segundo Ethevaldo. A Motorola fornecia a tecnologia, mas não operava todos os serviços. À época, algumas das empresas de “paging” eram Teletrim, Mobitel e Conectel.

O colunista do Estado conta que o pager passou por três etapas. No início, o equipamento recebia apenas um sinal – a pessoa tinha de ligar para a central, dizer o número de sua matrícula, e a atendente checava qual era a mensagem (por exemplo, “estão te chamando no hospital”). A segunda fase foi o pager com display, que exibia mensagens enviadas por meio da central. E a terceira etapa foi o pager de voz, em que a pessoa ouvia uma mensagem gravada, como se fosse uma caixa postal.

O sistema de localização foi considerado revolucionário na época. “Ele foi bem notado aqui (no Brasil). Era até um símbolo de status: ‘Liga para o meu bipe’”, conta Ethevaldo.

Apesar de funcionar até hoje (com pilhas), o pager de Matsuda está encostado há muito tempo, obviamente. Ele acha que usou o aparelho durante três ou quatro anos apenas. “Só guardo porque… Não vou me desfazer dele”.

Hoje com 30 anos, Matsuda confessa que se sentia “o máximo” com o pager no bolso da calça – ainda mais um que funcionava na praia, como disse o vendedor. Pena que ele não chegou a viajar sozinho para testar serviço fora de Guarulhos. “Essa é a frustração da época”, brinca.

O pager está guardado na agência de comunicação onde ele trabalha, numa gaveta em que a equipe do escritório mantém produtos antigos.

bau_pager2.JPG

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O Baú Tecnológico é um espaço para você compartilhar a lembrança daquele eletrônico que você tanto amou (ou odiou). Tem até hoje um celular tijolão? Um rádio capelinha? Um Super Nintendo? Um Tamagotchi? Um Pense Bem? Compartilhe seu saudosismo com a gente. Leonardo Matsuda compartilhou conosco seu antigo pager. Se você tem alguma sugestão, envie e-mail para nayara.fraga(arroba)grupoestado(ponto)com(ponto)br. O Baú é publicado neste blog a cada 15 dias. Até a próxima quarta-feira.

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