De Ronaldo pai para Ronaldo filho: um Telejogo em perfeito funcionamento
13 de junho de 2012 | 13h14
Nayara Fraga
:: BAÚ TECNOLÓGICO::

Pã, pã, pã, pã… O tempo todo. No videogame Telejogo, da década de 1970, nenhuma música entretinha o jogador. O único barulho era o da bola nas três modalidades disponíveis: Futebol (veja no vídeo abaixo), tênis e paredão, na qual o objetivo era apenas arremessar a bola contra a parede. Os jogadores eram tracinhos e dois botões giratórios equivaliam aos controles.
O console — hoje uma simplicidade em que nenhum adolescente habituado com Angry Birds deve achar graça — era um sucesso. Ronaldo Pinto Coelho Mendes, em seus quase 20 anos de idade na época, juntou o dinheiro que recebia trabalhando na loja de móveis do pai só para comprar um Telejogo na loja de eletrônicos da cidade de Pará de Minas, a 80 quilômetros de Belo Horizonte. Diante da TV, com os amigos da escola, a casa virava uma festa.
Quase quarenta anos se passaram, e a lembrança de Mendes, agora com 59 anos de idade, continua vivíssima — no pensamento e em matéria. Ele guarda até hoje, na estante da sala, um Telejogo em perfeito estado de funcionamento. “A gente não tinha muita opção de presente, né? Então sempre cuidamos muito bem dele”. O brinquedo só podia ser usado nos fins de semana, como ditavam as regras do pai.
Mendes não só cuidou, como passou o console para os filhos. Quando outros videogames já entravam em cena, sua casa ainda agitava com o Telejogo. “Eu e meu irmão jogamos muito o Telejogo. Sou o caçula da casa e lembro que jogávamos nos sábados à tarde e ainda dava até briga para ver quem ia começar”, conta o filho Ronaldo Faria Mendes, hoje com 27 anos, em e-mail enviado ao Radar Tecnológico.
Foi ele quem entrou em contato com o blog para compartilhar a história que sua família viveu com o Telejogo, depois de ler o post da seção Baú Tecnológico da quinzena passada, que falava de um StarTAC em seus últimos dias. Ele tinha mais ou menos 6 anos quando começou a brincar com o console, quando já existiam também o Mega Drive, da Sega, o PlayStation 1, da Sony, e o Super Nintendo, da Nintendo. “Achava tudo de bom!”
Ronaldo, o pai, não sabe precisar a data em que comprou o Telejogo. Só lembra ter sido motivado por um anúncio do videogame no jornal e ter parcelado o pagamento. Mas, se os pequenos detalhes ficaram para trás, o produto continua a existir. “Tá zeradão”, diz ele, todo orgulhoso.
Ronaldo pai e Ronaldo filho tiraram fotos e gravaram vídeos para comprovar o funcionamento do antigo Telejogo da casa. Na imagem que abre este post, dá para ver até um pouco de poeira. Ou seja, o console funciona, mas está encostado. Todos já estão grandes o suficiente. Aliás, Ronaldo pai, que recebeu a loja de móveis de seu pai, já a passou para seus filhos. E o velho videogame está lá.
Passar para frente o Telejogo também? “Pode ser uma boa para quem gosta de colecionar, né? Estou aberto a propostas”, brinca o pai. “Ah, avisa aí também que eu tenho 22 discos originais do Elvis!” O filho consente. “Concordo, uai. O videogame é dele. Se ele quiser vender….”, diz.
Ronaldo Faria Mendes gravou este vídeo para mostrar o barulho que a bola fazia. O jogo em questão é o futebol.
Philco

O Telejogo foi comercializado no início dos anos 1970 pela Philco, na época controlada pela Ford. Em 1989, a Itautec adquiriu da Ford o controle da Philco no Brasil. Até a redação deste texto, o Radar Tecnológico não encontrou nenhum engenheiro ou executivo que participou da história do Telejogo. Se você trabalhou na empresa nessa época e tem algum dado interessante para compartilhar (por exemplo, quantos Telejogos foram vendidos) conte para nós.
O sucessor do Telejogo foi o Telejogo II, que vinha com dez jogos, sete a mais que a primeira geração do console. Um anúncio no Estado, de 25 de novembro de 1979, divulgava o lançamento do Telejogo II, vendido a 5.290 cruzados novos (veja acima).

O Baú Tecnológico é um espaço para você compartilhar a lembrança daquele eletrônico que você tanto amou (ou odiou). Tem até hoje um celular tijolão? Um rádio capelinha? Um Super Nintendo? Um Tamagotchi? Um Pense Bem? Compartilhe seu saudosismo com a gente. Envie e-mail para nayara.fraga(arroba)grupoestado(ponto)com(ponto)br.
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