Jovens cercam investidor na Campus Party
11 de fevereiro de 2012 | 10h40
Nayara Fraga

Investidor Carlos Guillaume (esq.) conversa com Bruno, da startup Spleeps
Não foi tão fácil ter uma conversa com Carlos Eduardo Guillaume, diretor executivo do fundo Confrapar, na Campus Party. Depois da mesa-redonda Como criar startups de tecnologia no Brasil, realizada na sexta-feira, mais de dez jovens se aproximaram do investidor ao mesmo tempo. Estavam ávidos para desabafar suas ideias empreendedoras a quem avalia, de forma nua e crua, onde aplicar o dinheiro.
Sob um calor que dava sensação de 40°C, Bruno Barazzutti, de 25 anos, esperou mais de meia hora até poder falar efusivamente da Spleeps, rede social para marcação de jogos (de pôquer a golfe, no mundo físico). “A gente tem o site Batebolando, que tem a mesma ideia, mas é mais focado em futebol e grupos; o que vamos tocar em conjunto com esse novo site, que é uma evolução do Batebolando”, embala o rapaz num ritmo acelerado, sem respirar, pouco antes de iniciar a conversa com Guillaume.
Bruno fala mais que o investidor. E gesticula também, quase atingindo o rosto de Guillaume. É pura empolgação, apesar das palavras realistas que recebe. Da fileira de trás, ouvia-se “continuo achando fraca”, “não, não”. Mas o dedo de Bruno — que trancou a faculdade de administração em nome de seu empreendimento — continuava a trabalhar sobre o tablet.
Ele explicava que o nome Spleeps é uma junção das palavras Sport, Play e Peep (de People). Caindo o p, vira sleep, o mesmo que dormir, em inglês, observa o investidor em conversa com a repórter, mais tarde.
Assim como as ideias dos outros jovens que abordaram Guillaume, a de Bruno também era boa. “Toda ideia tem muito potencial, mas precisa ser trabalhada”, diz o investidor. E trabalhada, para ele, significa conseguir executá-la da forma correta e no tempo certo. O Google não foi o primeiro site de buscas do mundo, nem o Facebook foi a primeira rede social a aparecer na web, lembra Guillaume. “Mas eles foram os melhores”.
É por isso que o investidor defende um ponto de vista que fez garotos e garotas se sentirem um pouco desconfortáveis nas cadeiras: “A inovação é um problema”. Isso porque, se o projeto do jovem empreendedor for realmente uma novidade, pouco tempo depois vai aparecer uma ideia semelhante. E, caso não haja capital para concretizar o projeto, ele morre — e um semelhante nasce. “A execução é que é importante”.
Guillaume é um dos 23 autores do livro Empreendedorismo inovador – como criar startups de tecnologia no brasil, que explica desde como se encontra o setor até como apresentar um projeto ao investidor. Participam da obra profissionais de universidades, fundos de investimento e empresas que lidam dia a dia com esse mercado. O curador do livro é Nei Grando, referência nacional em gestão negócios e tecnologia e autor do neigrando.blog.br.
E você, já pensou em criar a própria startup? Veja as dicas do diretor executivo e sócio-fundador do fundo de investimentos Confrapar, Carlos Eduardo Guillaume:
1 – Procure um sócio
2 – Gaste um dia pesquisando no Google, em inglês, empresas que fazem o mesmo que você faz. Você vai encontrar, o que é uma notícia ruim e boa também, porque mostra que sua ideia é viável e pode lhe dar inspirações para você se diferenciar.
3 – Comece! Dedique-se ao seu negócio. Se o seu pai vai te dar um carro, fale que quer dinheiro no lugar do carro. Se tem tio rico, converse com ele. Bata na porta de um investidor.
4 – Tenha uma frase para a sua empresa. É preciso definir seu negócio de forma clara.
5 – Não ache que sua ideia é única. Se você acredita que sua ideia vale mais que todas, pode voltar para a faculdade.
6 – Não busque dinheiro só por buscar. Procure com quem entenda de tecnologia e possa compartilhar desafios com você.
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Ola Bruno, somos investidores e podemos analisar o seu projeto. jpaiva@mmitsubishicorp.com