‘Brasil tem chance de ouro, que não é eterna’
17 de outubro de 2011 | 7h00
Nayara Fraga
Entrevista – Pablo Larguía, fundador da Rede Innova

José María Figueres, presidente da Rede Innova, e Pablo Larguía, fundador da Rede Innova
Cansado de participar de conferências de tecnologia na Europa que pouco falam sobre a América Latina, o argentino Pablo Larguía – fundador do site de empregos Bumeran.com – criou sua própria conferência em 2009. Para isso, contou com a ajuda de José María Figueres (ex-presidente da Costa Rica e ex-CEO do World Economic Forum), hoje presidente da Rede Innova.
Depois de duas edições em Madrid e duas em Punta del Este, nos dias 29 e 30 de novembro ele traz o evento ao Brasil, país em que o “setor tecnológico é muito mais evoluído que muito lugar europeu”. Leia abaixo a entrevista completa que ele concedeu ao Estado em São Paulo — publicada no caderno de Negócios desta segunda-feira, 17 de outubro.
Como você vê a área de tecnologia no País?
Quando falamos de negócios baseados na internet, o Brasil é o mercado mais importante do mundo, principalmente se você é um investidor americano.
Por quê?
Entre os Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), ele é o mais ocidentalizado, onde é mais fácil se entender com as pessoas. Do ponto de vista do mercado, para empresas como Foursquare e Twitter, por exemplo, o Brasil é o país com mais usuários depois dos Estados Unidos. Conta também a favor a força no e-commerce. Tenho um amigo que abriu um site de compras coletivas no México e no Brasil. Em um ano, a receita dele aqui foi quatro vezes maior que a de lá. O Brasil tem uma oportunidade de ouro, que não vai durar toda a vida.
Você vive há dez anos na Europa. O que o Brasil tem de diferente?
O mercado europeu está saturado. Aqui, o acesso à internet cresce continuamente e o setor de tecnologia fica mais sofisticado. Vejo profissionais bem formados e com mais conhecimento. Mas falta visão de negócios. Faltam empresas brasileiras fundadas por brasileiros que alcancem mais que América Latina.
Quais mudanças no mercado de tecnologia você vê nos próximos anos no Brasil?
Não só no Brasil, mas no mundo, acredito que vamos passar por uma transformação significativa na área de educação. Hoje, os alunos ainda aprendem como nós aprendemos. Mas isso deve mudar, porque os dispositivos móveis são a extensão do cérebro. Crianças de três anos tocam em tela de TV como se fosse um iPad, pois já lidam com os equipamentos de uma maneira tátil. O que ocorre é que, se crianças conseguem chegar a aplicativos que querem com o toque dos dedos, o pensamento começa a se estruturar de uma maneira diferente, que não é linear. Isso vai causar um impacto grande na indústria da tecnologia no decorrer do tempo — e vai abrir novos horizontes mentais. As pessoas vão criar coisas mais inovadoras. Estamos só no princípio da internet…
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“Faltam empresas brasileiras fundadas por brasileiros que alcancem mais que América Latina.”
A frase acima explica o porque da invasão de produtos importados e a falta de P&D no país. Quando existem empresas brasileiras fundadas por brasileiros, na gestão dos filhos ou netos bancam mansões, iates, veiculos de alto padrão, frequentes viagens ao exterior e outras vaidades.