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Uma ação popular contra o deputado Stepan Nercessian (PPS-RJ) pede a apuração da um empréstimo cedido a ele pelo contraventor Carlinhos Cachoeira. O processo, que tem previsão de ser concluído em 45 dias depois que Nercessian for avisado, pode atrasar a conclusão das investigações da ligação de Cachoeira com os deputados goianos Carlos Alberto Leréia (PSDB), Sandes Júnior (PP) e Rubens Otoni (PT).

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, os relatórios dos processos de Leréia, Júnior e Otoni deveriam ser apresentados nesta semana. Por decisão do corregedor da Câmara, a ação contra Nercessian será encaninhada em conjunto com as outras três. Assim, a decisão fica adiada para o próximo semestre.

O final do prazo hábil para que o corregedor apresente sua decisão termina durante o recesso parlamentar e coincide com a época em que o Congresso esvazia por conta das eleições municipais.

Ação. A moradora do Rio de Janeiro Mafalda Oliveira de Lima foi a responsável pelo processo contra Nercessian. Ela pede que o empréstimo de R$ 175 mil cedido ao ator por Cachoeira seja investigado.

Nercessian , que diz que o valor já foi pago, diz que R$ 160 mil foram destinados ao pagamento de um imóvel no Rio e os outros R$ 15 mil para a compra de ingressos no Carnaval.

 

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Por Wagner Pralon Mancuso*

O Basômetro é uma ótima ferramenta à disposição de quem se interessa por política brasileira. As possibilidades de análise que oferece são vastas. Por meio dessa ferramenta é possível avaliar o nível de governismo no Congresso Nacional bem como calcular o nível agregado de governismo dos partidos políticos. Governismo, nesse caso, significa voto em plenário de acordo com a orientação oficial do governo. Com o Basômetro, o governismo pode ser calculado de diversos modos: votação por votação, para um subconjunto de votações do período, ou ainda para as votações como um todo.

Meu propósito nesse texto é comparar o nível de governismo nas votações das bancadas de dois partidos políticos na Câmara dos Deputados: o Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Esses partidos têm polarizado as eleições presidenciais desde 1994. O PSDB venceu as duas primeiras eleições do período e o PT as três eleições seguintes. Atualmente o PT é o maior partido de apoio à presidenta na Câmara e o PSDB é o maior partido de oposição. Como, então, os deputados desses partidos têm se comportado em plenário? PT e PSDB estão sempre em fileiras opostas? Ou há casos em que a maioria dos deputados dos dois partidos entrou em acordo? Se houve acordo, ele se deu apenas em torno de questões formais ou também abrangeu questões substantivas?

O Basômetro contém informações sobre 102 votações nominais ocorridas no plenário da Câmara dos Deputados sob o governo Dilma até 11 de junho de 2012 e nas quais a posição do governo pôde ser identificada. O Basômetro mostra que a situação mais típica entre PT e PSDB é o confronto (Figura 1). Isso ocorreu em 76,5% dos casos, ou seja, em 78 das 102 votações focalizadas. Os partidos têm divergido em vários assuntos. Um ponto importante de discórdia são as votações em que os oposicionistas procuram exercer seu papel fiscalizador do governo e, ao mesmo tempo, causar-lhe desgaste político. Encaixam-se nesse perfil as votações em que se propôs moção de repúdio à presidenta ou em que se requereu convocação de ministros para prestar esclarecimentos, ou da Controladoria Geral da União para denúncia de irregularidades. Petistas e tucanos também divergem em torno de questões mais programáticas, tais como o valor do salário mínimo; a criação de bolsas de apoio a segmentos sociais específicos (por exemplo, Bolsa Atleta e Bolsa Médico Residente); os valores da tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física; a questão da Desvinculação da Receita da União (DRU), que permite ao governo cumprir suas metas fiscais; pontos da legislação referente à Copa do Mundo de 2014; pontos específicos da lei que instituiu regime de previdência complementar para servidores públicos federais; pontos de projetos de grande interesse ambiental, como o Código Florestal e os limites de áreas de proteção ambiental na Amazônia, entre muitos outros assuntos.

Por outro lado, em 24 votações – isto é, 23,5% das votações do Basômetro na Câmara dos Deputados – a maioria dos representantes do PT e do PSDB votou na mesma direção. É verdade que parte dessa concordância se deu em torno de questões formais, tais como o requerimento de urgência para a votação de projetos como o do salário mínimo de 2011, o do Código Florestal e o da Lei Geral da Copa – projetos em relação aos quais os partidos posteriormente mostraram divergências significativas. Todavia o acordo das duas forças não se deu apenas em questões formais. A afinidade também foi verificada em torno de questões substantivas importantes, tais como a extensão de benefícios para micro e pequenas empresas; a aposentadoria integral para servidores aposentados por invalidez permanente; as linhas gerais do projeto de previdência complementar para os servidores federais; a PEC do trabalho escravo; a instituição do Sistema Nacional de Cultura (Figura2); a regulamentação da carreira de procurador municipal; dentre outros pontos. Um caso curioso ocorreu na votação do projeto de lei de conversão da Medida Provisória No. 512/2010, que instituía benefícios tributários para a indústria automotiva – a votação número 14 do Basômetro (Figura 3). Esse foi o único caso em que a maioria dos dois partidos concordou contra a posição do governo. Assim, os dados mostram que, apesar das divergências, os dois principais partidos políticos do país não têm sido completamente incapazes de encontrar uma pauta comum no plenário da Câmara dos Deputados.

Em geral, é possível afirmar que o governo, com apoio do PT e dos demais partidos da base, tem conseguido avançar sua agenda na Câmara e que a oposição, apesar da debilidade numérica, tem se esforçado para criticar os projetos do executivo, bem como para exercer seu papel fiscalizador. Em outras palavras, o Basômetro agrega evidências de que a democracia no Brasil está funcionando normalmente.

 

* Doutor em ciência política pela USP e professor da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP

 

 

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Agência Brasil

BRASÍLIA – Os líderes do PSDB e do PT começam a preparar suas bancadas para os depoimentos dos governadores de Goiás, Marconi Perillo, e do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira.

O primeiro a depor, nesta terça-feira, 12, será Perillo. Os petistas estão preparados para cobrar esclarecimentos sobre a venda da casa do governador goiano, local onde o empresário Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso pela Polícia Federal suspeito de explorar jogos ilegais e subornar agentes públicos. Diversas pessoas envolvidas na venda da casa prestaram depoimentos contraditórios para os parlamentares sobre a negociação de compra e venda da casa do governador.

Após reunião com as bancadas do partido na Câmara e no Senado, o líder do PT, deputado Gilmar Tatto (PT-SP), disse que os petistas irão insistir na proximidade de Marconi Perillo com Cachoeira. “Eu sei que é difícil explicar essa relação íntima que ele tem com o Carlinhos Cachoeira, que é o chefe do crime organizado em Goiás. Até porque, se existia a contravenção no estado de Goiás, a responsabilidade de combatê-la é do governador. Os delegados [da Polícia Federal] que vieram prestar esclarecimentos aqui na CPMI disseram claramente: o governador Marconi Perillo vendeu a casa dele para o Cachoeira. O Carlinhos Cachoeira foi preso pela Polícia Federal na casa que era do governador. Tanto ele era íntimo do Cachoeira que ligou para dar parabéns no aniversário”, declarou.

Já sobre o depoimento do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, na quarta-feira, 13, o líder petista garantiu que o partido estará unido para defender o governador. Agnelo é citado em gravações telefônicas feitas com autorização da Justiça pela Polícia Federal de conversas do grupo de Cachoeira com funcionários do alto escalão do governo do Distrito Federal (GDF). As gravações dão a entender que o governador do PT também se beneficiava do esquema criminoso. Além disso, a Construtora Delta, que é apontada pela PF como um instrumento de Cachoeira para o pagamento de propinas a agentes públicos, tem contratos com o GDF.

“O contrato da Delta foi uma decisão judicial. Não foi o Agnelo que contratou a Delta, que fez a licitação. Quando ele assumiu o governo do Distrito Federal tinha uma decisão judicial para manter a Delta. Mesmo assim ele fez uma auditoria no mês de janeiro, logo que assumiu, e reduziu o contrato em 40%. Então olha a diferença [entre Agnelo e Perillo]”, disse Tatto.

Já os parlamentares tucanos tentam desconstruir as denúncias sobre as relações de Perillo com Cachoeira e buscar denúncias antigas para embasar o ataque a Agnelo Queiroz. Para o líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PSDB-PR), não há contradição entre a explicação dada pelo governador goiano para a venda da casa e os depoimentos prestados até agora na CPMI. “O que eu tenho ouvido é uma só versão insistentemente repetida: o governador vendeu para [o ex-vereador Wladmir] Garcez e recebeu em cheque. Garcez vendeu para [professor] Walter Paulo [Santiago], que pagou em dinheiro. Só há uma versão. Se é um negócio lícito ou não, certamente a CPMI terá oportunidade de julgar quando votar o relatório final”, ressaltou o líder tucano.

Dias garante que o partido vai procurar ser imparcial e não atacar o governador petista gratuitamente em seu depoimento na CPMI. Mas usou um tom irônico ao se referir às explicações que Agnelo terá que oferecer aos parlamentares em seu depoimento. “Não há espaço para agressão desnecessária. O questionamento tem que ser duro, todos os fatos revelados devem ser investigados e nós vamos dar oportunidade ao governador de Brasília de esclarecer todas as denúncias que pesam contra ele. Aliás, uma enxurrada de denúncias há vários anos, antes de ser governador, depois de governador, denúncias velhas, denúncias novas. Ele terá certamente a oportunidade de responder”, disse o senador.

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Por Débora Álvares e Ricardo Chapola

Embora tenha afirmado não achar saudável uma nacionalização dos debates,  o pré-candidato à Prefeitura de São Paulo Gabriel Chalita (PMDB) alfinetou o seu concorrente José Serra (PSDB) ao dizer que ele deveria ter mais foco. Chalita dizia respeito à nota veiculada na coluna da jornalista Mônica Bérgamo, na qual ela diz que Serra teria sugerido ao ministro Gilmar Mendes que ele procurasse a revista Veja. Para Chalita, isso seria “coisa de gente sem foco”.”(Ele) deveria se focar nos problemas da cidade”, afirmou. Chalita participou na tarde desta quinta-feira, 31, de uma sabatina na TV Record, em São Paulo.

O peemedebista classificou como “estranha” a reportagem da revista Veja sobre a conversa em que o ex-presidente Lula teria oferecido blindagem a o ministro Gilmar Mendes em troca do adiamento do julgamento do mensalão.

Depois da entrevista, o peemedebista encontrou o adversário petista Fenando Haddad, também convidado da emissora. Os dois permaneceram sorridentes durante os cerca de 5 minutos em que estiveram lado a lado no palco. Também comentaram sobre o fato de serem os candidatos mais novos dessa eleição.

 

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Por Débora Álvares, de O Estado de S.Paulo

Apesar de o PSB ainda não ter decidido quem apoiará nas eleições deste ano, o presidente municipal do partido, o vereador Eliseu Gabriel (PSB-SP), acompanhou , nesta terça-feira, 15, a visita do candidato do PSDB José Serra ao seu reduto eleitoral, na região de Pirituba, Zona Oeste de São Paulo. No seu discurso, Gabriel destacou que espera que tucano seja eleito prefeito de SP. “O Serra veio à região onde eu fui mais votado, então eu tenho que ser cordial e recebê-lo”, disse.

Embora tenha mostrado a preferência por Serra, o vereador foi cuidadoso ao citar a política de aliança do PSB para as eleições municipais deste ano e disse que não compareceu ao evento para sinalizar a possibilidade de aliança com o PSDB. De acordo com ele, o PSB ainda não finalizou as conversas para definir em que coligação entrará e a intenção é analisar quem é o melhor candidato nas esferas municipal, estadual e federal.

O evento, que aconteceu na Associação Comercial de Pirituba, faz parte de uma agenda intensa que Serra tem cumprido para se aproximar das lideranças regionais. O ex-governador aborda, em seus discursos, os projetos realizados enquanto governador e prefeito de SP e sempre que se refere a eles, fala sobre o prefeito de SP Gilberto Kassab e o governador de SP Geraldo Alckmin como parceiros. Entre os principais citados em Pirituba, Serra falou sobre as rodovias para melhorar o acesso á região e a construção de escolas.

 

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Bruno Boghossian, do estadão.com.br

O pré-candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, José Serra, voltou a participar de um evento oficial do Estado ao lado do governador Geraldo Alckmin (PSDB), um de seus principais cabos eleitorais na disputa municipal. Ele subiu ao palanque de uma cerimônia da rede de reabilitação Lucy Montoro nesta sexta-feira, 11, e recebeu elogios dos convidados, mas não discursou.

O sistema de atendimento a pessoas com deficiencia foi criado há quatro anos, quando Serra era governador. Durante a pré-campanha, o tucano pretende visitar obras de suas gestões à frente do governo e da Prefeitura. Em parte desses eventos, deve estar ao lado de Alckmin ou do prefeito Gilberto Kassab (PSD).

“Depende do que se trata. Esse lugar aqui é muito importante pra mim, porque foi o começo da rede Lucy Montoro. Eu insisti muito, desde o começo, que nós utilizássemos os equipamentos mais avançados do mundo, porque essa é uma área que tem um avanço tecnológico muito acentuado”, justificou Serra. “É possível reforçar parcerias. O município é mais concentrado na questão da acessibilidade e nos aspectos profissionais, e também na reabilitação. Vamos desenvolver um trabalho paralelo de apoio”, propôs.

Em seus discursos, secretários e o governador destacaram a participação de Serra na criação do sistema de atendimento. ”(O escritor José) Saramago dizia que uma grande obra é resultado do trabalho de muitas mãos, então eu queria agradecer ao José Serra, que foi nosso prefeito e governador”, disse Alckmin, antes de citar também seus secretários.

Após a cerimônia, foram apresentados os novos equipamentos de robótica usados na reabilitação de pessoas com deficiência.

Mercado. No início da tarde, Serra fez um tour pelo Mercado Municipal. Ao lado de aliados, o tucano cumprimentou lojistas, tirou fotos com eleitores e experimentou frutas exóticas – entre elas, um longan (fruto asiático semelhante à lichia) e uma granadilha da Colômbia (cujo quilo custa R$ 89).

O pré-candidato aproveitou o passeio para procurar a barraca de que seu pai foi dono. Serra costuma contar que o ajudava no trabalho quando era criança.

Apesar de Serra manter a liderança das últimas pesquisas de intenção de votos e ser um dos nomes mais conhecidos na corrida eleitoral, muitos frequentadores não sabiam de sua pré-candidatura à Prefeitura de São Paulo – alguns sequer o reconheceram. “Ele vai ser governador?”, perguntou a funcionária de uma lanchonete. “Ih, olha lá o Maluf”, apontou um idoso que passou ao lado do tucano.

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Por Carlos Melo*

 

O ambiente é de tensão e suspense; o caldeirão de boatos ferve e produz insinuações de todos os gostos. Mas, a leitura atenta da mídia, onde tudo é fragmentado, permite ainda assim juntar cacos: nem os partidos sabem ao certo onde tudo isso vai dar; o que parece certo é que há conluios entre contraventores e autoridades, corrupção atrelada a financiamentos de campanhas; crime organizado associado à política. E ao mesmo tempo, há também oportunismo de todos os tipos. Muitas zonas de sombra e pouca luz. O clichê é inevitável: a CPMI “do Cachoeira” pode dar em tudo, inclusive, nada.

Não porque CPIs terminem invariavelmente em pizza. Ao contrário do que se imagina, elas apuram e sugerem medidas, que é o limite de seu papel. Não raro, vão além das expectativas; implicam envolvidos e encaminham propostas a quem de direito. À exceção da “CPI do Banestado” — que terminou sem sequer um relatório –, CPIs como “PC Farias”, “Anões” e “Correios” começaram desacreditas, mas ao final e a cabo significaram mudança. E se ninguém foi para detrás das grades é menos por responsabilidade dos parlamentares que do Ministério Público ou Judiciário.

No entanto, o que torna esta CPI mais imprevisível é a complexa teia de interesses e relacionamentos nela abrigados; a variedade de atores, poderes e personagens supostamente envolvidos. As denúncias que “pingam” na imprensa apontam para esquemas muito maiores que “malfeitos” ou “relações perigosas” entre parlamentares falsamente moralistas e contraventores; entre governos e empreiteiras. As goteiras indicam a existência de um manancial de práticas políticas escusas, sistematicamente mapeado ao longo de anos pelas operações Monte Carlo e Las Vegas, baseadas em sofisticadíssimos métodos de investigação e em aparelhagem ultramoderna, como é o caso do “Guardião” – a super escuta utilizada pela PF.

De modo que, algo relativamente inédito nesta CPI, a investigação já está quase toda feita; tanto a Polícia Federal quanto o Ministério Público já avançaram em seus campos; as investigações partiram dali. A mina de onde brotam as denúncias está repleta, portanto; é moderna, profissional, meticulosa e detalhista – nada a ver com parlamentares travestidos de “Inspetores Clouseau”. Ao Congresso restará o papel de transformar (ou não) isso tudo em escândalo. E isto não será necessariamente ruim, para a sociedade.

O que hoje se encontra protegido por segredos de justiça, nas mãos dos políticos se transformará em munição pesada para todo tipo de disputa, pressão, negociação de interesses paralelos, muitos inconciliáveis — viva os “interesses inconciliáveis”! As goteiras tendem a se tornar cachoeiras e mais à frente, na contradição de disputas e desafetos, podem se converter em tsunamis. Haverá controle?

Provavelmente, não. O governo não demonstra nem coordenação nem habilidade para dirigir o processo e sufocar essas disputas. Sua base é até mais contraditória entre si do que em relação à oposição. Ademais, há uma miríade de sites, blogs e redes sociais que disputarão o “furo” e a primazia pela revelação de imoralidades. Nesse ambiente, colher informações será fácil; contê-las tende a ser praticamente impossível. Na época da “CPI do PC”, sequer Internet existia.

Possibilidades de acordos e conchavos existem, é claro. Mas, dificilmente se dará internamente, nesse ambiente confuso e comprometido. Vetos cruzados, munição trocada, podem conter o tiroteio, mas basta que um “desavisado” qualquer se empolgue e resolva ser consequente com o “doa a quem doer”, assinalado por Lula; ou “o Brasil cansou”, registrado por FHC.

Mais provável, é que o milagre da conciliação, se houver, se dê pelas mãos de advogados, operadores externos ao sistema político, experientes e tarimbados. E também muito bem pagos.

Deixando os impasses da CPI, passamos ao mais recente DataFolha. A pesquisa não só confirma que Dilma bate recordes de popularidade, como também que o ex-presidente Lula é, aos olhos de hoje, favorito para a disputa de 2014. O quadro não expressa novidade: que Dilma – por motivos diversos – vinha bem não surpreende ninguém. Menos ainda é de admirar que Lula, em curto período, voltasse a frequentar a lista da qual, na verdade, nunca esteve de fora.

Desde os primeiros movimentos de viabilização do nome Dilma, era possível supor que na estratégia do ex-presidente coubesse a hipótese de levantar-se, dar uma volta e sentar-se, novamente, na mesma cadeira. Quem não se deixou cegar pela tese estapafúrdia do “terceiro mandato” percebia que a hipótese, desde a concepção da sucessora, esteve o tempo todo no baralho. “Queremismo” revisitado, qual o “Queremos Getúlio”, de 1950.

O destino e a doença, no entanto, tornaram esse quadro ao mesmo tempo menos previsível e mais dramático. Menos previsível porque, com afastamento de Lula, o sistema político ficou mais indócil, confuso e desorganizado; as guerras na base se estabeleceram e interesses antes periféricos começaram a se deslocar para o centro. O maior exemplo é a desenvoltura com que hoje o governador de Pernambuco frequenta as articulações de 2014. Mais dramático porque, afinal, não há nada de maior apelo político-emocional do que o enfrentamento de um câncer. Após superá-lo, Lula não apenas é a grande liderança que deixou o poder há pouco mais de um ano, como também assume ares de semideus; quem sabe, Santo.

Claro, Dilma é a primeira da fila, a titular. Mas, continuará sendo apenas na medida em que Lula precise ou possa continuar no banco. Se o time estiver ganhando, não se mexe; não carecerá substituição. De todo modo, já se disse isto, será “um Pelé no banco”.

O quadro é mais uma “flechada em São Sebastião” para uma oposição já combalida, rachada e sitiada em seu próprio labirinto. Há quem aponte, sem exageros, que a oposição está na UTI. O PSDB, consumido por disputas internas parece madeira que cupim comeu; esfarela-se. O DEM… Bem, o DEM demorará a superar o trauma Demóstenes, se é que superará. Times de futebol e amores se desfazem, por que com partidos seria diferente?

Saídas, alternativas? Difícil dizer; forjar um novo discurso, colocá-lo na boca de um candidato e viabilizar esse candidato, aos olhos de hoje, não é coisa simples. Sobretudo, considerando as condições gerais do País, do lulismo e da própria oposição. Claro, aos olhos de 2014, pode ser diferente. Mas, não se constrói isso tudo do dia para noite. Ex-post é fácil, mas a construção dessa candidatura deveria ter se dado já em 2010; ter-se-ia ganho quatro anos. Uma leitura incorreta do processo – mais uma – fez a história que todos conhecemos.

Agora, além de contar com a sorte própria, os oposicionistas terão que torcer por tropeções do governo e, pior, percalços no caminho do País. Assumir o papel do quanto pior melhor é desgastante; afinal, ninguém torce pelo palhaço cuja alegria é ver o circo pegar fogo.

Mais que na UTI, a oposição parece desencarnar. Só mesmo um “Jesus Cristo” como que a gritar: “Lázaro, levanta-te e anda!” para que o corpo reaja. Jesus Cristo baixar à terra é questão de crença. Difícil mesmo é “Lázaro” escutar; Lázaro tem mania de ouvir apenas o que quer!

 

*Carlos Melo é cientista político e professor do Insper. Autor de “Collor, o ator e suas circunstâncias”, escreve quinzenalmente para o AE News.

 

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Bruno Boghossian, do estadão.com.br

O presidente nacional do PSDB, deputado Sérgio Guerra, defendeu a realização de um “pente fino” nos contratos firmados entre a construtora Delta e o governo federal. A empresa ficou sob suspeita depois que parte de seus representantes foi citada em telefonemas do contraventor Carlinhos Cachoeira.

“Há muita investigação do Tribunal de Contas (da União) que precisa ser levantada. Há muita obra em andamento que precisa ser vista. Não se pode interrompê-las simplesmente de maneira impensada, mas é preciso uma investigação, um pente fino na questão da Delta”, disse Guerra. “Foi uma empresa que cresceu de forma absolutamente não explicada em alguns campos de operação. Não é coisa pequena, é coisa grande.”

Guerra afirmou que o PSDB apoia investigações em todos os Estados, mesmo que sejam governador por políticos de sua legenda.

“O PSDB é a favor de que a investigação do caso Cachoeira se processe em qualquer lugar, em qualquer circunstância, sobre qualquer partido”, afirmou.

 

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Estadão.com.br

Embora tenha afirmado que seu governo não tem “qualquer envolvimento com a contravenção”, o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB) admitiu ter se encontrado com o o empresário Carlinhos Cachoeira por três vezes em “reuniões festivas” – uma delas na casa do senador Demóstenes Torres (sem partido) – e o recebeu em uma audiência, em 2011, na sede do governo. A reunião no Palácio do governo aconteceu a pedido de Demóstenes.

Na quarta-feira, 4, em entrevista à TV Anhanguera, Perillo negava que seu governo tivesse um suposto envolvimento nos esquemas do empresário. Cachoeira foi preso pela PF, no mês de fevereiro, durante a operação Monte Carlo, que investiga a exploração de jogos ilegais em Goiás.

O governador sustenta que teria recebido Cachoeira como recebe qualquer empresário que me pede audiência para tratar de geração de empregos, segundo publicou O Globo. Para ele, o contato que teve com Cachoeira não configura amizade, já que foi muito esparso.

O líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias,  criticou o que considera “vazamento seletivo orientado politicamente” das informações das investigações da PF e disse que o tucano tem o apoio do partido. “Nós não podemos antecipar qualquer julgamento em relação a versões”, afirmou

Para Dias, as denúncias que envolvem o governo de Perillo não vão afetar a estratégia da campanha municipal tucana, especialmente a candidatura de José Serra em São Paulo. “A decisão do povo de São Paulo não terá nenhuma influência de Goiás. Não se pode transferir a responsabilidade a todos”.

 

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Isadora Peron, de O Estado de S.Paulo

O pré-candidato à Prefeitura de São Paulo pelo PC do B, Netinho de Paula, criticou nesta sexta-feira, 23, a bipolarização da disputa na capital entre PT e PSDB, e defendeu a importância de o eleitorado ter outras opções de escolha nas eleições de outubro deste ano.

“Eu acho importante ter candidaturas do PC do B, do PMDB, do PRB, para a gente poder colocar o dedo na ferida e começar a pensar na população e não só na questão partidária”, disse ele em entrevista à Rádio Bandeirantes.

Para Netinho, a cidade perdeu muito com o fato de o governo federal estar nas mãos do PT e as administrações municipal e estadual serem de oposição. “São Paulo negou todos os programas que foram apresentados pelo governo federal nos últimos oito anos. O Minha Casa, Minha Vida é um exemplo.” Para ele, a maioria desses programas não foram aceitos porque teriam “a marca do PT”.

Questionado sobre a possibilidade de o seu partido apoiar outro pré-candidato à Prefeitura, Netinho afirmou que acredita na sua candidatura e que o PC do B tem se esforçado para emplacar seu nome nas eleições. “Como pré-candidato, eu tenho de acreditar que a minha candidatura vai vingar. Mas a política é muito dinâmica”, ponderou.

Elogio. Netinho chegou a elogiar a gestão Serra-Kassab à frente da Prefeitura de São Paulo. Para ele, um dos méritos foi ampliar o orçamento através da arrecadação. Apesar disso, disse que falta fiscalização para ver onde os recursos são aplicados. “Os meios de fiscalização foram enfraquecidos”, declarou. “Os conselhos e corregedorias deram mostras de que pretendem se fortalecer e vou fazer isso”, prometeu.

 

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