Radar político - Estadao.com.br
ir para o conteúdo
 • 

Patrocinado por

Ricardo Britto, da Agência Estado, e do estadão.com.br

A CPI do Cachoeira aprovou por unanimidade, nesta quinta-feira, 5, a convocação do ex-presidente da empreiteira Delta, Fernando Cavendish, e o ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) Luiz Antônio Pagot. A data ainda não foi definida.

A Delta é apontada pela Polícia Federal como empresa ligada ao grupo de Cachoeira e era uma das principais responsáveis por contratos públicos federais.  O ex-diretor do Dnit foi convocado para falar sobre as acusações de que petistas e tucanos teriam exercido pressão para arrecadações de campanha presidenciais de Dilma Rousseff e José Serra. O Dnit também tem contratos com a Delta, investigada pela CPI.

Foi aprovada também a prefeito de Palmas, Raul Filho (PT), flagrado em um vídeo no qual negocia apoio de Cachoeira para as eleições de 2004. Raul Filho enviou ofício à comissão colocando-se à disposição para depor. O colegiado também deve aprovar a reconvocação do contraventor, que, da primeira vez que esteve na CPI, permaneceu em silêncio.

O motivo de maior protesto durante a sessão foi a convocação do ex-diretor da estatal que cuida das rodovias do Estado de São Paulo (Dersa), Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto. A Dersa firmou contratos com a Delta e o ex-diretor do Dnit acusou Paulo Preto de ter feito caixa dois em campanhas tucanas.

A comissão convocou a ex-mulher de Cachoeira Andréa Aprígio, apontada pelas investigações da CPI e pela Polícia Federal como laranja do esquema de corrupção do contraventor. Outro convocado foi o empresário paulista Adir Assad, cujas empresas receberam R$ 50 milhões da Delta. A suspeita é que seja laranja do contraventor.

No bloco, a CPI aprovou o convite para que o juiz federal Paulo Augusto de Moreira Lima vá à comissão. Responsável por decretar a prisão de Cachoeira e seu grupo, o juiz federal deixou o caso porque disse ter sido ameaçado de morte.

Os depoimentos aprovados na sessão desta quinta-feira, devem serem tomados somente após o recesso parlamentar, em agosto. Os membros da CPI devem votar ainda se quebram os sigilos bancário, fiscal e telefônico dos futuros convocados.

Acompanhe os principais momentos:

12h50 – A sessão foi encerrada e haverá nova reunião na terça-feira, 10, com pauta ainda a ser definida pela presidência da comissão.

12h46 – O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) também critica a proposta de levar a comissão até a penitenciária para ouvir Cachoeira e defende que ele seja reconvocado e vá pessoalmente à CPI.

12h26 – O vice-presidente da CPI, deputado Paulo Teixeira (PT-SP),  sugere transformar requerimento para ir à penitenciária em novo convite para Cachoeira comparecer à CPI, já que o contraventor deve prestar depoimentos à justiça de Goiás ainda em julho. Segundo a defesa de Cachoeira, após isso, ele estaria disponível para falar à comissão.

12h18 – O vice-presidente da CPI, deputado Paulo Teixeira (PT-SP), pondera que o quórum está baixo e sugere que essa votação seja transferida para a próxima sessão da CPI, prevista apenas para a primeira semana de agosto, em razão do recesso parlamentar.

12h13 – Para o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) disse considerar delicada a proposta de ir à penitenciária, sob o risco de prejudicar a imagem da CPI, já que não há garantias de que o contraventor irá falar.

12h08 – Parlamentares discutem sobre a votação da escolha de três membros da CPI para, em diligência, falar com Carlinhos Cachoeira na penitenciária da Papuda, em Brasília. A intenção seria tentar ouvi-lo e novamente convocá-lo para falar à CPI.

11h47 – Todas as quebras de sigilo foram aprovadas por 24 votos e nenhum contrário.

11h42 – Por 17 votos contrários à convocação contra 10 a favor, a CPI não convocará o deputado federal José de Fillipi (PT-SP), tesoureiro da campanha de Dilma Rousseff. Agora serão votados quebras de sigilo de sms do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), Carlinhos Cachoeira, do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), entre outros, além de empresas ligadas ao grupo do contraventor.

11h18 – Os parlamentares discutem a convocação do deputado federal José de Fillipi (PT-SP), que foi tesoureiro da campanha de Dilma Rousseff. Ele foi acusado pelo ex-diretor do Dnit de ter exercido pressão sobre empreiteiras que têm contratos com o órgão ao pedir contribuições de campanha. Para a base aliada, a oposição tenta politizar a CPI ao tentar convocar o deputado.

10h48 – Parlamentares votam se aprovam a convocação de todos as testemunhas citadas em bloco, entre elas Cavendish (Delta), Pagot (ex-Dnit) e o prefeito de Palmas, Raul Filho. Por 28 votos a zero, todos foram convocados.

10h29 – Há um bloco proposta para ser votado, que reúne as convocações de, entre outros, Fernando Cavendish, dono da Delta, Luiz Pagot e prefeito de Palmas, Raul Filho. Mas há embate entre membros da base aliada e da oposição para que sejam incluídos outros nomes. Há bate-boca e deve ser definido que seja votado o bloco como está e aqueles que desejem chamar outros nomes apresentem requerimento separadamente.

10h18 – Parlamentares debatem sobre quais serão os convocados.

9h55 – A maioria votou pela manutenção do rito atual. Portanto, depoentes que não quiserem falar, serão liberados da sessão. O relator da CPI, deputado Odair Cunha, propõe a discussão sobre a escolha de três parlamentares para irem até a penitenciária da Papuda, onde Cachoeira está preso, para tratar de sua nova vinda à comissão.

9h38 – Senador Pedro Taques (PDT-MT) defende a manutenção do rito e lembra que os parlamentares não podem “humilhar” as testemunhas. O relator da CPI, o deputado Odair Cunha (PT-MG), também falou favoravelmente pelo rito atual por questões de “economia processual”. Quem é contrário, afirma que é dever e direito dos parlamentares dirigirem perguntas. Agora os parlamentares vão votar pela manutenção ou alteração do rito.

9h15 – É aberta a sessão. Além de votar requerimentos, o presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), propõe que seja votada a alteração do rito da comissão, ou seja, como a CPI vai agir nos casos de depoentes que não desejarem falar. Hoje, quando isso ocorre, os depoentes são liberados sem que os parlamentares tenham possibilidade de fazer perguntas. Para alguns integrantes da comissão, ainda que haja claramente intenção de ficar em silêncio, o depoente deve ficar e ser questionado da mesma forma.

 

Tags: , ,

Comentários desativados

Estadão.com.br – Atualizada às 21h16

O ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (DNIT) Luiz Antonio Pagot acusou políticos de PSDB, PT e DEM de buscar dinheiro no órgão ligado ao Ministério dos Transportes para pagar dívidas de campanha e fazer caixa 2.

Segundo a revista Istoé, Pagot se sentiu pressionado a aprovar aditivos ilegais no valor de R$ 260 milhões ao trecho sul do Rodoanel. Serra qualificou as declarações do ex-diretor do DNIT como “calúnia pré-eleitoral aloprada”.

Pagot afirmou ainda que o governo do então governador tucano teria usado a obra para  abastecer um suposto caixa 2 da campanha à Presidência da República em 2010. “Veio procurador de empreiteira me avisar: ‘Você tem que se prevenir, tem 8% entrando lá.’ Era 60% para o Serra, 20% para o Kassab e 20% para o Alckmin”, disse.

“Todos os empreiteiros do Brasil sabiam que o Rodoanel financiava a campanha do Serra”, revelou. “Teve uma reunião no DNIT. O Paulo Preto (diretor da Dersa) apresentou a fatura de R$ 260 milhões. Não aceitei e começaram as pressões.”

O diretório estadual do PSDB divulgou uma nota em que defende o governador Geraldo Alckmin das acusações de receber um porcentagem do caixa 2 das obras do Rodoanel Sul.”A matéria da Istoé é caluniosa. As campanhas eleitorais do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e do pré-candidato à Prefeitura, José Serra, sempre contaram com doações declaradas à Justiça Eleitoral.”.

O ex-diretor do DNIT disse à Istoé que passou a receber telefonemas constantes, não só de Paulo Preto, mas do deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP), do ministro Alfredo Nascimento e de seu secretário-executivo, hoje ministro Paulo Sérgio Passos. Mais tarde, o TCU autorizou a Dersa a assinar um Termo de Ajuste de Conduta (TAC), condicionando novos aditivos à autorização prévia do tribunal e do Ministério Público. Pagot recorreu à Advocacia-Geral da União, que em parecer, ao qual a Istoé teve acesso, o liberou de assinar o documento.

“Aquele convênio tinha um porcentual ali que era para a campanha. Todos os empreiteiros do Brasil sabiam que essa obra financiava a campanha do Serra”, disse. De acordo com o TSE, o comitê de Serra e do PSDB receberam das empreiteiras que atuaram no trecho sul do Rodoanel quase R$ 40 milhões.

Caso Cachoeira. Ainda segundo a revista, Pagot também disse que o senador Demóstenes Torres (sem partido, ex-DEM) foi buscar no órgão fundos para quitar dívidas de campanha com a Delta Construções, através de acordos com a construtora.

Demóstenes teria chamado Pagot para uma conversa privada, durante a qual disse que estava com dívidas com a Delta e que precisava “carimbar alguma obra para poder retribuir o favor” que a construtora fez para ele na campanha.

Pagot disse que não cedeu à pressão de Serra e Demóstenes. No entanto, ele confessou ter aceito a solicitação do tesoureiro da campanha do PT, deputado José De Filippi (SP), que durante as eleições de 2010, pediu para ele arrecadar recursos junto às empreiteiras ligadas ao DNIT. “Cada um doou o que quis. Algumas enviavam cópia do boleto para mim e eu remetia para o Filippi. Outras diziam ‘depositamos’”, afirmou. As doações teriam sido feitas pelas vias legais, segundo o ex-diretor.

Na entrevista, Pagot identificou na prestação de contas ao Tribunal Superior Eleitoral ao menos 15 empresas que abasteceram a campanha do PT a pedido seu: Carioca Engenharia, Concremat, Construcap, Barbosa Mello, Ferreira Guedes, Triunfo, CR Almeida, Egesa, Fidens, Trier, Via Engenharia, Central do Brasil, Lorentz, Sath Construções e STE Engenharia.

Pagot também acusou a ministra da Relações Institucionais, Ideli Salvatti, de ter pedido ajuda na arrecadação de recursos de campanha em 2010, quando foi candidata a governadora de Santa Catarina. “Ela queria que eu chamasse as empreiteiras e pedisse para pôr dinheiro na campanha dela”, afirma. Como se negou a ajudá-la, Pagot acha que Ideli ficou ressentida e passou a miná-lo quando chegou ao Planalto.

Outro lado. Em nota divulgada à tarde, a assessoria de Serra apresentou a resposta do ex-governador à reportagem da Istoé, na qual ele rechaça as acusações de Pagot. “Trata-se de uma calúnia pré-eleitoral aloprada. A acusação é absolutamente inconsistente e a credibilidade dos envolvidos é zero. Tomaremos as medidas judiciais cabíveis”, disse o tucano.

A declaração oficial do PSDB critica, ainda, o fato dos tucanos não terem sido procurados, ao contrário de petistas citados na matéria. “A revista sequer respeitou os princípios éticos do bom jornalismo uma vez que nem Alckmin nem Serra foram procurados pela reportagem, ao contrário de um grupo seleto de personagens nela citados. Com esse procedimento abominável, a Istoé deixou que prosperassem mentiras ditas pelo Sr. Luiz Antônio Pagot baseadas em algo que ele teria ouvido de um “procurador de empreiteira” cujo nome ele nem menciona.”

Segundo a assessoria do prefeito Gilberto Kassab (PSD), a “acusação é improcedente e mentirosa. Portanto serão adotadas as medidas jurídicas cabíveis diante dessa irresponsável calunia”.

Filippi foi ouvido pela Istoé e admitiu ter se reunido com Pagot durante a eleição, mas negou ter recebido boletos dos depósitos de campanha do ex-diretor do DNIT. “A conversa tratou da proposta de Pagot de a campanha receber três aviões do Blairo Maggi”, disse Filippi. “Num segundo encontro, depois da eleição de Dilma, ficou acertado que Pagot buscaria recursos para saldar dívidas da campanha eleitoral.” Por meio de nota, Ideli negou que tenha recorrido a Pagot para solicitar recursos.

O ex-diretor do DNIT também conversou com a revista Época. Nessa entrevista, Pagot deu mais detalhes sobre a ajuda ao PT. Ele disse que, após a conversa com Filippi, reuniu-se com sindicatos de empresas da construção civil e representantes da Associação Nacional das Empresas de Obras Rodoviárias (Aneor). “Fui um colaborador espontâneo”, afirmou. Ele disse que Fillipi recebia boletos de depósitos de empreiteiras que se dispuseram a fazer doações para a campanha.

 

 

Tags: , ,

Comentários desativados

Estadão.com.br

Diálogos captados pela Polícia Federal apontam que o grupo do contraventor Carlinhos Cachoeira atuou nos negócios do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes). Segundo os áudio, o grupo teria articulado um esquema para afastar o diretor-geral do Dnit Luiz Antonio Pagot. Em entrevista a Revista Época, o ex-diretor afirma que afastado do posto por contrariar interesses da construtora Delta e do bicheiro Carlinhos Cachoeira, investigados pela Operação Monte Carlo.

Segundo as investigações da PF, Cachoeira era associado ao diretor da Delta para Centro-Oeste, Cláudio Abreu, e indicava pessoas para atuar em nome do grupo nos Estados. Nos áudio captados pela PF, Cachoeira teria dito a Abreu que plantou informações sobre Pagot na imprensa.

Pagot foi um dos principais nomes no Ministério dos Transportes quando o ministro era Alfredo Nascimento. Em julho de 2011, a revista Veja veiculou denúncias de que haveria corrupção e superfaturamento de contratos no Dnit e no Ministério dos Transportes. Na ocasião, Pagot disse que não poderia responder pela pasta e somente pelo Dnit.

Pagot contou à revista que o motivo de ter sido alvo do grupo é por ter dificultado negócios entre a Delta e Dnit, prejudicando as licitações que a empresa participava, quando ele estava à frente do órgão.

Em um dos processos, sem o consentimento do Dnit, a Delta teria subcontratado uma empresa para as obras de recuperação de um trecho de 18 quilômetros da BR-116, em Fortaleza. Em resposta, a Delta disse em nota que  “um inquérito do Ministério Público Federal averiguará todas essas questões derivadas da chamada Operação Monte Carlo” e que “[a empresa] falará sobre todos os assuntos nos foros judicial e parlamentar. A empresa repudia, desde já, conclusões parciais e precipitadas oriundas de análises superficiais de informações coletadas.”

O Dnit é visado por ter um orçamento anual da ordem de R$ 10 bilhões voltado para construção e reformas de estradas e ferrovias brasileiras. Como o montante é disputado por grandes empreiteiras, técnicos, advogados, lobistas e políticos; brigas judiciais, golpes baixos e acusações de favorecimento acontecem com uma certa frequência.

 

 

Tags: , , ,

Comentários desativados

Rosana de Cássia e Vannildo Mendes, de O Estado de S. Paulo

O Ministério dos Transportes confirmou, por meio de nota, a saída de Luiz Antônio Pagot do cargo de diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Segundo a nota, Pagot já solicitou à presidente Dilma Rousseff sua exoneração do cargo.

Nesta manhã desta segunda-feira, 25, Pagot comunicou a assessores e funcionários do órgão que decidiu entregar o cargo, que ocupava desde 2006, em consequência da crise no Ministério dos Transportes.

O ex-diretor agradeceu a colaboração de todos e disse que o pedido de demissão é irrevogável, mas não entrou em detalhes sobre a crise. A expectativa é de que ele entregue ainda nesta segunda o pedido formal de demissão à Casa Civil da Presidência da República.

Desde o início do mês, quando estourou na imprensa o escândalo envolvendo denúncias de corrupção, cobrança de propina e tráfego de influência no Ministério dos Transportes e principais estatais (Dnit e Valec) a crise provocou a demissão do ministro Alfredo Nascimento, do diretor da Valec, José Francisco das Neves e outros 15 integrantes da área. Antes de comunicar o afastamento do cargo, Pagot entrou de férias que se encerrariam em 6 de agosto, mas antecipou o prazo com o pedido de demissão.

Veja a íntegra da nota do ministério:

“O Ministro de Estado dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, recebeu na manhã de hoje o pedido de cancelamento das férias do diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), Luiz Antônio Pagot, programadas para o período de 25 de julho a 04 de agosto.

No mesmo documento, o diretor comunicou que já solicitou à Presidenta da República sua exoneração do cargo de Diretor-Geral do DNIT”

Tags: , ,

1 Comentário | Comente! !

Vannildo Mendes, de O Estado de S. Paulo

Luiz Antonio Pagot não é mais diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Ele comunicou na manhã desta segunda-feira, 25, a  assessores e funcionários do órgão que decidiu entregar o cargo, que ocupava desde 2006, em consequência da crise no Ministério dos Transportes.

Pagot agradeceu a colaboração de todos e disse que o pedido de demissão é irrevogável, mas não entrou em detalhes sobre a crise. A expectativa é de que ele entregue ainda nesta segunda o pedido formal de demissão à Casa Civil da Presidência da República.

Desde o início do mês, quando estourou na imprensa o escândalo envolvendo denúncias de corrupção, cobrança de propina e tráfego de influência no Ministério dos Transportes e principais estatais (Dnit e Valec) a crise provocou a demissão do ministro Alfredo Nascimento, do diretor da Valec, José Francisco das Neves e outros 15 integrantes da área. Antes de comunicar o afastamento do cargo, Pagot entrou de férias que se encerrariam em 6 de agosto, mas antecipou o prazo com o pedido de demissão.

Tags: , ,

Comentários (11)| Comente!

Lilian Venturini, do estadão.com.br

O diretor afastado do Departamento Nacional de Infraestrutura em Transporte (Dnit), Luiz Antonio Pagot, falou durante quatro horas nesta terça-feira, 12, nas comissões audiência pública nas Comissões de Infraestrutura (CI) e Fiscalização e Controle do Senado. Ao contrário do que era esperado, o diretor não fez menções diretas a outros funcionários ou ministros e defendeu a atuação da presidente Dilma Rousseff. Em sua fala, afirmou inúmeras vezes que o aumento dos valores das obras são autorizados não apenas pelo Dnit, mas por um colegiado. Segundo ele, as falhas verificadas por órgãos fiscalizadores são corrigidas. “O ilícito [no Dnit] é combatido com veemência, com determinação.”

Acompanhe abaixo os principais momentos da audiência:

14h06 - Pagot a Randolfe: “O meu sigilo bancário, telefônico, está aberto. O gerente da minha conta está autorizado a entregar todos os meus extratos nos últimos 20 anos. Eu não posso admitir esse assunto de obstrução de Justiça.”

13h32 - Randolfe Rodrigues (Psol – AP) questiona se, caso Pagot volte ao cargo, não há nada que mudar no órgão. E acrescenta: “A quem o senhor obedecia?”, ao mencionar declarações creditadas a ele de que apenas cumpriria ordens. Pergunta também o que Pagot sabe sobre a denúncia de cobrança de propinas para garantir o sucesso de determinada empresa em licitações.

13h19 - Pagot a Pedro Taques: “Infelizmente em muitas coisas temos errado. Mas na maioria temos acertado. O Dnit não faz meia dúzia de obras. ” Pagot se disse revoltado com informações, presentes no relatório do TCU (Tribunal de Contas da União), de que obstruiria o trabalho de fiscalização. “Nós respondemos com nosso patrimônio. Quem quer ser apenado por obstruir a Justiça?”

13h16 - Pagot: “O ilícito [no Dnit] é combatido com veemência, com determinação”, afirma sobre as irregularidades apontadas pelo TCU em obras de responsabilidade do órgão. “”Nem tudo nós concordamos com o TCU. Nem tudo que ele escreve, nós corroboramos. Principalmente quando o auditor quer interferir na solução [técnica] da obra. Que depois defendemos com veemência e apresenta justificativas da solução adotada.”

13h12 - Pagot a Pedro Tasques: “Sou nomeado e estou de férias. De 4 a 21 de julho. Se serei exonerado ou se vou continuar, é uma questão que depende da presidente Dilma Rousseff. Tenho consciência tanto das minhas virtudes quanto das minhas falhas. “

13h05 – Senador Pedro Taques (PDT-MT) volta a questionar qual é a situação formal de Pagot no Dnit. Taques pergunta: “Por que vossa senhoria foi afastada então?”

13h02 - Pagot afirma que há mudanças no escopo de obras por questões ambientais e estruturais. Segundo ele, quando Dilma acompanhava os valores ainda era ministra e responsável pelas obras do PAC. “Dilma comandava o Comitê Gestor do PAC, obviamente que não sozinha. Lá atrás, ela já questionou inúmeras vezes a questão do valor das obras. Dilma sempre agiu com veemência, cobrança e determinação. Posso dizer que não foi omissa em momento nenhum.”

12h52 - Pagot a Agripino: “O Dnit não é um feudo do PR. Até porque nossos funcionários não tem qualquer indicação política. Alguns têm, mas não chegam a 1% dos que trabalham lá. A maioria absoluta de nossos coordenadores não tem vínculo partidário.”

12h49 - Pagot a Agripino: “O escopo da obra muitas vezes está aquém da sua necessidade porque as obras são postergadas ao longo do tempo. Passamos muitos e muitos anos sem recurso para fazer frente à necessidade nacional. Quem define o escopo de uma obra é o Departamento de Pesquisa e Planejamento. Muitas obras mudam o escopo por necessidade de planejamento. Outras são por questões político-administrativas. Governadores reivindicam mudanças [na execução das obras]. “

12h37 - Senador José Agripino (DEM-RN) questiona quem dá o aval aos aditivos em obras de responsabilidade do Dnit e se quando Dilma Rousseff era ministra fazia as mesmas cobranças que fez agora, como presidente.

12h09 - Pagot não responde claramente à pergunta feita pelo senador Cyro Miranda. Disse apenas que refuta “veementemente”  as denúncias  da revista e que vai procurar os foros nos quais tem “condições” de ir para se defender.

12h04 - Cyro Miranda (PSDB-GO): “O senhor acha que a presidente Dilma está sendo injusta com o senhor e com os demais? Qual foi o motivo da presidente? O senhor pretende processar a revista?”

11h52 - Pagot para Requião: Só tomei conhecimento disso [aumento do valor da obra] pela imprensa. Não tenho como responder sobre esses atos. Qualquer assunto referente ao Dnit estou pronto a responder, não de terceiros [Ministério do Planejamento].

11h44 - “Fico me perguntando se a mudança de escopo não foi a troca de trilhos de aço por trilhos de prata”, ironiza o senador Roberto Requião (PMDB-PR) ao exemplificar aumento do valor de obra ferroviária no Sul do País, de R$ 220 milhões para R$ 540 milhões.” Gostaria que me explicasse como se dá uma mudança de preso dessa natureza.”

11h38 – O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) volta a afirmar que há superfaturamento e sugere que seja feita uma comparação entre os preços praticados pelo ministério com os valores praticados de outros estados. “Os preços estão inflados demais. Quem tem alguma experiência sabe disso. Uma hora de 17 km não pode custar mais de R$ 300 milhões.”

11h35 - Pagot a Alvaro Dias: “O senhor tem razão quando se refere a superfaturamento. Não escondemos isso, são imediatamente divulgados. Antes de recebermos a notificação já está na imprensa e vamos responder a isso. Não vejo essa relação entre doadores de campanha e aditivos. Não fiz qualquer alusão à campanha da presidente Dilma ou do meu partido. Se produzem fatos contínuos. Estão requentando assuntos de quatro anos atrás, já investigados e que já tem acusado pagando o que deve. Coisas que estão voltando como verdades absolutas.”

11h32 - Pagot a Alvaro Dias: “Com relação a doações de campanha não posso responder. Eu discordo veementemente disso [empresas com aditivos e supostamente principais doadoras de campanha] e posso mostrar matematicamente.”

11h27 - Pagot a Alvaro Dias: “O Dnit não executa meia-dúzia de obras. Nesse momento, o Dnit executa 1.156 contratos de obras no Brasil. Estamos falando de 400 obras. A questão dos preços, saliento, são unitários. Eventualmente ocorre algum desequilíbrio, como ocorreu com o preço do aço e corrigimos. Buscamos a correção ao longo das obras e os órgãos de controle estão atentos a isso. “

11h17 - Alvaro Dias: “Há uma tentativa de transformá-lo em bode expiatório. O que queremos saber do senhor é quem mandava? Peço que explique: as empresas beneficiadas com aditivos eram também as que mais doavam em campanhas eleitorais, não só da presidente Dilma. Além de saber de onde vinha a voz de comando, é importante saber quem participou disso. Há convicção de que há corrupção no ministério e vossa senhoria não pode ficar como único responsável.”

11h11 - Pagot: “O Brasil tem um sério problema com empresas de consultoria de projetos. Não é só o Dnit, não. A Petrobrás também tem. Temos que refazer o todo o trabalho.” Nesse momento, o senador Alvaro Dias (PSDB-PR) faz a pergunta. “Estamos aqui para tentar revelar quem são os responsáveis por esse modelo promíscuo que se instalou no Ministério dos Transportes. Não há no Brasil hoje nenhum cidadão de bem que não esteja indignado com o noticiário dos últimos dias.”

11h07 - Pagot afirma que em muitos casos são feitos aditivos nas obras porque há mudanças no curso da obra, não previstas no projeto inicial. O processo, segundo ele, passa por uma série de etapas dentro do Dnit até ser aprovador. “Não tem nada feito de forma irresponsável. Toda vez que vemos o malfeito, imediatamente corremos atrás para responder. Intensificamos isso nos últimos tempos.”

11h - Pagot: “Nossas obras têm parâmetros definidos nos orçamentos. A questão do sobrepreço já é malversação [desvio de fundos]. Os próprios funcionários do Dnit já identificam [quando isso ocorre]. Mas temos um fato real que ocorre que é a fiscalização. O número de fiscais é aquém da sua necessidade. A maioria absoluta de nossos fiscais já tem mais de 25 anos de serviço e muitos têm que cuidar de até 1 mil km de rodovias. Humanamente impossível de fazer um trabalho correto e falhas passam despercebidas. Às vezes têm conluio e sempre que isso acontece tem auditoria interna, tem CGU e TCU para verificar.”

10h55 - Blairo Maggi (PR-MT) é o segundo senador a fazer perguntas ao diretor afastado do Dnit, Luiz Antonio Pagot. “Gostaria que deixasse claro o que é mudança de escopo de uma obra e superfaturamento. Para mim a diferença é clara. Mas gostaria que o senhor esclarecesse para o cidadão comum.”

10h41 - Pagot: A grande maioria das empresas está com muito mais obras do que tem condições de fazer. Devíamos ter uma espécie de cadastro que passasse pelo Banco do Brasil ou da CEF para saber o quanto aquela empresa pode fazer de obras. Com a facilidade que encontram na lei de licitações, muitas empresas tem carteira de obras superior à sua capacidade. A qualidade está muito ruim. Isso tem atrasado a execução das obras. Não temos nos poupado de pedir que seja refeito. Sobre o ministro Paulo Bernardo. Não tem uma palavra dita sobre ele. O off de não sei quem, os enunciados inventados, desses factóides gerados pela imprensa. Tenho o maior respeito pelo ministro. Ele é extremamente exigente. Obviamente ele fazia parte do comitê gestor do PAC [no governo Lula]. Ele nunca me exigiu nem me pediu nada para a região dele.”

10h33 - Pagot: “Só se tomou conhecimento depois da porta arrombada? Não. Estabelecemos plano de trabalho e chamamos todas as superintendências. Não conformado com isso, passei a convocar reuniões bimestrais e trimestrais para dar as instruções necessárias [às obras]. Gravei todas essas reuniões. Sobre doações de partido não me manifesto. Cada partido sabe o que faz. Posso dizer que o PR não utilizou o Dnit para buscar dinheiro para seus cofres. “

10h27 - Pagot: Não me surpreendi que Dilma tenha se admirado [o diretor se refere à reunião com a presidente em julho deste ano] que algumas obras estivessem com ‘escopo’ maior do que o apresentado inicialmente. A diferença não é sobrepreço. O CGU e o TCU são muito ágeis. Se acham que tem algo a se pronunciar, imediatamente dão um relato para nos explicarmos.”

10h22 – Pagot: “Minha situação funcional é de férias”. “Sei que vários diretores são indicações políticas. Quando entrei no Dnit o diretor financeiro não tinha ligação partidária. Eu tenho com o PR. Tudo no Dnit é aprovado pelo colegiado. Temos o entendimento de aprovar por unanimidade. “

10h09 - Há 18 senadores inscritos para fazer perguntas. Cada um terá 5 minutos. O autor do requerimento do convite a Pagot, senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) é o primeiro a perguntar. Aloysio questiona qual é a situação de Pagot dentro do Dnit, se ainda é diretor ou se está afastado. E pede que esclareça parte das informações reveladas pela revista ‘Veja’

10h08 – Ao final de sua fala, Pagot falou sobre o processo de licitações do Dnit: “Quando eu entrei, tínhamos graves problemas com as licitações. Discutimos isso com o TCU para a criação de um edital padrão. Saímos de 12 meses para 4 meses num processo licitatório. “

09h59 - O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) interrompe a fala de Pagot para pedir que ele comece a falar sobre o assunto que o levou à comissão. O senador Humberto Costa (PT-PE) sai em defesa do diretor e alega que Pagot foi ao Senado por livre e espontânea vontade e por isso deveria ter o direito à explanação. Pagot retomou a falta e, pelas regras colocadas no início da audiência, terá mais 10 minutos.

09h54 – Pagot destaca a “agilidade” com que o Dnit atua em obras emergenciais e faz balanço sobre as atividades realizadas em sua gestão. Até o momento, o diretor afastado não falou diretamente sobre as denúncias de corrupção

09h40 - Pagot faz apresentação de como é o trabalho realizado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura em Transporte (Dnit) e enfatiza que as decisões do órgão são tomadas somente após uma série de autorizações de outros órgãos e ministérios

09h25 – Pagot: “Quero refutar todas as acusações contra a minha pessoa. Fiz questão de vir tanto ao Senado quanto à Câmara para fazer minha defesa”. O diretor terá 20 minutos para falar e depois os senadores poderão fazer perguntas.

09h15 - Começa a audiência com o diretor afastado do Dnit, Luiz Antoni Pagot, que foi convidado pela oposição a dar esclarecimentos. Após a abertura formal, Pagot irá comentar as denúncias de supostas irregularidades levantadas por reportagem da revista ‘Veja’.

Tags: , ,

Comentários (13)| Comente!

“Depoimentos como o que o ex-diretor-geral do Dnit, Luis Antonio Pagot, prestará amanhã [terça-feira, 12] no Senado, não autorizam previsões porque sempre trazem o risco do imponderável.

Mas as benesses do Dnit, ainda que privilegiem o PR, se estendem de forma suprapartidária por Estados e municípios, garantindo eleições e esquemas de poder locais, ainda imunes à crise no ministério dos Transportes, o que pode reduzir o entusiasmo da comissão – e até mesmo da oposição.” Continue lendo aqui o novo post de João Bosco Rabello.

Tags: , ,

Comentários desativados

Comentários recentes

  • David Gon: Da para acreditar em pesquisas do 2o turno se na semana passada o Serra estava em 3o lugar, agora esta em...
  • Vanessa: E isso Ai Tiririca!!!!! Nos te amamos!!!
  • Marco Aurelio Miquilini: Esse Lula engana e já enganou muita gente, mas a mim nunca enganou. Como pode ter tanta...
  • Fabio Fernando: Ministra Calmon, Nao estamos no Velho Oeste americano, onde funcionava a voz do Xerife, como a sra...
  • Cristina Rodrigues: Dias Toffoli tem alguma relação com o PT, que poderia talvez ser questionada. E Gilmar Mendes,...

Enquetes

Os deputados condenados pelo mensalão devem perder seus mandatos?

Ver Resultados

Loading ... Loading ...

Arquivos

Seções