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Viagens de políticos em aviões particulares entraram no centro do debate político nas últimas semanas. Diversos casos emergiram, e com eles veio a polêmica sobre a troca de favores com empresas e os conflitos de interesses gerados por esse comportamento. Relembre alguns casos:

Reportagem da revista Época afirmou que o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, teria usado avião da empreiteira Sanches Tripoloni, responsável por uma obra rodoviária do governo federal no Paraná. A viagem teria ocorrido em 2010, quando ele ainda era ministro do Planejamento. A prática é proibida por lei. Segundo a revista, Bernardo teria se empenhado em liberar recursos para a obra através de emendas parlamentares e, depois, ajudado a incluir o empreendimento no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O ministro negou qualquer favorecimento à empreiteira. Em nota, ele disse ter utilizado aeronaves de “várias empresas” durante a campanha eleitoral de 2010, mas não se lembra dos “prefixos e tipos, ou proprietários dos aviões”.

Antes de pedir demissão em meio a uma avalanche de denúncias, o ex-ministro da Agricultura Wagner Rossi utilizava um avião de uma empresa que depende de autorizações da pasta para vender seus produtos. A Ourofino Agronegócio trabalha com agrotóxicos, sementes e saúde animal e colocou à disposição do ex-ministro e de seu filho Baleia Rossi (PMDB-SP), deputado estadual, um avião Embraer Phenon 100 avaliado em US$ 7 milhões, como revelou o jornal Correio Braziliense na terça-feira da semana passada, 16. Wagner Rossi confirmou ter usado o avião. Ele admitiu ainda ter dado pessoalmente em outubro do ano passado aos donos da empresa a notícia de que a Ourofino poderia comercializar uma vacina contra febre aftosa, o que multiplicou os ganhos na área.

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, admitiu ter utilizado o jato do empresário Eike Batista para viajar à Dinamarca, em 2009, para defender a candidatura do Rio à sede da Olimpíada de 2016, e para passear no litoral da Bahia, em junho, a fim de participar dos festejos de aniversário do empreiteiro Fernando Cavendish, da Delta Construções. A queda de um helicóptero que servia a familiares do governador e do empreiteiro revelou a relação pessoal entre os dois, provocando uma crise política. A Delta tem mais de R$ 1 bilhão em contratos com o governo do Rio e as empresas de Eike já receberam mais de R$ 79 milhões em isenções fiscais. O caso está sendo investigado pelo Ministério Público do Rio.

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-PI), utilizou um helicóptero da Polícia Militar estadual do Maranhão para viagem particular acompanhado da família. Em dois fins de semana, o aparelho foi flagrado levando Sarney, a mulher, Marly, e amigos para a ilha do Curupu, pertencente à família do senador, segundo o jornal Folha de S. Paulo. Por meio de nota divulgada pela assessoria, Sarney afirmou que não cometeu ilegalidade e sustentou que “tem direito a transporte de representação em todo o território nacional”.
Tags: aviões, Bernardo, Cabral, Rossi, Sarney
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