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Bruno Boghossian, do estadão.com.br

O ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, identificou um “jogo político pesado” na série de denúncias sobre os serviços prestados por sua empresa de consultoria, a P-21. Em “carta aberta” publicada em seu site, Pimentel não cita nomes, mas insinua que seus adversários alimentam uma campanha contra ele.

Em Belo Horizonte, correm suspeitas de que as informações sobre as atividades da empresa de consultoria de Pimentel tenham sido divulgadas por políticos que discordam das articulações do ministro na capital mineira.

“Os fatos que apresentei e as explicações que prestei (…) são acachapantes, não a onda de suspeições que acaba emergindo em meio a um jogo político pesado”, escreveu o ministro em uma versão inicial da carta. “Sabemos todos que o jogo político muitas vezes se vale do bom jornalismo para tentar manchar biografias limpas.”

O trecho acima constava em uma versão acessada pelo estadão.com.br às 8h30 da manhã (imagem acima). Minutos depois, o texto foi retirado do ar e as duas frases foram apagadas. Segundo a assessoria do ministro, havia “erros” na carta publicada no início da manhã, que era apenas um “rascunho”.

Na versão final, enviada ao estadão.com.br, Pimentel baixa o tom de seu contra-ataque.

“Depois das várias entrevistas que concedi, os documentos que apresentei, e até mesmo as confirmações por parte dos clientes de que os serviços foram prestados ainda não estancaram as falsas suposições. É preciso cautela para que o jogo político não termine por contaminar o livre exercício de um direito. Para que esse direito não seja usado para atingir biografias respeitáveis”, afirmou.

A publicação do texto é uma tentativa de Pimentel de mostrar que está “disponível para prestar qualquer esclarecimento”, como anuncia a chamada na página principal do site. O ministro afirma que a publicação da carta deve “evitar que eventuais ruídos prejudiquem as informações”.

Pimentel voltou a defender suas atividades ao afirmar que todos os trabalhos da empresa foram realizados após sua saída da prefeitura de Belo Horizonte e antes de sua indicação para o ministério.

“Entre 2009 e 2010, período em que a P-21 funcionou, não ocupava qualquer cargo público. A empresa não manteve, nestes dois anos, qualquer contrato com os governos municipal, estadual ou federal”, diz o texto. “Minha atividade profissional foi regular, legal e útil aos meus clientes – ao contrário do que a leitura de reportagens publicadas podem fazer crer.”

Atualizado às 10h59

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A consultoria do ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, recebeu R$ 400 mil anos depois de ter sido contratada pela Prefeitura de Belo Horizonte no período em que o petista comandou a administração da cidade. As informações foram reveladas na edição desta quarta-feira, 7, pela Folha de S.Paulo.

De acordo com a reportagem, a prefeitura firmou contrato de R$ 173,8 mil com a empresa de informática QA Consulting Ltda., em 2005. Em 2009, quando Pimentel deixou a administração, em janeiro de 2009, a QA contratou sua consultoria por R$ 400 mil. O ministro negou irregularidades nas consultorias prestadas.

A atuação da empresa do ministro foi questionada também em reportagem do jornal O Globo e levou a presidente Dilma Rousseff a pedir explicações a Pimentel. A reportagem sugere tráfico de influência da consultoria do ministro em licitações da prefeitura de Belo Horizonte e a não prestação de serviços pagos pela Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg). A empresa teria faturado mais de R$ 2 milhões com consultorias, entre 2009 e 2010.  Partidos da oposição já cobram explicações de Pimentel no Congresso.

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