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Fausto Macedo, de O Estado de S.Paulo

O delegado Roberto Troncon Filho, da Polícia Federal, criticou duramente agora nesta sexta-feira, 25, o projeto de anistia para valores repatriados. “A Polícia Federal é contra”, declarou Troncon, ao final do “I Seminário sobre Segurança Pública: Uma Visão de Futuro”, realizado na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), em São Paulo.

“Esta não é uma boa mensagem para os cidadãos que cumpriram suas obrigações, declararam seus bens e pagaram tributos”, disse Troncon, ex-diretor-geral de Combate ao Crime Organizado da PF e que assumirá o cargo de superintendente regional da instituição em São Paulo. “Essas pessoas se sentirão lesadas ou injustiçadas. Que mensagem fica?”

O projeto, de autoria do senador Delcídio Amaral (PT-MS), prevê anistia àqueles que enviaram recursos para o exterior sem comunicar o Banco Central e sem declarar tais ativos à Receita Federal. O governo calcula que US$ 100 bilhões poderão reingressar no País. O senador afirma que os críticos do projeto estão equivocados. Segundo ele, sua proposta impõe barreiras ao processo de repatriação “separando o dinheiro bom do dinheiro ruim”.

Promotores de Justiça e juízes federais alertam que dinheiro cuja fonte foi a corrupção e fraude contra o Tesouro poderá retornar ao País, protegido pela anistia.

“No passado, o argumento era que muito dinheiro e muitas riquezas enviados para o exterior fazia falta na economia brasileira”, disse o delegado Troncon. “Hoje, o argumento é diferente. Nossa moeda está muito forte e a entrada desses recursos vai abrir um problema econômico. A pressão é muito forte. Afora isso, queremos segurança jurídica. As pessoas que cometeram crimes vão aguardar por uma futura anistia.”

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Vannildo Mendes, de Brasília

A ex-ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, colocou à disposição da Justiça e da Polícia todos os seus sigilos. Ela deixou há pouco a PF, onde prestou depoimento de quatro horas ao delegado Roberval Vicalvi. Segundo a Assessoria de Imprensa da PF, Erenice respondeu a 100 perguntas. Ela foi convocada para explicar denúncias de tráfico de influência na Casa Civil, comandada por seus filhos Israel e Saulo e outros familiares. Erenice não foi indiciada.

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Vannildo Mendes, de Brasília

Depois de aproximadamente três horas de depoimento ao delegado Roberval Vicalvi, a ex-ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, deixou há pouco a Polícia Federal, sem falar com a imprensa. Erenice foi chamada para explicar denúncias de tráfico de influência na Casa Civil, comandada por seus filhos Israel e Saulo e outros familiares.

Veja também:

linkPF diz que Erenice colocou seus sigilos à disposição da Justiça

O envolvimento do filho de Erenice, Israel, em alta desde o início de setembro, incluía a cobrança por sua empresa, a Capital Assessoria e Consultoria, de uma “taxa de sucesso” para atender a empresas interessadas em contratos públicos. Um deles, alvo de denúncia do empresário Fábio Bacarat, rendeu a Israel pagamentos mensais de R$ 25 mil. Em outro, ele teria ganho R$ 5 milhões para ajudar a empresa aérea MTA a obter contratos e encomendas dos Correios.

Desde seu início, o episódio marcou a campanha de Dilma, que chegou até a levar reprimendas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva por estar sendo muito boazinha com a ex-ministra. Depois de dizer-se solidária com ela, e exigir provas, acabou afirmando que “as pessoas erram e Erenice errou”. Ao Jornal Nacional, da TV Globo, ela afirmou em entrevista na semana passada, em sua defesa, que “ninguém controla um governo inteiro”.

Quanto a Erenice, por enquanto sofreu uma multa do Tribunal Superior Eleitoral por ter usado o site da Presidência para se defender e ironizar José Serra por uma candidatura “aética e já derrotada”. Foi punida também pela Comissão de Ética da Presidência, por não ter informado, ao assumir a Casa Civil, os parentes que tinha empregados no serviço público.

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25.outubro.2010 10:00:10

Erenice e Amaury depõem na PF

Vanildo Mendes, de Brasília

A ex-ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, está depondo neste momento na Polícia Federal. Ela entrou por uma porta lateral do prédio, para fugir da imprensa. Erenice está sendo interrogada pelo delegado Roberval Vicalvi, no inquérito que apura denúncias de tráfico de influência na Casa Civil, comandada por seus filhos Israel e Saulo e outros familiares.

Veja também:

linkPF vai interrogar Erenice e jornalista

O jornalista Amaury Ribeiro Júnior, também chamado para depor nesta segunda-feira na PF, às 10 horas, já chegou, acompanhado do advogado Adriano Bretas. Ribeiro Júnior terá que responder sobre a violação do sigilo fiscal de dirigentes do PSDB e da filha e do genro do candidato à Presidência da República, José Serra.

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Bruno Tavares

O empresário Rubnei Quícoli, pivô do escândalo que levou a demissão da ex-ministra-chefe da Casa Civil Erenice Guerra, chegou há pouco na sede da Polícia Federal em São Paulo, sem dar declarações. Ele vai prestar depoimento no inquérito que apura a existência de um esquema de tráfico de influências na Casa Civil da Presidência.

Consultor da empresa EDRB do Brasil, Rubnei afirmou à imprensa ter recebido da empresa Capital Consultoria, de filhos de Erenice, proposta de pagamento de taxa de 5% em troca da liberação de empréstimo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a um projeto de geração de energia solar.

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Novos diálogos interceptados pela Polícia Federal revelam detalhes de uma articulação do secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, para conseguir aprovar o genro em um concurso público para preenchimento de vagas de escrivão da Polícia Civil de São Paulo.

De acordo com as gravações, às quais o Estado teve acesso, antes mesmo da aplicação das provas, Tuma Júnior já havia feito chegar à Academia de Polícia de São Paulo, órgão encarregado de realizar os concursos da Polícia Civil, o heterodoxo pedido: queria, de todo modo, que o namorado da filha fosse aprovado.

As conversas mostram que Tuma Júnior ficou irritado quando soube que seu “futuro genro” havia ficado fora da lista de aprovados. É quando começa uma sucessão de telefonemas para tentar reverter o resultado. Do outro lado da linha, em todos os diálogos, estava o policial Paulo Guilherme Mello, o Guga, braço direito de Tuma Júnior no Ministério da Justiça.

Mello, um dos alvos da investigação da Polícia Federal, havia sido encarregado por Tuma Júnior para cuidar da “aprovação” do genro do secretário.

“Pedidos”. O próprio secretário nacional de Justiça trata do assunto num dos telefonemas, em 19 de junho do ano passado. “Vê com aqueles cornos lá o que aconteceu lá, naquele rapaz lá, que cê foi falar aquela vez”, ordenou a Mello.

Como o resultado já estava publicado, o próprio Tuma sugeriu que uma solução seria o genro apresentar um recurso – o que, em sua avaliação, poderia ajudar a reverter a reprovação. “Eu mandei ele fazer recurso”, disse o secretário.

O assessor Mello relata as providências que adotara para atender ao pedido do chefe. “Eu falei com a pessoa que cê mandou eu falar (…) e aquele dia mesmo ele já ligou pra alguém, né, na minha frente.” Tuma Júnior lamenta mais uma vez: “Que sacanagem, cara”. Nas conversas, nem ele, nem seu assessor dizem o nome do genro do secretário.

Ao ouvir a cobrança do chefe, o assessor afirma que voltou à pessoa que havia procurado inicialmente para transmitir o pedido: “Eu falei inclusive hoje de novo com ele, com o moço lá, e ele… ele falou que ia falar com o cara.” Por fim, Mello atalha: “Agora, se tem essa possibilidade do recurso, depois eu entro em contato com ele, já me dá uma cópia aí eu levo pra ele de novo.”

A pessoa com quem Mello disse ter conversado, de acordo com os relatórios da Polícia Federal, é o delegado Antônio Carlos Bueno Torres, atualmente lotado no Denarc.

No contato, duas horas antes do diálogo com Tuma, Mello cobrou do delegado: “Escuta, você lembra que eu fui te visitar e o Leocádio (segundo a PF, Leocádio é como o assessor se refere a Tuma) pediu pra eu te passar o nome de uma pessoa?”. “Positivo”, responde Torres. “Então, ele chegou (…) de viagem hoje cedo e me cobrou isso aí, falou que não virou lá o negócio, né, e pediu pra ligar pra você pra perguntar o que aconteceu (…) Depois você liga pra ele lá, hein.”

O delegado Torres de pronto lembra do pedido – “P., era do futuro genro dele” – e afirma ter repassado a demanda para um certo Adilson, que a PF ser o delegado Adilson Vieira Pinto, diretor da Academia de Polícia de São Paulo. “Pô, falei direto com o Adilson, que é o diretor lá. Eu vou tentar reconstituir aí”, diz o delegado. “Então, ele vai te cobrar aí”, afirma o assessor. O delegado promete empenho: “C…, eu vou correr atrás aí…”

OUÇA AQUI OS OUTROS DIÁLOGOS INTERCEPTADOS

1) 19 de junho de 2009
10h44min05s

Paulo Guilherme Mello, assessor de Romeu Tuma Jr., telefona para o delegado Antônio Carlos Bueno Torres para cobrar explicações. O delegado se mostra surpreso e diz ter levado o assunto a “Adilson, diretor de lá”, que a PF identifica como Adilson Vieira Pinto, diretor da Academia de Polícia de SP.

Guilherme: Escuta, você lembra que eu fui te visitar e o Leocádio pediu pra eu te passar o nome de uma pessoa?

Antonio: Positivo.

Guilherme: Então, ele chegou aí da… da… da onde ele tava, de viagem hoje cedo e me cobrou isso aí, falou que não virou lá o negócio lá, né? E pediu pra ligar pra você pra perguntar o que aconteceu. Mas tudo bem, depois vê se você liga pra ele lá, hein?

Antonio: Puta, que era do futuro genro dele.

Guilherme: É isso mesmo. Falou que não virou.

Antonio: Pô, falei direto com o Adilson, que é o diretor lá. Eu vou tentar reconstituir aí.

Guilherme: Então, ele vai te cobrar aí. Eu sei, eu falei isso pra ele, que na minha frente você já, já fez uma… um trabalho, entendeu? No momento que eu tava aí. Mas tudo bem.

Antonio: Cacete, eu vou correr atrás aí.

Guilherme: Positivo. TKS, Antônio Carlos.

Antonio: Abraço.

2) 19 de junho de 2009
12h57min24s

Tuma Jr., que se mostra irritado, pergunta a Guilherme a razão da não aprovação de seu genro e propõe uma solução para reparar o problema.

Guilherme: Doutor Romeu.

Romeu: Vê com aqueles cornos lá que que aconteceu lá naquele rapaz lá que cê foi falar aquela vez. Eu mandei ele fazer recurso.

Guilherme: Eu falei lá com a pessoa que cê mandou eu falar e naquele dia mesmo é… aquele dia mesmo ele já ligou pra alguém, né, na minha frente, então ele ficou meio surpreso até. Mas é isso aí.

Romeu: Que sacanagem, cara! Então tá, deixa eu falar: a Regiane acho que tava querendo falar com você, eu não lembro que que era. Não, acho que é negócio do passaporte lá, precisava te perguntar um negócio. Depois chama ela no rádio pra mim.

Guilherme: Positivo.

Guilherme: Viu, eu falei inclusive hoje de novo com ele, com o moço lá, e ele…ele falou que ia falar com o cara, agora se tem essa possibilidade do recurso depois você é…eu entro em contato com ele, já me dá uma cópia aí eu levo lá pra ele de novo.

Romeu: Positivo.

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