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Agência Brasil

A compra de caças para a Força Aérea Brasileira (FAB) é considerada fundamental e urgente pelo ministro da Defesa, Celso Amorim, mas ainda não foi discutida “em profundidade” com a presidenta Dilma Rousseff.

Amorim, que participou nesta quinta-feira, 29, de audiência na Comissão de Relações Exteriores do Senado, destacou a relevância do assunto devido ao estado dos caças Mirage que país detém e do tempo que as empresas que produzem os aviões levam para entregá-los.

“Até o final de 2013, nenhum dos 12 Mirages que estão em Anápolis estará em condição de atuar plenamente. É algo realmente muito urgente, muito importante. A necessidade de defesa da Amazônia, das fronteiras, impõe que nós tenhamos uma aviação de caças adequada”, afirmou Amorim.

Apesar disso, o ministro disse que falou apenas superficialmente sobre o assunto com a presidenta. Amorim ressaltou ainda que os aviões não serão escolhidos apenas pelo preço, por considerar que “em defesa, o barato sai caro”. A transferência de tecnologia, já colocada como requisito na escolha dos caças, será fator determinante.

“Há atenção prioritária à transferência de tecnologia. Não apenas a promessas de transferências de tecnologia, mas a questões contratuais e à presença de empresas brasileiras no processo de transferência”, explicou o ministro.

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Bruno Siffredi, do estadão.com.br, e Sandra Manfrini e Rafael Moraes Moura, da Agência Estado

O embaixador Celso Amorim tomou posse à frente do Ministério da Defesa nesta segunda-feira, 8, no salão nobre do Palácio do Planalto. Na cerimônia, o novo ministro elogiou os militares e destacou o papel das Forças Armadas na defesa dos recursos naturais e das fronteiras. “Identifico nos militares valores dignos de admiração”, disse. Por sua vez, a presidente da República, Dilma Rousseff, enalteceu a figura do novo ministro e tentou afastar a desconfiança com sua gestão nas Relações Exteriores do governo Lula. Amorim “tem qualidades pessoais que o aproximam muito dos senhores militares de longa formação”, disse a presidente. “É o homem certo no lugar certo.”

Em discurso breve, Amorim agradeceu o convite de Dilma e prometeu atenção com os direitos humanos, sem descuidar da defesa dos interesses nacionais.  ”Somos detentores de riquezas, cabe ao Estado resguardar nossas extensas fronteiras. Além da defesa da população, devemos proteger nossos recursos naturais”, disse Amorim.

“Um país pacífico não pode ser confundido com um país desarmado e indefeso”, ressaltou o novo ministro. “Cabe a mim empenhar e obter os recursos indispensáveis e equipamento adequado das Forças Armadas, conto para tanto com a compreensão dos colegas da área financeira”, discursou Amorim, ressaltando que “de maneira serena”, cabe a ele “mais ouvir do que falar”.

“Há um descompasso entre a crescente influência internacional e a nossa capacidade de respaldá-la no plano da Defesa. Devemos reforçar a cooperação com países da região, pretendo atribuir ênfase relacionamento defesa com países africanos, juntamente com o Itamaraty, continuaremos a dar nossa contribuição”, afirmou. Amorim também destacou o papel do serviço militar como “instrumento de ascensão social” e disse que as Forças Armadas devem, cada vez mais, refletir as características do povo brasileiro

A presidente Dilma Rousseff fez diversos elogios ao novo ministro. O tom do discurso soou como uma resposta à suposta insatisfação gerada nos meios militares pela escolha de Celso Amorim para substituir o demissionário Nelson Jobim. “Mudanças importantes sempre provocam tensão, mas elas requerem cuidado, elas cobram sensatez e exigem escolhas bem refletidas”, disse Dilma ainda na abertura de seu discurso.

“O convoquei porque tenho a convicção de que ele (Amorim) é o homem certo no lugar certo”, garantiu a presidente, que ressaltou tê-lo escolhido “com cuidado e reflexão”. Amorim “tem qualidades pessoais que o aproximam muito dos senhores militares de longa formação”, disse, destacando características como cultura e preparo técnico, moderação em manifestações públicas, método na atividade como homem público e, sobretudo, disciplina e o respeito à hierarquia.

“Celso Amorim é um patriota, um homem talhado para essa fase do Brasil, que é um País de cabeça erguida, consciente da sua soberania”, disse. A presidente afirmou ainda ter certeza de que Amorim ajudará o ministério da Defesa a vencer seus maiores desafios, tanto os mais urgentes quanto os mais estratégicos. “A experiência de Amorim será valiosa para o Ministério da Defesa. O Brasil enfrentará importantes questões que envolvem diretamente as nossas forças armadas. Há acordos bilaterais em andamento, há negociações para compra de armamento e aquisição de tecnologia bélica, além da inadiável exigência de proteção e controle de nossas fronteiras terrestres e nosso mar territorial”.

Ao final, Dilma disse que o “partido do Ministério da Defesa é a pátria” e que a ideologia da pasta “é a da submissão aos interesses nacionais”. “Trocas de comando fazem parte da rotina, desde que se troque o comandante, mas não se deixe de fazer o que precisa ser feito”, observou.

Substituto. Amorim assumiu após o pedido de demissão de Nelson Jobim, que deixou o cargo na última quinta-feira, 11. Jobim foi pressionado pela presidente Dilma Rousseff a pedir demissão após terem se tornado públicas as críticas que ele fez às ministras da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, e das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, em entrevista à revista Piauí. Antes, o então ministro da Defesa já havia causado mal-estar no governo ao admitir que votou em José Serra (PSDB) nas eleições de 2010.

Veja como foram os discursos de Dilma e Amorim:

16h00 - A presidente afirma que a ideologia do ministério da Defesa “é a da submissão aos interesses nacionais”. Dilma diz que as “trocas de comando fazem parte da rotina” e, ao concluir seu discurso, deseja sorte ao novo ministro.

15h58 - Segundo a presidente, a experiência de Amorim nas Relações Exteriores será “valiosa”, porque o ministério enfrenta “acordos bilaterais, negociações de  aquisição de tecnologia”, dentre outros temas.

15h57 -A presidente afirma que Amorim é próximo aos militares pela elegância, respeito à hierarquia e discrição. “É um patriota”, disse. Dilma destaca que o Brasil “é hoje um pais de cabeça erguida, consciente da sua soberania”. “Com meu apoio e sob meu comando direto”, diz a presidente, “ele ajudará na Defesa”.

15h54 - “Mudanças importantes sempre  provocam tensão”, diz Dilma. “E exigem escolhas bem refletidas”. A presidente disse  que, “com cuidado e reflexão”, convocou Amorim para a Defesa. “Ele é o homem certo para o lugar certo.”

15h51 - Celso Amorim conclui seu discurso  e passa a palavra para a presidente Dilma Rousseff, que cumprimenta os presentes.

15h50 - O novo ministro destaca o papel das Forças Armadas como instrumento de  ascensão social e afirma que elas devem, cada vez mais, refletir as características dos brasileiros.

15h48 - Amorim ressalta a importância de defender os recursos naturais brasileiros e o papel dos militares nessa proteção. “Um pais pacífico não pode ser confundido com um país desarmado”.

15H46 - O novo ministro elogia os militares e os “governo anteriores”. “Identifico nos militares valores dignos de admiração”, disse. Segundo o ministro, “graças a importantes iniciativas levadas a cabo em governos anteriores”, dos quais cita o governo Lula, as Forças Armadas estão hoje em melhores condições do que no passado.

15h44 – “Antes de mais nada, agradeço o convite da presidente Dilma Roussef para assumir a pasta da Defesa”, diz Amorim. “Sou grato pela confiança e pela oportunidade de participar dessa nova etapa do Brasil.”

 

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