Jair Stangler, do Estadão.com.br
A senadora Marta Suplicy negou na manhã desta segunda-feira, 5, que a resolução do 4º Congresso Nacional do PT proponha a censura à imprensa. “Eu não aprofundei o que está sendo proposto, mas até onde eu entendo, e isso eu entendi com clareza é que não é uma proposta de censura”, afirmou.
“A mídia fica muito rebelada contra qualquer possibilidade, e eu entendo isso pela situação de anos que tivemos de censura, por algumas áreas de censuras atuais. Então causa uma preocupação. Mas o PT é um partido que absolutamente desde o seu nascimento tem se postado anti-censura. Eu não vejo nenhum perigo disso, “acrescentou.
Segundo Marta, é preciso estudar a maneira de fazer essa regulação sem entrar numa política de censura. Ela contou que quando foi deputada federal, fez um estudo em países que tinham um regulamento de mídia. “Eu lembro que a Inglaterra tinha um regulamento bastante forte. E ninguém acha que a Inglaterra tem censura. A França também. Se caminhar dessa forma, acho interessante. Mas entendo a posição de todo mundo muito apavorado com qualquer coisa, ainda mais do PT que ainda de vez em quando é visto como comendo criancinha. Apesar de oito anos de absoluta democracia e não censura à imprensa”concluiu.
Marta participa do Seminário Brasil Metropolitano, promovido em parceria entre a senadora e a Universidade Mackenzie.
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Elder Ogliari, correspondente de O Estado de S.Paulo
O juiz Artur dos Santos e Almeida arquivou o processo contra o cantor e compositor Tonho Crocco, autor do rap Gangue da Matriz, um protesto contra o aumento de 73% que os deputados estaduais do Rio Grande do Sul concederam a eles mesmos em dezembro do ano passado. A decisão foi tomada nesta segunda-feira, 8, a pedido do deputado federal Giovani Cherini (PDT/RS), que retirou a representação que havia encaminhado em janeiro deste ano, quando ainda era presidente da Assembleia Legislativa.
O parlamentar alegou que não é parte interessada, não teve seu nome citado na obra do músico, e só solicitou a análise do caso ao Ministério Público a pedido de colegas que haviam se sentido ofendidos pela música. A Justiça promoveria audiência preliminar de conciliação no dia 15, mas considerou que não há necessidade de levar o caso adiante porque não há queixa formal dos demais deputados.
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O músico gaúcho Tonho Crocco, fundador da banda Ultramen, está sendo processado por rap que fez em protesto contra o aumento de 73% que os deputados estaduais aprovaram para si mesmos em 2010. No rap, Tonho Crocco chamava de “gangue” os 36 deputados que aprovaram o aumento em dezembro do ano passado – apenas 11 votaram contra.
De acordo com reportagem do site Sul21, uma representação ao Ministério Público, assinada pelo então presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, Giovani Cherini (PDT) resultou em processo por crime contra a honra para o músico.
Atualmente deputado federal, Cherini encaminhou uma representação ao Ministério Público para que analisasse o vídeo divulgado pelo músico e, caso necessário, tomasse providências. Tonho Crocco recebeu nesta semana uma intimação para uma audiência preliminar no dia 22 de agosto, da qual Cherini também vai participar.
Ao Sul21, Cherini negou que estivesse processando Tonho Crocco. Pelo Twitter, esclareceu: “Não ingressei com ação contra Tonho Crocco. Como presidente (da Assembleia), ofereci representação ao MP para que, havendo ilicitude, tomasse providências”. Em entrevista ao mesmo site, publicada nesta quarta, Cherini afirmou que Tonho Crocco “não deve brincar com a honra dos outros”.
Na representação, informa o site, Cherini afirmou que “eleito pelos deputados estaduais como representante do povo gaúcho”, expressava sua “insurgência contra a manifestação espúria de Antonio Crocco, que enseja o presente pedido de providências ao Ministério Público Estadual”.
Tonho Crocco se disse “atordoado” pela intimação e disse temer que se abra um precedente contra as manifestações políticas.
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