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Daniel Bramatti, de O Estado de S.Paulo

Depois de aplicar reiteradas multas a madeireiras de Nova Ipixuna  –  cidade do sudeste do Pará em cuja zona rural foram assassinados os extrativistas José Cláudio Ribeiro da Silva e sua mulher, Maria do Espírito Santo  –, o Ibama tomou uma atitude drástica: determinou o fechamento definitivo de 12 empresas ao apreender todas as máquinas e desmontar suas instalações.

A operação de desmonte  –  planejada desde o final maio, mas adiada por problemas de infraestrutura e de segurança  –  começou nesta quinta-feira e foi acompanhada por homens do Exército, da Força Nacional de Segurança Pública e da Polícia Federal, além da Polícia Ambiental do Pará e da Polícia Rodoviária Federal.

José Cláudio e a mulher haviam denunciado a participação de serrarias de Nova Ipixuna na retirada ilegal de madeira do assentamento extrativista em que viviam. As denúncias levaram fiscais do Ibama a multar e embargar empresas da cidade.

Após o assassinato do casal, a fiscalização foi intensificada  –  agentes foram deslocados de outras áreas, onde o ritmo do desmatamento é maior, e se concentraram na região de Nova Ipixuna. “É preciso dar uma demonstração de que crimes como esses não ficarão sem resposta”, disse ao Estado, na época, o coordenador da operação do Ibama, Marco Vidal.

Desde o final de maio, os fiscais aplicaram R$ 3,3 milhões em multas e apreenderam 770 metros cúbicos de madeira em tora e 630 do produto serrado. Além disso, máquinas e caminhões foram recolhidos e colocados sob a guarda de órgãos públicos da região. Também foram destruídos dezenas de fornos clandestinos para a produção de carvão.

No início de junho, moradores de Nova Ipixuna bloquearam a estrada que passa pela cidade em protesto contra a fiscalização  –  as madeireiras são umas das poucas empregadoras na região, juntamente com as fábricas de tijolos.

Mas era uma atividade cujo combustível era o desmatamento das poucas áreas ainda preservadas no sudeste do Pará. Entre 2006 e 2010, as empresas de Nova Ipixuna foram alvo de nada menos que 122 autos de infração, que somaram R$ 5,1 milhões em multas por venda e depósito de madeira ilegal, falta de licença ambiental e até corte e comercialização de castanheiras, espécie protegida por lei.

O assassinato de José Cláudio e Maria, ocorrido há mais de um mês, não foi esclarecido, apesar das operações especiais de investigação da Polícia Federal e da Polícia Civil paraense. A operação do Ibama prossegue na região, por tempo indeterminado.

As empresas desativadas são: Madeireira Bom Futuro, MP Torres e Cia Ltda, Madeireira Belmonte, Tedesco Madeira, Madeireira Eunápolis, Serraria Tico Tico, Sandra Coelho Santos Madeireira Ltda, Paulo Mendes Souza e Cia Ltda, Manoel Acácio Carneiro ME, PH Laminados e Compensados Ltda, Gilmar Rodrigues Silva ME e NS Filofo.

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