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Roldão Arruda

Os candidatos Marina Silva (PV), Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) e José Serra (PSDB), protagonizaram uma boa aula de cidadania e espírito republicano na segunda-feira, durante o encontro promovido e transmitido ao vivo pelas emissoras católicas Canção Nova e Rede Aparecida. Em diversos momentos eles mostraram que às vezes é preferível perder votos a abdicar de princípios para agradar a plateia.

O encontro se destinou sobretudo a verificar se o pensamento dos candidatos estatava calibrado ou não com o pensamento dos organizadores do evento. Isso ficou perceptível a partir da forma como eram feitas as perguntas, quase sempre precedidas de considerações destinadas a deixar claro o ponto de vista da Igreja Católica sobre o assunto.

No pontapé inicial, o apresentador, um padre, perguntou aos três se o presidente da República do Brasil precisa acreditar em Deus. Quem se saiu melhor foi Marina Silva, que já foi católica e hoje faz parte do grupo evangélico Assembleia de Deus. Disse, de maneira ousada para o local, que a crença pode representar um ponto a mais para o futuro presidente, mas não é imprescindível, porque ateus também podem ser bons governantes.

A resposta completa dela foi: “Do ponto de vista do Estado laico, obviamente que não é preciso acreditar. Do ponto de vista dos valores que a fé cultiva no coração, no caráter, é, com certeza, uma delta a mais, altamente relevante. Todas as culturas têm em suas mentes e corações três valores comuns a todos os povos: o sentido da justiça, o sentido da liberdade e o desejo de amar e ser armado. Percebo isso como um dom de Deus. O bom é que Deus é tão generoso que mesmo aqueles que não acreditam em Deus podem ser agraciados com esse dom. Pessoas que não creem podem ser justas e éticas e também podem buscar a liberdade.”

O tucano Serra seguiu na mesma direção, embora de maneira muito mais tímida. Batizado na Igreja Católica, disse que seria bom se o presidente acreditasse em Deus. Plínio, católico de quatro costados, muito à vontade no ambiente, pulou a resposta, preferindo usar o tempo para protestar contra a ausência da petista Dilma Rousseff, acusando-a de fugir para não ter que expor seu pensamento sobre os assuntos ali tratados.

Plínio mostrou ousadia, no entanto, ao apoiar a proposta de retirada de símbolos religiosos de espaços públicos, tremendamente criticada pela Igreja Católica, desde Roma. Eis o que ele disse: “Essa é uma república laica, com gente que acredita em Deus e gente que não acredita. Não há necessidade da Igreja insistir em ter símbolos religiosos em prédios públicos, porque os prédios públicos são de todos. Os devotos, nas cidades e no campo, devem colocar os símbolos em qualquer lugar, mas não nas repartições públicas, porque nelas o que deve valer mesmo é o princípio da igualdade de todos. Não considero que a Igreja do Cristo deva fazer muita força para segurar essa proposta. É um resquício de uma ideia de cristandade, de uma ideia de sociedade inteirinha dominada pelo cristianismo.”

Serra também mostrou fidelidade ao seu pensamento quando perguntado sobre ensino religioso nas escolas públicas – outra questão pela qual a Igreja Católica vem se batendo. Ele disse que o ensino religioso deve ser ministrado, como disciplina opcional, em escolas de propriedade das igrejas, mas não na rede pública. Lembrou que se fosse aberta a possibilidade de se contratar professores para ensinar cristianismo, outras vertentes religiosas entrariam na Justiça, exigindo o mesmo direito. “Haveria uma inflação de ensino religioso, o que o tornaria impraticável.”

Plínio e Marina apoiaram o ensino religioso na rede pública como disciplina opcional, ou seja, que não reprova o aluno. Para Marina, o Estado brasileiro “é laico, mas não ateu”.

A candidata do PV, como era de esperar, foi confrontada com a questão do aborto. Como é que uma pessoa que defende com a veemência a vida das plantas, não se mostra tão segura na defesa da vida humana, chegando a propor um plebiscito sobre o assunto? – quis saber o jornalista da Canção Nova que fez a pergunta. A representante dos verdes respondeu o de sempre: embora seja contrária ao aborto, do ponto de vista da sua fé, acha que o Brasil ainda precisa debater mais o assunto. Daí a ideia de plebiscito.

 Sobre o projeto de lei, em tramitação no Congresso, que criminaliza a homofobia, o candidato do PSOL deu uma no cravo e outra na ferradura. De um lado disse, en passant, que considera a homossexualidade um pecado. Ficou com o papa. De outro, porém, apoiou o projeto, porque entende que ninguém deve ser discriminado, perseguido ou humilhado por causa de sua “opção sexual”.

 Serra também titubeou um pouco ao falar sobre a questão dos programas de prevenção da Aids, sempre criticados pela Igreja, que gostaria que a prevenção fosse feita à base da abstinência sexual e da fidelidade no casamento. O tucano defendeu os programas de prevenção, baseados na distribuição de preservativos, mas também disse que não vê problema em incentivar a abstinência e monogamia, como fez o presidente americano George W. Bush em seu governo, se isso ajudar a reduzir a incidência da doença.

Não foi fácil para ninguém. Mas foi um bom exercício democrático, no qual os candidatos tiveram que se confrontar com um grupo de posições baseadas em dogmas da fé, analisar o caráter do Estado brasileiro, e, no fundo, tentar equilibrar temas de fé com direitos civis – uma questão muito nova no Brasil, do ponto de vista histórico. A candidata Dilma perdeu uma excelente oportunidade de se exercitar.

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Carol Pires, de Brasília (DF)

A liberação do uso da internet nas campanhas eleitores, o fenômenos das redes sociais e a bem sucedida experiência da última eleição norte-americana fez surgir na rede um novo produto: a criação de sites políticos a jato. Os preços variam de R$ 250 a R$ 1.500, e são entregues ao candidato em até 24 horas. No entanto, a três meses da eleição, empresários do ramo têm as expectativas frustradas.

Reprodução

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O “E-candidato”, site que começou a oferecer este tipo de serviço em 2002, tem expectativa de vender 300 sites até a eleição, mas, até agora, só fechou 20 contratos. Para ter um site feito pela empresa, o candidato precisa desembolsar R$ 1.500, mas pode parcelar o valor em 12 vezes no cartão de crédito.

“A campanha do Obama realmente foi um fenômeno, e usamos como argumento. Mas, ainda assim, os candidatos ainda não depositaram fé na força da internet. Ainda preferem gastar milhões com a televisão”, avalia Ricardo Barreto, sócio da empresa, que tem entre os clientes o presidente nacional do PPS, Roberto Freire.

“Como parlamentar já utilizava muito a internet, a troca de e-mails com o eleitor. Hoje não tem forma de comunicação que possa superar na sociedade via internet, e isso reflete também na campanha”, diz Freire, candidato a deputado federal por São Paulo.

O “Gabinete Online” oferece serviços mais baratos. O pacote para eleições fica em R$ 249,90. Até o começo desta semana, a empresa tinha entregado 40 sites, a maioria para candidatos a deputado estadual. Em 2008, quando o “Gabinete Online” surgiu, durante a eleição municipal, foram vendidas cerca de 200 páginas personalizadas.

“Muita gente ainda acha que a lei não permite. Ou acha que não vai conseguir atualizar. Tem muita gente que por mais bem instruído que seja senta na frente do computador e vira um analfabeto”, afirma Denílson Souza do “Gabinete Online”.

Atraído pela liberação do uso da internet nas eleições, Douglas Damame também lançou este ano o serviço de sites de candidatos na U2Net. Mas fechou apenas um contrato até agora. “Todos os dias recebo pedidos de orçamento, mas fechar mesmo, quase ninguém fecha porque ainda tem muita gente receosa com a lei, tem dúvidas”, afirma.

A U2net oferece aos candidatos dois modelos de página pessoal. Na versão Político v1.0 o candidato pode publicar fotos, plataformas de governo, biografia e notícias de campanha. O pacote sai a R$ 990. Os mais exigentes também tem a opção do Político v2.0. Por R$ 1.380 o candidato leva a mais uma ferramenta que atualiza automaticamente o Twitter e o Facebook.

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Eleitores estão sendo chamados a publicar uma avalanche de mensagens no Twitter em pról da candidata à Presidência Marina Silva nesta terça, dia 20. A ideia é fazer barulho para divulgar o nome da candidata pela internet. A movimentação já começou na tarde desta segunda, quando o termo “Marina Silva” apareceu entre os mais citados por conta de os usuários estarem espalhando a novidade.

O movimento tem até um nome curioso: “twitaço”. Segundo a página da candidata na internet, é a “versão do panelaço pelo Twitter”. A página também afirma que  “a ideia surgiu da conversa entre os participantes da comunidade Marina Silva – PV do Orkut”.

As regras para participar: escrever porque escolher Marina Silva, seguido pela hashtag #euvotomarina. Os simpatizantes estão sendo chamados para mobilização durante todo o dia, mas com mais força às 12h e às 18h, horários em que, costumeiramente, a internet possui maior tráfego.

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Por Roldão Arruda

A presença cada vez maior de publicitários nas campanhas eleitorais tende a torná-las mais assépticas e previsíveis ano após ano. Os programas exibidos no horário gratuito na TV aproximam-se despudoradamente de comerciais de carros, sabonetes ou qualquer outro produto à venda. Mas, por mais se tome cuidado e se engrosse o entourage dos candidatos, com assessores que cuidam da escolha das roupas às palavras dos discursos, eles acabam enfrentando imprevistos e trapalhadas. E é nessas horas que se vê até onde vai a capacidade de improvisação e o jogo de cintura.

Um exemplo disso aconteceu na segunda-feira, 5, à noite, em Santo André, durante encontro de candidatos do PT com militantes da região do ABC Paulista. Pela programação oficial, o discurso de Dilma Rousseff, após quase uma dezena de outros convidados, deveria ser o ponto apoteótico, com música retumbante e salvas de palmas.  Não foi o que aconteceu.

Lá pelo meio do discurso da petista, uma equipe de profissionais do CQC, programa da TV Bandeirantes, irrompeu no salão, provocando tumulto. Alguns petistas queriam expulsão à força. Outros defendiam a permanência. Muitos corriam para fotografar ou ser fotografados ao lado do repórter famoso. Os mais ousados saltitavam ao redor da câmara na tentativa de virar personagem.

Dilma foi obrigada a parar. Como não era a primeira vez que isso ocorria, ela já sabia o que dizer: “Apelo a vocês para que deixem o CQC trabalhar aí no plenário. Temos que mostrar que somos democratas.”

Foi simpático e lhe valeu aplausos. Mas o tumulto prosseguiu e ela terminou o discurso quase constrangida frente a excitação dos petistas ao redor da celebridade da TV.

No dia seguinte foi a vez de Marina Silva. Estava previsto que pisaria de maneira muito animada no primeiro dia da campanha oficial, no Rio, ao lado de Fernando Gabeira, a segunda estrela mais brilhante do PV, depois dela. Não deu certo, porque o deputado e candidato ao governo do Rio ficou preso em Brasília, envolvido com o debate sobre o código florestal.

No início da manhã, os assessores de Marina ainda não sabiam o que fazer. Improvisou-se o lançamento de uma campanha para estimular famílias de simpatizantes de Marina a criarem voluntariamente comitês de apoio em suas casas. Às 9h30 localizou-se um simpatizante que topou receber a candidata em sua casa, em São Paulo – o que ocorreu no meio da tarde.

Foi uma saída interessante. Teria sido melhor se, ao final do evento, durante uma concorrida coletiva de imprensa, a candidata não tivesse negado de forma tão veemente que nada tinha sido improvisado. Podia ter dito que há males que vem para bem.

Foi uma resposta dessas que salvou Geraldo Alckmin (PSDB) no último evento do primeiro turno da campanha pela Prefeitura de São Paulo, em 2008. Ele pretendia encerrar as atividades com uma carreata pelas ruas da capital paulista, a bordo de um jipe sem capota, acenado para seus potenciais eleitorais. Poucas ruas depois, porém, foi obrigado a apear e fugir de uma chuva inesperada. Mas não se deu por vencido e disse aos jornalistas: “Chuva é sinal de sorte. Sinal de fertilidade. É uma chuva criadeira.”

Boa resposta. Infelizmente para ele, porém, não lhe deu sorte. O tucano não passou do primeiro turno.

Situações imprevistas apavoram os marqueteiros, acostumados a controlar a luz, a cor, o tempo, os aplausos e até as emoções nos estúdios de TV. São elas que explicam a estratégia de afastar o candidato de debates assim que ele desponta como franco favorito nas pesquisas de opinião sobre intenção de voto. Afinal, para que correr o risco de uma resposta desafinada, capaz de arranhar a imagem do produto, se ele vai bem no mercado?

Na campanha presidencial de 1998, o presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), com a reeleição praticamente garantida, fugiu dos confrontos como diabo da cruz. É a mesma fórmula que Dilma Rousseff (PT) pretende adotar agora, a menos que as pesquisas eleitorais não a favoreçam daqui para a frente.

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Roldão Arruda

Para mortais comuns, a escolha de um nome para concorrer ao cargo de vice nas chapas eleitorais que irão disputar a Presidência da República e os governos estaduais parece não ter nenhuma importância. Afinal, vice lembra a rainha da Inglaterra – que desfruta da pompa e da liturgia do cargo, mas não manda.

A história recente do Brasil, porém, recomenda que se dê mais atenção a essas escolhas. Afinal, desde a redemocratização, em 1985, os brasileiros já foram governados em duas ocasiões por vice-presidentes. Foram sete anos nas mãos deles, de um total de 25 de normalidade democrática.

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Sob uma gigantesca onda de descontentamento e protestos, Sarney aliou-se a Tancredo. Foto: Arquivo/AE

O primeiro caso foi justamente na hora da virada. Eleito de forma indireta por um colégio eleitoral, em janeiro de 1985, Tancredo Neves preparava-se para assumir o cargo – seria o primeiro presidente civil desde o golpe de 1964 – quando adoeceu gravemente. Não resistiu e morreu antes da posse, deixando o País nas mãos do vice, um político muito esperto, chamado José Sarney.

No período de exceção, Sarney presidiu a Arena, o partido de sustentação política da ditadura, que mais tarde foi substituído pelo PDS – também presidido por ele. Ao ver, porém, que o regime militar submergia, sob uma gigantesca onda de descontentamento e protestos, Sarney aliou-se a Tancredo, que precisava dele para conquistar votos no colégio eleitoral. Não foi um bom começo, pode-se dizer.

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Acossado por um processo de impeachment, Collor deixou o governo, abrindo a vaga para Itamar. Foto: Ernesto Rodrigues/AE – 29.09.2009

O segundo vice a empalmar o cargo do titular foi o mineiro Itamar Franco. Sua caminhada para o Planalto iniciou em 1989, quando recebeu um convite do governador de Alagoas, Fernando Collor de Mello, para compor a chapa com que ele iria disputar a Presidência, nas primeiras eleições diretas desde o golpe.

O governador era filiado a um pequeno e inexpressivo partido, o PRN, necessitava de um político da região Sudeste, para ajudar a puxar votos. Investiu em Minas, assim como José Serra fez recentemente, quando tentou, sem sucesso, conquistar Aécio Neves para se lançar na campanha ao seu lado. Collor foi mais feliz e saiu de lá com o nome de Itamar.

Embora o governador alagoano tenha vencido a eleição com a bandeira da moralidade e da modernidade, seu governo foi marcado pelo atraso político e pela corrupção. Em 1992, acossado por um processo de impeachment, deixou o governo, abrindo a vaga para Itamar, que se distanciara dele desde a posse.

Enfim, vice não é importante só para arregimentar votos e tempo no horário gratuito da propaganda eleitoral.
Um dado curioso nessa história, é que no período militar também morreu um presidente. Na ocasião, porém, o vice não pôde assumir.

O fato ocorreu em 1969, quando o general Arthur da Costa e Silva teve uma isquemia cerebral e ficou paralisado, impedido de continuar exercendo o cargo de presidente. Os comandantes militares então fizeram uma dupla manobra: em primei ro lugar ocultaram dos brasileiros a doença; e depois impediram que o vice, o também mineiro Pedro Aleixo assumisse o cargo.

Deram um golpe branco, substituindo Costa e Silva por três generais. Segundo o jornalista e escritor Elio Gaspari, isso lançou o Brasil “num período de anarquia militar, durante o qual foi governador por dois meses por uma junta patética” (A Ditadura Envergonhada).

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Por Roldão Arruda

O Brasil já realizou cinco eleições – desde o início da redemocratização em 1985 – para escolher presidentes da República. Em três delas apareceram nomes de mulheres nas listas de candidatos do primeiro turno. Em nenhuma, porém, elas conseguiram chegar à etapa seguinte. O segundo turno foi, até agora, território exclusivo de homens. O ano de 2010, com o sexto pleito presidencial, deve ser o ano de ruptura desse padrão.

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Foto: Sérgio Dutti/AE – 24.11.2009

As mulheres entraram em cena já na eleição presidencial de 1989 – a primeira pelo voto direto desde 1960. Naquela ocasião apareceram 22 candidatos no primeiro turno – o maior número registrado até agora.

Na longa lista, na qual figuravam com destaque Fernando Collor de Mello, Luís Inácio Lula da Silva e Leonel Brizola, aparecia uma advogada mineira de nome com ares aristocráticos, Lívia Maria Ledo Pio de Abreu, que concorreu pelo Partido Nacionalista (PN). Como não existem registros da presença de mulheres nos pleitos presidenciais anteriores à ditadura, pode-se dizer que foi a primeira mulher a concorrer à Presidência da República do Brasil.

Naquela disputa encarniçada, Lívia Maria não fez feio. Ficou em 16º lugar, com quase 190 mil votos – o correspondente a 0,25% do colégio eleitoral da época. Mais tarde ela tentou se eleger deputada federal em duas ocasiões, mas não teve sucesso em nenhuma delas.

Nas eleições de 1994 e 2002 as mulheres não foram representadas. Em 1998, Thereza Tigreiros Ruiz, do PTN, figurou sozinha numa lista de 12 homens. Teve menos apoio dos eleitores que sua antecessora do PN. Foram 166 mil votos – 0,24% do eleitorado.

O salto ocorreu em 2006. Dos 8 candidatos do primeiro turno daquele ano, dois eram do sexo feminino.
Foi o ano de Heloísa Helena, a senadora alagoana que rompeu com seu partido o PT, após o chamado escândalo do mensalão, ajudou a fundar o PSOL, lançou-se candidata a presidente e saiu discursando pelo País afora contra a corrupção. Ganhou 6,5 milhões de votos – quase 7% do colégio eleitoral brasileiro. Até hoje foi a mulher que mais teve votos numa disputa presidencial.

Com o sucesso de Heloísa Helena, que neste ano volta a disputar uma cadeira no Senado pelo seu Estado, pouca gente reparou na outra mulher que estava na disputa, a cientista política Ana Maria Rangel, do PRP. Ela também lançou-se na arena com um discurso anticorrupção, mas sem sucesso. Saiu com 126 mil votos, correspondentes a 0,1 3% do total, o pior resultado obtido por uma mulher até agora.

O ano de 2010 deve registrar um novo salto. Novamente são duas mulheres na arena, Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PV). Mas essa é a primeira vez que uma delas é apontada como franco favorita para passar ao segundo turno, com chances até de chegar à Presidência.

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Por Roldão Arruda

O nome de Marina Silva, pré-candidata do PV à Presidência da República, figurou ontem com destaque em sites e blogs gays de todo o País. Foi por causa das declarações que deu, em entrevista, contra o casamento gay.

Não tem jeito. Entra eleição e sai eleição e o assunto continua sempre causando algum tipo de embaraço aos políticos, assim como o aborto e a maconha ­– os chamados temas delicados de campanha. Eles sabem disso e, sempre que podem, fogem deles. Se alguém pergunta ao candidato sobre economia, ele tem prazer em se alongar na resposta, mostrar seu cabedal e propostas. Se a pergunta for, porém, sobre o fim da criminalização do aborto, a resposta será curta e, de preferência, não muito definitiva.

É sabido que quanto mais o candidato se alongar, maior a chance de pisar no calo de uma parte do eleitorado. Se defender o aborto, agrada feministas, setores da área de saúde pública, parte do mundo acadêmico e algumas cabeças livre pensantes; mas também corre o sério risco de despertar a ira em grupos religiosos e afastar o eleitorado mais conservador.

Marina tentou agradar os dois lados. De olho no eleitorado gay, garantiu que é favorável à união civil entre homossexuais. E, com o outro olho no eleitorado evangélico, afirmou que não pode aceitar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, porque se trata de um sacramento.

Parece politicamente correto. Mas não é. A candidata do PV confunde religião com Estado. Os gays não estão reivindicando sacramento religioso, mas sim direitos iguais aos de outros cidadãos perante o Estado – que, no caso brasileiro, é laico e não religioso, como ocorre no Irã. Eles sabem que a união civil é mais limitada do ponto de vista legal do que o casamento em cartório civil que está ao alcance dos heterossexuais.

José Serra, do PSDB, já deu resposta mais elegante e afiada sobre o mesmo assunto. Quando concorreu à Presidência pela primeira vez, em 2002, ao ser indagado sobre o projeto de lei que propõe a união civil entre homossexuais, eles disse sem pensar duas vezes: “O Estado não deve se intrometer na vida das pessoas.”

Pode-se dizer a favor de Marina que ele está situada, do ponto de vista dos interesses dos homossexuais, anos-luz à frente de Anthony Garotinho – político e evangélico como ela. Naquele mesmo ano de 2002, concorrendo como Serra à Presidência, pelo PSB, ele atacou frontalmente o projeto de união civil e outros direitos dos homossexuais, açulando os setores evangélicos mais conservadores. “Eu, pessoalmente, não sou frango”, fez questão de frisar o ex-governador do Rio, em tom debochado, numa entrevista, para afastar dúvidas sobre sua orientação sexual.

Grosserias e gafes são comuns nesse território. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já protagonizou algumas.  Nos anos 70 disse em entrevista que não existiam homossexuais no meio dos operários. Em 2006, em Pelotas, no Rio Grande do Sul, deixou escapar que a cidade era um “pólo exportador de veados” (falou como uma gracinha, uma piada entre amigos, sem saber que estava sendo gravado).

Grosserias e gafes à parte, o partido do presidente, o PT, foi o primeiro a tratar abertamente em seu programa da questão da defesa dos direitos dos homossexuais. E Lula, em seus dois mandatos, seguiu o que estava no programa. Entre outras coisas, organizou a primeira 1.ª Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais, em Brasília. Na ocasião, vestiu o boné usado pelos participantes do encontro e discursou contra o preconceito e a favor da igualdade de direitos.

O antecessor de Lula já havia aberto a trilha.  Na segunda edição do Programa Nacional de Direitos Humanos, de 2002, Fernando Henrique Cardoso (PSDB) tratou pela primeira vez dos direitos dos homossexuais. Na cerimônia de lançamento do programa, quando um gay pôs nas mãos de Fernando Henrique uma bandeira do arco-íris, ele não a escondeu: abriu e exibiu para os participantes do encontro.

Veja mais curiosidades das eleições

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Por Roldão Arruda

Privatizar ou não privatizar? Esse tema ferveu nas eleições de 2006 e deve ganhar espaço no debate deste ano. É provável que o PT (Partido dos Trabalhadores) volte a esgrimir contra a chamada fúria privatista tucana. O PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira) tende a continuar dizendo que Estado mais leve é mais eficiente. O eleitor pode até imaginar um debate de leões. Curiosamente, porém, se ele comparar as propostas desses dois grandes partidos com as de alguns nanicos, poderá concluir que eles não passam de camundongos – de tão radicais que são os outros.

Pegue-se como exemplo a proposta do candidato Américo de Souza, do PSL (Partido Social Liberal), sobre a questão. Se eleito, uma de suas primeiras iniciativa será criar o Conselho Nacional de Desestatização, com a tarefa de privatizar todas as empresas e serviços controlados pelo Estado. Nada ficaria de fora, passando da poderosa Petrobrás ao posto de saúde da esquina.

Ministro aposentado do Tribunal Superior do Trabalho e empresário do setor de imóveis, Souza pretende ser o liberal entre os liberais desta campanha e diz, sem prurido nenhum, que deseja ver tudo na mão da iniciativa privada.

No outro extremo encontra-se o PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado). Se o seu pré-candidato a presidente, José Maria de Almeida, sindicalista mais conhecido como Zé Maria, for eleito e permanecer fiel ao programa do partido, o cenário empresarial no País mudará radicalmente. O programa propõe expropriar sem indenização todas as grandes empresas em operação no País, não importando se o capital é nacional ou estrangeiro.

Ele também advogada a reestatização de tudo que passou para a iniciativa privada no governo de Fernando Henrique, a começar pela gigantesca Vale. No eventual governo dele os bancos privados também desapareceriam e o Brasil passaria a ter um único banco, controlado pelo Estado a serviço das classes trabalhadoras.

Na esquerda, as propostas de Zé Maria só rivalizam com as de Rui Costa Pimenta, jornalista que disputa a cadeira de presidente pelo PCO (Partido da Causa Operária). Para se ter uma ideia do pensamento deste candidato, o site de seu partido na internet já disse que o PSTU fica no centro do espectro político e o PT, à direita. Lá também se encontra a afirmação de que Marina Silva, do PV (Partido Verde), é a candidata dos empresários e das privatizações.

Para quem teve palpitações de alegria ou ficou deprimido ao ler essas propostas, vale lembrar que nenhum desses candidatos tem chances de chegar ao poder agora. Na verdade, o PCO considera o processo eleitoral uma farsa e só entra em campo pela oportunidade de divulgar suas ideias. Zé Maria, do PSTU, nunca se elegeu para nenhum cargo além dos limites da vida sindical.

O aposentado Américo de Souza já foi deputado federal, mas lá nos anos 60. De lá para cá nunca mais se elegeu. Ocupou, sim, um cadeira no Senado, mas como suplente de José Sarney, quando ele deixou a Casa para ocupar a Presidência da República.

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Por Rodrigo Alvares

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Olho Grego é considerado um talismã. Fotos: Hélvio Romero

A pré-candidata a presidência da República pelo PT, Dilma Rousseff, participou hoje de entrevista na Rádio Tupi AM de São Paulo. Nas fotos, ela mostra amuleto que ganhou da esposa do governador da Bahia, Jacques Wagner (PT).

O Olho Grego é considerado um talismã que protege contra “olho-gordo” e inveja. Na Grécia, as pessoas acredi­tam que uma pedra azul neu­traliza a inveja e o mau-olha­do: as energias negativas são trans­formadas em energias positivas e devolvidas a quem tenha de­sejado o mal. O nome turco do amuleto é “nazar boncuk”.

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A partir de hoje, o blog Radar Político, do estadão.com.br, estreia uma nova seção, chamada “Curiosidades das Eleições”. Toda quarta-feira, o jornalista Roldão Arruda, da editoria de Nacional do jornal O Estado de S.Paulo, apresentará fatos inusitados das corridas eleitorais. Hoje, ele fala sobre a idade dos candidatos.

Quem é o candidato mais velho?

Por Roldão Arruda

Entre os 13 nomes que já foram apresentados aos eleitores como pré-candidatos à Presidência da República, o mais velho é o ex-deputado federal constituinte Plínio de Arruda Sampaio, do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). No dia 26, ele comemorará o aniversário de 80 anos.

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Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) será o candidato mais velho desta eleição presidencial

Na mesma lista de pré-candidatos, o mais novo é a senadora Marina Silva, do PV, com 52 anos, completados em fevereiro. Um dado curioso que une o mais velho e o mais novo pretendente à cadeira presidencial é que, embora estejam em partidos diferentes, ambos são originários do Partido dos Trabalhadores (PT) – que eles ajudaram a fundar.

Outra questão que chama a atenção é que Plínio, às vésperas dos 80, tem uma plataforma de esquerda das mais radicais e faz sua campanha no meio de movimentos populares, estudantes, movimentos de sem-terra e de sem-teto, organizações de direitos humanos.

Na terça-feira, discursou durante um ato público no centro de São Paulo, pedindo punição para os agentes do Estado acusados de terem torturado prisioneiros políticos no período da ditadura militar. Foi o único pré-candidato a presidente a ir ao evento, que reuniu cerca de 100 pessoas no Pátio do Colégio. Hoje ele participa, em Brasília, da 1ª Marcha Nacional contra a Homofobia

Plínio reclama do pouco destaque que é dado à sua candidatura nos meios de comunicação. Ele é promotor público aposentado e mestre em desenvolvimento econômico internacional pela Universidade de Cornell (EUA). Começou a carreira política no antigo Partido Democrata Cristão e sempre esteve muito próximo da Igreja Católica.

Uma das maiores bandeiras sempre a reforma agrária. Em seu primeiro mandato como deputado federal (1963-64), foi relator do projeto de reforma agrária do governo João Goulart. Com o golpe, seu mandato foi cassado e ele teve que deixar o País. Em 1984 foi anistiado e aposentado oficialmente no cargo de promotor público.

A seguir as idades de todos os candidatos, de acordo com o ano de nascimento:

Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) – 79

Américo de Souza (PSL)- 78

José Maria Eymael (PSDC) – 70

José Serra (PSDB) – 68

Ivan Pinheiro (PCB) – 64

Ciro Moura (PTC) – 64

Dilma Roussef (PT) – 63

Levy Fidelix (PRTB)- 58

Mário de Oliveira (PT do B) – 57

Oscar Silva (PHS) – 54

Zé Maria (PSTU) – 53

Rui Costa Pimenta (PCO) – 53

Marina Silva (PV) – 52

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