Rosana de Cassia, da Agência Estado
A ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, interrompeu as férias que se estenderiam até domingo, 8, para acompanhar a situação das chuvas em Minas Gerais e os atrasos dos voos nos aeroportos do País. Ela retoma as atividades na tarde desta terça-feira, 3. Às 15h30 Gleisi despacha com o secretário-executivo, Beto Vasconcelos e em seguida receberá, em encontros separados, o ministro interino da Integração Nacional, Sérgio Castro, e os diretores da Infraero, Geraldo Moreira Neves (Comercial) e da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Cláudio Passos Simão (Aeronavegabilidade).
Segundo a assessoria da ministra, ela propôs à presidente Dilma Rousseff, em férias na Base Naval de Aratu, na Bahia, retornar ao trabalho para acompanhar os problemas deste início de ano. O retorno de Gleisi coincide com a entrada em férias do marido, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo.
Em razão dos estragos provocados pelas enchentes e tempestades em Minas Gerais, a presidente Dilma ofereceu ajuda humanitária e financeira ao governador mineiro, Antonio Anastasia (PSDB). O Estado tem atualmente 52 cidades em estado de emergência e 9.365 pessoas desalojadas.
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Sucursal de Brasília
Dois dias depois da saída de Antonio Palocci da Casa Civil, a Receita Federal enviou cópia de todas as declarações de imposto de renda da empresa Projeto, pertencente ao ex-ministro, ao Ministério Público Federal no Distrito Federal.
O procurador Paulo José Rocha Júnior abriu uma investigação preliminar para saber se o enriquecimento de Palocci pode ser decorrente de improbidade administrativa. A investigação está sob sigilo.
De acordo como nota à imprensa divulgada pelo MP na noite de terça-feira, 14, cópia de contratos, comprovantes de prestação dos serviços e escrituração contábil da Projeto não foram entregues. Esses documentos podem esclarecer os clientes de Palocci e que tipo de serviço o ex-ministros prestou para multiplica por 20 seu patrimônio em apenas quatro anos.
A assessoria do Ministério Público informou, porém, que os advogados da empresa reuniram-se com o procurador na última sexta-feira, 10, para definir formalidades da entrega da documentação.
Em princípio, segundo a assessoria, não houve qualquer resistência por parte da empresa em apresentar os documentos solicitados. Ficou definido que o MPF/DF aguardará a documentação até o dia 21 de junho.
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Em cerimônia no Palácio do Planalto, Antonio Palocci despediu-se do governo de Dilma Rousseff e deu lugar à senadora Gleisi Hoffmann no ministério da Casa Civil. Palocci discursou primeiro e destacou que não cometeu nenhum ato ilegal: “Trabalhei dentro da mais estrita legalidade. Mas o mundo jurídico não trabalha no mesmo diapasão do mundo político. O embate político não permitiria que eu continuasse desempenhando minhas funções na Casa Civil”. Aplaudido ao longo de sua fala também afirmou: “Se vim [para o governo] para ajudar a promover o diálogo, saio agora para preservá-lo”. Palocci deixa o ministério mais importante do governo após apenas cinco meses, em razão das suspeitas de tráfico de influência que surgiram com a revelação de que o ex-ministro e até hoje principal articulador político de Dilma havia aumentado seu patrimônio pessoal em 20 vezes.
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Em seguida à fala de Palocci, Gleisi Hoffmann tomou a palavra e disse se espelhar no modelo de Dilma, que esteve à frente da Casa Civil anos antes, no governo Lula. “A política dá sentido à técnica e esta qualifica a política”, afirmou a nova ministra, inspirada na presidente, de quem disse pretender emular a “clareza, razão e sentido público”.
Por fim, Dilma Rousseff fez um discurso bastante emocionado, em que se despediu de Antonio Palocci, a quem o tempo todo chamou de amigo. “Eu estaria mentindo se dissesse que não estou triste. Tenho muitos motivos para lamentar a saída de Palocci. Motivos de ordem política, administrativa e pessoal”, disse a presidente.
Leia abaixo alguns dos principais momentos da cerimônia, que começou com fala de Palocci:
16h28 - “Trabalhei dentro da mais estrita legalidade. Mas o mundo jurídico não trabalha no mesmo diapasão do mundo político. O embate político não permitiria que eu continuasse desempenhando minhas funções na Casa Civil”, diz o ex-ministro. Palocci afirma: “Se vim [para o governo] para promover o diálogo, saio agora para preservá-lo”. E se dirige à presidente : “Quero agradecer à presidente Dilma Rouseff. Estou hoje ainda mais certo que a presidente está à altura deste grande desafio histórico. As políticas que começamos vão se transformar em avanços reais na vida dos brasileiros”, afirma Palocci sobre o momento político em que Dilma se encontra.
16h30 - Palocci fala sobre Gleisi Hoffmann, que o substitui: “Tive a oportunidade de trabalhar junto com ela e com a própria presidente quando participamos da primeira equipe de transição em 2002. Ela foi a primeira mulher a assumir a diretoria da Itaipu binacional. A postura firme da ministra Gleisi no Senado confirma a decisão acertada de Dilma”.
16h31 – Palocci termina agradecendo: “Presidenta Dilma, quero em especial agradecer a sua confiança e dizer que continuarei sendo leal à senhora e ao Brasil. Saio com paz de espírito, de cabeça erguida, honrando o meu trabalho, a minha família e os meus companheiros”.
Em seguida, Gleisi Hoffmann é nomeada como nova ministra, após Dilma assinar o termo que oficializa o evento. Dilma e Gleisi se abraçam. Gleisi fala:
16h33 – A nova ministra da Casa Civil inicia discurso agradecendo aos presentes e afirmando que assume o novo posto “com muita humildade, fé em Deus, gratidão e senso de responsabilidade”. Ela lembra que Dilma esteve em seu lugar anos antes, assumindo mesmo posto.
16h34 - Gleisi afirma que pretende emular de Dilma a “clareza, razão e sentido público” da presidente. “Meu objetivo aqui e agora é realizar um trabalho de futuro e esperança. Garantir dignidade aos brasileiros que mais precisam”. A nova ministra ressalta que vai “fazer a coordenação gestão e controle dos programas de governo”. Ela lembra o governo Lula e se inscreve na continuação do que considera um só projeto de “transformação do Brasil”
16h37 – “A política dá sentido à técnica e esta qualifica a política”, afirma Gleisi Hoffmann citando o que seria uma visão da prórpria presidente Dilma Rousseff. Agradece aos eleitores no Paraná, ao seu marido, o ministro Paulo Bernardo, aos filhos e, finalmente, à presidente. “Que Deus nos ilumine”.
A palavra agora é da presidente Dilma:
16h39 – Após cumprimentar as autoridades presentes – entre eles “meu querido companheiro Anotnio Palocci” -, Dilma afirma: “eu estaria mentindo se dissesse que não estou triste. Tenho muitos motivos para lamentar a saída de Palocci. Motivos de ordem política, administrativa e pessoal”
16h41 – “Juntos, enfrentamos os desafios da jornada eleitoral, da montagem da coligação que me elegeu e sustenta o governo. Agradeço do fundo do meu coração ao meu amigo Antonio Palocci, diz Dilma, emocionada em discurso no Palanlto. “Um amigo deixa o governo, e uma amiga assume o seu lugar”, afirma a presidente, que deseja boas vindas a Gleisi Hoffmann.
16h43 – Dilma em seguida elogia a nova ministra da Casa Civil: ‘Tem sólida formação técnica e experiência de gestão’. Menciona o destemor com que defende suas posições e a elegância com que enfrenta os desafios. A presidente ressalta então fato de Gleisi ser mais uma mulher a integrar o primeiro governo de uma mulher no Brasil. Ela também alerta a nova ministra para os principais desafios que ela deve enfrentar, como o controle da inflação, o controle fiscal, a expansão da classe média, entre outros.
16h45 – “É do jogo democratico que enfrentemos a oposição. Quase sempre ruidosa, nem sempre justa. Sabemos travar o debate e ao mesmo tempo governar. O meu governo, o nosso governo, ministra Gleisi, tem metas e vai cumpri-las”, discursa a presidente Dilma. Ela encerra sua fala ressaltando a força que respalda o governo emanada da população que a elegeu. Deseja boa sorte a Gleisi Hoffmann e ao seu amigo Antonio Palocci.
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Andrea Jubé Vianna
A presidente eleita, Dilma Rousseff, divulga amanhã mais um grupo de ministros do novo governo, o chamado núcleo palaciano. Ela deve confirmar Antonio Palocci na Casa Civil, Gilberto Carvalho na Secretaria Geral da Presidência e a permanência de Alexandre Padilha na Secretaria de Relações Institucionais. A informação é de integrantes do governo de transição. A divulgação deve ser feita por meio de nota, mesmo procedimento adotado na semana passada para a anunciar a equipe econômica.
O PMDB trabalha para que o senador Edison Lobão retorne ao Ministério de Minas e Energia. Ele se reuniu hoje com a presidente eleita. O partido também deve emplacar a permanência de Wagner Rossi no Ministério da Agricultura.
Também há a expectativa de anúncio de que o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, seja deslocado para o Ministério das Comunicações no novo governo.
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