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Polícia Federal prende governador e deputado de Mato Grosso

Lilian Venturini

terça-feira 20/05/14

Silval Barbosa foi liberado após pagar fiança por porte ilegal de arma e José Riva foi levado a Brasília; investigação também tem Maggi como alvo Fátima Lessa – especial para o Estado Cuiabá – (atualizado às 23h31) A Polícia Federal fez nesta terça-feira, 20, buscas no apartamento do governador de Mato Grosso, Silval Barbosa (PMDB), [...]

Silval Barbosa foi liberado após pagar fiança por porte ilegal de arma e José Riva foi levado a Brasília; investigação também tem Maggi como alvo


Fátima Lessa – especial para o Estado

Cuiabá – (atualizado às 23h31) A Polícia Federal fez nesta terça-feira, 20, buscas no apartamento do governador de Mato Grosso, Silval Barbosa (PMDB), em operação que investiga esquema de crimes financeiros e lavagem de dinheiro por meio de empresas de factoring (negociadoras de crédito).

O peemedebista chegou a ser preso por guardar em casa uma arma de fogo com registro vencido. A operação também levou à prisão o ex-presidente da Assembleia Legislativa José Riva (PSD) e um ex-secretário estadual na gestão do hoje senador Blairo Maggi (PR).

Silval foi levado para a sede da PF em Cuiabá sob a acusação de porte ilegal de arma. O governador só foi liberado depois de prestar depoimento e pagar fiança de R$ 100 mil.

 

 

A Operação Ararath, em sua quinta fase, teve como alvo toda a cúpula de Mato Grosso. Mandados de prisão, busca e apreensão partiram do Supremo Tribunal Federal, única instância que pode autorizar investigação de autoridades com foro privilegiado – Maggi está entre os investigados.

Os agentes também vasculharam a casa e o gabinete do prefeito de Cuiabá, Mauro Mendes (PSB). Nas residências dele e de Silval, foram apreendidos documentos e computadores.

A PF também prendeu José Riva, deputado estadual e um dos nomes mais influentes na política local, e Eder Moraes, ex-secretário de Fazenda e da Copa na gestão Maggi. Houve buscas na casa de ambos e no gabinete de Riva. Os dois foram levados de avião para Brasília e recolhidos na Penitenciária da Papuda.

Ao todo, a PF cumpriu 59 mandados de busca e apreensão contra pessoas físicas e jurídicas. Ao menos 30 pessoas, entre empresários e advogados, foram conduzidas coercitivamente para prestar depoimentos.

Nenhum outro detalhe da operação foi divulgado, a pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot (mais informações nesta página). Até mesmo notas sem nomes, tradicionalmente publicadas no site da PF, foram vetadas.

Fachada. O esquema investigado na Operação Ararath começou a ser apurado em 2011. Durante os trabalhos, foi identificado um grupo que usaria empresas de factoring como fachada para a concessão de empréstimos a pessoas físicas e jurídicas do Estado por meio de uma empresa com sede em Várzea Grande (MT) que encerrou as atividades em 2012.

Mais de R$ 126 milhões em cheques e notas promissórias foram apreendidos na fase anterior da operação, deflagrada em fevereiro. Parte do dinheiro, segundo investigadores ouvidos pelo Estado, teria sido canalizada para campanhas políticas.

A movimentação ontem foi atípica na sede da PF. A mulher de Riva, Janete Riva, foi ouvida durante o dia. Também prestou depoimento um representante da empresa Dimak, que, segundo seu advogado, é acusada de ter recebido R$ 15 milhões ilegalmente, frutos da aquisição de maquinários para o programa estadual MT 100% Equipado.

O governador chegou à sede da PF em Cuiabá por volta das 11 horas, acompanhado de advogados, e prestou depoimento por mais de quatro horas. A Secretaria de Comunicação do Estado confirmou a prisão por posse irregular de uma pistola. No fim da tarde, ele deixou o local para se reunir com a sua defesa.

Até a conclusão desta edição, Silval e Maggi não haviam se pronunciado. Em nota, a prefeitura de Cuiabá informou que “a busca e apreensão determinada pelo Supremo Tribunal Federal foi cumprida para verificar documentos sobre um empréstimo que Mauro Mendes tomou da empresa Amazônia Petróleo em 2012, no valor de R$ 3.450.000”. O prefeito disse que o empréstimo, “ainda não liquidado”, consta das declarações de Imposto de Renda. / COLABOROU FÁBIO FABRINI