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22.maio.2012 13:23:16

Sessão da CPI com Cachoeira acaba sem respostas

atualizado às 16h44

estadão.com.br e Ricardo Britto, da Agência Estado

A sessão da CPI em que era aguardado o depoimento do contraventor Carlinhos Cachoeira durou 2h30 e terminou sem que o contraventor respondesse a qualquer uma das perguntas feitas pelos parlamentares. Cachoeira entrou na sala do Senado às 14h13 sem algemas. Conforme adiantou o seu advogado Márcio Thomaz Bastos, ele ficou em silêncio para não produzir provas contra si mesmo. “Direito constitucional de ficar calado”, repetiu seguidas vezes durante a sessão.

Já na sua primeira fala à CPI, Cachoeira anunciou que só prestaria esclarecimentos após comparecer a duas audiências na Justiça Federal em Goiânia, marcadas para os dias 31 de maio e 1º de junho. “Não falarei nada aqui”, disse. Diante do comportamento de Cachoeira, parlamentares, irritados, pediram o fim do depoimento e o agendamento de nova sessão após a ida do contraventor à Justiça, quando ele se dispôs a contribuir com a CPI.

Os parlamentares, porém, não conseguiram votar a reconvocação do contraventor porque a sessão de votação do plenário do Senado já teve início e, regimentalmente, não é possível ter votações em comissões ao mesmo tempo do plenário da Casa.

O deputado Silvio Costa (PTB-PE) sugeriu que os integrantes da CPI do Cachoeira não fizessem perguntas ao contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, para que ele não se beneficiesse quando fosse convocado novamente pela comissão. Costa disse que, ao expor os questionamentos, o contraventor pode tirar benefícios quando depuser.

Cachoeira afirmou que só vai se pronunciar na CPI depois de ser ouvido em uma audiência a que foi convocado pela Justiça, marcada para junho. O presidente da comissão, Vital do Rêgo (PMDB-PB), concordou com a avaliação de Silvio Costa, chegando a dizer que seria de “bom alvitre” antecipar o encerramento do encontro.

Os líderes do PSDB no Senado e na Câmara, respectivamente, Alvaro Dias (PR) e Bruno Araújo (PE), deixaram de fazer perguntas ao contraventor. “Que imagem que nós estamos passando”, afirmou Alvaro Dias, para quem Cachoeira está depondo na CPI com “arrogância diante dos livres”. Bruno Araújo pediu a reconvocação imediata do contraventor.

A senadora Kátia Abreu (PSD-TO) fez o mais duro questionamento à sessão. “Estamos fazendo um papel de ridículo diante deste cidadão”, afirmou, para quem estava perguntando “para uma múmia”. “Um cidadão que não quer responder. Não vou ficar aqui dando ouro para bandido”, disse. “A gente vai ser ridicularizado ao cubo”, criticou Silvio Costa, que, assim como Kátia Abreu, também não quis fazer perguntas.

Contudo, os parlamentares ignoraram o pedido. O líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira (SP), fez perguntas, sem respostas, sobre a relação do contraventor com o governador de Goiás, o tucano Marconi Perillo.

O relator, deputado Odair Cunha (PT-MG), sugeriu aos parlamentares votar um pedido para convocá-lo após as duas audiências na Justiça, marcadas para os dias 31 de maio e 1º de junho. “Temos uma longa travessia”, afirmou ele, sugerindo antecipar o fim da sessão.

No Senado, a sala e o corredor onde foram realizados o depoimento ficaram com acesso controlado pela Polícia Legislativa. Apenas servidores identificados e jornalistas com credenciais especiais foram liberados para acompanhar o depoimento, para não superlotar a sala. A mulher de Cachoeira, Andressa Mendonça, acompanhou a sessão.

Abaixo, os principais momentos:

16h31 – Com maioria de votos, o relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT) declarou encerrada e marcou nova reunião para a próxima quinta-feira, 31.

16h30 – Relator fez votação do requerimento para encerrar a sessão e solicitar volta do contraventor Carlinhos Cachoeira após prestar depoimento à Justiça.

16h22 – O senador Cassio Cunha Lima (PSDB-PB) defendeu o fim da sessão para que a CPI pudesse se dedicar as provas técnicas. Já a senadora Vanessa Grazziotin (PC do B-AM) defendeu a continuidade da sessão em respeito aos parlamentares inscritos para fazer perguntas.

16h16 – Relator da CPI informa que está na mesa o requerimento da senadora Kátia Abreu (PSD), com apoio de outros partidos, que pede fim da sessão. Há, porém, 39 pedidos de participação ainda na sessão. Dois parlamentares irão se pronunciar agora, um favoravelmente e outro contrário ao requerimento proposto.

16h10 - Deputado Domingos Sávio (PSDB-MG) perguntou novamente se o contraventor Carlinhos Cachoeira se comprometeria a ajudar a CPI caso tivesse o benefício da delação premiada. Como vem respondendo desde o início da sessão, às 14h, Cachoeira se valeu do direito constitucional de ficar em silêncio.

16h05 - Senador José Pimentel (PT-CE) não fez perguntas e defendeu que a CPI avance no sentido de “desmontar” as “organizações criminosas” que foram trazidas à tona pelas investigações da Polícia Federal.

15h57 - Deputado Ronaldo Fonseca (PR-DF) questiona novamente sobre os contratos da Delta no governo do DF e as supostas tentativas de contato com o governador Agnelo Queiroz (PT). “Com todo respeito à vossa excelência não vou responder. Vou usar meu direito constitucional”, respondeu Cachoeira.

15h54 - Deputadao Íris de Araújo (PMDB-GO): Essa CPMI não pode ser partidarizada, mas também não pode ser CPMI em que caiba ou até que se sugestione qualquer tipo de acordo. Tenho trabalhado, estudado para fazer aqui dentro o papel que me cabe como juíza. Mas me recuso e subscrevo também o documento da senadora Kátia Abreu (PSD) de vir aqui fazer perguntas para que nosso depoente não as responda. Me coloco junto àqueles que acham e que defendem que os trabalhos sejam encerrados e transformados em um trabalho adminsitrativo para que corra celeremente.

15h47 - Senador Fernando Collor (PTB-AL) formula perguntas sobre as relações entre Cachoeira e o jornalista da revista Veja, Policarpo Júnior.

15h37 - Deputado Chico Alencar (PSOL-RJ): “Essa sessão não foi inútil. Cachoeira acaba de declarar seu silêncio cínico e respeitoso. Agregou provas às provas. O senhor reiterou tudo isso que nós estamos investigando.”

15h31 - Deputado Maurício Quintella (PR-AL): “Estamos aqui fazendo o papel do advogado, preparando o depoente. Isso não faz sentido. O PR vai apoiar o requerimento que encerra essa sessão.”

15h25 - Senador Silvio Costa (PTB-PE) também defendeu o fim da sessão “para que não continue com esse espetáculo ridículo, penoso, embora constitucional”, afirmou exaltado. “Essa CPI corre grande risco de ser amanhã muito mal interpretada pela opinião pública”, disse. O relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT) também se disse favorável a encerrar a sessão e marcar uma oitiva após a ida de Cachoeira à Justiça.

15h20 - Senadora Katia Abreu (PSD-TO) sugeriu terminar a sessão. “Esta sessão está sendo ridícula”. “(Cachoeira) está nos manipulando. Se estamos aqui perguntando pra uma múmia, o que as pessoas vão pensar de nós. Não vou ficar aqui dando ouro para bandido”, disse irritada.

15h08 - Deputado Bruno Araujo (PSDB) sugeriu apresentar requerimento para que seja marcado nova audiência com Carlinhos Cachoeira, após sua ida à Justiça. O documento, sugeriu ele, deve pedir que a Justiça encaminhe à CPI todo o material desse depoimento.

15h02 - Senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) pede para o contraventor detalhar relação com governos de Goiás e do Distrito Federal, além de encontros com o ex-presidente da construtora Delta Fernando Cavendisch. A todas as perguntas, Cachoeira respondeu: “Calado, senhor”.

14h49 - Cachoeira: “Direito constitucional de ficar calado, ao ser questionado pelo deputado Rubens Bueno (PPS-PR) sobre sua relação com Henrique Meirelles.

14h45 - Deputado Felipe de Almeida Pereira (PSC-RJ) também se queixou-se do silêncio do contraventor. Cachoeira, ao final das perguntas do deputado, voltou a dizer: “Posso muito ajudar. Mas depois.”

14h40 - Exaltado, o deputado Fernando Francischini criticou a postura de Carlinhos Cachoeira e cobrou de seu advogado, Márcio Thomaz Bastos, colaboração: “Peço que o senhor o oriente (Cachoeira). Não brinque com essa CPMI.”

14h30 - Os primeiros deputados a fazer perguntas são do PSDB, Carlos Sampaio (SP) e Fernando Francischini (PR). Ambos questionam a relação de Cachoeira com Dadá (interceptado em gravações telefônicas feitas pela PF) e sobre contratos firmados com o governo do DF por meio da Delta Construções. “O senhor aceitaria a proposta de delação premiada (…) para ajudar a passar a vassoura nesse Congresso Nacional e nos Estados?”, perguntou Francischini.

14h20 - Parlamentares se quixaram das respostas de Cachoeira e pediram respeito do contraventor durante a sessão. O relator da CPI perguntou se em uma sessão secreta ele se disporia a falar. Cachoeira insistiu que só falará após audiência, conforme orientação de seus advogados. Diante do posicionamento do contraventor, o relator abriu mão da palavra. Agora, os parlamentares terão direito a fazer perguntas.

14h19 - O relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT), perguntou: “O senhor se definiria como no seu ramo de atividade?” Cachoeira se negou a responder: “Ficarei calado, como manda a Constituição.” “Tenho muito a dizer depois da minha audiência. Pode me convocar”, emendou.

14h14 - Cachoeira se disse disposto a ajudar, mas que não falaria na sessão.

 

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