SÃndico profissional se desdobra para gerir vários edifÃcios
27 de junho de 2012 | 8h54
Redação
GUSTAVO COLTRI
Mais do que passar adiante a gestão predial, os edifÃcios que contratam sÃndicos profissionais precisam aprender a dividir as atenções com outros conjuntos. E não podem se descuidar da avaliação contÃnua dos serviços, na medida em que esses trabalhadores, como qualquer um no exercÃcio do cargo, respondem juridicamente pelo condomÃnio.
Os sÃndicos profissionais acumulam em geral a gestão de alguns edifÃcios. O número varia de acordo com o tamanho, o padrão e o tipo de empreendimento – residencial ou comercial -, além das condições fÃsicas, judiciais e financeiras do prédio.
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Daniella Bergamo, de 40 anos, está à frente de seis, todos de alto padrão e cinco deles residenciais: “Há sete anos, comecei administrando meu condomÃnio, que tem quatro torres. Na época, ninguém quis”, conta. O bom desempenho gerou, segundo ela, o interesse dos prédios vizinhos por seu trabalho. “Comecei profissionalmente há três anos.”
A sÃndica tem uma rotina regrada para atender aos clientes. Separa todas as quartas-feiras do ano para reuniões com os conselheiros dos conjuntos e visita, pelo menos uma vez por semana, os edifÃcios, além de participar das respectivas assembleias com moradores. Daniella também mantém duas colaboradoras para tarefas de apoio. Uma delas apenas para ler e responder os cerca de 50 e-mails que recebe todos os dias. A outra para atuar como supervisora operacional em vistorias semanais pelos edifÃcios – outra análise, mais criteriosa, ocorre semestralmente. “Tenho de ser acessÃvel”, diz.
A profissional informa seus telefones e seu e-mail a todos os condôminos com os quais tem contato. “Os problemas que eles relatam me ajudam a administrar. E os funcionários tomam cuidados porque sabem que os moradores me contam tudo se algo acontece”, explica.
Ajuda. Daniella Bergamo mantém duas colaboradoras para auxiliá-la (Foto: Daniel Teixeira/AE)
O vice-presidente da Associação dos SÃndicos Comerciais e Residenciais do Estado de São Paulo (AssosÃndicos), Renato Daniel Tichauer, que também é sÃndico profissional, afirma ser um mito a ideia de que os gestores moradores são mais presentes do que os contratados, prestando, por isso, um melhor atendimento. “Os moradores, com exceção dos aposentados, têm outras atividades. Eu, quando era apenas sÃndico do meu prédio, dedicava só meus fins de semana ao condomÃnio.”
Em condições normais, duas ou três visitas por semana são suficientes para a realização de um trabalho adequado, segundo Tichauer – mas esse número pode se estender quando necessário. Além disso, diz ele, muitas das atribuições do cargo envolvem tarefas próprias de escritório, que podem ser feitas a distância.
O representante da AssosÃndicos trabalha em quatro conjuntos e realiza seu trabalho sozinho, embora reconhece já ter pensado em montar uma equipe de apoio. “Muitas vezes os condôminos querem me ver no edifÃcio, e não outra pessoa”, diz. Ele também considera delicada a delegação da tarefa de responder e-mails. “Cada pessoa tem uma maneira de escrever. É complicado passar isso para um funcionário. “
Valores. A contratação de um sÃndico pode elevar os gastos de um condomÃnio, tornando essa uma opção para apenas alguns deles. A adesão ao serviço profissional é mais comum em edifÃcios novos, de alto padrão, que preferem comodidade, e nos condomÃnios-clube, com grande infraestrutura.
De acordo com o diretor de condomÃnios da administradora Habitacional, Marcio Bagnato, os custos para a contratação de um sÃndico variam no mercado de R$ 2,5 mil a R$ 6 mil. “Como a profissão não é regulamentada, deve-se verificar as referências do profissional em três ou quatro prédios. E é importante fazer uma pesquisa de informações cadastrais para saber se ele não tem ações em andamento e pendências financeiras. O sÃndico é representante legal do condomÃnio e gerencia o dinheiro dos condôminos”, justifica.
Algumas empresas também prestam serviços de sindicância. A administradora Auxiliadora Predial mantém gestores em 60 condomÃnios. Eles têm liberdade administrativa, mas é a companhia quem autoriza formalmente as ações indicadas pelos colaboradores. “E sempre nos reportamos aos conselhos”, diz a gerente do pacote Gestão Total da Auxiliadora, Ângela Del Pino.
O serviço inclui a visita semanal de um supervisor operacional, além de uma espécie de auditoria das condições prediais realizada a cada semestre por um gerente de processos, que avalia o desempenho dos gestores. “Isso dá uma renda variável para os profissionais, e é uma forma de amarrar o serviço com padrões de qualidade”, explica.
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