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Quando cada centímetro faz a diferença

11 de novembro de 2011 | 11h50

Claudio Marques

Se você já sofreu com problemas por causa da falta de espaço ou da disposição inadequada de sua garagem, acredite: seria muito pior se não existissem profissionais como Fadva Ghobar e André Charallo.  Ela é arquiteta; ele, coordenador de implantação condominial.  E ambos são especialistas em logística de distribuição de vagas.

A demarcação mal feita, em geral, é a causa do trabalho dos dois.  “A intervenção pode ser simples, desde buscar uma passagem para o elevador até readequar o espaço como um todo”, explica Fadva, da Gobhar Planejamento deGaragem.  Mais comuns, os problemas de disposição e de tamanho das vagas são verificados depois que os profissionais comparam os projetos dos empreendimentos com as reais condições das instalações.

“Em 95% dos condomínios, o que consta na planta não está no prédio.  Aí temos de fazer mudanças”, conta André, de 28 anos e funcionário da administradora Itambé.  O trabalho dele começa em média seis meses depois da entrega das chaves como preparação ao sorteio das vagas entre as unidades.

Este é um dos assuntos mais populares e polêmicos nos conjuntos residenciais.  Um levantamento feito pela Lello Imóveis com seus 1,4 mil clientes mostra que, em dias de sorteio, as assembleias reúnem mais de 85% dos condôminos – 8,5 vezes mais do que o verificado na aprovação de benfeitorias sem o rateio de custos, por exemplo.

Mesmo muito pequenos, erros de demarcação podem implicar também na falta de espaço para a acomodação dos carros de todas as unidades – em regra, os apartamentos devem contar com ao menos uma vaga, de acordo com a legislação municipal.

As dimensões das garagens ainda devem respeitar o Código de Obras e Edificações da cidade.  As vagas para carros populares, por exemplo, devem ter no mínimo 2,1 metros de altura, 2 m de largura e 4,2 m de comprimento.  “E há construtora que entrega demarcações com 1,75 m de largura”, conta André.

A solução para os empecilhos é o redesenho da garagem e a identificação das chamadas “vagas presas”.  Depender do vizinho para colocar ou retirar o carro é, aliás, um problema à parte para os especialistas: “Há empreendimentos vendidos com vaga, mas nada diz que elas são presas”.  Para reduzir o número de conflitos, a Itambé procura agrupar moradores por afinidade ou parentesco antes de sortear os espaços obstruídos.

Mesmo necessária, a readequação das áreas nem sempre resolve todos os entraves.  “Somos claros com os moradores.  Quando elaborarmos uma proposta de trabalho, realizamos antes uma pré-análise (do que pode ser feito no prédio)”, diz Fadva.

A especialista prefere se antecipar aos problemas.  Quase três quartos de seus contratos envolvem a consultoria logística para empreendimentos ainda em fase de projeto.

“Quando trabalhamos na origem, tentamos guardar algo na manga, como um espacinho. ” Nessa fase, ela considera importante a orientação às incorporadoras. “Às vezes, elas querem colocar duas vagas por apartamento, mas não é possível.  Procuramos mostrar a elas o que realmente cabe na área.”/GUSTAVO COLTRI

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1 Comentário Comente também
  1. Enviado por: Henrique

    Resumindo, as construtoras fazem uma bomba e repassam o problema aos compradores. este tipo de projeto, com vagas presas para moradores diferentes, falta de espaço para manobrar, vagas com menos de 2,5m de largura, deveria ser proibido. Mas o que vale é a especulação imobiliária, o desrespeito ao consumidor.

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