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Primos pobres de São Paulo vivem boom imobiliário

29 de maio de 2012 | 14h02

Claudio Marques

GUSTAVO COLTRI

Os elevados preços de terreno da capital criaram condições para o desenvolvimento do mercado imobiliário em cidades da Grande São Paulo antes esquecidas pelos incorporadores. Essa nova situação está mudando o aspecto de alguns dos “patinhos feios” da região metropolitana.

Dados da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp) organizados pelo Sindicato da Habitação (Secovi-SP) a pedido do Estado mostram, por exemplo, alta de 540% no número de unidades lançadas em Carapicuíba de novembro de 2009 a abril deste ano em relação aos 30 meses que precederam este intervalo (Veja no gráfico a variação em outros municípios).

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Embora com números absolutos mais modestos, os vizinhos têm porcentuais muito superiores ao de São Paulo, com alta de 5,9% – e, para os pequenos, os resultados são ainda mais impactantes. Cajamar, com 64 mil habitantes, teve sozinha 2.200 novas unidades no período. Se a lógica do mercado fosse proporcional ao tamanho da cidade, Guarulhos, que é dezenove vezes mais populosa, teria quase 42 mil imóveis lançados – bem mais do que os 17 mil que de fato recebeu.

Na beira da Rodovia Anhanguera e na rota de polos urbanos importantes como Campinas, Cajamar foi alvo de um grande loteamento iniciado em 2007, o Villagio Portal dos Ipês, onde a Brookfield lançou 14 condomínios – sete deles atualmente em fase de conclusão.

“A cara daquele pedacinho está mudando bastante. No começo, era mais difícil atrair o público para Cajamar. Hoje, as unidades que voltam (retomadas por algum motivo) têm liquidez muito grande”, diz a superintendente de incorporação da empresa, Andreia Cardoso. Para ela, o preço do metro quadrado, avaliado em R$ 2,7 mil para um imóvel pronto, é um ponto forte do projeto. “Em áreas centrais de São Paulo, não se encontra por menos de R$ 5 mil na planta.”

Oportunidade. Os bons valores e a proximidade a São Paulo atraíram até consumidores da capital. Caso do comprador Jefferson Lopes, de 24 anos. Ex-morador do Parque São Domingos, em Pirituba, ele adquiriu apartamento de dois dormitórios e 49 m² em dezembro de 2009. “Recebi a indicação de uma amiga. Paguei R$ 105 mil. Agora, está quase R$ 140 mil”, conta o rapaz, que se mudou em abril.

Ele perde cerca de 20 minutos na estrada para chegar ao trabalho, no bairro do Jaraguá. “Valeu a pena pela relação custo benefício. Dei somente R$ 11 mil de entrada”, diz. Lopes espera ocupar a unidade por ao menos 15 anos. “E minha intenção não é vender porque vai valorizar. Estão construindo shopping e vai ter supermercado perto”, conta.

Na opinião do diretor da Embraesp, Luiz Paulo Pompéia, cidades vizinhas à capital permitem que os compradores tenham acesso a imóveis de bom padrão por preços muito inferiores aos praticados em São Paulo. “Esse tem sido o mote do boom nos municípios do entorno. A pessoa vê um apartamento que nunca teria em São Paulo”, diz.

Ele vê boas perspectivas para produtos de dois dormitórios, com alta liquidez e grande público potencial. “Ir de Santana a Santo Amaro demora tanto quanto o deslocamento de Santana a outra cidade”, completa. Osasco, com mais 600 mil habitantes e amplos terrenos, apresenta boas condições para crescer, segundo o executivo.

Outra cidade que se desenvolve é Diadema, com 3,5 novas unidades nos últimos 30 meses. “Ela é o primo pobre do ABC, mas a proximidade com a zona sul de São Paulo e o preço do terreno acabam gerando oportunidades para empreendimentos de padrão médio”, diz o diretor da Urban Systems, Paulo Takito. Ele acredita que a cidade seja beneficiada com o prolongamento da Avenida Roberto Marinho, ampliando suas ligações com os polos corporativos da capital.

Até o fim deste ano, a MZM Construtora atingirá R$ 600 milhões de investimentos no município. A empresa prepara o lançamento de quatro empreendimentos por lá – três residenciais puros e um de uso misto, com até hotel. “No passado, Diadema era conhecida pela criminalidade, mas hoje está bem mais tranquila. Essa mudança de imagem fez com que investíssemos”, diz o presidente da empresa, Francisco Diogo Magnani.

Infraestrutura. Nos próximos anos, o diretor da Urban Systems também imagina crescimento para cidades que serão cortadas pelo Rodoanel, especialmente no trecho leste da via. “Poá estará no roteiro da estrada. Isso vai mudar a região, principalmente nas áreas de contato entre as pistas e as áreas urbanas”, especula. Por enquanto, a cidade atraiu apenas 272 unidades desde novembro de 2009.

De acordo com o presidente da Eugênio Marketing Imobiliário, Carlos Valladão, os municípios vizinhos a São Paulo com maior infraestrutura e renda tendem a atrair o mercado – o que explicaria o desenvolvimento mais tímido de algumas localidades, como Franco da Rocha, com 139 unidades, e Itapecerica da Serra, com apenas 14. “Mogi das Cruzes tem muito mais infraestrutura do que Itapevi, por exemplo. Sai na frente quem permite maior bem

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Guarulhos se destaca na região metropolitana

29 de maio de 2012 | 14h01

Claudio Marques

Segunda cidade mais populosa do Estado, Guarulhos é o principal mercado da Grande São Paulo após a capital. A cidade concentrou 24,2% das 73.447 unidades lançadas na região metropolitana (excetuando São Paulo) de novembro de 2009 a abril de 2012. Seus 17,7 mil imóveis representam alta de 43% em relação aos 30 meses anteriores.

“A valorização por lá foi muito grande, especialmente das unidades compactas”, diz o diretor da Embraesp, Luiz Paulo Pompéia. O município é dominado por unidades de dois dormitórios (12.072), e seu preço médio de metro quadrado útil está avaliado em R$ 3,2 mil – a metragem em São Paulo custa R$ 5,6 mil.

A MRV Engenharia, focada no mercado econômico, lançou por lá 2,5 mil unidades em cinco empreendimentos desde novembro de 2009. “Guarulhos tem renda, gente e ainda tem terrenos. Temos mais um para lançar com 700 unidades. Chama-se Santa Mônica, em Bom Sucesso”, diz o diretor comercial da empresa na região, Sérgio Paulo Amaral.

Descentralização de projetos exporta produtos na Grande SP

29 de maio de 2012 | 14h00

Claudio Marques

GUSTAVO COLTRI

O presidente do Secovi-SP, Claudio Bernardes, atribui a descentralização dos lançamentos à falta de estoque de outorga onerosa em bairros de interesse das incorporadoras na capital. Segundo dados da Prefeitura de São Paulo, um quarto dos seus distritos estão com estoques esgotados ou próximos do limite.

“São Paulo tem uma massa grande e tem uma tendência de que as coisas aconteçam aqui. Se houver a revisão do plano diretor, teremos uma distribuição mais homogênea”, diz.

Ele acredita que a dispersão de pessoas para o entorno possam gerar efeitos sobre o deslocamento. Por outro lado, Bernardes destaca o desenvolvimento dos vizinhos por meio da expansão de alguns modelos de produto. “Os empreendimentos mistos têm um apelo muito mais moderno. É importante que as empresas saibam exportar esses modelos”, opina.

A incorporadora Helbor, com sede em Mogi das Cruzes, lançou um complexo misto de três torres nas dependências do Mogi Shopping. Dono de uma produtora audiovisual na cidade, Mário Magalhães adquiriu 145 m² no edifício corporativo do Helbor Concept. “Não havia opção desse tipo, mas Mogi teve um desenvolvimento imobiliário muito grande os últimos anos”, diz.

Ao lado de Suzano, o município tornou-se opção para os empreendedores ao leste da capital. “Os vizinhos são alternativa de qualidade de vida. E o custo para viver é bem mais baixo do que o de São Paulo”, diz o diretor de vendas da Helbor, Marcelo Bonanata. Mogi das Cruzes teve 4,7 mil unidades de novembro de 2009 a abril deste ano.

Feirão segue nas agências da Caixa Econômica

20 de maio de 2012 | 5h26

Claudio Marques

Multidão lotou os corredores do Pavilhão Imigrantes no primeiro dia do evento (Foto: MARCIO FERNANDES/AE )
 

Quem não puder comparecer à 8ª edição do Feirão da Casa Própria da Caixa Econômica Federal (CEF), que termina hoje, no Centro de Exposições Imigrantes, ainda consegue encontrar os imóveis ofertados, e não comercializados durante o evento, nas agências da instituição ou no site www.feiraodacaixa.com.br. Também serão mantidas as condições e taxas de financiamento.

Os visitantes que fizeram a simulação de financiamento nos estandes do banco e obtiveram uma carta de crédito autorizando o empréstimo, também poderão utilizar o documento em qualquer agência no prazo de 30 dias. “Isso dá um grande poder de barganha para o comprador na hora de negociar o preço do imóvel. Afinal, crédito é dinheiro”, diz o diretor do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), Flavio Prando.

Para obter a carta de crédito no Feirão é preciso apresentar os documentos de identificação (RG e CPF) e comprovante de renda mensal e de residência.

Durante os três dias, construtoras e imobiliárias disponibilizaram ofertas de 217,5 mil unidades habitacionais: 193 mil imóveis usados e 24,5 mil prontos ou na planta, sendo 15,2 mil enquadrados no programa federal Minha Casa, Minha Vida.

De acordo com o superintendente regional da Caixa em São Paulo, Paulo José Galli, a expectativa é de que o valor em contratos assinados e encaminhados nesta edição supere os R$ 2 bilhões atingidos no evento do ano passado, o que equivaleria a cerca de 15 mil negócios.

Para Prando, é bom ir ao Feirão para conhecer as opções de imóveis disponíveis na região onde o comprador mora. Mas, ressalta ele, é bom fechar o negócio com cautela. “O evento otimiza a vida de quem quer comprar um imóvel porque concentra várias opções em um mesmo lugar e reduz a peregrinação dele por mais de um empreendimento.”

O consultor imobiliário Carlos Alberto Razuc acredita que quem encontrar o imóvel dos seus sonhos e puder fechar o negócio durante o evento, não deve protelar a decisão. “É meio arriscado deixar para depois, porque pode perder uma boa oportunidade. Afinal, os melhores negócios devem ser fechados durante o evento”, comenta Razuc.

Novas taxas. Os imóveis da edição 2012 já são negociados com as taxas menores surgidas do movimento de redução dos juros iniciado pelos bancos públicos no último dia 4.

Para imóveis com valor até R$ 500 mil enquadrados nas regras do Sistema Financeiro da Habitação (SFH), por exemplo, a taxa de juros foi reduzida de 10% para 9% ao ano mais Taxa Referencial (TR). Para clientes da Caixa, essa taxa cai para 8,4% ao ano mais TR. Para correntistas que mantêm conta salário na instituição, a taxa é ainda menor: 7,9% ao ano mais TR.

Para imóveis fora do SFH, ou seja, com valor acima de R$ 500 mil, a taxa de juros caiu de 11% para 10% ao ano mais TR. Clientes da instituição pagam 9,2%. E quem possui conta salário na Caixa dispõe de uma taxa de 9%.

Os imóveis enquadrados no programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, com valor máximo de R$ 170 mil, poderão ser financiados a taxas de juros que variam de acordo com a renda familiar. Para famílias que recebem de R$ 465 a R$ 2.325 mensais, a taxa de juros é de 5% ao ano mais TR. Para quem tem renda de R$ 2.325 a R$ 3.100, os juros são de 6%. Já para a faixa de renda de R$ 3.100 a R$ 5.000, os juros caem para 8,16% – ou 7,9% se esse cliente tiver conta salário na instituição.

Estão participando do Feirão 95 construtoras, 137 imobiliárias e cerca de 100 corretores. Só a Caixa conta com 565 funcionários e as empresas parceiras com cerca de 1.000 funcionários trabalhando no evento.

Agenda. A 8ª edição do Feirão da Caixa começou no último dia 4 nas cidades de Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro, Recife (PE), Salvador (BA) e Brasília (DF).

Depois da capital de São Paulo, o evento será realizado simultaneamente em Uberlândia (MG), Campinas (SP) e Porto Alegre (RS) entre os dias 25 a 27 de maio. As últimas cidades que terão o Feirão da Caixa serão Belém (PA) e Florianópolis (SC), onde o evento ocorrerá entre os dias 8 e 10 de junho.

Neste ano, serão ofertados em torno de 430 mil imóveis novos, usados e na planta em todo o País. Participarão do Feirão em torno de 760 construtoras, quase 400 imobiliárias e 460 correspondentes bancários da Caixa Econômica Federal. A última edição do evento registrou mais de 450 mil visitantes, com movimentação financeira superior a R$ 10 bilhões, em negócios assinados e encaminhados.

Os interessados em fechar negócio no Feirão devem levar RG, CPF e comprovante de renda.

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Eficiência será diretriz do edifício do futuro

18 de maio de 2012 | 9h07

Claudio Marques

GUSTAVO COLTRI
 
Quando visto do presente, o futuro tem muitas facetas.  Pode variar do apocalítico ao high-tech, dependendo do assunto em questão e do humor da fonte de previsões.  Para a vida condominial nos próximos 20 anos, as expectativas não são tão fatalistas, mas apontam para um cenário: o de ganho de eficiência.
 
“Quando falamos em anos, não podemos deixar de pensar em tecnologia.  O condomínio é um conjunto de pessoas.  Por isso, imagino que haverá uma interação muito grande por meio de redes sociais”, opina a presidente da Associação Brasileira de Administradoras de Imóveis (Abadi), Deborah Mendonça.
 
Ela acredita na universalização das assembleias virtuais nos conjuntos.  O instrumento online, que permite o acompanhamento das reuniões condominiais à distância, está disponível hoje principalmente em edifícios atendidos por grandes empresas de gestão imobiliária.
 
O acesso remoto de dados, inclusive por dispositivos móveis, deve se tornar tendência, de acordo com especialistas.  Para eles, a mudança gradual rumo a ambientes virtuais trará desafios às administradoras para o fornecimento imediato de informações e o rápido esclarecimento de dúvidas dos clientes.
 
De outra perspectiva, o vice-presidente da Associação das Administradoras de Bens e Condomínios de São Paulo (Aabic), Fábio Kurbhi, crê que a automação nos conjuntos contribuirá para a redução dos custos mensais de operação – hoje, os pagamentos de funcionários comprometem de 40% a 60% dos orçamentos nos condomínios.  ”Haverá uma revolução tecnológica”, prevê.
 
Kurbhi aposta na utilização crescente de opções tecnológicas como elevadores inteligentes, que economizam energia quando não usados, portas com travamento programado e novos equipamentos de monitoramento.  ”Em alguns prédios comerciais de última geração já há a ativação automática do sistema de ar-condicionado. “
 
 
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Recursos. O diretor de projetos do Grupo Itambé, Audrey Ponzoni, vislumbra um futuro baseado na sustentabilidade, capaz de driblar a escassez de recursos energéticos.  ”A medição individual de consumos deverá ser obrigatória. É provável que as lâmpadas atuais não sejam mais aplicadas, sendo substituídas por LED, pois essa tecnologia começa a avançar no mercado, com preços mais competitivos. “
 
Para ele, a maior necessidade de controle vai requerer mais estímulo à participação dos condôminos na gestão predial.
“A relação custo/benefício dos serviços aplicados nos empreendimentos deverá ser analisada constantemente e em conjunto à massa condominial, buscando-se racionalizações. “
 
Outras soluções hoje pouco difundidas, como os sistemas de carregamento de baterias veiculares nas garagens, podem, ganhar espaço, de acordo ele.  ”O aumento do trânsito demandará maior espaço para guarda de bicicletas, e poderão ser criados serviços de uso coletivo de veículos, movimento que já se fortalece na Europa”, acrescenta
 
Em São Paulo, a dificuldade de locomoção incentivará o aumento da prestação de serviços pagos nos empreendimentos, na opinião do especialista em incorporação Ricardo Grimone.  ”Entendo que a autossuficiência
(dos edifícios) seja cada vez mais necessária. É preciso que a pessoa consiga morar, trabalhar em um espaço muito pequeno.  E que o condomínio ofereça isso. “
 
Para tornar viável a previsão, Grimone considera indispensável a criação de infraestrutura nos prédios para o recebimento de prestadores de serviços: “Esse movimento que a pessoa tem de fazer hoje para chegar ao profissional vai mudar.  E a estrutura predial terá de ser pensada para atender essa demanda”, avalia.
 
As edificações também têm potencial, segundo ele, para transformá-las em instrumento para captação e reúso de água.  ”Os condomínios têm grandes áreas horizontais e verticais.  A fachada poderia ser usada para receber placas de captação de energia solar”, avalia.

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Fuja dos problemas e aproveite o Feirão da Casa Própria

13 de maio de 2012 | 9h38

Claudio Marques

GUSTAVO COLTRI

Reginaldo Ianagui aproveitará evento para comparar ofertas (Foto Werther Santana/AE)

 A 8ª edição do Feirão da Casa Própria da Caixa Econômica Federal (CEF) chega a São Paulo nesta sexta-feira, 18 de maio, depois de movimentar R$ 4,63 bilhões em 30.925 contratos assinados e encaminhados no Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife e Salvador. Embalado pela redução das taxas de juros para o crédito, o evento paulistano ofertará 195,5 mil imóveis.

Confira 3.910 dessas ofertas, com valores de R$ 250 mil a 500 mil

Reginaldo Ianagui, de 32 anos, será uma das 60 mil pessoas a visitar a feira até o encerramento, no domingo, dia 20. “Normalmente, temos de sair de um lugar para outro, verificando os imóveis. No feirão, tudo está no mesmo espaço”, diz o rapaz, que trabalha como comprador. Ele vai pela segunda vez ao evento.

Ianagui está noivo e procura uma unidade de até 70 metros quadrados, dois ou três dormitórios, na região do ABC. “Pretendemos comprar até o fim do ano. A ideia agora é buscar informações das ofertas”, confessa.

Ter ideia das necessidades, das condições financeiras e das pretensões de aquisição antes do feirão pode evitar que os visitantes se percam em meio a tantas opções, na opinião da coordenadora institucional da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste), Maria Inês Dolci: “Antes de chegar lá, a pessoa tem de saber a região que quer e fazer uma pesquisa de mercado na área pretendida”.

Segundo ela, o consumidor não deve se precipitar mesmo diante de uma oferta tentadora. “Se a pessoa deixa para um segundo momento, ela tem tempo de visitar o imóvel.”

Nesse sentido, o presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (Creci-SP), José Augusto Viana Neto, considera essencial, antes da assinatura do contrato, a visitação do entorno onde se localiza a unidade: “Muitas vezes, o consumidor vê um prédio muito bonito, mas não sabe se há, bem ao lado, uma oficina mecânica”.

Pesquisa. A regra não se limita a bens usados – que dominarão o feirão, com cerca de 171 mil ofertas. De acordo com o professor em finanças Fábio Gallo, da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), é importante também buscar referências dos lançamentos – em fase anterior à construção.

“Na hora que estiver propenso por um imóvel, peça o memorial descritivo do projeto. Lá consta que tipo de elevador, azulejos e estrutura serão empregados. Tudo isso altera muito o preço final do imóvel. Se tiver dificuldade para entender, pergunte ao vendedor”, diz.

O professor Ricardo Gonçalves, coordenador do curso de pós-graduação em Negócios Imobiliários da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), pede que os possíveis compradores não se iludam com o assédio das empresas e mantenham os cuidados habituais antes da aquisição. “Ver a marca da Caixa como segurança do negócio nem sempre é uma boa. Muitas vezes o que é ofertado não corresponde mesmo ao real. A pessoa pode ter uma bucha no âmbito judicial. Pode até ter uma ação que vai rebater de um antigo adquirente”, diz.

A retirada de um ocupante do imóvel por decisão na Justiça, explica ele, toma tempo e tem custos arcados pelo novo proprietário. O mais recente dono também assume eventuais dívidas dos bens, como valores devidos aos condomínios e à prefeitura.

O consumidor pode se precaver pesquisando a documentação da unidade pretendida. O Feirão terá uma área dedicada à instalação de cartórios, da Associação dos Notários Registradores do Estado de São Paulo (Anoreg) e da Associação dos Registradores de São Paulo (Arisp).

No caso de imóveis novos, verificar o histórico das construtoras em entidades de defesa do consumidor pode evitar incômomos. A indicação vale porque muitas empresas do setor, com o aumento da demanda, não conseguiram cumprir prazos de entrega dos empreendimentos.

Maria Inês Dolci recomenda ainda que os visitantes do Feirão guardem os anúncios com as promessas feitas pelos vendedores. “Faça constar na proposta de compra tudo o que foi dito durante a negociação, inclusive prazos de entrega, taxas de juros, metragem do imóvel e despesas.”

Se houver necessidade de uso de financiamento na aquisição da casa própria, a coordenadora institucional do Proteste orienta que os consumidores não assinem pedidos de reserva dos bens ou deixem cheques-caução antes da aprovação do crédito. “É preciso ter garantia por escrito de que, em caso de não aprovação do financiamento, haverá ressarcimento”, diz.

O especialista no mercado imobiliário Marcelo Tapai, do escritório Tapai Advogados, ressalta a importância da leitura dos contratos de compra e venda. “Se a pessoa não tiver condições de avaliar, basta pedir uma via do contrato para a construtora e levar para uma pessoa de confiança ou para um contador.”

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Imóveis de R$ 500 mil serão atração no Feirão da Caixa

12 de maio de 2012 | 10h14

Claudio Marques

MARCIA RODRIGUES
 
A 8ª edição do Feirão da Caixa, que, em São Paulo, ocorrerá de 18 a 20 de maio, deve sofrer uma mudança de perfil no público visitante este ano.  Com a redução das taxas de juros feita pela instituição, compradores interessados em fechar o negócio de um imóvel com o preço na faixa de R$ 170 mil a R$ 500 mil devem invadir os estandes das 95 construtoras e 133 imobiliárias que vão expor 195.500 unidades novas e usadas.  A estimativa é do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP) e de algumas construtoras.
 
Desde o último dia 4, a taxa do financiamento imobiliário para aquela faixa caiu de 10% ao ano para 9% ao ano para todos os clientes do banco.  Quem tem conta salário na Caixa pode ter acesso ao crédito com uma taxa de 7,9% ao ano.  No evento, devem estar disponíveis para a comercialização 88 mil imóveis na faixa de R$ 170 mil a R$ 500 mil.
 
“É tradicional encontrar no Feirão um público atraído por opções de imóveis de até R$ 170 mil (incluídos no Programa Minha Casa, Minha Vida), pelo apelo do evento, que proporciona a comodidade de encontrar as opções disponíveis no mercado em um único espaço.  Mas acredito que nesta edição haverá uma diversificação de consumidores”, diz o vice-presidente de habitação econômica do Secovi-SP, Flávio Prando.
 
Opinião semelhante tem o gerente geral de vendas da Cury Construtora, Alessandro Moraes.  ”Com certeza haverá um incremento do público de maior poder aquisitivo.  O cenário econômico está muito favorável para esta fatia fechar o negócio”, afirma Moraes.  A empresa vai ofertar em seu estande duas mil unidades de todas as faixas de preço, espalhadas pela capital, região metropolitana e Praia Grande, no litoral sul.
 
Moraes espera que as vendas desta edição superem em até 50% as promovidas no evento do ano passado. Apesar de as reduções de juros afetarem uma parcela pequena do seu público-alvo, o diretor de negócios de São Paulo e região Sul da construtora Tenda, Marcelo Melo, acredita que a medida também deve ampliar o perfil dos visitantes e elevar as vendas.  ”O público é outro, mas uma redução como a promovida pela Caixa movimenta o mercado.  E isso favorece todos. “
 
A construtora vai comercializar 329 unidades localizadas na região metropolitana e na capital.  São imóveis com valores entre R$ 94 mil e R$ 180 mil.
 
Outra empresa que participará do evento é a Living.  A construtora vai oferecer aos visitantes sete mil unidades, com o preço médio de R$ 220 mil.  Há opções de imóveis na capital, região metropolitana, Grande ABC, São José dos Campos e Sorocaba.
 
A PDG também selecionou cerca de 20 opções de empreendimentos em diversas fases – lançamento, em obras e prontos para morar.  São apartamentos com perfil popular, localizados na capital, Barueri, São Bernardo do Campo e em Guarulhos, na Grande São Paulo.
 
A MRV também terá 1.283 unidades, sendo 552 de lançamentos.  Do total de apartamentos, 1.262 são na planta e 21 novas.

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Conheça os lugares mais cobiçados de São Paulo

9 de maio de 2012 | 15h28

Claudio Marques

 Praça Pereira Coutinho, Na Vila Nova Conceição (Foto Nilton Fukuda/AE)

GUSTAVO COLTRI

O município de São Paulo tem ao todo 1.523,278 quilômetros quadrados, mas algumas localidades dessa imensidão despertam especial interesse do consumidor. Em geral pela boa localização, elas têm imóveis com vacância mínima e preços bem mais altos do que a média.

O metro quadrado em uma unidade nas proximidades da Praça Pereira Coutinho, na Vila Nova Conceição, zona sul, chega a custar R$ 20 mil. De acordo com o índice FipeZap do último mês de abril, o valor médio no bairro nobre é de R$ 10,4 mil.

“É a metragem com maior valor da cidade. Quando falamos em apartamento, esse é o ponto mais desejado”, diz o diretor geral de vendas da imobiliária Coelho da Fonseca, Fernando Sita. Por lá, ele destaca as ruas Domingos Fernandes e João Lourenço como vias requisitadas.

Tomada por babás passeando com crianças pequenas e por pessoas de todas as idades em busca de atividade física, a praça é um reduto de sossego no coração do bairro paulistano, caracterizado pela seletividade. Está próxima do Parque do Ibirapuera e ao lado de vias locais importantes, como a Rua Afonso Brás, repleta de serviços, e o corredor de acesso ao centro da capital formado pela Avenida Santo Amaro.

O parque da zona sul parece, aliás, ter um incrível poder de sedução. “A Rua Curitiba, próxima ao Círculo Militar, é disputada a tapa. E ainda é possível que as empresas do setor encontrem alguns terrenos”, diz o presidente da Eugênio Marketing Imobiliário, Carlos Valladão. A via está junto ao Ibirapuera e a atrações turísticas, como o Obelisco e o Monumento às Bandeiras na Avenida Pedro Álvares Cabral.

 

Rua Curitiba, próximo ao Parque do Ibirapuera (Foto Nilton Fukuda/AE)

 Parques. “Quando se está do lado de parques e áreas verdes, a lógica é mais ou mesmo a mesma de quando se está perto do mar”, explica Valladão. Segundo ele, esse foi um dos fatores para o surgimento de empreendimentos de alto padrão em terrenos adjacentes ao Parque Burle Marx, no Panamby, zona oeste.

“Aquela área se desenvolveu muito nos últimos anos. E a faixa ao redor do parque se tornou extremamente valorizada”, explica. O bairro situa-se ao lado do Morumbi e às margens da Marginal Pinheiros, a principal via coletora do sudoeste paulistano.

Do outro lado do rio e mais central, o Parque Municipal Mário Pimenta Camargo – mais conhecido como Parque do Povo – é um polo de atração para compradores de alto padrão do Itaim Bibi. De acordo com o empresário Edson Nogueira da Rocha, sócio da imobiliária INI – Imóveis no Itaim, as ruas mais valorizadas são aquelas cercadas pelo corredor corporativo das avenidas Brigadeiro Faria Lima e Presidente Juscelino Kubitschek.

“O metro quadrado por lá já está em torno de R$ 15 mil. Como o centro financeiro se deslocou para a Faria Lima, as pessoas vieram trabalhar na região. E querem morar perto”, diz. A cobiçada área é formada por uma rede intricada de vias que inclui a Avenida Horácio Láfer e as ruas Leopoldo Couto de Magalhães Júnior, Cojuba, Salvador Cardoso e Fernandes de Abreu.

Fora do mercado de luxo, outros bairros tornam-se atraentes pela facilidade de acesso, na opinião da diretora da Lello Imóveis, Roseli Hernandes: “Para empreendimentos próximos ao metrô, temos fila. Basta que estejam a uma distância que dê para ir a pé à estação”. O bairro da Vila Mariana, cortado pela linha 1-Azul, destaca-se na zona sul, segundo a executiva. A região também atrai pela relativa proximidade ao Parque do Ibirapuera e à Avenida Paulista.

Na zona leste, a rede metroferroviária chama a atenção dos clientes da Lello para imóveis nas ruas Vilela e Padre Estevão Pernet, entre as estações Carrão e Tatuapé da linha 3-Vermelha do metrô. De acordo com a empresa, a Rua Maria do Carmo Sene, na zona norte, é a mais assediada por quem procura apartamentos de dois e três dormitórios no entorno da estação Parada Inglesa, da linha 1-Azul. E, se o interesse é por casas grandes, a Pua Parque São Domingos, ao lado da estação Jardim São Paulo, é a preferida dos consumidores.

“Todo mundo que busca um imóvel procura mobilidade. Quer estar próximo de avenidas e principalmente no eixo do metrô”, completa o economista-chefe do Sindicato da Habitação (Secovi-SP), Celso Petrucci.

Clássicos. Algumas localidades de bairros tradicionais da capital mantém o poder de atração sobre os consumidores. “Os Jardins são um clássico, principalmente na área da Rua Haddock Lobo, entre as ruas Estados Unidos e Oscar Freire”,diz o presidente da Eugênio Marketing Imobiliário, Carlos Valladão. Além de estar a cerca de 600 metros da Avenida Rebouças e a pouco mais de um quilômetro da Avenida Paulista, a região situa-se no centro do ponto comercial de alto luxo mais famoso da cidade.

Mais central, Higienópolis chama a atenção pela localização e pela oferta de serviços, principalmente na Avenida Angélica. Segundo adiretora da Lello imóveis, Roseli Hernandes, as duas universidades do bairro, Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) e o Instituto Presbiteriano Mackenzie, tornam ruas como Piauí, Maria Antônia, Pernambuco e Bahia muito procuradas por estudantes. “Muitas vezes temos fila para alugar”, diz.

Outro equipamento urbano, o Shopping Ibirapuera, é um fator de acréscimo de liquidez nos imóveis de Moema, de acordo com o subdelegado da seccional da zona sul do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (Creci-SP),Paulo Sérgio Germano Carvalho. “Quanto mais próximo, nas transversais da Avenida Ibirapuera, mais há procura.” Segundo ele, a vacância é mínima entre unidades compactas. “Às vezes, faço uma visita a umimóvel, e o cliente pede para pensar um pouco. À tarde, a oportunidade já foi”, conta.

Outros queridinhos dos compradores são bens próximos à Avenida Santo Amaro,no Brooklin, e à Avenida Vereador José Diniz,no Campo Belo.

Com olhar atento, imobiliárias de nicho garimpam produtos

7 de maio de 2012 | 16h01

Claudio Marques

 
GUSTAVO COLTRI
 
Enquanto a maior parte das empresas do setor imobiliário procura conquistar o consumidor de médio padrão, algumas imobiliárias encontram oportunidades de ganhos em nichos do mercado paulistano.  Caso, por exemplo, das empresas de venda e locação de unidades estilosas, sofisticadas e até curiosas.
 
Na Axpe Imóveis Especiais, fundada em 2004 por um grupo de publicitários, a ideia de seletividade é a diretriz.  ”Consideramos especial aquele imóvel pelo menos com potencial para a pessoa reformar e torná-lo incrível”, diz a publicitária Adriana Bó, desde fevereiro de 2010 como corretora na empresa.
 
De acordo com ela, vista privilegiada, assinatura arquitetônica renomada, valor histórico da edificação e até potencial de integração dos ambientes da unidade são elementos de distinção nesse segmento.
 
A Axpe criou 36 categorias – os Axpins – para classificar os imóveis em sua carteira.  Em pequenos selos agregados às ofertas, eles ressaltam características dos produtos, como amplo espaço interno e a proximidade com áreas verdes, instituições de ensino e centros de compras.  ”As pessoas vêm nos procurar em busca de imóvel pronto para ser ocupado”, conta Adriana.
 
À frente da imobiliária Casas Bacanas, Monique Tonini garimpa seus produtos por meio de um trabalho atento de observação e alguns métodos curiosos: “Oriento meus corretores a prestarem atenção se há caçambas
(com entulhos) na frente dos prédios.  Pode ser sinal de que há uma reforma”.  As obras de transformação podem dar novas e descoladas características aos bens.
 
O contato com profissionais de arquitetura e decoração contribui para a formação da carteira da empresária.  Ela ainda recebe indicações espontâneas de pessoas que conhecem seu trabalho.  ”Oferecem três ou quatro imóveis todos os dias”, conta.
 
Monique considera, no entanto, essencial o olhar apurado do corretor para identificar diferenciais de venda.  ”Sempre digo que já vendi uma janela”, exemplifica, mencionando a maior qualidade de um imóvel que comercializou, a despeito da evidente necessidade de reformas no bem.
 
Online. A Casas Bacanas atua exclusivamente pelo Facebook, onde mantém uma página aberta com suas ofertas, fotos e descrições – uma estratégia com bastante eficácia, de acordo com o professor de gestão de negócios imobiliários da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) Álvaro Augusto Fonseca.  ”Esse mercado é restrito porque lida com um número reduzido de pessoas.  O consumir deve ser localizado via internet.  Não vejo isso na mídia de massa”, diz.
 
Fonseca explica que a conquista do cliente nesse segmento se baseia em valores simbólicos, permitindo preços mais elevados.  ”Há um apelativo de gosto indo além do valor técnico. ” A realização de reformas em prédios antigos, é bom lembrar, muitas vezes torna-se um fator de apreciação das unidades.
 
Apesar dos preços salgados, a corretora Graziella Labate, sócia da Graziella dos Imóveis, encontra espaço para unidades descoladas principalmente entre pessoas jovens e antenadas, com elevado nível sociocultural.
“A sensação é a de que  os clientes buscam esse estilo de vida, querem pertencer a esse contexto cheio de cultura e contemporaneidade”, diz.
 
Jardins, Vila Madalena, Pinheiros, Higienópolis e Itaim oferecem boas opções, segundo Graziella, para quem a escolha das unidades não responde à logica tradicional de valor por metragem quadrada.  Ela ressalta, porém: a valorização dos diferenciais não pode desconsiderar os limites monetários.

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O poder de sedução de imóveis à venda

1 de maio de 2012 | 6h40

Claudio Marques

Gustavo Coltri

Apartamento à venda na Vila Madalena: prédio teve projeto arquitetônico premiado

Quem passa pela rua relativamente movimentada  nos Jardins dificilmente percebe uma pequena vila entre os prédios da via, mas há ali um charmoso imóvel à venda dentre os milhares da cidade – de todos os tipos e tamanhos buscando seduzir os compradores. Conheça, a seguir, três exemplos tentadores desse gigantesco mercado.

A casa dos Jardins tem tijolos aparentes e, de fora, não chama tanto a atenção, espremida entre as edificações tradicionais do conjunto construído na década de 1950. Seu encanto surge, sim, da porta para dentro.

Tudo é novo por lá. Chão de cimento queimado, paredes de tijolos e madeira por todo canto, do piso ao teto. Os atuais proprietários, Lorenzo Ramon, de 34 anos, e Carolina Sabo, de 33, reconstruíram o imóvel – e como bem quiseram – depois de aproveitarem apenas duas paredes da edificação original.

Lembra um loft nova-iorquino, com encanamentos à mostra, e cozinha integrada à sala e ao escritório. A luminosidade é garantida pelo teto de vidro – solução encontrada pelo arquiteto David Bastos para lidar com a falta de opções da casa geminada. Um espaço rústico e sofisticado de 203 metros quadrados avaliados em R$ 2,195 milhões.

O casal mudou-se para lá em julho e, nove meses depois, procura um novo lar. Carolina está grávida de cinco meses e acredita que precisa de outro espaço para criar seu bebê. “Mas dá um aperto no peito porque tudo foi feito com muito carinho”, diz.

A arquitetura ousada é um dos elementos capazes de dar um toque especial a um imóvel. Na Vila Madalena, o prédio Simpatia 236 seduz logo na entrada os possíveis compradores do apartamento 22. Com oito andares, o projeto recebeu prêmio da revista Arquitetura & Construção e menção honrosa do departamento paulista do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB-SP).

A unidade onde moram Samantha Guidio, de 33 anos, sua filha Olívia, de dois, e seu marido, Cláudio Domingues Raimundo, de 34, respeita o conceito do edifício. Na fachada do prédio, os canos estão à mostra para quem quiser ver; no apartamento, os dutos que revestem a fiação também. “Meu pai, mais tradicional, disse: ‘Ainda falta acabar isso’”, brinca a proprietária.

O trabalho da arquiteta Renata Domingues também manteve elementos estruturais, como uma pilastra na área de convívio. A cozinha é integrada à sala, com boa luminosidade graças a uma larga fileira de janelas. E o lavabo, com uma arte em grafite, dá um ar descolado ao espaço.

O espaço é aberto e, para esses moradores, ganhou duas suítes divididas por paredes de drywall. “Mas a pessoa pode fazer o que quiser, até mudar as janelas de lugar”, garante Samantha. Morando há um ano no Simpatia, a família também vai se mudar porque vai ficar maior – Samantha está grávida. Quem quiser substituí-los no apartamento, que tem 114 m², terá de desembolsar cerca de R$ 1,24 milhão.

Menor, com 68 m², o compacto do fotógrafo Beto Riginik, de 38 anos, atrai pelo estilo do morador. A inspiração para o chão de madeira de demolição veio de um imóvel que, certa vez, retratou em Paris. “Reformei o apartamento. Tirei um quarto e fiz um acabamento bacana”, conta ele, que morou quatro anos na unidade, próxima ao Parque do Ibirapuera, na Vila Nova Conceição.

Riginik ainda integrou a sala à varanda e encheu as paredes com imagens. “Você tem de pegar um imóvel cru e deixar o seu registro”, diz. Com a venda, avaliada em R$ 670 mil, construirá outro imóvel. Levará consigo as fotografias, mas deixará elementos curiosos, como um mictório que instalou no banheiro.

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