
Fonte: BBC
O drama completou dez anos há poucos dias, mas poucos veículos de comunicação se lembraram dele. No mesmo dia em que os venezuelanos iam às urnas para referendar a Constituição bolivariana de Hugo Chávez, em 15 de dezembro de 1999, a Venezuela conhecia seu pior desastre natural.
O deslizamento de uma parte das montanhas próximas de Caracas, no Estado Vargas, causou a morte de um número estimado entre 10 mil e 50 mil pessoas. Não há uma cifra oficial e, na Venezuela, é comum ouvir relatos sobre a morte de famílias inteiras – ao ponto de não haver nenhum sobrevivente para reclamar corpos de parentes. As encostas soterraram vilas totalmente e a grande porção de terra em movimento, montanha abaixo, mudou a geografia da região e invadiu a Baía de La Guaira, onde ficava o principal porto do país.
Na época, resgatistas que tentavam, em vão, encontrar pessoas vivas sob os escombros descreveram o cenário como “um inferno de lama”. Sob a intensa chuva que já caía havia dias e tornara o solo instável, soldados do Exército enviados por Chávez - e com ordens de atirar para matar – patrulhavam a área para evitar a ação dos saqueadores. A lama também tinha bloqueado caminhos e isolado aldeias inteiras.
O prejuízo alcançava os US$ 4 bilhões, havia 100 mil desabrigados e um alto risco de um desastre sanitário. Dias depois dos deslizamentos, sem ter como nem mesmo contabilizar uma cifra mais precisa de mortos, o governo venezuelano declarou “campo santo” toda a área afetada.
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