Por Gabriel Toueg
TEL-AVIV – O jornalista Nahum Sirotsky, ainda em atividade aos 86 anos, era o correspondente do Estado em Israel na primeira metade da década de 1970. Ele assinava no jornal com o pseudônimo “Nelson Santos”, porque também colaborava, na época, com o Jornal do Brasil, do Rio de Janeiro. Ainda em Israel, o jornalista colabora com veículos da imprensa brasileira, como o jornal Zero Hora.
No Estado, Sirotsky foi o autor de um texto em que comenta o terrorismo. ”Apesar de ser um veterano observador de guerras locais, sempre me surpreendo com a inútil crueldade dos terroristas”, escreveu, sob o título “Terror, arma trágica e inútil”. O texto acompanhava a manchete de 6 de setembro de 1972, dia seguinte ao massacre dos atletas israelenses em Munique: “Israelenses chacinados em Munique” (veja abaixo).
Em entrevista esta semana ao Estado, Sirotsky narrou o clima em Israel na manhã seguinte ao atentado ocorrido na Alemanha durante as Olimpíadas de 1972. “Faz muito tempo, mas não me esqueço que a população estava pronta para qualquer ação de vingança (de Israel), qualquer uma. O ambiente era de imensa tristeza e frustração”, conta.

Manchete do ‘Estado’ na manhã seguinte ao massacre em Munique: ‘Israelenses chacinados’
Resposta. Sirotsky também escreveu, quatro dias depois do ataque em Munique, o texto “A represália não causou em Israel qualquer surpresa”. No texto, que acompanhava outras histórias sobre o atentado e sobre a reação de países como o Egito – que, segundo matéria no jornal, apoiou os terroristas -, Sirotsky descrevia como “anticlimático” um ataque de Israel contra “bases de terroristas” instaladas no Líbano e na Síria. “Se dependesse apenas do clima que se vive em Israel, teria ocorrido há muito mais tempo”, escreveu o jornalista em 1972.
Segundo o relato à época, “a lembrança do crime de Munique está presente (em Israel) e ele é um crime grande demais. Dificilmente o governo poderá evitar uma resposta militar dramática, feroz, violenta”. Sirotsky também reproduzia uma declaração do então ministro de Relações Exteriores de Israel, Abba Eban, “conhecido como moderado”, como relatou o jornalista: “Temos que acabar com essa escória humana”.
No final do texto, Sirotsky escreve: “Não será exagero afirmar que o atentado de Munique criou uma nova situação altamente crítica e delicada no Oriente Médio. Os próximos dias – ou as próximas horas, talvez – poderão trazer algumas surpresas. E estas – sejam quais forem – certamente não serão agradáveis para os que se rejubilaram com a chacina dos integrantes da delegação olímpica de Israel na Alemanha”.

As notas de ‘Nelson Santos’, pseudônimo de Sirotsky, no ‘Estado’ de 6 e 9 de setembro de 1972
A resposta de Israel veio na forma de uma operação apelidada de “Ira de Deus”. A inteligência localizou e assassinou cada um dos envolvidos diretamente ou no planejamento do atentado. ”Foi a inspiração para uma tática que vem sendo adotada até agora, de tentar acertar diretamente o culpado por qualquer ação”, explica Sirotsky.
Cobertura ao vivo. A maioria dos filmes sobre o massacre de Munique mostra imagens da cobertura feita, ao vivo, pela rede de TV americana ABC. O jornalista Jim McKay, que entre 1961 e 1998, foi apresentador no canal do programa Wide World of Sports, foi escolhido, na ocasião, para dar as informações, em tempo real, sobre as negociações entre os terroristas do Setembro Negro e as autoridades alemãs. McKay estava em seu único dia de folga durante os Jogos quando os atletas foram atacados, mas ficou no ar pela ABC durante 14 horas, sem qualquer intervalo. A transmissão dos acontecimentos levou 16 horas.
Após a tentativa frustrada de resgate dos esportistas, McKay concluiu a transmissão dizendo: “Quando eu era criança, meu pai costumava dizer que ‘as nossas maiores esperanças e os nossos piores medos raramente se realizam’. Nossos piores temores se concretizaram esta noite. Já disseram que havia 11 reféns; dois foram mortos em seus quartos na manhã de ontem, nove foram mortos no aeroporto hoje à noite. Estão todos mortos“. Assista abaixo a um filme (em inglês) sobre a cobertura feita por McKay.
SÃO PAULO – O ataque terrorista contra a delegação israelense nos Jogos Olímpicos de Munique, em 1972, é tema de uma série de documentários, filmes e livros. O mais conhecido deles é o longa “Munique”, de 2005, dirigido por Steven Spielberg. O filme aborda a operação israelense de caça dos envolvidos no massacre, integrantes do grupo Setembro Negro. Um longa anterior, de 1986, “Espada de Gideon”, trata também do plano israelense, embora, na década de 1980 muitos dos detalhes revelados apenas mais tarde ainda fossem desconhecidos.
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Correspondente do ‘Estado’ em Israel relata dia seguinte
Documentários. “Um dia em setembro”, de 1999, dirigido por Kevin Macdonald e narrado pelo ator americano Michael Douglas, relata com detalhes os desdobramentos do episódio. Com duração de 90 minutos, o vídeo tem uma entrevista até então inédita com o único terrorista que participou do incidente e não foi morto por Israel, Jamal al-Gashey, cujo paradeiro é desconhecido. “Um dia em setembro” reúne também depoimentos de personagens diretamente envolvidos nas negociações com os terroristas, como oficiais do Comitê Olímpico, da polícia e do governo da Alemanha.
Funcionários do Mossad e parentes dos atletas mortos, entre eles Ankie Spitzer – cujo marido, Andrey, morreu no ataque – também concederam entrevistas para o documentário. Ao Estado, Ankie, atualmente vivendo em Tel-Aviv, disse ter ficado “bastante satisfeita” com o resultado do filme, “apesar de termos tido problemas com a versão original, que mostrava imagens chocantes dos corpos” dos atletas mortos. “Um dia” mostra ainda a cobertura feita pela imprensa na ocasião.
O plano de matar os envolvidos no massacre de Munique, apelidado em Israel de “Ira de Deus”, é também abordado no vídeo “A vingança de Golda”, em referência ao nome da então primeira-ministra israelense, Golda Meir. Foi dela a decisão de não ceder às exigências do grupo que sequestrou os atletas em Munique – de que o governo em Tel-Aviv libertasse cerca de duzentos prisioneiros palestinos. Em uma entrevista na ocasião, ela declarou: “Se nos rendermos, nenhum israelense, em lugar algum no mundo, poderá sentir que está seguro. É o pior tipo de chantagem”. O filme, com pouco mais de 45 minutos, tem entrevistas com autoridades israelenses como o atual ministro da Defesa, Ehud Barak, e o presidente Shimon Peres. O rei Hussein, monarca jordaniano pai do rei atual, também dá um depoimento.
Livros. O filme “Munique”, de Spielberg, teve como inspiração o livro “Contra-ataque”, do jornalista e escritor Aaron J. Klein. Correspondente para assuntos militares e de inteligência da revista americana Time, Klein teve acesso, em fevereiro de 2005 - após diversos pedidos seus serem negados – ao relatório Kopel. O documento de 15 páginas do serviço de inteligência de Israel detalha questões envolvendo a segurança dos atletas em Munique e a operação que o país levou a cabo ao longo de duas décadas para matar os terroristas e mentores do ataque.
O livro, publicado em 2005, apresenta os fatos colhidos pelo autor na pesquisa a partir do relatório. “Um dia em setembro”, de Simon Reeve, publicado cinco anos antes, se assemelha bastante ao livro de Klein, no conteúdo e na organização. A obra fornece detalhes sobre a captura dos atletas e a operação frustrada que resultou na morte deles. Aborda também as recriminações ao redor do mundo e o lançamento da operação israelense. O livro foi escrito a partir do documentário homônimo, lançado um ano antes.
Alguns outros livros tratam, direta ou indiretamente, do ataque em Munique
“The Munich Olympics: Great Disasters, Reforms and Ramifications” (“As Olimpíadas de Munique: grandes desastres, reformas e ramificações”), de Hal Marcovitz
“The 1972 Munich Olympics and the Making of Modern Germany” (“As Olimpíadas de 1972 em Munique e a criação da Alemanha moderna), de Kay Schiller
“Israeli Defence Forces since 1973″ (As Forças de Defesa de Israel desde 1973″), publicado pela Osprey Publishing
“A High Price: The Triumphs and Failures of Israeli Counterterrorism” (“Um alto preço: triunfos e derrotas do contraterrorismo israelense”), de Daniel Byman
“Mark Spitz: The Extraordinary Life of an Olympic Champion” (“Mark Spitz: a vida extraordinária de um campeão olímpico”), de Richard J. Foster, sobre o nadador americano recordista em medalhas que foi retirado dos Jogos em Munique por suspeitas de que poderia se tornar um alvo do Setembro Negro por ser judeu
Assista abaixo, na íntegra, ao documentário “Um dia em setembro”. O filme é exibido no idioma original, inglês, com legendas em português.
Assista ao trailer de “Munique”, dirigido por Spielberg.
Assista ao documentário “A vingança de Golda” (o vídeo, em inglês, não está legendado e algumas das entrevistas estão no idioma original, como hebraico; os personagens não estão identificados)
Assista ao trailer de “Espada de Gideon”.

O governo dos EUA atua indevidamente como missionário quando tenta converter muçulmanos aspirantes a ações radicais e usa dinheiro público em seu esforço
SAMUEL J. RASCOFF FOI DIRETOR DE ANÁLISE DE INFORMAÇÕES SECRETAS DO DEPARTAMENTO DE POLÍCIA DE NOVA YORK DE 2006 A 2008, É PROFESSOR ADJUNTO DE DIREITO NA NEW YORK UNIVERSITY – THE NEW YORK TIMES
Há dois anos, John O. Brennan, principal assessor do presidente Barack Obama para contraterrorismo, falando aos integrantes de um grupo de estudantes muçulmanos em um auditório lotado na faculdade de Direito onde leciono, apresentou ao público a posição da Casa Branca sobre o que jihad significa e o que não significa. Mais tarde, no mesmo ano, o comentarista Haroon Moghul, que comigo fazia parte de um painel no mesmo auditório, chamou a atenção para os esforços das autoridades americanas para criar uma rede global de líderes muçulmanos “aceitáveis”.
Há outros exemplos como esses nos EUA. O Departamento de Segurança Pública de Ohio preparou e distribuiu um texto que declara que “quando extremistas atacam e matam em nome da jihad, os muçulmanos em geral consideram esses atos um total desvio da verdadeira religião do Islã”. Os representantes do Departamento de Segurança Interna foram convidados para uma conferência em 2010 na qual se discutia, entre outros tópicos, “A Busca de uma Contrarreforma no Islã”.
Em cada um desses casos, o contraterrorismo colocou as autoridades em rota de colisão com o pensamento e a prática islâmicos – e, o que é talvez bem mais perigoso, com a Constituição dos EUA. A 1.ª Emenda proíbe qualquer ação do governo “no que se refere ao estabelecimento de uma religião nacional”.
Do ponto de vista da segurança nacional, contestar as ideias que servem de fundamento ao Islã radical não é uma coisa absurda. O contraterrorismo diz respeito fundamentalmente a ideias. Por que as autoridades não deveriam tentar marginalizar ensinamentos teológicos citados por terroristas violentos? O problema é que quando as autoridades americanas intervêm nos ensinamentos islâmicos – interpretando-os para seus fiéis num contexto de segurança nacional e dizendo quais são aceitáveis e quais não são – criam tensões, tanto legais quanto estratégicas.
Será o governo uma autoridade digna de crédito no que diz respeito à interpretação da religião islâmica? Com base no resultado de tentativas feitas nesse sentido na Grã-Bretanha, a resposta é pura e simplesmente “não”. Em poucas palavras, os jovens muçulmanos à mercê de ensinamentos radicais não abraçam uma teologia mais pacífica porque o FBI manda que o façam, assim como os bispos católicos não cederiam ao projeto de Obama de obrigar os hospitais católicos a distribuir anticoncepcionais, se ele invocasse o direito canônico para defender a própria posição.
Há ainda o problema legal. Do ponto de vista da Constituição, um funcionário do governo que determina o que significa um conceito controvertido do Islã, ou o que os imãs podem ou não podem dizer a determinada comunidade, correria o risco de transgredir um dogma fundamental: o Estado secular não se tornará árbitro de qualquer doutrina religiosa.
Além de exercer o papel de teólogo com pronunciamentos oficiais sobre conceitos polêmicos como a jihad, o governo atua indevidamente como missionário quando procura converter os aspirantes a atuações radicais e respalda seus esforços com doações financiadas pelos contribuintes.
Esses programas vão muito além da clara autoridade legal do governo para tratar de ameaças concretas à segurança dos cidadãos. Eles colocam os funcionários seculares na duvidosa façanha de tentar formular as crenças dos muçulmanos americanos. Se o governo corre cada vez mais o risco de estabelecer um “Islã oficial”, projeto que na melhor das hipóteses é funesto, quando não ilegal, existirão alternativas boas? Felizmente, sim.
Refutar a ideologia religiosa radical terá um fundamento constitucional muito mais sólido – e estratégico – se o trabalho mais pesado couber não ao governo, mas às organizações de base que se assentam na sociedade civil ou em comunidades religiosas. O governo não deve estar profunda e diretamente envolvido.
A relação entre o imperativo da segurança nacional e uma grande civilização religiosa é inevitavelmente complexa. Conciliar as duas não seria possível permitindo-se que as autoridades se tornassem mais ativas abraçando alternativas teológicas ao Islã radical – ou treinando profissionais da segurança e dos serviços secretos com odiosas caricaturas do Islã. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

Há uma década, os EUA abriam em sua base naval no leste de Cuba a prisão em que fiquei sete anos sem acusação
POR LAKHDAR BOUMEDIENE, DO THE NEW YORK TIMES
Há dez anos foi aberto o campo de detenção na base naval americana da Baía de Guantánamo. Durante sete anos ali estive preso, sem explicação ou acusação. Minhas filhas cresceram sem mim.
Elas mal começavam a andar quando fui detido e jamais tiveram permissão para me visitar ou falar comigo ao telefone. Muitas de suas cartas foram devolvidas com o carimbo “não entregar”. As poucas que recebi foram censuradas, a ponto de suas mensagens de amor e apoio se perderem.
Para alguns políticos americanos, as pessoas detidas em Guantánamo são terroristas, mas nunca fui um terrorista. Se tivesse sido levado a um tribunal quando fui preso, as vidas das minhas filhas não teriam sido destroçadas e minha família não teria sido lançada na pobreza. Somente depois de a Suprema Corte dos EUA ordenar que o governo justificasse suas ações perante um juiz federal consegui limpar meu nome e reunir-me com minha família.
Deixei a Argélia em 1990 para trabalhar no exterior. Em 1997, mudei-me com minha mulher e filhas para a Bósnia-Herzegovina a pedido do meu empregador, a Sociedade do Crescente Vermelho dos Emirados Árabes Unidos, na qual trabalhei em Sarajevo como diretor de ajuda humanitária para crianças que perderam os pais durante o conflito. Em 1998 tornei-me cidadão bósnio. Tínhamos uma vida tranquila, mas tudo mudou depois do 11 de Setembro.
Quando cheguei ao trabalho na manhã de 19 de outubro de 2001, um agente do serviço de inteligência me aguardava. Pediu para que o acompanhasse para ser interrogado. Obedeci de bom grado, mas posteriormente fui informado de que não poderia voltar para casa. Os EUA solicitaram às autoridades locais minha prisão e a de cinco indivíduos. De acordo com notícias veiculadas na imprensa na época, os EUA acreditavam que eu armava um complô para explodir sua embaixada em Sarajevo. Jamais pensei nisso.
O fato de que os EUA cometeram um erro ficou claro desde o início. A Suprema Corte da Bósnia analisou as alegações apresentadas pelos americanos e concluiu que não havia provas contra mim, ordenando minha liberação. Em vez disso, no momento em que fui libertado, agentes americanos detiveram a mim e a outros cinco. Fomos amarrados como animais e enviados de avião para Guantánamo, a base naval americana em Cuba. Chegamos lá em 20 de janeiro de 2002.
Eu ainda tinha fé na Justiça americana. Acreditava que meus captores rapidamente verificariam o erro. Mas quando não dei a meus inquiridores as respostas que desejavam – como poderia, se não tinha feito nada? -, seu comportamento foi se tornando mais brutal. Fui mantido acordado durante vários dias sucessivos. Obrigado a permanecer em posições dolorosas durante horas. São coisas sobre as quais não gosto de escrever.
Empreendi uma greve de fome por dois anos, pois ninguém me informava a razão de estar preso. Duas vezes por dia, meus carrascos me enfiavam pelo nariz um tubo que passava pela minha garganta e chegava ao meu estômago para conseguirem me alimentar. Era atroz, mas eu era inocente e assim mantive o meu protesto.
Em 2008, minha demanda por um processo legal justo chegou à Suprema Corte americana. Na sua sentença, a corte declarou que “as leis e a Constituição são projetadas de modo a sobreviverem, e vigorarem, em períodos de exceção”. E decidiu que prisioneiros como eu, não importa o quão graves sejam as acusações, têm direito de defender-se perante os tribunais. Reconheceu uma verdade básica: o governo comete erros.
Cinco meses depois, o juiz Richard J. Leon reexaminou as alegações oferecidas para justificar minha prisão, incluindo informações secretas sobre as quais jamais tive conhecimento. O governo abandonou a acusação de complô para explodir sua embaixada antes mesmo de ser ouvido pelo juiz, que após a audiência ordenou minha libertação e a de quatro outras pessoas também presas na Bósnia.
Jamais esquecerei a cena em que eu, sentado ao lado dos outros quatro detentos numa esquálida sala em Guantánamo, ouvi por um alto-falante indistinto o juiz ler sua sentença na sala de um tribunal em Washington. Ele implorou ao governo que não recorresse da decisão, pois “sete anos esperando que o nosso sistema legal lhes desse uma resposta a uma pergunta tão importante, no meu julgamento, foi demasiado”. Fui libertado em 15 de maio de 2009.
Vivo na Provença, com minha mulher e filhos. A França propiciou-nos um lar e um novo começo. Tive a felicidade de retomar os laços com minhas filhas e, em agosto de 2010, recebi um novo filho, Yousef. Estou aprendendo a dirigir, fazendo uma reciclagem profissional e reconstruindo minha vida. Espero voltar a trabalhar ajudando as pessoas, mas, até agora, como resultado de ter passado sete anos e meio detido em Guantánamo, apenas algumas organizações de direitos humanos pensaram em me contratar.
Não gosto de pensar em Guantánamo. As lembranças são muito sofridas. Mas compartilho aqui a minha história, pois 171 homens permanecem lá. Entre eles está Belkacem Bensayah, preso na Bósnia e enviado para Guantánamo comigo.
Cerca de 90 prisioneiros foram inocentados e autorizados a ser transferidos de Guantánamo. Alguns são de países como Síria ou China – onde serão torturados se retornarem a casa – ou do Iêmen, que os EUA consideram um país instável. De modo que eles continuam cativos, sem um fim em vista. Não porque são perigosos ou porque atacaram os Estados Unidos, mas porque o estigma de Guantánamo significa que não têm um lugar para onde ir e os EUA não darão abrigo a nenhum deles.
Fui informado que meu processo perante a Suprema Corte hoje é estudado nas escolas de Direito. Talvez um dia isso me proporcione alguma satisfação, mas enquanto a prisão de Guantánamo permanecer aberta e homens inocentes continuarem lá, meus pensamentos estarão com eles, esquecidos naquele lugar de sofrimento e injustiça.
AUTOR DA AÇÃO BOUMEDIENE VERSUS BUSH. FOI MANTIDO EM CUSTÓDIA NA BAIA DE GUANTÁNAMO DE 2002 A 2009
TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO
SÃO PAULO – Um vídeo divulgado nesta terça-feira, 6, pela rede de TV norte-americana CNN mostra o momento exato da explosão que matou mais de 60 pessoas em Cabul, capital afegã. O ataque foi um atentado suicida feito em um santuário muçulmano xiita no centro da capital, no momento em que centenas de fiéis estavam reunidos para o festival da ashura. O ataque parece ter sido uma ação sectária, algo incomum no país nos últimos anos. Assista ao vídeo abaixo.
Um outro vídeo (abaixo), da rede Russia Today e divulgado pelo site do jornal The Washington Post, também norte-americano, mostra a reação das pessoas segundos após a explosão, ocorrida na manhã desta terça (horário local) em Cabul. O festival xiita da ashura relembra o martírio do neto do profeta Maomé, Hussein, na batalha de Kerbala, no Iraque, no ano de 680. Esse é o maior evento no calendário religioso dos xiitas, que compõem cerca de 20% da população afegã.
Nesta sexta-feira, ocorre uma coincidência numérica curiosa: é o 11º dia do 11º mês de 2011, ou seja, 11/11/11. Para marcar a data, apresentamos a seguir uma lista de 11 eventos internacionais relevantes que ocorreram ao longo da história em algum dia 11. Confira.
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HOTSITE: Veja outras listas de 11
11/11/1918 – Compiègne, França. A assinatura do armistício da 1ª Guerra Mundial (que, ocorreu, curiosamente, às 11h da manhã em uma carruagem na cidade francesa que emprestou seu nome ao tratado), colocou fim ao confronto que matou cerca de 19 milhões de pessoas na Europa ao longo de quatro anos (1914-1918).

11/01/1946 – Tirana, Albânia. Enver Hoxha, líder da Albânia desde o fim da Segunda Guerra Mundial até sua morte (também num dia 11, em abril de 1985), proclama a República Popular da Albânia após a queda do rei Zog. O rei tinha sido responsável por abolir a lei islâmica no país e adotar um código civil baseado no modelo suíço, da mesma forma que a Turquia de Atatürk havia feito.

11/01/1964 – Cidade do Panamá, Panamá. O Panamá corta relações com os Estados Unidos por conta de conflitos relacionados com o Canal do Panamá, que liga o Oceano Atlântico ao Pacífico. Após diversas disputas pela soberania do canal, os dois países assinam um acordo, em 1977, que passa seu controle aos panamenhos, algo que só foi concretizado de fato em 2000.

11/09/1973 – Santiago, Chile. Um golpe de Estado no Chile, que resultou na morte, ainda hoje cercada de mistérios, do então presidente Salvador Allende, inaugurou a ditadura militar que duraria quase 17 anos. Aliás, o fim do regime também ocorreu num dia 11, em março de 1990.

11/11/1975 – Luanda, Angola. Embora a independência angolana de Portugal tenha sido declarada no dia 10 de novembro, o “povo angolano” passou a ter soberania sobre o país no dia seguinte. O resultado, contudo, foi uma guerra civil que durou três décadas e acabou apenas em 2002.

11/01/1994 – Dublin, Irlanda. O governo da Irlanda acaba com a censura ao movimento IRA, grupo paramilitar católico que defende a separação da Irlanda do Norte do Reino Unido e sua reanexação à República da Irlanda.

11/09/2001 – Nova York e Washington, EUA. O maior ataque terrorista ocorrido em solo americano, usando aviões comerciais contra as torres gêmeas e o Pentágono, foi assumido mais tarde pela Al-Qaeda. No evento, que recentemente completou dez anos, morreram quase 3 mil cidadãos americanos e de outros países.
11/03/2004 – Madri, Espanha. Uma série de explosões coordenadas no sistema de trens da capital espanhola deixou 191 mortos e 1,8 mil feridos – e ocorreu três dias antes das eleições no país, mudando seu resultado. A Al-Qaeda se responsabilizou pelos ataques, que teriam sido feitos em resposta à presença da Espanha no Iraque.
11/02/2011 – Cairo, Egito. Após 18 dias de intensas manifestações pacíficas nas ruas do Cairo e de outras cidades egípcias, o presidente Hosni Mubarak, que estava no poder havia 30 anos, cedeu e renunciou. Ele foi o segundo presidente da chamada “primavera árabe” a deixar o cargo, depois do colega da Tunísia. Mais tarde, Mubarak seria julgado.
11/03/2011 – Japão. O terremoto de 8.9 graus seguido de tsunami no Japão foi imenso nos números: segundo a polícia nacional japonesa, foram quase 16 mil mortos, cerca de 6 mil feridos e mais de 3,5 mil pessoas desaparecidas, além de um prejuízo trilionário para o país.

11/10/2011 – Jerusalém, Israel. Após mais de 5 anos desde a captura do soldado israelense Gilad Shalit na fronteira com a Faixa de Gaza, o governo israelense anunciou um acordo com o Hamas para troca de prisioneiros. A troca de Shalit por 1.027 palestinos começaria uma semana depois.

Fotos: Reprodução
Material de treinamento de agentes do FBI continha informações provocativas e preconceituosas sobre o Islã
*SALAM AL-MARAYATI, LOS ANGELES TIMES

Nós da comunidade muçulmana americana temos lutado contra as ideias corruptas e falidas de cultos como a Al-Qaeda. Agora parece que precisamos também lutar contra os pseudo-especialistas do FBI e do Departamento de Justiça.
Um conjunto perturbador de materiais de treinamento usados pelo FBI e pelo gabinete de um promotor federal americano veio à tona em julho, revelando a existência de um profundo sentimento antimuçulmano no governo dos EUA.
Se essa questão não for abordada imediatamente, o relacionamento entre a comunidade muçulmana americana e as forças da lei vai se deteriorar – mais um exemplo da inépcia e apatia que ameaçam as pontes cuidadosamente erguidas ao longo de décadas. Não é suficiente tratar o assunto como “uma preocupação absolutamente válida”, como disse o diretor do FBI, Robert Mueller, a uma comissão do Congresso neste mês.
O material de treinamento em questão, entregue a agentes do FBI na academia de Quantico, Virgínia – e revelado pela primeira vez pelo blog Danger Room, da revista Wired -, continha opiniões preconceituosas e provocativas a respeito dos muçulmanos, incluindo afirmações segundo as quais os muçulmanos “devotados” seriam mais inclinados à violência, o Islã teria como objetivo “fazer dos costumes árabes do século 7 a nova matriz da cultura americana”, que as doações caridosas feitas pelos muçulmanos seriam “um mecanismo de financiamento do combate” e que o Profeta Maomé teria sido “o líder violento de um culto”.
A Wired descobriu também uma apresentação preparada em 2010 por um analista contratado pelo gabinete de um promotor federal de justiça na Pensilvânia na qual se fala de uma “‘jihad civilizacional’ que teria começado nos primórdios do Islã e seria travada atualmente nos EUA por ‘civis, júris, advogados, veículos da mídia, meios acadêmicos e instituições de caridade’ que ameaçariam ‘nossos valores’. A meta dessa guerra seria ‘substituir os alicerces judaico-cristãos e liberais, políticos e religiosos da sociedade americana pelo Islã’”.
Esse tipo de afirmação infundada e provocativa deve ser deixada para aqueles que partilham da pauta da Al-Qaeda, que prefere manter os EUA num perpétuo estado de guerra contra o Islã. Em outras palavras, a retórica da Al-Qaeda e a desses responsáveis pelo treinamento dos agentes da lei são lados opostos da mesma moeda de ódio.
Se as agências americanas de investigação e policiamento continuarem a empregar uma literatura de treinamento incorreta e fomentadora de preconceitos, a parceria fundamental entre a comunidade muçulmana americana e as forças da lei vai se desintegrar lentamente. De acordo com o Banco de Dados de Incidentes de Terrorismo Pós-11/9 do Conselho Muçulmano de Questões Públicas, essas parcerias se mostraram importantes para preservar a segurança dos EUA. Quase 40% dos complôs relacionados à Al-Qaeda ameaçando o território americano após o 11/9 foram frustrados graças à ajuda dos muçulmanos.
Um exemplo disto é o chamado caso dos 5 de Virgínia, de 2009, quando informações transmitidas pela comunidade muçulmana daquele Estado levaram à detenção no Paquistão de cinco muçulmanos que tinham vindo da Virgínia para se juntarem a um grupo associado à Al-Qaeda. No ano passado, num caso separado, membros de uma comunidade de Maryland alertaram as forças da lei a respeito de Antonio Martínez, que tinha recentemente se convertido ao Islã. Ele foi subsequentemente detido depois de ter supostamente tentado explodir um centro de recrutamento do Exército.
Mais importante: são os líderes muçulmanos, e não os agentes do FBI, que podem combater com mais contundência as destrutivas ideias da Al-Qaeda.
Tenho trabalhado há mais de 20 anos com as forças da lei e com as comunidades muçulmanas dos EUA, e uma das piores consequências dessas sessões de treinamento e do uso desse material é o recuo de um relacionamento vital que precisou de anos para ser construído. Sei que há críticas justificáveis que podem ser feitas a alguns líderes muçulmanos nos Estados Unidos, por não terem promovido o envolvimento cívico de maneira mais agressiva. Mas como podemos convencer as comunidades muçulmanas americanas a se manterem na mesa quando a comida servida está envenenada? Esses manuais de treinamento estão tornando mais difícil para que os muçulmanos americanos cultivem a confiança nas forças da lei. Um treinamento preconceituoso e falho leva a um policiamento preconceituoso e falho.
O verdadeiro desafio atual é devolver essa parceria aos trilhos e, para isto, é necessário que o FBI e do departamento de justiça adotem os seguintes passos: emitir um pedido inequívoco de desculpas à comunidade muçulmana americana; estabelecer um processo de seleção rigoroso e transparente na seleção dos agentes responsáveis pelo treinamento e dos materiais usados; convidar especialistas que não nutram nenhum tipo de animosidade em relação a nenhuma religião para que estes apliquem treinamentos a respeito de todas as comunidades religiosas a todos os agentes das forças da lei. Finalmente, a Casa Branca precisa formar uma força tarefa interagências que possa conduzir uma análise independente do material usado no treinamento pelo FBI e pelo Departamento de Justiça.
As seguintes palavras estão gravadas nas paredes do quartel-general do FBI em Washington: “A mais eficaz arma no combate ao crime é a cooperação… entre todas as agências da lei com o apoio e a compreensão do povo americano”.
Peço ao procurador-geral Eric H. Holder Jr. e ao diretor Mueller, do FBI, que assumam suas responsabilidades de líderes diante dessa questão. Caso contrário, a parceria que construímos para conter o extremismo violento será irreversivelmente danificada. A questão que precisa ser respondida é simples: Estamos jogando no mesmo time ou não?
*É PRESIDENTE DO CONSELHO MUÇULMANO DE QUESTÕES PÚBLICAS
JERUSALÉM - O sargento israelense Gilad Shalit chegou há pouco em Israel depois de 5 anos e 4 meses como refém do grupo militante palestino Hamas. Durante a madrugada e a manhã desta terça-feira, 18, ocorreu o processo de troca do militar por 477 presos palestinos – parte do acordo fechado entre os radicais e o governo israelense, que prevê a libertação de mais 550 detentos.
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Libertação divide parentes vítimas de atentados
Serviço prisional divulga lista dos libertados
TV ESTADÃO: Brasileiro relata captura de Shalit
PARA ENTENDER: O acordo entre Israel e o Hamas
PARA LEMBRAR: A captura de Gilad Shalit
HOTSITE: A troca de detentos entre Hamas e Israel
Acompanhe AO VIVO, pelo Radar Global, o passo a passo da troca de prisioneiros, que ocorre mais de cinco anos após o sequestro de Shalit por homens do Hamas na fronteira com a Faixa de Gaza, em junho de 2006. De Israel e Gaza, o enviado especial Roberto Simon manda informações.
Terça-feira, 18
12h – A equipe de Internacional do estadão.com.br encerra aqui cobertura ao vivo da libertação do israelense Gilad Shalit e dos detentos palestinos. Veja a cobertura completa sobre o caso.
11h30 – Vários governos ao redor do mundo elogiaram o acordo entre Israel e o Hamas para a libertação de Shalit e dos mais de mil prisioneiros palestinos. O chanceler da Itália, Franco Frattini, afirmou que a libertação “abre uma página de esperança” para a paz no Oriente Médio. Na França, o presidente Nicolas Sarkozy disse que a libertação de Shalit é “um grande alívio para o país”. O ministro da Defesa e ex-chanceler do Brasil, Celso Amorim, disse que “toda ação como essa, como a libertação de um soldado israelense, é um bom sinal para a região”. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse esperar que o processo de paz entre israelenses e palestinos ganhe novo fôlego com a libertação. Leia outras reações.
10h40 – Ouça o comentário de Gabriel Toueg, editor de Internacional do estadão.com.br, sobre a troca de prisioneiros entre Israel e o Hamas na rádio Estadão ESPN. Para ele, os radicais palestinos se fortalecem com o acordo.
10h20 – Mais da coletiva de Netanyahu na base aérea:
“Hoje é um dia feliz e triste para Israel. Quando eu voltei a ser primeiro-ministro em 2009, tinha uma tarefa importante esperando por mim - traz de volta Gilad Shalit. Pensei em Shalit preso por mais cinco anos. Não queria que ele acabasse como Ron Arad, que está desaparecido há 25 anos. Pensei na dor que a mãe de Arad sentiu até seus momentos finais”.
9h48 – Na coletiva que deu após a chegada de Shalit, Netanyahu disse que fez duas exigências para que o acordo fosse fechado: que as lideranças do Hamas permanecessem na prisão e que a maioria dos prisioneiros não ficasse na Cisjordânia. O líder do Hamas na Faixa de Gaza, Mahmoud al-Zahar, por sua vez, disse ao Haaretz que o pacto inclui o fim do cerco mantido por Israel no território palestinos e o cancelamento das medidas tomadas há alguns meses para endurecer as condições dos prisioneiros palestinos em cadeias israelenses.
9h40 – FOTO: Gilad Shalit cumprimenta Benjamin Netanyahu ao desembarcar em Tel Nof.

9h29 – A conta do Twitter do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu divulgou uma foto do reencontro entre Gilad e seu pai, Noam Shalit.

9h25 – Netanyahu disse que sabia que tinha uma grande responsabilidade nas mãos ao negociar a troca de Gilad Shalit pelos prisioneiros palestinos, muitos dos quais condenados por ataques terroristas. O premiê, porém, disse que o governo manteve suas exigências sobre a deportação de alguns detentos e que os ministros apoiaram o acordo com o Hamas.
9h22 – Neste momento, Benjamin Netanyahu discursa.
9h18 – Além de seus familiares, Shalit encontrou autoridades como o ministro da Defesa, Ehud Barak, e o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu. Este último disse que “é muito bom” ver o militar de volta a Israel.
9h14 – O Haaretz informa que às 13h04 do horário de Israel (9h04 de Brasília), Gilad Shalit reencontrou sua família após cinco anos e quatro meses como prisioneiro do Hamas.
9h05 – Ouça agora na rádio Estadão ESPN, ao vivo, os comentários do editor de Internacional do estadão.com.br, Gabriel Toueg, sobre a troca de prisioneiros entre Israel e Hamas envolvendo Gilad Shalit.
8h59 – Segundo o Canal 2 da TV de Israel, as autoridades israelenses acreditam que Shalit possa estar desnutrido e que ele tenha tido exposição insuficiente à luz solar durante o período em que ficou preso.
8h53 – De acordo com o Jerusalem Post, Gilad Shalit já chegou a Tel Nof, base aérea onde encontrará sua família. A seguir, mais uma foto oficial divulgada pelo Ministério da Defesa de Israel.

8h44 – De acordo com o Haaretz, um vídeo de Shalit cumprimentando outros militares israelenses já foi ao ar pelo Canal 2. As imagens mostram o sargento em uniforme do Exército. Assista abaixo.
8h39 - O Ministério da Defesa de Israel anunciou que está encerrada a troca de prisioneiros envolvendo Shalit e a primeira leva de palestinos. 477 prisioneiros palestinos foram soltos nesta terça. Os demais (550) serão libertados posteriormente, dentro de dois meses de acordo com o plano original.
8h37 – FOTO: Oficiais da divisão de comunicação das Forças de Defesa de Israel se emocionam durante a transmissão das imagens da libertação de Gilad Shalit.

8h30 – Gilad Shalit já está no helicóptero que o transporta para a base aérea de Tel Nof, onde encontrará sua família. O encontro deve ocorrer em aproximadamente 15 minutos.
8h27 – De acordo com o Haaretz, há enfrentamentos entre palestinos e as forças de segurança de Israel em Ramallah. Os manifestantes estão irritados com o local da libertação de alguns prisioneiros, alterado de última hora. A rota do comboio que levava os ex-detentos aparentemente foi mudada porque havia palestinos queimando pneus no local.
8h22 – O governo de Israel confirma, após a realização de exames, que Gilad Shalit está bem. Na entrevista à TV estatal do Egito, o militar disse que foi bem tratado pelo Hamas durante seus cinco anos em cativeiro. Na imagem abaixo, divulgada pelo Ministério de Defesa de Israel, ele aparece falando com sua família ao telefone.

8h11 – FOTO: Ônibus levando ex-prisioneiros palestinos chega a Gaza.

8h09 – O presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, faz discurso neste momento à multidão que aguarda a chegada dos palestinos. Ele reconhece que os ex-detentos chegaram e agradece o Egito pelo papel no acordo de troca de prisioneiros. O líder também toca no assunto do reconhecimento do Estado, dizendo que os esforços para que os palestinos tenham uma nação continuam.
8h06 – A CNN exibe imagens dos presos palestinos que chegam a Gaza. Os ex-detentos são recebidos com festa no território palestino.
8h – O Ministério de Defesa de Israel informou que a bateria de exames à qual Gilad Shalit foi submetido terminou e agora ele se dirige à base aérea onde encontrará sua família, o primeiro-ministro de Israel e o ministro da Defesa. Seu pai, Noam Shalit, disse nesta terça que, apesar de todas as confirmações de que o militar está bem, o clima entre os parentes ainda é de “expectativa e preocupação”.
7h52 – De acordo com o Haaretz, Shalit passa por exames médicos. O reencontro com sua família deve ocorrer em breve.
7h48 – Assista abaixo ao vídeo da entrevista concedida por Shalit à TV estatal egípcia. Aparentemente encenada, as respostas feitas por uma jornalista em inglês foram respondidas pelo soldado em hebraico e traduzidas por um intérprete para o árabe. Segundo comentaristas da rádio Reshet Bet, de Israel, houve erros e emissões importantes na tradução. (No vídeo, não há tradução para o português).
7h44 – Imagem de uma família israelense se emocionando com a libertação de Shalit. Israel aguardava ansiosamente pelo soldado, que estava há mais de cinco anos como refém do Hamas. Após o anúncio do acordo de troca de prisioneiros, o clima era de festa em todo o país, assim como entre os palestinos.

7h40 – Durante o processo da troca, o Hamas afirmou que o processo é uma vitória para os palestinos. Os prisioneiros serão recebidos como heróis na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. A libertação dos detentos é vista também como um fator que influencia as negociações de paz na região e a busca dos palestinos pelo reconhecimento de seu Estado.
7h34 – Foto da entrevista concedida por Gilad Shalit à televisão egípcia. A imagem foi divulgada pelo Canal 10 da TV de Israel (por isso os caracteres hebraicos no pé da foto). No texto, lê-se: “Gilad Shalit em entrevista à TV egípcia; Gilad: Pensei que eu me encontraria nesta situação por anos”.

7h30 – O primeiro ônibus com prisioneiros palestinos que saiu de Israel chegou há pouco na Faixa de Gaza. Lembrando que já houve libertações e que os detentos seriam soltos nos territórios palestinos, em território israelense ou seriam deportados para países como Catar, Síria e Turquia.
7h23 – Na entrevista concedida à televisão egípcia, Shalit elogiou a atuação do Cairo no acordo, dizendo acreditar que isso ocorreu porque os egípcios têm boas relações tanto com o Hamas quanto com os israelenses. O militar disse ter sido informado sobre a libertação há uma semana – no mesmo dia em que o acordo foi anunciado formalmente – e afirmou ter sido bem tratado pelos radicais palestinos. Segundo o Haaretz, Shalit disse que gostaria que todos os palestinos fossem libertados “se não voltassem a atacar” Israel.
7h15 – Imagem da família de Shalit caminhando para um helicóptero que os levaria do norte de Israel, onde moram, para a base Tel Nof da Força Aérea, onde encontrarão Gilad. A base fica na região central do país.

7h12 – Shalit está falando ao canal estatal do Egito. A entrevista está sendo reproduzida pela CNN.
7h10 – Foi divulgado o primeiro vídeo da transferência de Shalit para o território israelense. Nas imagens, o soldado aparece usando roupas civis, boné e cercado de pessoas. A TV de Israel destacou o fato de que ele não usava óculos nas imagens. Aparentemente ele teria ficado sem óculos durante todo o tempo em que esteve cativo, o que pode ter prejudicado a visão. Assista abaixo.
6h56 – Está confirmado: depois de 5 anos e 4 meses como refém do Hamas, o sargento israelense Gilad Shalit volta ao seu país.
6h50 – Foram divulgadas as primeiras imagens de Shalit em seu processo de libertação. A imagem é da BBC, reproduzindo a transmissão de um canal árabe. O cabo aparece usando roupas civis e cercado de pessoas.

6h44 – O Ministério da Defesa de Israel anunciou há pouco que Gilad Shalit foi entregue pelo Hamas às autoridades egípcias em Rafah, ponto de passagem entre Gaza e a península do Sinai. Ele encontrará uma equipe do governo israelense em breve e seguirá para Israel.
6h20 – O jornal Haaretz confirma que Shalit foi identificado como “bem e saudável” pelas autoridades israelenses.
6h05 – De acordo com a BBC, Gilad Shalit conversou com sua família por telefone. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, também falou com a família do cabo e disse estar “feliz por este dia ter chegado”.
5h50 – O processo envolvendo Shalit ocorreu da seguinte forma – representantes do Hamas o levam às autoridades egípcias, que por sua vez vão conduzi-lo aos israelenses. Cresce a expectativa por sua libertação. Já os prisioneiros palestinos vão sendo levados aos poucos aos locais marcados para a soltura. Lembrando que alguns deles seriam soltos em Israel, outros nos territórios palestinos e uma terceira parte seria deportada para Síria, Catar e Turquia – os deportados viajam em aviões nacionais dos países que os recebem a partir do Cairo.
3h43 – Acompanhe, a partir de agora, os acontecimentos no Twitter do editor de Internacional do estadão.com.br, Gabriel Toueg. A atualização deste blog voltará por volta das 6h (horário de Brasília) desta manhã.
3h41 – Na imagem abaixo, da rede de TV do Hamas Al-Aqsa, palestinos comemoram perto da passagem de Betunya, na Cisjordânia. Os 450 palestinos que serão deportados para a Cisjordânia deverão entrar por esta passagem, depois que Shalit entrar em Israel e telefonar para a família.
3h39 – De acordo com um porta-voz do Exército israelense, o porta-voz do Hamas teria confirmado neste momento que Shalit já cruzou da Faixa de Gaza para o lado egípcio da fronteira, em Rafah.
3h33 – De acordo com o Canal 1 da TV israelense, um porta-voz do Hamas negou que Shalit já tenha sido transferido para o Egito.
3h32 – Na foto abaixo, veículos da Cruz Vermelha se aproximam da prisão de Ofer, perto de Ramallah.
3h31 – A transferência dos prisioneiros palestinos e de Shalit será feita ao longo da terça-feira em etapas. Em uma primeira fase, Shalit vai da Faixa de Gaza para o Egito pela passagem de Rafah. Há informações desencontradas sobre o local em que Shalit estaria neste momento – se ainda em Gaza ou já no Egito.
Depois, Israel liberta 27 prisioneiras presas em Ketziot, no sul do país. Shalit entra em Israel e, da base Kerem Shalom, próxima do local da captura, em 2006, telefona para a família, que estará em Tel Nof, base aérea na região central do país. Ele vai telefonar usando o mesmo aparelho que tinha quando foi capturado, em 2006.
Na sequência, Israel liberta 450 palestinos da prisão de Ofer, perto da fronteira com a Cisjordânia, na altura de Ramallah. Shalit, então, encontra a família na base de Tel Nof. Lá, será submetido a exames médicos.
Haverá também uma cerimônia com a participação do premiê Benjamin Netanyahu e do ministro da Defesa Ehud Barak, entre outros. Depois, Shalit segue com a família para Mitzpe Hila, cidade no norte de Israel, onde vivem.
3h29 – Acaba de partir um helicóptero levando os pais de Gilad Shalit para a base de Tel Nof, na região central de Israel, onde deverão receber o filho.
3h27 – A foto abaixo, divulgada pelo porta-voz do Exército israelense, mostra jornalistas preparando a cobertura na prisão Ofer, perto da Cisjordânia.

3h10 – A TV oficial do Egito informou há pouco que Gilad Shalit já estaria no deserto do Sinai, território egípcio, mas o Exército israelense não confirmou a informação, segundo o Canal 1.
2h53 – Neste momento os pais de Gilad Shalit, Noam e Aviva, deixam a casa deles em Mitzpe Hila, no norte de Israel, em direção à base Tel Nof, na região central do país. Eles são levados em uma viatura da polícia acompanhada por outros veículos policiais.
2h51 – Ouça abaixo o depoimento de um brasileiro que servia no Exército israelense quando Shalit foi capturado, em 2006.
2h49 – Segundo o repórter do Canal 1, o primeiro contato com Gilad Shalit deve ocorrer por volta de 9h locais (5h no horário de Brasília). Os horários não são precisos, já que dependem da articulação entre os dois lados – com a moderação de Egito e da Cruz Vermelha.
2h45 – Mais uma imagem (abaixo) da região de Ketziot, prisão no sul de Israel, de onde palestinos saíram mais cedo em comboios de ônibus. Os prisioneiros palestinos que serão trocados por Gilad Shalit estão sendo transferidos para os locais nos quais serão soltos com uma forte estrutura de segurança, como é possível ver na imagem.
2h38 – Ao chegar em Israel, Gilad Shalit receberá o mesmo telefone celular que usava quando foi capturado, em 2006. Com o aparelho, telefonará para a família, que já está a caminho da base Tel Nof, na região central do país.
2h37 – De acordo com o correspondente da Al-Jazira no Oriente Médio, Cal Perry, a Cruz Vermelha deve informar Israel em breve que Gilad Shalit passa bem e que está sendo transferido para o Egito. Em seguida, 27 prisioneiras palestinas serão soltas por Israel.
2h31 – Segundo a rede de TV Al-Jazira, o soldado israelense Gilad Shalit já não está nas mãos do Hamas. A TV diz ainda que ele está em boas condições de saúde. Não há confirmação da informação, contudo.
2h27 – Escreve Marcos Guterman: “É improvável que os militantes mais apaixonados da causa palestina se emocionem com o fato de que vários dos palestinos libertados por Israel, na troca pelo sargento Gilad Shalit, tenham sido responsáveis por crimes bárbaros, como os atentados a uma pizzaria em Jerusalém (15 civis mortos), a uma discoteca em Tel Aviv (21 civis mortos) e a um hotel em Netanya (29 civis mortos)”. Leia a íntegra: O acordo Israel-Hamas: só um negócio de ocasião.
2h14 – Um ativista próximo à família Shalit disse há pouco ao Canal 1 da TV israelense que a família deve deixar a casa onde mora, em Mitzpe Hila, no norte de Israel, por volta de 6h30 (horário local, 2h30 no horário de Brasília).
2h09 – A imagem abaixo, feita mais cedo, mostra alguns dos ônibus com prisioneiros deixando a prisão de Ketziot, no sul de Israel.
2h01 – Segundo informações ainda não confirmadas, o soldado Gilad Shalit deve cruzar a fronteira de Rafah, entre a Faixa de Gaza e o Egito, dentro de poucos minutos.
1h55 – A imagem abaixo, tomada ao vivo do Canal 1 da televisão israelense, mostra o local da captura de Gilad Shalit, em junho de 2006 – a torre à esquerda indica o local. O soldado voltará a Israel por um ponto próximo ao lugar de onde foi sequestrado pelo Hamas há mais de cinco anos.
1h51 – Há cerca de 40 minutos todas as fronteiras de Israel passaram a ser zona militar restrita, em preparação à transferência de prisioneiros palestinos. Segundo um correspondente da Al-Jazira, o premiê Netanyahu e o chefe do Estado-maior do Exército, Benny Gantz, estariam com os pais de Shalit, Noam and Aviva, a caminho de Tel Nof, na região central do país.
1h46 – De acordo com um site de notícias do grupo palestino Hamas, depois que metade dos prisioneiros palestinos cruzar a fronteira para o Egito, um soldado do Exército israelense entrará para identificar Shalit. Apenas após a identificação um segundo comboio de palestinos poderá cruzar a fronteira para o Egito.
1h42 – Amanhece em Israel.
1h39 – Um comboio com 147 palestinos, de acordo com o site do jornal Yedioth Aharonot deixou a prisão Ketziot em direção ao Centro de Detenção Ofer, perto da Cisjordânia, há cerca de meia hora.
The prisoners in question will be allowed to return to their homes in the West Bank. (Ilana Curiel, Yair Altman)
1h36 – O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, deve chegar à base aérea de Tel Nof, na região central do país, por volta de 8h da manhã no horário local (4h da manhã no horário de Brasília). De lá, ele vai acompanhar a transferência dos prisioneiros até que Shalit chegue ao local.
1h27 – A transferência dos prisioneiros palestinos e de Shalit será feita ao longo da terça-feira em etapas. Em uma primeira fase, Shalit vai da Faixa de Gaza para o Egito pela passagem de Rafah. A seguir, Israel liberta 27 prisioneiras presas em Ketziot, no sul do país.
Shalit entra em Israel e, da base Kerem Shalom, próxima do local da captura, em 2006, telefona para a família, que estará em Tel Nof, base aérea na região central do país.
Na sequência, Israel liberta 450 palestinos da prisão de Ofer, perto da fronteira com a Cisjordânia, na altura de Ramallah. Shalit, então, encontra a família na base de Tel Nof. Lá, será submetido a exames médicos. Haverá também uma cerimônia com a participação do premiê Benjamin Netanyahu e do ministro da Defesa Ehud Barak. Depois, Shalit segue com a família para Mitzpe Hila, cidade no norte de Israel, onde vivem.
1h16 – Na imagem abaixo, do Canal 1 da televisão israelense, ônibus são vistos perto da prisão de Ketziot, no sul de Israel. De lá 27 prisioneiras serão soltas logo depois que o soldado Gilad Shalit atravessar da Faixa de Gaza para o Egito.
1h12 – Um repórter do Canal 1 da TV israelense, que está em Kerem Shalom, explica os preparativos de segurança. O local é o ponto no qual o soldado Gilad Shalit deverá chegar – de helicóptero – em Israel. De lá, ele deverá telefonar para a família.
1h09 – Os prisioneiros palestinos serão deportados para países como Turquia, Catar e Síria. Um prisioneiro deverá vir ao Brasil.
1h06 – Jornalistas da televisão israelense comentam que há muita segurança – do Shabak (serviço secreto de Israel), polícia, Exército, policiais de fronteira e Serviço Prisional (Shabas) – acompanhando os ônibus com prisioneiros.
1h01 – Imagens da TV israelense mostram os ônibus com prisioneiros chegando à Cisjordânia, perto de Ramallah. Segundo o repórter, 106 palestinos estariam nos ônibus, que chegaram à prisão Ofer, perto da fronteira com a Cisjordânia.
0h47 – Uma primeira imagem divulgada pela rede de TV Al-Jazira mostra ônibus levando prisioneiros palestinos escoltados pela polícia israelense, à noite. Veja:

0h42 – O site do jornal Yedioth Aharonot relata que uma moção de última hora foi apresentada à Corte Suprema de Justiça de Israel por Aharon Kobirkov, vítima de um ataque a tiros ocorrido em 2001. Ele procura frear a soltura de 27 palestinas presas em Ketziot.
0h37 -Funcionários do Consulado egípcio em Israel chegaram na madrugada desta terça, 18 (horário local) na prisão Ketziot, no sul do país. Eles vão acompanhar a soltura dos prisioneiros palestinos. O Egito mediou as negociações entre Israel e o Hamas.
0h34 – Segundo o site do jornal israelense Yedioth Aharonot, um pequeno protesto ocorreu no lado de fora da prisão de Hasharon, contra a troca de prisioneiros. Seis extremistas de direita, de acordo com o site, tentaram bloquear os veículos que levavam prisioneiros deitando no chão. Eles foram detidos.
0h27 – A Corte Suprema de Israel aprovou, na noite de segunda-feira, o acordo entre Israel e o Hamas, apesar de famílias de vítimas de ataques terem feito uma petição para adiá-lo ou evitar que entrasse em vigor. O premiê israelense Benjamin Netanyahu enviou, na segunda-feira, uma carta para os familiares, dizendo que tomou a decisão “com coração pesado”.
0h21 – De acordo com o jornal Haaretz, um dos líderes do Hamas em Gaza disse que Israel teria concordado em acabar com o bloqueio à Faixa de Gaza como parte do acordo para recuperar o soldado israelense Gilad Shalit. Segundo Mahmoud Zahar, que participou das negociações, Israel teria concordado com a condição “há muito tempo”, em conversações mediadas pela Alemanha.
0h18 – De acordo com um porta-voz do Serviço Prisional de Israel, os primeiros 96 palestinos já foram transferidos de uma cadeia no sul de Israel para outra na Cisjordânia, de onde serão libertados mais tarde (provavelmente ao amanhecer de terça).
Segunda-feira, 17
23h02 – Wassem Mahmud Amasha é o primeiro palestino a ser solto. De acordo com a imprensa israelense, ele foi levado na madrugada de terça-feira, 18 (às 3h no horário local) para o norte do país, de onde será solto.
17h46 – A Corte Suprema de Israel aprovou a troca dos prisioneiros, apesar dos apelos de familiares de vítimas de ataques terroristas.
LONDRES – A polícia de Nottinghamshire, na Grã-Bretanha, vai pagar uma indenização de aproximadamente US$ 31,500 a um estudante britânico acusado de crimes ligados ao terrorismo por ter baixado manuais da Al-Qaeda na internet para seu trabalho acadêmico de mestrado.
Rizwaan Sabir foi detido depois de imprimir um manual da organização terrorista que encontrou na rede. Os documentos o ajudariam em sua pesquisa acadêmica para a Universidade de Nottingham. Ele escrevia sobre a política dos Estados Unidos em relação à Al-Qaeda no Iraque e encontrou o material no site do governo americano.
Ele foi preso em maio de 2008 e passou seis dias sob custódia das autoridades antes de ser libertado sem acusações. O caso seria julgado no próximo dia 19, mas o valor foi proposto pela polícia e Sabir aceitou.
”Finalmente é uma compensação e podemos dizer orgulhosamente que eu provei para muitas pessoas que suspeitaram de mim como um terrorista que sou inocente e sempre fui. Isso mostra que a polícia estava errada e se comportou de forma equivocada. Ele finalmente aceitaram isso”, disse ele ao Guardian.
Por Christina Stephano de Queiroz, especial para o estadão.com.br
Reunir algumas das imagens mais significativas dos atentados de 2001 em Nova York. Este é o objetivo da revista Time, que lançou o livro Watching the World Change: The Stories Behind the Images of 9/11 (Assistindo ao mundo em mudança: as histórias por trás das imagens do 11/9, em tradução livre). A obra, organizada pela revista faz parte do projeto Beyond 9/11: A Portrait of Resilience (Além do 11/9: um retrato de superação).
Veja também:
ESPECIAL: Dez anos do 11 de Setembro
ESTADÃO ESPN: Série especial
ENQUETE: Do 11/09 à morte de Bin Laden: onde você estava?
Para escolher as fotos que fariam parte da obra, a revista convidou editores, fotógrafos, curadores, educadores e blogueiros. Além de indicar quais eram, para eles, as fotos mais relevantes daquela terça-feira de 2001, eles também explicaram os motivos da importância de cada imagem escolhida. Entre as pessoas que participaram da produção do livro estão Vin Alabiso, editor-chefe de fotografia da agência de notícias Associated Press no dia dos atentados; Holly Hughes, editora do Photo District News; e Kent Korbersteen, antigo diretor de fotografia da National Geographic.
O livro retrata desde o assombro dos moradores da cidade até o desespero de familiares das vítimas, passando pelo empenho dos bombeiros e pelas imagens desoladoras de corpos caindo das janelas das Torres Gêmeas.

Kent Kobersteen, ex-diretor de fotografia da National Geographic: Imagem contextualiza tragédia e retrata normalidade presente em toda cidade, menos nas torres

MaryAnne Golon, editor de foto e consultor de mídia: “Com a foto, percebi as consequências da tragédia”

Kira Pollack, diretor de fotografia da Time: Apocalipse aconteceu em apenas uma manhã

Olivier Picard, ex-diretor de fotografia do U.S. News and World Report: Pessoas observam colapso e violência nas Torres Gêmeas

Patrick Witty, editor internacional de fotos da Time: “Vi corpos caindo quando estava próximo às torres em chamas, porém não fui capaz de fotografá-los”
Veja outras imagens na seleção da Time.
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