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Radar Global

Visão Global

O País poderia dar o exemplo acabando com seu programa de enriquecimento de urânio, medida que ajudaria na obtenção de uma vaga permanente no Conselho de Segurança

BERNARD ARONSON
THE NEW YORK TIMES

Dizem que o Brasil é o país do futuro – e sempre será. Mas quando a presidente brasileira, Dilma Rousseff, visitar a Casa Branca na próxima semana, ela virá como a líder de um país cujo futuro já chegou. Com suas imensas descobertas do pré-sal e os enormes investimentos estrangeiros no país, a economia brasileira, que vem crescendo duas vezes mais rápido do que a americana, já superou a da Grã-Bretanha e tornou-se a sétima maior do mundo (segundo a Economy Watch). Como membro do G-20 e anfitriã da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada de 2016, o Brasil hoje é um líder global emergente.

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CHACRA: Não, o Brasil não pode parar o Irã 

Mas há uma área em que o país tem uma oportunidade de liderar, mas tem desapontado: impedir a propagação das armas nucleares. O Brasil deveria tomar uma decisão corajosa de pôr fim, voluntariamente, ao seu programa de enriquecimento de urânio e insistir que outras nações, incluindo o Irã, sigam seu exemplo.

O Brasil surgiu como uma força no campo da não proliferação. Em 2001, voluntariamente, pôs suas usinas nucleares à disposição dos inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e, posteriormente, aderiu ao Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP). Mas, em 2004, o país, que abriga a quinta maior reserva de urânio do mundo, proclamou que os Estados têm o “direito inalienável” de enriquecer urânio para “fins pacíficos”. Construiu, então, uma usina de enriquecimento e defrontou-se com a AIEA durante mais de um ano, antes de autorizar o acesso aos inspetores da agência.

O Brasil diz que seu programa de enriquecimento de urânio tem objetivos pacíficos e não há razão para duvidar disso. O TNP permite a seus signatários produzir urânio enriquecido para seus reatores de pesquisa e comerciais, armazenar combustível radioativo e reprocessar o combustível usado desde que todas as usinas nucleares se submetam a uma inspeção da AIEA.

A grande falha está no fato de que as mesmas instalações nucleares que enriquecem urânio para fins pacíficos também podem ser usadas para enriquecer urânio destinado à fabricação de armas nucleares. E o combustível reprocessado dos reatores com fins pacíficos produz plutônio, que pode ser usado para bombas atômicas. Explorando essa “brecha no TNP no tópico que trata do enriquecimento”, a Coreia do Norte desenvolveu um programa secreto para reprocessar o combustível utilizado, retirou-se do tratado e, logo depois, fabricou armas nucleares. O Irã está tentando fazer o mesmo.

Dos países que hoje operam ou estão construindo reatores de pesquisa ou centrais nucleares para geração de energia, nos termos do TNP, mais de 40 têm capacidade para fabricar armas nucleares explorando essa “brecha”. Se o Irã desenvolver sua base nuclear, poderá, como o presidente Barack Obama tem alertado, exercer uma pressão inexorável sobre Arábia Saudita, Egito e Turquia para também produzirem armas nucleares.

Entre as nações em desenvolvimento, o Brasil está numa posição excepcional para tentar resolver o perigo da proliferação nuclear tendo em vista sua defesa histórica e nacionalista do enriquecimento de urânio.

Se o país renunciar ao seu direito de enriquecer urânio em nome da paz internacional, fechar suas usinas de enriquecimento, acolher uma antiga proposta das Nações Unidas para aceitar urânio enriquecido da AIEA e permitir que a agência cuide do reprocessamento do seu combustível usado – basicamente a mesma proposta feita ao Irã – e insistir que outros Estados que assinaram o tratado ajam da mesma maneira, isso transformaria o debate nuclear.

Uma nova posição do Brasil extinguiria o principal argumento do Irã, de que os Estados avançados possuidores de armas nucleares estão em busca de uma forma de “apartheid nuclear”. E isso possibilitaria ao Irã um modo de sair dignamente da situação e se aliar a outras nações num novo esforço multilateral para suspender o enriquecimento de urânio, em vez de sucumbir às ameaças e sanções ocidentais.

Finalmente, se o Brasil e outros países em desenvolvimento desistirem de enriquecer urânio, isso permitirá um novo esforço internacional para eliminar as brechas existentes no TNP com relação ao enriquecimento de urânio de maneira permanente, por meio das emendas necessárias.

Obstáculos existem. Grupos militares e comerciais poderosos têm interesse na continuação do programa de enriquecimento pelo Brasil e os nacionalistas brasileiros precisam ser acalmados. Assim, é vital que o Brasil seja visto como um país que está agindo por vontade própria, em vez de estar se submetendo às pressões de Washington.

Os EUA podem oferecer incentivos a portas fechadas. Obama está analisando propostas para reduzir o arsenal nuclear operacional americano em 30% ou mais. Hoje, o Brasil lidera um grupo de oito Estados não nucleares que pression as potências nucleares, incluindo os EUA, a comprometerem-se com os termos do tratado e adotarem medidas para um eventual desarmamento.

E, se houver um grande avanço nessa frente, o Brasil teria um grande mérito. O Congresso e a Casa Branca também poderão reexaminar as tarifas punitivas impostas sobre o etanol brasileiro, produto da cana-de-açúcar, o que obriga os americanos a depender do etanol do milho, mais caro, e eleva os preços globais dos alimentos.
Líder. Uma renúncia do seu direito de enriquecimento elevaria o Brasil, da noite para o dia, a uma posição de líder global no mais premente desafio à segurança enfrentado pela comunidade internacional.

A posição do Brasil, inevitavelmente, determinará o contexto para futuras discussões sobre a entrada do País no Conselho de Segurança da ONU na qualidade de membro permanente, posição há muito tempo ambicionada por Brasília.
No momento em que o mundo se depara com a perspectiva de uma guerra com o Irã, Dilma Rousseff tem a oportunidade de fazer uma proposta corajosa para ajudar a neutralizar a crise. Ela deve aproveitar. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

É ADMINISTRADOR DE FUNDOS DE PARTICIPAÇÃO ACIONÁRIA E EX-SECRETÁRIO ADJUNTO DE ESTADO PARA OS ASSUNTOS INTERAMERICANOS DE 1989 A 1993

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Por Bruna Ribeiro, do estadão.com.br

A falta de comunicação entre os governos de Israel e do Irã interfere tão intensamente nas relações entre os povos que não é possível discar um número iraniano a partir de um telefone israelense, de acordo com a CNN. Simplesmente, segundo a rede de TV, a ligação não funcionaria. A divergência política acaba em discursos que carregam pesadas ameaças de guerra.

Uma campanha promovida por um casal israelense – e que foi destaque na CNN nesta terça-feira, 20 - tem chamado a atenção na internet e ganhado popularidade no Facebook. Ronny Edry, um designer israelense que mora em Tel Aviv, resolveu mandar sua mensagem para o povo iraniano.

“Minha ideia foi simples. Eu estava tentando alcançar o outro lado. Sempre há discussões sobre guerra e boatos de que o Irã irá nos bombardear e de que nós iremos bombardeá-los. Nós estamos sentados esperando que isso aconteça. Eu queria apenas dizer que essa guerra é uma loucura”, disse Edry ao canal americano.

Usando as habilidades de designer gráfico e com a ajuda de sua esposa (ela também designer), Edry criou cartazes com fotos de si mesmo, familiares, amigos e vizinhos e os publicou na página do Facebook da escola para iniciantes em design, Pushpin Mehina, com a mensagem “Iranianos, nós nunca vamos bombardear seu país. Nós (amamos) vocês.

Veja as fotos:

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Visão Global; análises e comentários de especialistas

Embora o lobby israelense seja visto como monolítico, há profunda divisão entre os que defendem uma ação armada contra Teerã e os que apostam na diplomacia

ERIC LICHTBLAU
MARK LANDLER
THE NEW YORK TIMES

Antes mesmo de o presidente Barack Obama ter declarado neste mês que protegeria as costas de Israel em sua escalada do confronto com o Irã, personalidades pró-Israel como o líder cristão evangélico Gary L. Bauer e o comentarista conservador William Kristol estavam cobrando mais.

Num bem acabado vídeo de 30 minutos, a organização que os dois lideram, Comitê de Emergência por Israel, zomba do “compromisso inabalável com a segurança de Israel” de Obama e considera fraco seu histórico sobre o Irã. “Serei brutalmente honesto – não confio no presidente sobre Israel”, disse numa entrevista Bauer, que buscou sem sucesso a indicação para a candidatura presidencial republicana em 2000. Com líderes israelenses advertindo sobre uma ameaça existencial do Irã e discutindo abertamente a possibilidade de atacar suas instalações nucleares, grupos pró-Israel de todos os matizes se mobilizaram para tornar seus pontos de vista conhecidos do governo Obama e do Congresso.

Foram as vozes mais de direita, como a do Comitê de Emergência, que dominaram o debate e, na visão de alguns críticos, empurraram os EUA para mais perto de empreender ações militares contra o Irã e uma nova guerra no Oriente Médio. “Isso não tem a ver com Israel”, disse, numa entrevista, o líder da maioria na Câmara, Eric I. Cantor, republicano de Virgínia e aliado chave do primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, no Congresso americano. “Tem a ver com os EUA, tem a ver com nossos interesses na região. A Casa Branca tem emitido muitas mensagens conflitantes.”

Entre os que defendem uma atitude mais agressiva ante o Irã estão destacados republicanos no Congresso, como Cantor e o senador John McCain do Arizona; os pré-candidatos presidenciais do partido; grupos como o Comitê de Emergência e o Comitê de Assuntos Públicos Americano Israelense, ou Aipac; os chamados “neocons” do governo de George W. Bush que foram fortes defensores da guerra no Iraque; cristãos evangélicos pró-Israel como Bauer, que também é atuante no grupo Cristãos Unidos por Israel, e muitos democratas.

Entre os que privilegiam a diplomacia estão grupos liberais como J Street, ajudado por US$ 500 mil anuais de contribuições do filantropo liberal Georges Soros, e o Tikkun, um jornal judaico que começou a exibir anúncios com os dizeres “Não à guerra com o Irã e não a atacar primeiro!” O Tikkun, com base em Berkeley, Califórnia, pretende associar sua mensagem contra a guerra aos protestos do movimento Ocupe. “Muita gente fala do lobby de Israel como se fosse uma coisa monolítica”, disse Dylan Williams, chefe de assuntos do governo da J Street. “Isso é um mito. Há uma divisão profunda entre os que apoiam uma ação militar neste momento e os que apoiam a diplomacia.”

Fissuras claras se formaram entre os grupos pró-Israel, não só entre falcões e pombos sobre o uso de força militar contra o Irã, mas entre os próprios linhas-duras sobre o grau de agressividade com que o Irã deve ser enfrentado.
Sheldon Adelson, um bilionário dono de cassino que é um firme apoiador de Israel, doou este ano pelo menos US$ 10 milhões, com sua mulher, para apoiar a campanha presidencial de Newt Gingrich. Assim como Mitt Romney e Rick Santorum, Gingrich declarou um forte apoio a Israel e considerou fracas as políticas de Obama sobre a questão iraniana. Ele também descreveu os palestinos como um “povo inventado”.

Os desacordos sobre o Irã refletem as divisões entre os próprios judeus. Numa pesquisa com judeus americanos em setembro feita pelo Comitê Judaico Americano, 56% dos entrevistados disseram que apoiariam uma ação militar americana contra o Irã se diplomacia e sanções falhassem, enquanto 38% se opuseram a isso. O apoio ficou ligeiramente abaixo de um ano antes.

O rabino Michael Lerner, um líder do Tikkun filiado à coalizão de grupos religiosos contra a guerra, disse que os apoiadores da diplomacia querem expor o que viram como um “toque de tambor de guerra” nas últimas semanas. Ele e outros adversários de uma ação militar dizem que o debate sobre o Irã reproduz o clima político de 2002 durante os preparativos para a invasão do Iraque liderada pelos EUA.

O deputado Keith Ellison, democrata de Minnesota, que se opõe a uma ação militar contra o Irã, disse: “A retórica está exagerada”. Os que defendem uma intervenção militar “mobilizam cenários apocalípticos”, disse Ellison numa entrevista. “Isso tem efeitos. No mínimo, eles estão fazendo Obama falar sobre opções militares com respeito ao Irã.”

No impasse, os grupos de falcões que apoiam uma ação militar usam mais dinheiro, influência política e nomes de destaque que os defensores de uma solução diplomática.

No geral, os comitês de ação política pró-Israel e os doadores a eles filiados doaram mais de US$ 47 milhões diretamente a candidatos federais desde 2000, segundo dados do Center for Responsive Politics, um grupo de pesquisa não partidário.

Eles estão entre os principais contribuintes para alguns destacados democratas e republicanos, e grupos pró-Israel receberam muitos legisladores em viagens com despesas pagas a Israel. Quando a Aipac realizou sua conferência deste mês com Obama e Netanyahu, mais da metade dos membros do Congresso compareceram.

O próprio presidente fez advertências contra “conversas frouxas sobre guerra” no debate público sobre a política iraniana, apesar de ter deixado aberta a possibilidade de uma ação militar. Na conferência da Aipac, Obama referiu-se explicitamente a uma ação militar como uma opção para lidar com o Irã. Para especialistas, a linha mais dura de Obama também ajuda na política doméstica. Eles consideram que as declarações do presidente acalmaram o nervosismo de alguns eleitores judeus sobre seu apoio a Israel e desarmaram o esforço de candidatos presidenciais republicanos de usar o Irã contra Obama. / TRADUÇÃO DE CELSO M. PACIORNIK

SÃO JORNALISTAS

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Há razões para a eleição iraniana ter ocorrido sem protesto; as sanções sufocam também aqueles que exigem mudança

HOOMAN MAJD, THE NEW YORK TIMES, É JORNALISTA IRANIANO-AMERICANO

Uma máxima antiga, atribuída ao Ministério das Relações Exteriores da Grã-Bretanha nos tempos do império, afirma: “Mantenham os persas famintos, e os árabes gordos”. Era a fórmula usada pelos britânicos – na época, os guardiões do destino persa – para acalmar esses povos, e ainda é válida para os líderes da Arábia Saudita, que simplesmente distribuem grandes quantidades de dinheiro aos seus cidadãos ao primeiro sinal de agitação.
No caso do Irã, nem os EUA nem a Grã-Bretanha parecem segui-la fielmente. Manter os persas famintos era a garantia de que não se levantariam contra os seus patrões. Hoje, o desejo mais acalentado pelo Ocidente é, ao que tudo indica, que eles façam exatamente isso.
Não surpreende que a votação de sexta-feira tenha transcorrido sem agitação por parte dos eleitores da classe média ou a participação dos liberais que se opõem ao regime. Esses candidatos foram eliminados do cenário político.
As sanções ocidentais, outrora contra um alvo determinado e agora abrangentes, estão se tornando uma forma de punição coletiva. Sua finalidade, ao que nos dizem, é obrigar o governo islâmico a voltar à mesa de negociações a respeito da questão nuclear. Os políticos ocidentais parecem acreditar que punir o povo iraniano contribuirá para fazer com que esse culpe o próprio governo e force uma mudança de comportamento do regime. Mas como a antiga máxima britânica admitia, no Irã as privações são a receita do status quo.
O governo e o povo iraniano nunca foram isolacionistas. Mas à medida que as sanções cobram seu preço em vidas de cidadãos que querem continuam mantendo relações de negócios e se comunicar com o exterior, as energias para questionar a política do governo e provocar agitações para a mudança acabam.
No ano passado, enquanto morava em Teerã, conheci uma economia fragilizada e uma população faminta, não apenas de proteínas, mas de mudanças. Empresas que fecham as portas ou demitem trabalhadores pela falta de atividade comercial ou de novas oportunidades afetam todo mundo.
A mudança pela qual a maioria dos iranianos anseia é econômica. Enquanto eles se consomem na luta para empatar ganhos com gastos, em dois ou três empregos, e em alguns casos mandem crianças esmolar ou vender pequenos objetos, estão menos preocupados com sua fome secundária: a fome política.
A mudança política só ocorrerá depois que os iranianos não tiverem mais fome e o governo não tiver mais desculpas para usar, entre elas a da segurança nacional. Somente quando os iranianos com alto grau de instrução, sofisticados e talentosos tiverem “engordado” enfrentarão seus líderes e exigirão o direito de buscar uma felicidade além da vida e do estômago saciado. Os iranianos não aceitam ser mandados. Eles não culparão o seu governo pelas consequências das sanções porque dizemos a eles que o façam, nem derrubarão os aiatolás, por mais que os instiguemos a fazê-lo.
Com uma economia forte, a classe média voltará a exercer um papel político mais influente. Foi ela que, ainda bem alimentada depois de quatro anos de governo de Ahmadinejad, levantou-se em 2009, exigindo seus direitos civis. É o que restou dessa classe média que continua protestando hoje contra os abusos.
As sanções cada vez mais rigorosas impostas ao Irã também sufocam as vozes que exigem mudanças – vozes que simplesmente não podem ser ouvidas em um momento em que a população está sendo ameaçada com uma asfixia econômica ou, pior ainda, com bombas. As sanções não mudarão o comportamento do regime nem darão origem a uma Primavera Persa – pelo menos não enquanto os persas estiverem famintos, e apavorados.

TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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Ecos do período que antecedeu guerra do Iraque são inconfundíveis, mesmo sem certeza sobre objetivos do Irã

SCOTT SHANE, THE NEW YORK TIMES , É JORNALISTA

Os EUA sustentaram até agora aquela que é – de acordo com determinados critérios – sua guerra mais prolongada, com mais de 6.300 soldados americanos mortos e 46 mil feridos no Iraque e no Afeganistão, além de um custo estimado em US$ 3 trilhões. As guerras duraram muito mais do que o previsto, com resultados decepcionantes.

 

Então, por que já podemos sentir no ar um novo odor de pólvora? Os debates a respeito de um possível conflito envolvendo o programa nuclear do Irã alcançaram um tom estridente nas últimas semanas, com Israel intensificando as ameaças de um possível ataque, a oratória dos políticos americanos tornando-se mais belicosa e o Irã respondendo em geral num tom desafiador. Enquanto Israel e Irã trocam acusações e suspeitas de armar complôs assassinos, alguns analistas enxergam o perigo de precipitar uma guerra que inevitavelmente envolveria os EUA.

Os ecos do período que antecedeu a guerra do Iraque, em 2003, são inconfundíveis, e acendem um debate já conhecido a respeito da possibilidade de a imprensa estar exagerando ao relatar os avanços do Irã na construção da bomba. Entretanto, há uma diferença considerável: diferentemente de 2003, quando o governo Bush retratava o Iraque como uma ameaça iminente, os representantes do governo Obama e os profissionais dos serviços de informações parecem ansiosos por acalmar a retórica febril e agressiva.

Recentemente, o general Martin Dempsey, chefe das Forças Armadas americanas, disse à CNN que os EUA alertaram Israel para o fato de que a decisão de atacar neste momento teria como resultado uma “desestabilização”, acrescentando que o Irã ainda não decidiu se construirá uma arma.

Graham Allison, um dos principais especialistas em estratégia nuclear da Universidade Harvard, comparou a evolução do conflito em torno do programa nuclear iraniano a uma “versão em câmera lenta da crise dos mísseis de Cuba”, na qual ambas partes dispõem de informações pouco claras e os ânimos estão exacerbados. “Observando Irã, Israel e EUA, podemos perceber que eles avançam lenta porém inexoravelmente para uma colisão”, disse ele.

Outra diferença fundamental em relação ao debate antes da guerra em 2003 é o papel central de Israel, que considera a possibilidade da construção de uma arma nuclear iraniana uma ameaça à sua própria existência e advertiu que em breve o Irã terá construído instalações nucleares muito abaixo da superfície, que não poderão ser alcançadas pelos bombardeiros.

A posição de Israel encontrou um ambiente politicamente favorável nos EUA. Com a notável exceção do deputado Ron Paul, do Texas, os candidatos republicanos à presidência disputaram espaço fazendo declarações em que ameaçavam o Irã e definiam-se como protetores de Israel.

Apesar de uma década de guerra, a maioria dos americanos parece apoiar o espírito marcial dos políticos. Numa pesquisa de opinião realizada este mês pelo Pew Research Center, 58% dos entrevistados disseram que os EUA deveriam usar força militar, se necessário, para evitar que o Irã desenvolva armas nucleares. Somente 30% dos participantes foram contrários à ideia. “Isso me parece curioso”, disse Richard K. Betts, da Universidade Columbia, que estuda ameaças à segurança desde a Guerra Fria. “Depois de sofrer tantos golpes no Iraque e no Afeganistão, seria de se imaginar que houvesse uma razão instintiva sugerindo a contenção dos ânimos.”

Micah Zenko, que estuda a prevenção de conflitos no Conselho das Relações Exteriores, enxerga um padrão: “Sempre existe a crença de que a próxima guerra terá resultado melhor do que a última”. Diante de um desafio à segurança, tanto políticos quanto o povo “desejam ‘fazer alguma coisa’”, disse Zenko. “E não há nada tão capaz de ‘fazer alguma coisa’ quanto o poderio militar.”

São as principais forças do establishment militar e de espionagem que buscam um contraponto à linguagem dos políticos quanto ao programa nuclear iraniano. Em audiência da semana passada, o senador republicano Lindsey Graham questionou James R. Clapper Jr., diretor da Inteligência Nacional dos EUA, se ele tinha dúvidas quanto às intenções iranianas de fabricar a arma atômica. “Tenho sim”, respondeu Clapper. “Há certas coisas que eles ainda não fizeram e coisas que não fazem há algum tempo”, acrescentou, referindo-se a etapas da preparação de um dispositivo nuclear.

Peter Feaver, da Universidade Duke, que estuda a opinião pública em relação à guerra e trabalhou no governo de George W. Bush, disse que a política do governo Obama está agora “exatamente no ponto médio da opinião pública americana em relação ao Irã” – ou seja, assumindo uma linha dura contra um Irã armado com bombas nucleares, mas opondo-se a medidas militares no presente. Feaver alerta que, com a aproximação das eleições de novembro, a retórica belicosa deve aumentar. “Este é o perigo habitual de se debater crises de política externa numa campanha eleitoral”, disse ele. “Na tentativa de explicar uma posição complexa, acaba-se transmitindo a impressão de algo completamente vago.” / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA E AUGUSTO CALIL

 

 

 

 

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Ahmadinejad planeja uma versão nacional da web para enfrentar em até três anos a rede mundial de computadores

POR THOMAS ERDBRINK, DO WASHINGTON POST

Quando Maysam, conhecido blogueiro iraniano, entra na internet em seu escritório, ele o faz por meio de uma conexão especial que há anos tem conseguido evitar a barreira cada vez mais eficaz criada pela república islâmica.

Recentemente, o software – que permitia a ele e outros milhões de iranianos usarem a internet por meio de portais em outras partes do mundo – parou de funcionar. Quando ele retorna ao ar esporadicamente, a velocidade é tão lenta que sites como o Facebook e o balatarin.com, que cataloga as notícias não oficiais em farsi, tornam-se impossíveis de utilizar. “Houve uma mudança”, disse Maysam, que não forneceu seu sobrenome temendo ser convocado pela policia iraniana. “Parece que, cada vez mais, as autoridades estão ganhando a dianteira no universo online.”

Depois de verem como a mídia social ajudou a fortalecer as revoltas em todo o Oriente Médio, os líderes iranianos tentam controlar o que é distribuído, postado e discutido na internet. Depois de um início mais lento, as autoridades estão obtendo um sucesso crescente, afirmam os usuários da web.

Muitos temem que o desligamento do software usado para contornar a blindagem criada pelo Estado seja o prenúncio do que as autoridades rotularam como “internet nacional”. Os funcionários do governo responsáveis pela indústria da tecnologia anunciaram a construção de uma rede doméstica semelhante à internet e comparável à rede de um escritório, possibilitando o bloqueio de muitos sites populares. Eles deram a entender que a internet nacional pode ser lançada a qualquer momento e ela passará a funcionar gradualmente no decorrer dos próximos três anos.

As autoridades dizem que a decisão nasceu da necessidade de evitar que os inimigos ocidentais do Irã espionem os cidadãos do país. A repressão à liberdade na internet ocorre em meio a tensões no Irã envolvendo uma série de misteriosos assassinatos e explosões cuja responsabilidade foi atribuída a espiões americanos ou israelenses.

O Ocidente tem intensificado a pressão sobre o Irã nos últimos meses com o objetivo de fazer o país abandonar seu programa de enriquecimento de urânio, que o Irã descreve como pacífico, mas que, de acordo com os EUA e outros, teria como fim o desenvolvimento de uma arma nuclear.

Representantes iranianos acusaram empresas de tecnologia com sede nos EUA, como Google, Twitter e Microsoft, de estar trabalhando ao lado das autoridades americanas na espionagem dos perfis iranianos online, do uso que a população faz dos serviços de busca, das redes sociais e da correspondência eletrônica. As empresas negaram as acusações.

Durante os protestos ocorridos em 2009 e promovidos por grupos iranianos de oposição, o Departamento de Estado chegou a pedir ao Twitter que adiasse um serviço de manutenção do seu site, pois os diplomatas americanos acreditavam que o serviço de microblogs era usado pelos manifestantes iranianos para programar as manifestações em Teerã. “Estão roubando as informações das pessoas e buscando seus próprios… objetivos”, disse Reza Taghipour, ministro iraniano das comunicações e da tecnologia da informação, ao falar de governos estrangeiros e empresas da internet no mês passado. “Precisamos (da internet nacional) para proteger a privacidade das nossas famílias.”

Os funcionários do governo sublinham que o acesso à web não será extinto, sendo que a restrição será aplicada apenas a sites “perigosos”. Mas os usuários iranianos da internet e os ativistas temem que a ativação do modelo nacional possa isolá-los do restante do mundo, colocando-os sob uma vigilância ainda mais intensa das autoridades.

“Basicamente, eles já estão impedindo o acesso a todos os sites interessantes”, disse Maysam. “Se isso ocorrer, seremos como uma ilha isolada num mundo em constante mudança.”

Em setembro, a empresa holandesa de segurança na rede DigiNotar teve seus sistemas invadidos e os certificados de segurança – senhas digitais – de sites como Google e Yahoo foram roubados. O roubo tornou-se conhecido quando milhares de usuários do Gmail no Irã começaram a reparar num estranho desvio pelo qual sua correspondência começou a passar.

No seus e-mails, um hacker iraniano que se identifica como Sunich – nome de uma popular bebida que costuma ser distribuída nos comícios organizados pelo Estado – alegou ter roubado os certificados e os entregado às autoridades. “Aqueles que cooperam com os serviços ocidentais de informações devem ser castigados”, escreveu ele numa mensagem, dizendo que as autoridades iranianas tinham o direito de descobrir quais dos seus cidadãos estariam trabalhando para agências estrangeiras de espionagem.

Os blogueiros e ativistas já podem ser detidos em decorrência daquilo que publicam na rede. Saeed Malekpour, de 36 anos, programador iraniano de origem canadense, aguarda execução depois de ter sido sentenciado à morte em decorrência daquilo que o juiz descreveu como “disseminação de material pornográfico”. Malekpour insiste que simplesmente criou um site de armazenamento online que logo foi usado abusivamente por outras pessoas.

A divisão cibernética da polícia iraniana deteve na semana passada pessoas associadas a uma página no Facebook que organizava concursos de beleza online. Os responsáveis foram acusados de favorecimento à prostituição.

Mustafá, de 27 anos, trabalha como assistente numa gráfica e disse que se despediu da internet. “Nenhum dos sites divertidos, como o Facebook, funciona mais. Posso ler apenas os sites oficiais de notícias do Irã”, disse Mustafá, que pediu para não ter o nome divulgado. “Agora dedico meu tempo somente ao trabalho. Nada de internet.”

É JORNALISTA

TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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 Universitários em Teerã, quando mulheres não eram obrigadas a usar véus islâmicos.

A versão online da revista Foreign Policy publicou imagens feitas no Irã antes de 1979, quando a Revolução Islâmica levou os aiatolás ao poder no país persa. As fotos mostram mulheres usando saias e frequentando a universidade, anúncios de produtos americanos e obras dos mais conhecidos pontos de Teerã - um cenário em completo desacordo com o encontrado agora na capital iraniana.

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A família do agente aposentado do FBI Robert Levinson publicou nesta sexta-feira, 9, um apelo na internet em resposta a um vídeo recebido no final do ano passado como prova de vida. Os parentes de Levinson decidiram divulgar o vídeo obtido, em acordo com o governo dos EUA.

Levinson, atualmente com 63 anos, desapareceu misteriosamente no Irã há quase cinco anos, enquanto trabalhava como investigador particular. No vídeo, ele aparece mais magro e aparentemente abatido. O ex-FBI pede a ajuda do governo dos EUA.

“Tenho sido bem tratado mas preciso da ajuda do governo americano para atender ao pedido do grupo que me mantém como refém”, dizia Levinson no vídeo. “Por favor ajudem-me a voltar para casa”, apelava o americano, acrescentando que não está bem de saúde.


Resposta

No vídeo feito pela família, um dos sete filhos de Levinson, David, e a esposa do ex-agente, Christine, pedem ao “grupo” que explique as exigências para que o americano seja solto. “Não somos parte de nenhum governo e não somos especialistas na região. Ninguém pode nos ajudar, a não ser vocês. Por favor, nos ajudem. Nós não sabemos mais o que fazer. Por favor, digam o que vocês querem”, diz David.

As autoridades americanas dizem não ter qualquer informação sobre o paradeiro de Levinson. O governo chegou a acreditar que ele estaria morto, mas no começo do ano a secretária de Estado, Hillary Clinton, anunciou que ele estava vivo e pediu a ajuda de Teerã para encontrá-lo.

Washington chegou também a suspeitar que Levinson poderia estar no Paquistão ou no Afeganistão, a milhares de quilômetros de onde teria sido capturado. Os governos do Irã e dos EUA não mantêm boas relações e fontes em Washington disseram que Teerã poderia estar por trás do desaparecimento. Assista abaixo à íntegra do vídeo divulgado pela família.

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Um dos maiores jornais de Israel, o Israel Hayom (“Israel Hoje”, em hebraico), ligado ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, publicou na edição desta sexta-feira, 25, uma pesquisa na qual indagava os leitores a respeito de medidas em relação ao Irã. O resultado, contudo, aparece grosseiramente manipulado no gráfico que acompanha o texto. Veja abaixo.

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A pergunta da pesquisa era: “Na sua opinião, a tomada de medidas por países do Ocidente poderia evitar que o Irã desenvolva uma arma nuclear?” Embora a maioria (48,6%, de acordo com o jornal, na barra verde da figura) tenha respondido “não”, o diário destacou a resposta “sim” (41,3%), no alto, acompanhada de uma barra (azul) desproporcionalmente maior. A terceira barra, vermelha, indica que 10% disseram que não sabem responder.

Veja também:
ESPECIAL: A tensão entre Israel e o Irã

Além da confusão no gráfico, a pesquisa ainda é ilustrada por uma foto na qual aparece uma explosão nuclear. Outra falha é a pesquisa não mencionar a quais “medidas” se refere – se militares ou diplomáticas. O governo de Netanyahu tem sugerido que uma opção militar poderia ser a única saída para evitar que o Irã consiga desenvolver uma arma nuclear, que Israel insiste ser a intenção do regime iraniano.

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Explorar as divisões internas da República Islâmica será mais eficaz do que um ataque

*ROGER COHEN, THE NEW YORK TIMES

Em 1980, Saddam Hussein invadiu o Irã. Ele calculou que encontraria os iranianos divididos demais pela revolução, que completava um ano, para oferecer resistência. Calculou mal: os iranianos estavam motivados, a última oposição interna à teocracia do aiatolá Khomeini havia sido esmagada, e o Irã ergueu-se unido contra o inimigo.

Não há necessidade de ir muito longe para prever como Teerã responderia se Israel ou os EUA bombardeassem o país na tentativa de deter seu programa nuclear. A sociedade iraniana, hoje uma mescla inflamável de depressão, divisão e disfunção – supervisionada por um líder supremo em conflito com seu inconstante presidente – se uniria enfurecida.

Esta reação, segundo alertou o secretário da Defesa americano, Leon Panetta, poderia ter “consequências indesejáveis”. Entre elas, uma tábua de salvação para a República Islâmica, hoje enfraquecida, que fecharia o país por uma geração; um acentuado aumento do número de americanos mortos nos vizinhos Iraque e Afeganistão; a retaliação direta ou indireta (através do Hezbollah) contra Israel; uma onda de radicalização no momento exato em que a ideologia jihadista parece estar se esgotando e a primavera árabe se encontra num momento delicado; um golpe para a economia global pelo aumento vertiginoso dos preços do petróleo; um renascimento do apelo regional hoje enfraquecido na medida em que o Irã se tornaria mais um país muçulmano enfrentando bombas ocidentais; e o aumento do terrorismo.

Não é uma proposta atraente. Mas tampouco é o Irã com a bomba. A crise nuclear iraniana é recorrente. Graham Allison, professor de Harvard e principal estrategista da área de segurança, a comparou a “uma crise dos mísseis de Cuba em câmera lenta”.

Como vêm fazendo há anos, líderes israelenses alertam que o tempo para se evitar um ataque militar está se esgotando; os candidatos republicanos à presidência empenham-se em promover uma belicosidade total contra Teerã; o Irã continua em sua confusa tergiversação; e a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) encontra evidências confiáveis de que o governo busca obter a bomba.

Projetos alucinados como a “Lei para a Redução da Ameaça Iraniana” de inspiração orwelliana, que está no Congresso e tornaria ilegal o contato com autoridades iranianas, só fomentam uma perigosa exacerbação do nacionalismo.

É preciso levar em conta quatro elementos. O primeiro é que o Irã não está brincando com gatilhos e detonadores nucleares de alta precisão porque quer gerar eletricidade. O que ele quer é capacidade nuclear para fins militares comum na região (ver Israel, Paquistão, Índia e Rússia).

Vírus. Em segundo lugar, a redução do ritmo do seu progresso rumo ao objetivo declarado, muito mais lento do que o do Paquistão, tem a ver não apenas com contramedidas eficientes (o vírus Struxnet e cientistas mortos em atentados), mas também com uma profunda inércia e ambiguidade; o líder supremo, Ali Khamenei, é o “guardião da Revolução” e enquanto tal atua num campo conservador em que será julgado pela sobrevivência da República Islâmica.

O programa nuclear é o cimento nacionalista para uma sociedade frágil, mesmo que não vá a parte alguma.

Em terceiro, o Irã, abalado pelo levante de 2009, uma nação jovem com um regime revolucionário ultrapassado, está inquieto: uma demanda frenética por moedas fortes empurrou a cotação não oficial do dólar muito acima da oficial, os preços dos gêneros de primeira necessidade sobem sem parar, e as tensões entre a estrutura da República Islâmica (Khamenei) e seu presidente eleito de maneira fraudulenta, Mahmoud Ahmadinejad, são virulentas.

Em quarto lugar, o grande derrotado da primavera árabe é o Irã, pois os levantes reivindicam o chamado à responsabilidade dos governantes e a representação para o povo, exatamente o que a Revolução Islâmica negou a seus autores depois de prometer a liberdade. O modelo iraniano não inspira ninguém.

Em suma, os líderes da República Islâmica, mas não o povo iraniano, são os inimigos do Ocidente. Mas o país está dividido e não quer a guerra.

Estas circunstâncias dão aos EUA e a Israel espaço para uma ação efetiva, na medida em que resistirem a um temerário ataque. O objetivo seria intensificar as divisões internas do Irã e impedir que o país se una numa determinação furiosa.

Em 1946, quando escreveu o Longo Telegrama que deu origem à política de contenção, George Kennan via uma União Soviética que era também um inimigo ideológico do Ocidente. Ele julgou, corretamente, que ela seria contida por meio de uma política firme, como ocorreu mesmo depois que aperfeiçoou a bomba.

O Irã pode ser detido com medidas que não precisam chegar à ação militar. É preciso uma política de contenção e cerceamento. Contenção do Irã por meio do aumento de defesas de Israel e no Golfo, processo já em andamento. O cerceamento implica cercá-lo em sua atual ambiguidade nuclear por um processo de corrosão (outro Struxnet, etc.), medidas que impeçam acesso a moedas fortes, e, como último recurso, uma “quarentena” semelhante à adotada por John Kennedy contra Cuba na crise dos mísseis. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

*É COLUNISTA

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