As imagens abaixo mostram alguns dos cartazes dos candidatos à presidência na França – e modificações feitas pela população.
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No dia 18 de março de 1962, há 50 anos, o governo francês e a Frente de Libertação Nacional argelina (FLN) assinaram os acordos de Évian, que colocaram fim à guerra da Argélia e abriram caminho para a independência do país, após 132 anos de colonização.
Principais Personagens
Ahmed Ben Bella: Fundador da FLN

Ferhat Abbas: Líder do governo Argelino no Exílio
Charles de Gaulle: presidente da quinta república francesa

Raoul Salan: general francês
Said Boualam: líder da frente argelina francesa, contrária à independência
Pierre Lagaillarde: líder da Organização Secreta do Exército
Números
França:
Soldados franceses mortos no conflito: 17 mil
Colonos franceses mortos ou desaparecidos: 3, 3 mil
Vítimas de atentados na França: 4,3 mil
Argélia:
FLN mortos em combate: 141 mil
FLN mortos em expurgos: 12 mil
Civis vítimas de ataque francês : 1 milhão, segundo o governo argelino
Argelinos pró-França mortos depois da guerra 150 mil
Veja cronologia dos eventos:
8/05/1945 – Massacre de Sétif
Marcha francesa para comemorar a vitória na Segunda Guerra acaba em conflito com muçulmanos que protestavam pela independência. Ao menos 100 franceses e 45 mil argelinos morrem.
Março de 1954 – Formação da FLN
Ex-sargento do Exército francês, Ahmed Ben Bella reúne outros oito exilados argelinos no Egito e funda a Frente de Libertação Nacional, que tem como objetivo tornar a Argélia independente da França.
1/11/1954 – Toussaint Rouge
Impulsionada pela derrota francesa na Indochina, a FLN lança uma guerra de guerrilhas contra o Estado francês com ataques a prédios públicos, policiais e militares. A data fica conhecida como Toussaint Rouge, (Dia de Todos os Santos vermelho). Em resposta, Paris envia 400 mil soldados para a colônia.
Agosto de 1955 – Civis na mira
FLN começa a atacar civis. Turba incitada pelos guerrilheiros mata 120 pessoas em Philippeville. Em retaliação, tropas francesas e colonos armados matam 12 mil muçulmanos. Governador-geral da Argélia Francesa rompe com os revolucionários.
30/09/1956 – Batalha de Argel
FLN leva o conflito para as grandes cidades. A batalha de Argel, uma das mais sangrentas da guerra, começa com mulheres colocando bombas em vias públicas. A guerrilha urbana, com uma média de 800 ataques por mês, dura até abril de 1957 e é acompanhada de uma greve geral.
Maio de 1958 – De Gaulle em cena
Irritados com a incapacidade do governo francês em acabar com a revolta, colonos invadem o escritório do governador-geral em Argel. Aumenta a pressão para que Charles de Gaulle assuma o governo.
Novembro de 1958 – Governo no Exílio
Ferhat Abbas cria o governo argelino no exílio, em Túnis, com apoio de países árabes, africanos e da China. Referendo sobre nova Constituição é aprovado, com grande participação do eleitorado muçulmano argelino.
Fevereiro de 1959 – A quinta república
Nova constituição entra em vigor, pondo fim à quarta república. De Gaulle é nomeado presidente, com poderes para governar por decreto
Setembro de 1959 – Distensão
Convencido de que o conflito é insustentável, De Gaulle declara que a Argélia precisa de autodeterminação.
Janeiro de 1960 – Semana das barricadas
Sentindo-se traídos por De Gaulle, colonos franceses erguem barricadas nas ruas de Argel e tomam o controle de prédios públicos em Argel. Ao menos 20 manifestantes morrem. O governo manda prender oito líderes do movimento e De Gaulle pede que o Exército se mantenha leal a ele.
Janeiro de 1961 – Referendo
De Gaulle organiza referendo sobre a autodeterminação da Argélia, aprovado por 75% dos eleitores na metrópole e na colônia. Secretamente, começa negociações com a com a FLN.
Abril de 1961 – Golpe frustrado
Generais franceses na Argélia contrários à independência tentam derrubar De Gaulle. O golpe é frustrado.
Maio de 1961 – Primeiras negociações
Governo francês e FLN se reúnem em Evian, mas conversas fracassam
Março de 1962 – Acordo
Após segunda rodada de negociações, o governo francês declara um cessar-fogo
Março – junho de 1962
Organização Secreta do Exército (OAS), grupo paramilitar dissidente contrário à independência, lança ataques terroristas contra muçulmanos argelinos
1/07/1962
Independência da Argélia é aprovada em referendo. Seis milhões de argelinos votam a favor da separação (99,7%)


Várias mulheres do Ennahda, partido islâmico que venceu as eleições na Tunísia, foram eleitas para a Constituinte
*MONICA MARKS, THE NEW YORK TIMES

Na Tunísia, onde a imolação de um vendedor desencadeou a primavera árabe, mais de 90% dos eleitores compareceram às primeiras eleições livres. Filas de cidadãos radiantes com os dedos lambuzados de azul saíam dos locais de votação, postando orgulhosamente fotos de seus dedos manchados no Facebook.
Apesar do sucesso da eleição, muitos temem que a democracia desencadeie um tsunami religioso. O partido islâmico Ennahda, banido como grupo terrorista pelo ex-ditador Zine Abidine Ben Ali, recebeu 40% dos votos – uma expressiva maioria. Uma pequena, embora influente, minoria de tunisianos seculares prevê que uma Assembleia Nacional dominada pelos fundamentalistas islâmicos revisará partes importantes da legislação de direitos civis, incluindo as que reconhecem o direito ao aborto e a proibição da poligamia.
As feministas seculares da Tunísia, muitas admiradoras do secularismo francês, veem as mulheres do Ennahda como agentes involuntárias da própria submissão. Embora o partido apoie o Código de 1956 – a lei sobre direitos das mulheres mais progressista do mundo árabe -, seus críticos o acusam de “duplo discurso”. Ele adotaria uma linha tolerante ao falar com secularistas francófonos, mas pregaria uma mensagem conservadora ao dirigir-se à sua base rural.
Em vez de desenvolver plataformas sólidas próprias, os partidos de oposição seculares, como o Ettajdid, concentraram-se no alarmismo, levantando o espectro de uma tomada do poder ao estilo iraniano e a imposição da sharia, a lei do Islã. Daniel Pipes e outros analistas entraram na disputa, conclamando Washington a opor-se ao “flagelo” do Ennahda e rotulando o islamismo de “maior inimigo do mundo civilizado”.
Ainda é cedo, porém, para soar o alarme. Por causa de sua participação ativa na política partidária, as mulheres do Ennahda podem ser mais beneficiadas pela eleição do dia 23 do que qualquer outro grupo. Em maio, a Tunísia aprovou uma lei de paridade extremamente progressista, parecida com a da França, exigindo que sejam mulheres a metade dos candidatos do país.
Partido há muito tempo reprimido, o Ennahda tem mais credibilidade do que outros grupos. Ele também tem um número de candidatas maior do que qualquer outro partido e, por isso, apoia a lei de paridade. Muitas tunisianas desenvolveram uma consciência política em reação à perseguição ao Ennahda movida por Ben Ali nos anos 90. Enquanto seus maridos, irmãos e filhos estavam na prisão, elas descobriram que tinham uma participação pessoal na política e a força de se sustentarem sozinhas como chefes de famílias. Quando o partido foi legalizado, em março, encontrou nelas uma ampla base de apoio.
Como foi vencedor nas eleições, o Ennahda enviará o maior bloco de mulheres parlamentares à Assembleia Constituinte de 217 membros. A questão agora é como elas governarão. Serão títeres do patriarcado islâmico ou apenas feministas que usam lenços na cabeça?
Após entrevistar 46 mulheres ativistas e candidatas do Ennahda, descobri que muitas se voltaram para a política após experimentar discriminação no emprego, detenções ou anos de prisão. Para algumas, essa eleição tem a ver tanto com a liberdade religiosa quanto com qualquer outra coisa. “Tenho mestrado em Física, mas não fui autorizada a lecionar durante anos por causa disso”, disse uma mulher de 43 anos chamada Nesrine, puxando a ponta de seu hijab com estampa floral, véu banido no tempo de Ben Ali, mas legalizado desde a queda dele.
Segundo Mounia Brahim e Farida Labidi, membros do Conselho Executivo do Ennahda, o partido saúda a presença de mulheres fortes e críticas em suas fileiras. “Olhe para nós”, disse Mounia. “Somos médicas, professoras, donas de casa, mães – às vezes, nossos maridos concordam com nossa política; às vezes, não. Mas estamos aqui e somos ativas.” Elas, provavelmente, não se oporão à lei sobre direitos das mulheres.
As mulheres do Ennahda são, antes de tudo, tunisianas. Elas são bem educadas e seu islamismo é relaxado e progressista. Desde os anos 50, elas têm mais proteção legal do que suas congêneres de outros países árabes. Hoje, tentam conciliar o legado de políticas de direitos civis inspiradas nos franceses com as aspirações de um público devoto. O desafio do Ennahda é chegar a um equilíbrio.
Para tanto, o partido declarou que imitará o exemplo do AKP (Partido Justiça e Desenvolvimento), da Turquia, que reprimiu a corrupção, transformou mulheres em parceiras políticas e alcançou taxas admiráveis de crescimento econômico. Reproduzir esse modelo de moderação e prosperidade será difícil na Tunísia, um país com níveis estarrecedores de desemprego e 25% de analfabetismo. A democracia ao estilo turco pode parecer menos progressista em Túnis do que em Istambul, onde bares de clubes de dança pontilham as ruas da cidade. Existe uma chance, é claro, de que os avanços para as mulheres sejam revertidos. Como a história mostrou nos EUA, na França, na Argélia e no Irã, movimentos revolucionários nem sempre levam à igualdade de gêneros ou a políticas mais inclusivas. Em geral, as mulheres lutam pela libertação e são deixadas de lado quando se formam os novos governos.
As tunisianas, porém, estão bem situadas para evitar esse destino. Até agora, o país fez um bom trabalho ao incluir mulheres em suas instituições tradicionais, especialmente na comparação com o Egito, onde o Conselho Supremo das Forças Armadas proibiu mulheres de liderarem qualquer lista partidária. O Ennahda até agora usou seu peso político para estimular – e não para obstruir – a participação de mulheres na política. Suas ativistas estão apresentando um modelo mais acessível de “feminismo islâmico” a muitas mulheres tunisianas rurais e socialmente conservadoras.
Francas, ativas e com frequência veladas, elas se sentem confortáveis com a linguagem de piedade e política. Apesar do alarmismo dos céticos seculares e comentaristas ocidentais, suas ações e aspirações lembram muito mais o AKP da Turquia do que a Irmandade Muçulmana do Egito.
TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK
*É DOUTORANDA EM ESTUDOS DO ORIENTE MÉDIO NA UNIVERSIDADE DE OXFORD

Como nossos antepassados. O presidente dos EUA, Barack Obama, toma cerveja Guinness em um pub no pequeno vilarejo de Moneygall, na Irlanda. Durante a campanha eleitoral, Obama descobriu que tem antecedentes no local, com população de apenas 300 pessoas, segundo a imprensa local. Nesta segunda-feira, 23, começando pela Irlanda um giro de quatro dias que faz pela Europa, o presidente foi recebido por cerca de três mil pessoas no vilarejo. Em Dublin, a limusine oficial da comitiva, onde Obama estava, ficou presa em uma rampa.
Na semana passada a rainha Elizabeth II, da Inglaterra, visitou o país. Em Dublin, ela e o marido, o duque de Edimburgo, estiveram na fábrica da tradicional cerveja irlandesa, mas não bebeu. Barack Obama também visita, no giro de quatro dias, a Inglaterra, França (onde se reunirá com líderes do G8) e Polônia. Ele partiu para Londres nesta segunda-feira, um dia antes do previsto, para evitar a nuvem de cinza vulcânica sobre a região. A erupção do vulcão Grimsvotn, no sudeste da Islândia, já afeta voos sobre a região.
Seleção de imagens: Natália Russo, da editoria de Fotografia do estadão.com.br
O marechal Petáin, herói francês da Primeira Guerra Mundial e líder do governo colaboracionista de Vichy, durante o conflito de 1939-1945, já não dá nome a nenhuma rua do país. A última vila francesa que homenageava Pétain mudou o nome de uma de suas três ruas, após um jornal regional divulgar a existência da polêmica via, segundo o jornal espanhol El País.
O prefeito Jean Pol Oury reuniu no começo de dezembro a Câmara dos Vereadores após o governo regional das Ardenas e associações de familiares de vítimas da Segunda Guerra pedirem a mudança do nome da rua. Os nove vereadores da cidade então decidiram mudar o nome da via para Belle-Croix.
“Para nós tanto fazia se chamar Petáin, ou outro nome. Votamos assim para ter tranquilidade”, disse o prefeito. “A vila tem três ruas com nomes de heróis da Primeira Guerra e isso não incomodava ninguém”.
O presidente da França, Nicolas Sarkozy, deu os parabéns à petista Dilma Rousseff pela eleição à presidência por meio de comunicado divulgado pela chancelaria francesa. Segundo o francês, a escolha de Dilma é o “reconhecimento do povo brasileiro ao trabalho do presidente Lula para fazer do Brasil um país mais justo e moderno”.
Sarkozy ainda disse que a França e o Brasil “compartilham os mesmos valores e as mesmas visões de mundo” e que os países devem seguir com a cooperação em todas as áreas.
Pesquisa do Centro de Documentação e Informação (CDI) o Grupo Estado
Há 5 anos, a morte de dois adolescentes de origem africana em Clichy-sous-Bois desencadeava em várias localidades francesas a mais grave onda de violência no país em décadas.
Há 45 anos, o Ato Institucional n.º 2 extinguia os 13 partidos políticos existentes, tornava indireta a eleição para presidente e reabria cassações.
Pesquisa do Centro de Documentação e Informação (CDI) o Grupo Estado
Há 1 ano, após três dias de negociações em Viena, o Irã fechava pré-acordo com EUA, Rússia e França para conversão de 75% de seu material radioativo na Rússia. O diálogo foi visto como o primeiro engajamento diplomático sério entre americanos e iranianos em 30 anos.
Há 50 anos, a Grã-Bretanha lançava o seu primeiro submarino nuclear, o HMS Dreadnought.
Veja abaixo os destaques da semana:
Domingo, 10 de outubro - Na periferia de Sófia, um cortiço vem sendo alvo de uma preocupação especial por parte dos moradores do bairro. É o edifício para onde foi levada parte dos ciganos expulsos da França nos últimos meses. De volta a seu país de origem, eles seguem discriminados e marginalizados. Seus novos vizinhos chegaram a fazer um protesto, alertando que não queriam se transformar em um gueto de ciganos. Muitos dos que foram deportados – para Bulgária e Romênia – pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, dizem que só esperam alguns meses antes de voltar a tomar a estrada na direção da Europa Ocidental, em busca de melhores serviços públicos e empregos mais rentáveis. Entre 10 milhões e 12 milhões de ciganos vivem pela Europa, a grande maioria na Romênia e Bulgária. Uma pesquisa de opinião feita na capital búlgara, Sófia, mostrou que 45% dos entrevistados apoiaram a decisão de Sarkozy de expulsar os ciganos. Só não querem que a expulsão signifique que essa população acabe em seu quintal.
Segunda-feira, 11 de outubro - Os técnicos devem concluir às 9 horas (mesmo horário de Brasília) o revestimento do túnel pelo qual serão resgatados os 33 mineiros presos na mina San José desde 5 de agosto. Segundo o ministro das Minas do Chile, Laurence Golborne, serão revestidos apenas os primeiros 90 metros do túnel com tubos de aço. Com isso, o resgate deve começar na terça-feira ou na quarta-feira, mas pode atrasar ou adiantar, como alertou o ministro. Os mineiros serão transportados pela cápsula Fênix, de 4 metros de altura e 54 centímetros de diâmetro, que vai içá-los do refúgio, que fica a 680 metros de profundidade, até a superfície. “Para cada mineiro transportado, será como subir num elevador da base até o topo do Pão de Açúcar”, comparou o ministro da Saúde, Jaime Mañalich.
Terça-feira, 12 de outubro - O resgate dos 33 mineiros presos na mina San José vai começar, no máximo, à meia-noite de hoje, anunciou o ministro de Minas do Chile, Laurence Golborne. Em reunião com parentes dos mineiros presos desde 5 de agosto, autoridades afirmaram que o início do salvamento pode ser adiantado, e começar no fim da tarde. Isso coincidiria com a chegada do presidente chileno, Sebastián Piñera, que apressa sua volta do Equador. O resgate vai começar com testes com paramédicos e mineiros, que serão baixados até o refúgio. Os mineiros serão transportados pela cápsula Fênix, de 4 metros de altura e 54 centímetros de diâmetro, que vai içá-los dos quase 700 metros de profundidade até a superfície. A cápsula pode subir a uma velocidade de cerca de 1 metro por segundo e, portanto, o trajeto até o topo levaria de 12 a 15 minutos. Os mineiros podem sentir náuseas, ter problemas de pressão ou desmaios no trajeto.
Quarta-feira, 13 de outubro - Era 0h10 de hoje quando o mineiro Florencio Ávalos emergiu na superfície dentro da cápsula Fênix, depois de 69 dias preso a quase 700 metros de profundidade. Ávalos foi o primeiro dos mineiros a ser resgatado na mina de San José. Ao sair da cápsula, que o içou em 16 minutos, Florencio usava capacete e óculos escuros e foi abraçado pelo filho e pela mulher. Pouco antes, soou uma sirene na mina. O presidente do Chile, Sebastián Piñera, e a primeira-dama, Cecília Morel, chorando, o abraçaram também. No Acampamento Esperança, onde os parentes dos 33 mineiros presos vivem desde que eles foram soterrados, no dia 5 de agosto, explodiram gritos de alegria e bandeiras do Chile em todos os cantos. “Chi-chi-chi le-le-le, mineros de Chile”, gritavam todos. Pela TV, bilhões de espectadores acompanhavam o drama em todo o mundo.
Quinta-feira, 14 de outubro - Eram 17 milhões de chilenos chorando de emoção, buzinando e cantando, quando o último dos 33 mineiros, Luis Urzua, chefe do grupo, foi resgatado às 21h55. Depois de 70 dias presos a quase 700 metros de profundidade, tendo sobrevivido 18 dias com duas colheradas diárias de atum, os sobreviventes foram retirados com sucesso em uma das mais complexas operações de salvamento da história. Na principal praça de Copiapó, cidade mais próxima da mina San José, mais de 3 mil pessoas dançaram, cantaram o hino chileno e choraram quando o presidente do país, Sebastián Piñera, segurando a mão de Urzua, agradeceu aos mineiros. “Estamos orgulhosos dos 33 mineiros que deram um exemplo de companheirismo e solidariedade. Estamos orgulhosos das milhares de pessoas que tornaram possível o resgate de vocês.” Urzua respondeu. “Estou lhe entregando o turno e espero que isto não volte a ocorrer.”
Sexta-feira, 15 de outubro - Menos de 48 horas depois de serem resgatados da mina San José, 3 dos 33 mineiros receberiam alta do hospital de Copiapó e voltariam para suas casas. Centenas de jornalistas se aglomeravam nas duas entradas do centro hospitalar, à espera da saída dos mineiros. Luis Urzua, o líder dos mineiros que foi o último a ser resgatado, contou para o presidente Sebastián Piñera alguns detalhes sobre a vida dos 33 debaixo da terra. “Quando chegou a primeira perfuradora ao nosso refúgio, todos queriam abraçar as brocas. Eram seis da manhã, tínhamos todo um protocolo a cumprir, mas ninguém ligou, só queríamos abraçar a broca”, contou Urzua. Os mineiros ficaram 70 dias presos a quase 700 metros de profundidade, submetidos a uma umidade de 89% e temperatura mínima de 32 graus. Muitos tinham problemas dentários, fungos na pele, e distúrbios psíquicos.
Sábado, 16 de outubro - A tragédia na mina chilena de San José – na qual 33 trabalhadores ficaram soterrados a quase 700 metros de profundidade durante 70 dias – pode se repetir, com consequências fatais, em 15% das 20 mil minas mapeadas do Chile, nas quais mais de 2 mil mineradores estão trabalhando neste momento. O alerta foi feito por alguns dos maiores especialistas em engenharia de mineração e líderes sindicais chilenos entrevistados pelo Estado. “É seguro que essa tragédia pode se repetir num grau ainda muito maior, se as coisas continuarem como estão”, disse o diretor do Departamento de Engenharia de Minas da Universidade do Chile, Aldo Casali. “Simplesmente não há como fiscalizar todas as pequenas minas que funcionam nos locais mais remotos do país.”
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